Em busca do pensamento livre.
Domingo, 5 de Novembro de 2017

 

 

 

Não haja ilusões: enquanto uma décima for determinante no sacrossanto acesso ao ensino superior e a desconfiança se impuser como controlo burocrático das aulas que questionem - e das que não o façam, já agora - a normalização, adianta pouco discutir uma "outra escola" para o século XXI. A imagem da flexibilidade curricular está invertida com esse propósito.

Explico-me. Nem se trata de discutir se os alunos aprenderão mais ou menos com tecnologias e interdisciplinaridades decretadas ou se as escolas estão desde sempre em mudanças paulatinas. O que a realidade nos mostra, é que é um imperativo de consciência treinar os alunos para que "tudo tenha sido feito" na tal décima; e isso influencia o sistema desde a entrada na escola. É irreal pedir a redução desse treino sem alterar variáveis que construam uma sociedade diferente. Só em escolas sem secundário, ou que, tendo-o, grande parte dos alunos não se imagina no ensino superior, é que há espaço para reduzir o treino disciplinar em favor de uma suposta "escola do século XXI". E mesmo aí, a máquina do ME e a hiperburocracia dos excessos das ciências da educação (reuniões de agenda repetida) cruzada com os atavismos das ciências da administração (lançamento de informação inútil) tratam de esclarecer que tudo começa e acaba na tal décima.

Nota: nas "impossibilidades" portuguesas, há outras componentes críticas que levam ao burnout dos docentes e à redução drástica de jovens interessados nos cursos de formação de professores; noutro âmbito, A. Damásio refere "a necessidade de um pacto global sobre educação e insiste nas humanidades e nas artes para formar homens e cientistas" e alerta para "a bancarrota espiritual e moral das sociedades". 

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publicado por paulo prudêncio às 14:05 | link do post | comentar | partilhar

4 comentários:
De F: a 7 de Novembro de 2017 às 20:43
Muito boa análise.


De paulo prudêncio a 7 de Novembro de 2017 às 23:11


De mario silva a 12 de Novembro de 2017 às 23:24
nem mais: enquanto persistir a avaliação externa nos moldes atuais (exames nacionais), qualquer flexibilidade curricular fica inflexível pela imposição curricular do exame...


De paulo prudêncio a 13 de Novembro de 2017 às 17:59
Óbvio.


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