Em busca do pensamento livre.
Sábado, 29 de Julho de 2017

 

 

 

 

É consensual a necessidade de um programa especial de aposentações para professores. Para além disso, tornou-se irrefutável que a profissionalidade docente exige reduções da componente lectiva com a idade. Parece escusado este sublinhado inicial, mas não é: a história assiste vezes sem conta a repetições. A segunda variável, assumida até durante a ditadura, foi "esquecida" na última década: redução máxima apenas aos 60 anos (no primeiro ciclo e no pré-escolar já não existe aposentação antecipada), aumento da componente lectiva e componente não lectiva recheada de inutilidades que acentuam o desgaste profissional.

Discordo das classificações de corporativismo (e este tem virtualidades) baseadas no estatuto que já existiu. E o discurso ainda mais difícil de perceber tem origem em professores mais jovens que discordam que um professor acima dos 50 anos de idade (e aos 27 anos de serviço, como era o caso) leccione 14 aulas por semana e beneficie de redução da componente lectiva para o exercício de cargos. Acrescentam, agora e para estupefacção quase geral, que os descongelamentos da carreira cheguem em último lugar aos professores com idade mais avançada. Acham que o descongelamento deve começar pelos mais jovens. Acham que a transversalidade é corporativa e escrevem-no como um acto de coragem que fará sorrir os envolvidos no Panamá Leaks. Mudarão de opinião quando a sua idade avançar e talvez nessa altura compreendam o número elevado de baixas médicas que se regista há anos a fio e entendam o clima de burnout que se generalizou numa classe profissional com uma elevada média etária e com tantos servidores da causa "dividam-nos que reinaremos".

 

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publicado por paulo prudêncio às 13:28 | link do post | comentar | partilhar

4 comentários:
De anónimo a 29 de Julho de 2017 às 16:55
Totalmente de acordo.

Como diz o provérbio: What goes around comes around, ou seja, ainda serão afectados pelo efeito boomrang e levam com alguma coisa no meio da testa.


De paulo prudêncio a 30 de Julho de 2017 às 14:21
Nem mais e não seria a primeira vez a que se assistiria a um fenómeno assim.


De mario silva a 31 de Julho de 2017 às 00:32
e por isso é que o corprativismo seria útil...


De paulo prudêncio a 31 de Julho de 2017 às 12:24
Percebo, claro. E concordo. A não ser assim, já se viu o que pode acontecer.


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