Em busca do pensamento livre.
Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

 

 

 

O estudo da especialização desportiva percebeu, há muito, que existe um esgotamento das capacidades volitivas. O corpo reage. A energia psicológica não é inesgotável. É também por isso que se contraria a precocidade na especialização desportiva. Os modelos de formação bem sucedidos são graduais na exposição aos quadros competitivos e "exigem" que as políticas de competição escolar (as mais diversas e não apenas as desportivas) destinadas às crianças sejam diferentes das aplicadas aos jovens e aos adultos. Em geral, quem começa muito cedo a competir como se de um adulto se tratasse atinge a saturação volitiva quando era esperado um rendimento que maximizasse as potencialidades desportivas. Os muito difíceis estudos empíricos neste domínio dão passos e são fundamentais para comprovarem os efeitos da saturação da vontade. O psicólogo Roy Baumeister é citado com importantes contributos. Criou o conceito "depleção do ego". É como se a vontade fosse um músculo que deixa de ser irrigado; acelera a queda de açúcar e cria um efeito geral de fadiga. Estes estudos são usados para explicar o burnout dos professores que tomam milhares de decisões diárias debaixo de forte ansiedade. Daí ao esgotamento é um passo frequente com o prolongamento, e a degradação, das carreiras associado a um indicador fundamental representado na imagem que acompanha o post: o número de horas de sono. Ou seja, abandonámos o tempo das incertezas em relação ao esgotamento da força de vontade.

salvador-dali

 

Sleep.

Salvador Dali



publicado por paulo prudêncio às 10:56 | link do post | comentar | partilhar

8 comentários:
De anónimo a 14 de Julho de 2017 às 13:00
Esgotamento da força de vontade e depleçao do ego, realidades incontornáveis nos dias que vivemos.
E porque falamos de professores, como aliar esta situação à escola do século XXI, sendo que os professores e escolas não são tidas em conta?
Só os experts, os homens e mulheres dos gabinetes?


De paulo prudêncio a 15 de Julho de 2017 às 20:18
Nem mais. Uma realidade, infelizmente.


De mario silva a 16 de Julho de 2017 às 18:43
burn out está universalizado a muitas outras profissões...
mas quando é implementado por quem o promoveu, significa que era desejado para atingir exatamente a desitência e resignação à imposição repressiva, mantendo o status quo do promotor...


De paulo prudêncio a 16 de Julho de 2017 às 21:22
Nem mais.


De mario silva a 16 de Julho de 2017 às 20:38
"Cada vez mais pessoas se sentem cansadas e sozinhas no trabalho. Ao analisar o General Social Survey de 2016, concluímos que, em comparação com o de há cerca de vinte anos, as pessoas têm duas vezes mais probabilidade de afirmar que se sentem sempre exaustas. Perto de 50% afirmam estar frequentemente ou sempre esgotadas devido ao trabalho. É um número chocantemente elevado — e representa um aumento de 32% em relação a duas décadas atrás. Além disso, verifica-se uma correlação significativa entre sentir-se sozinho e a exaustão no trabalho: quanto mais exaustas estão as pessoas, mais solitárias se sentem.
(...) o fator mais importante para a felicidade no trabalho, como demonstra um estudo realizado no Reino Unido, são as relações positivas com os colegas de trabalho. O empenho no trabalho está associado a relações sociais positivas que envolvem sentir-se valorizado, apoiado, respeitado e seguro. E o resultado de se sentir socialmente conectado, como indicam alguns estudos, é um maior bem-estar psicológico, que se traduz num desempenho e produtividade melhores. Isto em parte é verdade porque a conectividade conduz a uma maior autoestima, o que significa que os empregados são mais confiantes, empáticos e cooperativos, e levam a que os outros confiem e cooperem com eles." DN (Dinheiro Vivo)

Mas em 2005, foi encetada uma politica a promover exatamente o contrário: relações negativas, competição destrutiva, conflitualidade (dividir para reinar). E prolongou-se até hoje...


De paulo prudêncio a 16 de Julho de 2017 às 21:22
Concordo.


De anónimo a 16 de Julho de 2017 às 21:54
tão verdade.


De paulo prudêncio a 16 de Julho de 2017 às 23:03
E já conhecida há décadas, embora sem "reconhecimento" científico no que se refere às evidências corporais.


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