Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 17.04.17

 

 

"Não fiquem cansados tão depressa: o mal é mais tenaz do que o bem", é o título de mais um texto muito interessante de Pacheco Pereira. O discurso sobre o mal vem a propósito de "Trump é um perigo de dimensões mundiais e pode conduzir o mundo ao patamar de uma guerra". 

A contenda entre o mal e o bem continua sobreaquecida. O bem, e quem o promove, é odiado pelo mal que é persistente e usa disfarces sofisticados. É preciso estar atento, parece-me a preocupação mais evidente do texto de JPP. Miguel Real (2011:113), na "Nova teoria do mal", Lisboa, D. Quixote, tem uma passagem interessante, mesmo que algo pessimista:

"(...)O bem corresponde, assim, a tudo o que contribua, num tempo e num espaço civilizacionais, para a perseveração integral da especificidade de um ser, e o mal a tudo o que o impeça, frustre ou destrua. Na tensão entre a preservação e a destruição, só existem equilíbrios provisórios, não permanentes, o mal impera e vence sempre.(...)"



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Domingo, 05.02.17

 

 

 

"(...)Pior do que a crueldade, sempre gratuita, é esta indiferença perante a crueldade. As pessoas que resolvem olhar para o lado, fugir com o rabo à seringa, pretendendo não ver. As pessoas que têm horror da resistência. Os facilitadores. Os cúmplices. Os assalariados. Os corrompidos. Os cobardes. Os amorais. Os neutros.

O que assusta em Trump não são as políticas de Trump. O que assusta é a crueldade, traço evidente para quem viu os episódios de "O Aprendiz" ou os primeiros debates contra os republicanos, quando ele não esperava ganhar.(...)"

 

Clara Ferreira Alves (2017.02.04:03)

Revista do Expresso



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Quarta-feira, 02.11.16

 

 

 


Peter Albert David Singer (nascido em 1946 em Melbourne, Austrália) é filósofo e professor na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, na área da ética prática. Trata questões éticas numa perspectiva utilitarista. Recomento o seu livro "Ética Prática".

Retenho esta frase:


"A ética é prática, senão não é verdadeira ética. Se não for boa na prática, também não é boa na teoria".

 

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Segunda-feira, 08.08.16

 

 

 

 

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Luís Afonso



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Sexta-feira, 08.04.16

 

 

 

Precisamos de um "novo" abecedário. Mas um abecedário despretensioso e artesanal como na imagem. E olhem que não é falho de ambição.

 

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Quinta-feira, 07.04.16

 

 

 

Não há americanos no Panamá? A roupa com nódoas mais difíceis lava-se em casa.

 

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Terça-feira, 05.04.16

 

 

 

Se a panamiana Mossack Fonseca é a quarta do ranking, que papelada andará pelas três primeiras?

 

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Segunda-feira, 04.04.16

 

 

 

Não gostei de Pedro Almodóvar aos papéis no Panamá. Já li umas justificações no El País. Acompanho há muito, e com muito interesse, o cineasta e recordo-me dos seus ataques ferozes ao capitalismo desregulado e aos offshores. Veremos como se explica. Mas tudo isto não significa que não canse um bocado o lançamento de pedras à esquerda e à direita. A superioridade moral na humanidade não me parece que dependa da ideologia. Há corrupção onde há humanos. É evidente que o capitalismo desregulado mostra que é ainda mais propício às fragilidades de carácter e que não olha a ideologias; digamos que é corrupção a eito.

 

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Sexta-feira, 07.08.15

 

 

 

Quanto mais se acentua a crise ética, mais se degrada a legalidade.



publicado por paulo prudêncio às 09:52 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 12.05.15

 

 

 

 

Quanto mais se acentua a crise ética, mais se degrada a legalidade.



publicado por paulo prudêncio às 10:29 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 26.02.15

 

 

 

"Há um exagero em muitas das pessoas que se queixam que cederam por causa da pressão", disse a especialista, não ouvi o nome, na TSF. O tema era o assédio nas relações de trabalho e a consequente "desculpa" para a fraqueza moral.  

 

Não é preciso ouvir uma especialista para comprovar a evidência. Os últimos anos do sistema escolar foram férteis. Quantas e quantas vezes (é uma lista mesmo interminável) não ouvimos o argumento da pressão, e da necessidade, para justificar o mais notado oportunismo? E como disse a especialista, este tipo de "fraquezas" são sempre, e a prazo, prejudiciais aos indivíduos que as praticam e vezes de mais aos grupos onde se inserem.



publicado por paulo prudêncio às 19:56 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 19.02.15

 

 

 

 

"(...)Creio que a mediocridade se mede pela ausência de princípios éticos, e as pessoas que fazem uma carreira na ciência, na indústria, no comércio, nas letras, na função pública e que são bem formadas têm alguma dificuldade em aceitar, por um lado, o servilismo em relação aos partidos, por outro lado, o maquiavelismo e o oportunismo a que as máquinas partidárias dão ensejo.(...)

 

O que acabou de ler é uma das faces do prolongamento da "Nova teoria do mal" de Miguel Real que encontra, na edição do Público de hoje, em forma de entrevista.

 

A visão maniqueísta consolidou-se e ainda há dias ouvi Mariano Gago contrapôr, com absoluta mágoa, a necessidade do bem se impôr ao mal. Para o ex-ministro (mais ou menos, claro), quando o bem desafia o mal no seu reduto, todos começamos por sofrer com as consequências; mas com o tempo, a força moral do bem sobrepõe-se às circunstâncias.

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"Aos 61 anos, o filósofo, ensaísta e romancista Miguel Real lança mais um romance. Agora, em vez de ficcionar sobre a actualidade ou sobre a história, constrói uma utopia ficcional em que projecta o futuro: O Último Europeu, Edições D. Quixote.(...)

E a classe política?

(...)A classe política foi tomada de assalto, sobretudo a governação, por um conjunto de funcionários das jotas que foram servilmente subindo degrau a degrau, limpando tudo em redor como os eucaliptos, até ao momento em que não há alternativa dentro dos partidos. As possíveis grandes alternativas, as alternativas de mérito fogem para a sua profissão, para a ciência, para as artes, para o comércio, para a economia, para as finanças.

Vivemos em democracia?

Há vários tipos de democracia. Do ponto de vista formal não podemos negar que há democracia, nos grandes princípios da Europa a democracia cumpre-se: há alternativas, há alternâncias, há possibilidade de contestação, há liberdade de expressão, de reunião, de manifestação, tudo isso é muito importante. Quem viveu antes do 25 de Abril não pode negar que este é o melhor regime.(...)

Há excepções?

(...)Agostinho da Silva contava uma história da serra da Malcata, onde na década de 1960 havia cinco famílias num povoado. Três dessas famílias emigraram, sem saber a língua, com os costumes rurais que tinham, a mentalidade da Nossa Senhora de Fátima, mas tiveram a ousadia e a coragem de ir a salto para a Alemanha e a França. Quando mais tarde regressaram triunfantes, com uma família, um carro, uma casa, quem dominava a aldeia? Os que não tinham tido a coragem de partir. Dominavam a sacristia, o minimercado, a serração da madeira e também a junta de freguesia. Portugal é um pouco isso. As elites corajosas e ousadas são as que partem. Ficam cá, em parte pois não quero generalizar, os que não têm coragem de partir, ou seja, não têm coragem de inovar. A elite portuguesa reflecte hoje isso.

No actual relativismo ético, idolatra-se o dinheiro e o consumo. Vivemos uma regressão civilizacional e estamos a voltar a um mundo mais desigual?

Socialmente mais desigual, inevitavelmente estamos. A Europa transformou-se numa empresa de negócios, uma grande empresa. As nações, os países são os sócios dessa empresa. A empresa fez-se para trocar, vender, comprar.(...)



publicado por paulo prudêncio às 17:34 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 15.01.15

 

 

 

Há muito que não ouvia Júlio Machado Vaz. Está pelo "Porto Canal" e "recuperou" um adjectivo muito usado no norte: velhaco, ou velhaca claro. É aquela pessoa que assassina (foi o verbo usado) o carácter de outro de forma traiçoeira. O adjectivo estava em desuso, mas a prática nem por isso.

 

 

 

 

 

 


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Segunda-feira, 17.11.14

 

 

Mais do que gestores do público ou do privado, há pessoas honestas e outras que nem por isso.

 

O que o caso dos vistos gold mais salienta, para além da corrupção que nos consome, são as quase certas ilegalidades de funcionários públicos com cargos elevados na hierarquia. Já estávamos habituados à corrupção dos privados, com a banca em lugar de destaque, e às práticas lesivas do Estado praticadas pelo poder político, mas desta vez o flagelo atinge o âmago da democracia.

 

O caso dos vistos gold é imperdoável. Quem serve a coisa pública tem o dever de proteger a instituição que serve e de a colocar acima dos interesses pessoais. A legalidade é um dever de cidadania para todos, sabemos isso, mas estes quadros da função pública foram, ao que tudo indica, de um egoísmo inaceitável numa sociedade flagelada por cortes salariais, pelo desemprego, pela emigração e pelo empobrecimento.

 

Se se comprovar a sua inocência, então o caso terá contornos gravíssimos na mesma.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:35 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Domingo, 16.11.14

 

 

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 O eterno desenho do Quino.

 

O liberalismo selvagem (ou ultraliberalismo) vigente, persistente, totalitário e já com história, tem contornos evidentes. A sua agenda consistiu na diluição de alguns valores essenciais à democracia. Por exemplo, a ideia de transparência foi-se tornando em algo só ao alcance de pessoas pouco espertas ou nada expeditas: uma coisa démodé

 

Nada tens a esconder? Não és interessante. És um aborrecido.

 

A revista do Expresso tem uma interessante entrevista sobre a necessidade de desconstruir o tal liberalismo:

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O título está também interessante:

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A entrevista é extensa. Escolhi uma das lides (de lead :)):

 

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E por falar em revistas e peças interessantes, também aconselho a peça da Revista do Público sobre "O estado da meritocracia em Portugal".

 

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publicado por paulo prudêncio às 20:16 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

Sabe-se agora que os múltiplos prémios de gestão recebidos pela PT eram comprados. É uma espécie de cúmulo do liberalismo selvagem em que vivemos.

 

A grande corrupção domina a Europa. Desgraçadamente é assim. Para cada 20 novos ricos são espremidos uns 20 milhões das classes média e baixa. O limiar está atingido e nem se imagina onde vamos parar. 

 

Há uma lógica de incumprimento da lei, de chico-espertismo, que se alastrou. Sabe-se das justas críticas ao legislador, mas também se desespera por uma qualquer refundação moral.

 

 

 



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Segunda-feira, 03.11.14

 

 

 

Não podemos despir a pele e ainda bem que é assim. A singularidade dos humanos é um verdadeiro oxigénio.

 

Mas a história já nos ensinou vezes sem conta que quando colocamos os interesses individuais muito acima dos colectivos acabamos por afectar os segundos e irremediavelmente os primeiros. Os gestos mais egoístas que prejudicam os interesses dos grupos acabam sempre com danos sérios para ambos, seja no âmbito nacional ou local; é só deixar passar o tempo, embora se tenha que registar, e infelizmente, que há danos que são quase irreparáveis.

 

Ter um olhar para o grupo e outro para o individual é uma formulação difícil; sabemos disso. Mas quem olha para o interesse geral consegue sempre proteger os interesses mais particulares.

 

 Já usei esta argumentação noutros posts.



publicado por paulo prudêncio às 09:57 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Sábado, 01.11.14

 

 

"Vê lá que a filha da minha empregada senta-se ao meu lado na faculdade", é um espanto misturado com indignação que pode ser escutado aos filhos da geração ainda adolescente no 25 de Abril e nas que se seguiram.

 

E nesse grupo encontramos, para além dos óbvios e imutáveis conservadores, MRPP´s, esquerdas minoritárias diversas, socialistas e sociais-democratas de vias avançadas e até os freaks da altura.

 

Não direi que é uma desilusão, pois para isso tínhamos de estar iludidos e não era caso para tal. É uma espécie de tristeza, de ligeiro choque e de surpresa com o estado em que ainda estamos com quase quarenta anos de democracia. Às vezes até parece que regredimos e que eliminámos a memória.

 

 

 



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Domingo, 26.10.14

 

 

 

Quanto mais se acentua a crise ética, mais se degrada a legalidade.

 

 

 



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Quarta-feira, 08.10.14

 

 

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Os concursos de professores, nas suas variadas formas, têm de obedecer à graduação profissional. Está mais do que provado. A dimensão geográfica da área de concurso não impede esse objectivo. A metodologia e os procedimentos devem ser modernos e civilizados. Se são, aplicam-se a qualquer dimensão geográfica e ponto final.

 

O sistema escolar está em roda livre e abandonar a graduação profissional é perigosíssimo. Somos uma sociedade assim e não adianta escondê-lo. A graduação é de imediato substituída pelo amiguismo-e-por-outras-coisas-do-género, mesmo que se conheçam honrosas excepções.

 

A esse propósito, Luhmann (1989) interroga-nos sobre os motivos que levariam um indivíduo a ser honesto no escuro. Seria porque o deseja ou porque há procedimentos e regras de controlo dos comportamentos? É natural que não se consiga responder univocamente a este problema. Contudo, pode servir para reflectirmos sobre o que estamos a viver nos mais variados concursos e sobre os caminhos que nos trouxeram até aqui.

 

  

Luhmann, N. (1989). La moral social y su reflexión etica.

Barcelona: Antropos

 

 

Post de 14 de Setembro de 2014



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Autor:
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