Em busca do pensamento livre.
Domingo, 12 de Março de 2017

 

 

 

As "elites" portugueses são historicamente vocacionadas para castelos, palácios, mansões e demais obras faraónicas, o que explica as cíclicas falências da nação. Veja-se a CGD na sua opulenta sede e já com 4 mil milhões a voar, depois das mesmas "elites" terem delapidado a banca privada com os olhos nos salvíficos offshores. Quem paga? Em grande parte, os do costume: os que ergueram o edificado e que têm a escola assegurada para ler, escrever e contar. Ou seja, o povo que leia as maiúsculas (e os tablóides), que escreva redacções sobre o tempo e que faça a aritmética básica da boa consciência para o pagamento integral dos impostos. 

Olhe-se para a imagem. O quadro de Domingos Sequeira, "A Adoração dos Magos", ficou no MNAA por subscrição popular, o que seria uma vergonha para as elites num país com escola. Basta atravessar a fronteira e ir ao Museu do Prado. Como escreveu, ontem no Expresso, Clara Ferreira Alves:

"(...)A grande arte providencia uma educação, não apenas estética.(...)a grande pintura, a grande arte, deviam ser obrigatórias nas escolas, tal como a educação musical. O currículo primário e secundário português, com as suas perguntas esdrúxulas nos exames a que nenhum adulto educado saberá responder, ignora olimpicamente a arte.(...)Uma parte da elite endinheirada e da direita política teima em considerar a arte e a cultura como propriedade da esquerda e não da humanidade".

Algo parecido se passa com o ensino das humanidades. E depois há uns servos que alinham neste jogo. É um fenómeno estranho e também histórico. Afirmam-se conservadores e supostamente exigentes para gáudio das "elites" ou alargam o currículo escolar de forma tão complexada que se enredam num emaranhado risível de organogramas justificativos.

 

sequeira_pintura Domingos Sequeira.

"A Adoração dos Magos".

Museu Nacional de Arte Antiga.

Lisboa.



publicado por paulo prudêncio às 17:15 | link do post | comentar | partilhar

Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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