Em busca do pensamento livre.
Sexta-feira, 15 de Julho de 2016

 

 

 

"Os privados educam melhor porque privilegiam a qualidade e a excelência. Basta ver os rankings dos exames do 12º ano em que as trinta primeiras escolas são privadas", disse o político e dirigente escolar ligado a uma cooperativa que, ao que percebi, gere uma escola privada do ensino superior que passou pós-graduações e até mestrados irregulares. É preciso descaramento para incluir tantas falácias num pequeno parágrafo.

 

Primeiro: quem educa são as sociedades e as famílias. As escolas ajudam na educação de alunos que "não querem aprender", mas esses raramente chegam ao 12º ano. E se o fazem, não é nessas escolas. Os que "aprendem em qualquer sistema", ajudados pela ambição escolar das sociedades e das famílias e, em regra, com bons apoios sócio-económicos, não precisam das escolas, e muito menos dos seus dirigentes, para se educarem. Quando muito, e para aprenderem e com isso melhorarem a sua educação, beneficiam do ensino dos seus professores ou de apoios fora da escola. O que se pede aos dirigentes escolares é que façam gestão. Numa democracia, uma escola deve ser um lugar de referência nos procedimentos de gestão de quem presta um serviço ao público e, assim, favorecer a igualdade de oportunidades e as condições de realização do ensino. Como isso dá trabalho e é exigente, é mais cómodo para estes dirigentes pavonearem-se com méritos escolares que não são seus, encherem o discurso de conversa fiada e revelarem queda para irregularidades.

 

1ª edição em 15 de Novembro de 2015. 

 

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publicado por paulo prudêncio às 19:40 | link do post | comentar | partilhar

8 comentários:
De Alt a 31 de Maio de 2016 às 09:59
Quanto o argumento para a qualidade são os resultados dos exames, bem se vê a falta de neurónios desta gente. Ou pior, a idiotice misturada com falta de rigor mental, pouca excelência na compreensão e fraca qualidade de argumentação.
É deveras interessante que um bom especialista em gestão da qualidade (que existem mesmo em Portugal embora os media não os consigam encontrar ou eles preferem continuar fora do circo) não queira meter-se na discussão. Á partida eles sabem que o método de análise de qualidade nunca pode ser a análise do lote final. E isto sem entrar na complexidade de um processo humano, com enorme variabilidade e cuja complexidade não pode ficar por bitaites de adega


De paulo prudêncio a 31 de Maio de 2016 às 14:09
Nem mais.


De Isabel a 31 de Maio de 2016 às 14:19
Estás em grande forma, Paulo!
Faz aí "um contrato de associação"para ensinares gestão escolar. Eu posso angariar alunos. Podíamos começar, sei lá, pelos Conselhos Gerais. Ou talvez pela autarquia! :):)
Beijo e continua.


De paulo prudêncio a 31 de Maio de 2016 às 19:30
Obrigado Isabel. Pelas palavras e pela atenção. Beijo também.


De Lúcio a 16 de Julho de 2016 às 16:28
Em forma, sem dúvida.


De paulo prudêncio a 16 de Julho de 2016 às 20:16
Obrigado.


De Professor Rogério a 17 de Julho de 2016 às 06:11
Olá, a questão que quero abordar aqui é apenas o uso de charges nas aulas de Português. Tenho pra mim que os professores trabalham pouco este gênero textual. Já vi aulas no Descomplica (http://redacaonota1000.net/reclame-aqui-do-descomplica/) que mostravam que é bastante comum o uso desses textos nas provas de redação dos principais vestibulares. deixo, então, a pergunta: porque insistir apenas nos textos puramente textuais?


De paulo prudêncio a 17 de Julho de 2016 às 14:19
Agradecemos a colaboração.


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