Em busca do pensamento livre.
Sábado, 1 de Julho de 2017

 

 

 

"Portugal é o país europeu com uma maior associação entre chumbos e pobreza", diz o Público numa edição em que também se conclui que "em 16 anos nunca se chumbou tão pouco como no ano lectivo passado". Se também se sabe que temos 2 milhões e 500 mil pobres (500 mil crianças), será óbvia a conclusão que nos diz que as alterações administrativas para o sucesso escolar mudaram os números (os números) e ponto final. 

Repito um algoritmo que já tem quase uma década.

A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades, na mesma sociedade e organização, com 100 professores diferentes, os resultados oscilariam muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

É também por isso que é um logro que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que tudo se resolve mudando o conteúdo físico dos 30%. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% não há ensino.

 



publicado por paulo prudêncio às 11:21 | link do post | comentar | partilhar

4 comentários:
De mario silva a 1 de Julho de 2017 às 16:57
A publicação em 2016 do novo despacho de avaliação no ensino básico, explica "esse chumbar tão pouco". Aliás, basta o nº2 do artº21º ("sendo a retenção considerada excecional"), que embora não tenha a coragem de ser explicito, tem o efeito prático de eliminar o 'chumbo'.
E é 'atirado para debaixo do tapete' o efeito pernicioso de não obtenção de aprendizagem significativa, que só se sentirá após uma década ou mais...


De paulo prudêncio a 2 de Julho de 2017 às 18:16
São as polémicas habituais. Não saímos disto.


De Lúcio a 1 de Julho de 2017 às 23:52
Título falacioso. Se, por absurdo, Portugal tivesse o menor índice de chumbos o título seria "Portugal é o país europeu com maior associação entre sucesso e pobreza". É que Portugal é o pais mais pobre, bolas!


De paulo prudêncio a 2 de Julho de 2017 às 18:16
Nem mais.


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