Em busca do pensamento livre.
Domingo, 19 de Fevereiro de 2017

 

 

 

O "Governo vai mudar o currículo das escolas" contrariando decisões muito desfavoráveis aos alunos, principalmente aos mais jovens, promovidas por Crato com o empobrecimento curricular. É o passo seguinte depois do questionamento saudável a uma variável da mesma família: a indústria dos exames. É mais um motivo de esperança no sentido da moderação e da sensatez. Mas não chega. É preciso eliminar o que resta dos procedimentos da "guerra" aos professores, e à organização das escolas, da autoria de Lurdes Rodrigues.

A "nova" gestão flexível dos currículos eleva a exigência da escola (se a municipalização se abstiver). Não bastará disseminar directrizes centrais. Será preciso mais estudo, mais autonomia e mais responsabilidade, para que se afirmem valores de liberdade, maturidade e transparência. E tudo isto apela a profissionais não preenchidos por burnout e sentimentos de "fuga", precarizados ou rodeados de má burocracia num clima de desconfiança na democracia. Estas componentes criticas são mesmo os riscos a contrariar num ambiente de mudança curricular.

 

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publicado por paulo prudêncio às 18:00 | link do post | comentar | partilhar

10 comentários:
De ana a 20 de Fevereiro de 2017 às 09:39
"É mais um motivo de esperança no sentido da moderação e da sensatez."

Discordo totalmente. A moderação e a sensatez não se coadunam com a (re)introdução de alterações que há tão pouco tempo foram revogadas, supostamente por serem desadequadas à formação dos alunos, como estas disciplinas de Educação Cívica, Projeto não sei de quê, etc.
Na Educação, como em toda a Política, o irrevogável dura pouco tempo e transforma o Ensino numa guerrinha de crianças birrentas de volta de uma construção em Lego: uns fazem, outros desmancham logo a seguir e vice-versa.
A gestão flexível do currículo também já foi experimentada no passado e não obteve bons resultados, por isso terá sido banida, pensamos nós.
Fica a ideia de que os atuais governantes da área da Educação têm pouca imaginação para "fazerem chichi na árvore" (perdoe-me a brejeirice da metáfora) agora que é a sua vez, ou desconhecem o passado (não muito remoto), porventura devido à sua juventude.
A autonomia das escolas é um álibi para estes desmandos e, na prática, traduz-se em condições favoráveis à discricionariedade dos diretores.
Estas reformulações curriculares, por exemplo, serão mais um pântano nas escolas: diretores pouco escrupulosos voltarão a poder trabalhar a distribuição de serviço (da sua competência), fazendo com que alguns grupos disciplinares não tenham horários zero, ao porem os respetivos professores a lecionar essas novas disciplinas transversais, em detrimento de outros grupos.
Como poderá a Escola afirmar valores de "liberdade, maturidade e transparência" quando os seus sucessivos responsáveis se comportam como carrascos, imberbes e embaciados?
Embora esteja na carreira docente há 32 anos, felizmente nunca me senti em "burnout" ou em "fuga", mas não investirei um centésimo das minhas energias nestas remodelações agora anunciadas, optando por esperar tranquilamente que o timoneiro da embarcação mude e a rota seja recalculada. Pela primeira vez em 32 anos farei o estritamente obrigatório. Já chega! E ainda me falta bem mais de uma década para a aposentação, logo terei oportunidade de voltar a ver este filme, com certeza!


De paulo prudêncio a 20 de Fevereiro de 2017 às 17:50
Desculpe Ana, mas leu mesmo o post?

Começa assim: "O "Governo vai mudar o currículo das escolas" contrariando decisões muito desfavoráveis aos alunos, principalmente aos mais jovens, promovidas por Crato com o empobrecimento curricular. É o passo seguinte depois do questionamento saudável a uma variável da mesma família: a indústria dos exames. É mais um motivo de esperança no sentido da moderação e da sensatez." Para contrariar o radicalismo de Crato que fez tábua rasa de tudo o que existia em termos curriculares antes de si.

O resto do post corresponde às suas preocupações.

Tem na etiqueta exames

http://correntes.blogs.sapo.pt/tag/exames

muito do que penso sobre o assunto no que se refere aos alunos mais jovens; e aos outros também, claro.


De ana a 20 de Fevereiro de 2017 às 20:42
Se não parecesse brincadeira de mau gosto, eu começaria a minha resposta por: "Desculpe, Paulo, mas leu mesmo o meu comentário?"

Eu li o seu post com muita atenção, Paulo.
Embora não concorde com muito do que Crato fez, ainda que com consciência de que algumas das suas façanhas foram arquitetadas pelos seus antecessores (pela terrificamente imbatível Maria de Lurdes Rodrigues) e apenas consumadas por ele, insurjo-me bastante com o que ele não fez, como por exemplo: combater o esvaziamento de certas componentes do currículo do Ensino Básico, como a História.
A verdade é que também não concordo que a agora anunciada (re)introdução de áreas como a Educação Cívica e a outra de Projeto venha promover algum enriquecimento curricular, pois, para além de estas deverem ser áreas transversais à generalidade das disciplinas, não se traduzem em aprendizagens significativas desgarradas dos domínios do conhecimento como a Língua, a História, a Geografia, a Arte...
Aliás, as experiências do passado terão comprovado que a então designada por Formação Cívica, de lecionação normalmente atribuída aos diretores de turma, era o território da administração da assiduidade dos alunos e da apreensão de regras de conduta disciplinada, na maior parte das escolas. Poderá ter sido uma subversão do objetivo para que foi criada, mas a verdade é que, não havendo grupo disciplinar específico para essa lecionação e estando ainda no ativo os mesmos agentes educativos, dificilmente o futuro trará melhores experiências nesta matéria.
Eu gostaria de ver, isso sim, uma reforma do currículo com o objetivo de valorizar todas as áreas de desenvolvimento humano e de formação integral do aluno, mas as que já existem, algumas delas deliberadamente tratadas de forma iníqua, com uma redistribuição mais equilibrada, reformulando os programas e as metas curriculares que transformaram o trabalho do professor numa "check-list" de conteúdos "à la carte", muitos deles pouco relevantes para a construção do perfil ideal de um aluno na escolaridade básica.
Também gostaria de ver uma reformulação da avaliação externa no final da escolaridade básica, de modo a que contemplasse outras componentes do currículo que não apenas o Português e a Matemática, em sintonia com a valorização das outras disciplinas.
Vejo com muito maus olhos o regresso a um passado que, podendo não ter sido tão castrador como o de Crato, também não se refletiu em bons resultados dos alunos ou em melhor formação integral. E acho um desrespeito total remeter para as escolas a responsabilidade de definirem conteúdos essenciais sem alterar programas ou metas curriculares, acompanhando essa indicação com epítetos de autonomia. Isso não é autonomia, é batota e faz pensar no triste adágio: "Com papas e bolos se enganam os tolos".
Pois então, Paulo, parece-me que nenhum de nós revela défice de compreensão da leitura, mas ambos temos opiniões diferentes sobre o que está a ser preparado para a Educação.

Acrescento que conheço bem o que o Paulo foi publicando na etiqueta EXAMES e nas outras, pois tenho acompanhado sempre o seu blogue, quase diariamente, em tempos até comentando amiúde
[Estou mais velha e cansada agora. :)]


De paulo prudêncio a 21 de Fevereiro de 2017 às 19:57
Quando perguntei se a Ana leu mesmo o post não estava a brincar. É que o post responde às preocupações levantadas nos dois comentários. Claro que reconheço a Ana, só que não tinha a certeza se era a mesma pessoa.

Concordo com essas preocupações (dos 2 comentários) que considero fundamentais para o debate. A minha intenção foi apenas focar nas "devastações" cratianas nas crianças. Se se fizerem a maioria das sugestões do post, recuperamos moderação e sensatez. Se Crato fez a terraplanagem que se sabe, não podemos agora manter o legado intocável com o argumento de que estamos sempre a mudar.

Ou seja, é um post sobre o geral já que os detalhes exigem muitos mais caracteres.


De mario silva a 21 de Fevereiro de 2017 às 23:44
"Não posso ensinar a falar a quem não se esforça para falar" (Confúcio) é o perfil obrigatório de qualquer aluno. Usem o Vitrúvio para embelezar a reforma mas sem o aluno ter VONTADE de aprender, de conhecer, de ter curiosidade, de QUERER compreender, será sempre uma batalha fratricida para o professor ensinar.
E na era do hedonismo lúdico como o fim supremo, será mais um chorrilho de boas intenções teóricas...


De paulo prudêncio a 22 de Fevereiro de 2017 às 20:27
O grande desafio de uma sociedade democrática é escolarizar os "que não querem aprender". Os que "querem aprender" aprendem em qualquer sistema.


De mario silva a 23 de Fevereiro de 2017 às 15:43
Sem nem a ditadura mais tirânica consegue eliminar a vontade interior, não será a democracia a fazê-lo...
Talvez a sociedade democrática tenha de aceitar o que já aceita há muito tempo em relação à distribuição da riqueza: tal como sempre existirá (poucos) muito ricos e muitos pobres, também existirá que estará escolarizado e quem não estará...


De paulo prudêncio a 24 de Fevereiro de 2017 às 20:36
A ideia de democracia implica optimismo e crença na possibilidade da igualdade de oportunidades.


De mario silva a 2 de Março de 2017 às 17:14
o otimismo e pessismimo são estados de espirito; daí a serem concretizados vai uma distância longa...
quem tem experiência de vida, sabe que uma coisa é a vida real e quotidiana e outra o que deveria ser...
por tanto, tal como não deviam existir pobres também não deviam existir iletrados, mas a história de séculos da humanidade baseia-se na condição humana e sempre foi assim...


De paulo prudêncio a 2 de Março de 2017 às 20:48
Sem dúvida. Não resta alternativa às sociedades: continuar a tentar; umas são mais bem sucedidas do que outras e as explicações são variadas.


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