Em busca do pensamento livre.

Quinta-feira, 16.11.17

 

 

 

É imparável a desconsideração associada à devassa mediática. Esperava-se este regresso da época oficial de arremesso ao professor. Para os saudosos das grandes caçadas sob alçada dos ddt's, é mesmo uma dependência. À vez, os defensores dessa década e meia apontam "privilégios" na comparação entre carreiras. Nunca vi um jornalista perguntar: quais exactamente? Que avaliação? Que progressão? E por aí fora. Nada. Só esmiúçam a dos professores. A avaliação do desempenho é "olhos-nos-olhos" ou entra em regime "faz de conta" (kafkiano se incluir quotas). O SIADAP (avaliações no estado) está assim. Até 2015, era comum arremessarem com privados e empresas. Também aí se decretou o silêncio com os estudos publicados: em 95% não existe e o propalado rigor tem um objectivo: precarização.

 

Nota: ouvi, há pouco, um "especialista" afirmar que a carreira dos professores deve exigir dez anos, e não quatro, em cada escalão. Diz que deve ser como nas outras carreiras; sem dizer quais exactamente, quais os requisitos de entrada e de progressão, em quantos escalões se desenvolvem e com que índices remuneratórios. Dá vontade de contraditar assim: na dos professores, como tem dez escalões, seriam 100 anos de carreira: os primeiros 40 em índices probatórios e os restantes 60 em progressões automáticas sem quotas nos últimos 20.

 

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Faces

Picasso

 



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Quarta-feira, 15.11.17

 

 

 

 

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Luís Afonso



publicado por paulo prudêncio às 10:02 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 12.11.17

 

 

 

 

Reduzimos o abandono escolar em contra-ciclo com a (reconfigurada; e decadente?) Europa e confirmamos que o aumento da escolarização das sociedades influencia em quase 70% as taxas de frequência e os resultados das aprendizagens. Portugal reforça as conclusões ao atenuar, neste indicador, a influência da delapidação dos determinantes 30% da organização escolar por razões financeiras. "Não há vida escolar para além do défice", explica parte da imobilidade governativa. Há tantas epifanias - que a conjuntura simulou como estruturais - que tardam a mudar, que cresce a apreensão: o Governo revê-se nas políticas escolares do primeiro governo de Sócrates? 

"O director de turma deve ser avaliado, com pontuação rigorosa e quotas, pelo abandono escolar dos alunos". A frase que escolhi (não excessivamente técnica), dita com convicção por Lurdes Rodrigues, sintetizou um conjunto neoliberal de "Novas Políticas de Gestão Pública" que degradaram a organização escolar.

A desconstrução da frase encontra a desresponsabilização da sociedade, as crianças-agenda, os jovens-vigiados, o "aluno-rei", os professores "agentes recreativos e multi-profissão" e o modelo taylorista de escola com primazia da lógica, "impensada" em educação, do "cliente-tem-sempre-razão".

Insatisfeita, a PàF acrescentou: alunos por turma, turmas por professor, indústria da medição alargada aos mais pequenos e disciplinas hierarquizadas (dito assim como eufemismo).

Com uma década assim, não faltam, portanto, pontos fundamentais para agendar se o Governo recusar a interrogação do primeiro parágrafo e olhar para o futuro.

 

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Algures no Oeste de Portugal.

Novembro de 2017.



publicado por paulo prudêncio às 21:22 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 08.11.17

 

 

 

 

Os totalitarismos alimentam-se das leis que são impossíveis de cumprir. A velocidade legislativa é tão voraz, que os destinatários não encontram o conceito de vigência. A asserção de que "direito só há um, o vigente e mais nenhum", racionaliza o efeito de perda democrática.

Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei e integrou uma concepção mais moderna designada por "um ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes da decisão dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja: para além das normas, deve considerar-se cada caso em si e a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

Os totalitarismos estabelecem-se com a "presença" (nem que seja por alheamento) da maioria dos cidadãos. As sociedades democráticas actuais vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem; com as leis impossíveis de cumprir, mas também por práticas anti-democráticas. Podemos pegar em muitos casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo em que só o fingimento permite o "cumprimento" legal. Não há esperança? Dá ideia, e num nível macro, que depois dos recentes Panama e Paradise Papers nada será como até aqui. E se o exemplo vier de cima, há todo um clima que se pode alterar.

 

Usei estes argumentos noutro post.

 

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Terça-feira, 07.11.17

 

 

 

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Após catorze anos de carreiras congeladas, é natural o sobreaquecimento. São milhões (5.400) de retroactivos e milhões (600) de descongelamentos. Só que o conceito de retroactividade passou a inconstitucional; apenas os milhões da dívida são de direito adquirido. Somos um "protectorado" e os credores não se comovem. Pagamos como país e ponto final, mas com um elogio à capacidade portuguesa em tolerar as contas nacionais.

Percebeu-se, logo em 2016, que os professores, e só os professores, não seriam posicionados, em 2017, 2018 e 2019 e nem sequer na década seguinte, no escalão referente aos requisitos legais. Em 6 de Março de 2017, e numa notícia do Público que dizia "que para subir na hierarquia do Estado vão ser precisos prémios e promoções", reconheceu-se a estratégia comunicacional de abertura oficial do tradicional "arremesso à escola pública" que nos recordou o processo kafkiano do modo-faz-de-conta. Se nada se aprendeu com a experiência, adivinhamos a superação do limite do sobreaquecimento.

 



publicado por paulo prudêncio às 17:29 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 04.11.17

 

 

 

 

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Luís Afonso



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Sexta-feira, 03.11.17

 

 

 

Pode ler a entrevista aqui.

 

Entretanto, e na mesma linha, o cientista "alerta para a bancarrota espiritual e moral das sociedades".

 

Recebi um email devidamente identificado que coloca as seguintes interrogações sobre o tema.

 

"António Damásio retorna a Platão e a Freud? 
 

“[...] E a quem tentasse soltá-los e conduzi-los até cima, se pudessem agarrá-lo e matá-lo, não o matariam ?

— Matariam, sem dúvida – confirmou ele.”

Platão. República. Livro VII, 517a (excerto da ‘Alegoria da Caverna’) 
 

“A realidade por detrás de tudo isto, por mais que se prefira negá-la, é a de que o homem não é um ser frágil e carente de amor, que quando muito só age em sua defesa ao ser atacado. Pelo contrário, por entre os seus instintos herdados (Triebbegabungen) conta-se uma poderosa tendência para a agressão. Por esta razão, o outro não é apenas um objecto sexual ou alguém que o pode ajudar, é também uma tentação para satisfazer a agressividade, para explorar a sua força de trabalho sem qualquer compensação, para o usar sexualmente sem o seu consentimento, para se apropriar dos seus bens, para o humilhar, ferir, martirizar e matar. Homo homini lupus; depois de tudo o que a vida e a História mostraram, quem terá a coragem para contestar esta verdade?”

Freud (1930). O mal-estar na civilização. V. "



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Quinta-feira, 02.11.17

 

 

 

Há jornalismo que segue a pégada dos "donos disto tudo". O "relatório dos Panama Papers condena “apagão” de 10.000 milhões em Portugal" e "Dirceu investigado por receber um milhão" são dois textos imperdíveis para quem tenta perceber como foi isto possível.



publicado por paulo prudêncio às 08:12 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 01.11.17

 

 

 

O OE2018 inscreve 211 milhões de euros para o descongelamento das carreiras dos funcionários públicos (e acima de 1000 milhões para as falências do BES, Banif e BPN), como sublinha este texto de Santana Castilho. Se as dívidas aos professores ascendem aos impagáveis 5.400 milhões, o financiamento da banca já ultrapassou 20.000 milhões.

Soube-se, por estes dias, que os OE2018 e 2019 inscreverão 600 milhões para o descongelamento das carreiras dos funcionários públicos, que é uma quantia igual à contagem de todo o tempo de serviço dos professores (os únicos a quem o Governo não reconhece esse direito). Pois bem: que sejam esses os números. E o que é que os professores têm a ver com isso, a não ser terem contribuído como ninguém na administração pública para a redução do défice e terem sido alvo do maior despedimento colectivo da história? Não chega? Se não se descongelar carreiras, não há aumento de despesa. Se é para descongelar, que se faça para todos e com o faseamento possível. Ou será que não estou a equacionar bem o problema?

 

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Caldas da Rainha. Praça da fruta. Agosto de 2015.



publicado por paulo prudêncio às 17:09 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 31.10.17

 

 

 

 

Parece que os "assaltantes de Tancos devolveram uma caixa a mais". É risível, realmente. Fiz "oito posts sobre Tancos" e ponto final. Veremos o que sentencia a investigação em curso (?). Lembrei-me disto por causa das agendas mediáticas. Os "assaltantes" de Tancos continuam em primeira página e duas reportagens recentes, "O cartel de fogo" (ontem) e os "Lesados do BES" (há uns três dias), desapareceram.

Não vi a primeira, mas quem viu contou-me coisas intrigantes que vão dos tais "helicópteros Kamov que não voam" - com auditorias externas sem mácula e que até peças enferrujadas e presas por arames eram "invisíveis" - a contratos ruinosos para o Estado. Vi a segunda. Impressionou-me um depositante que ficou a zeros nas poupanças de uma vida. Sublinhou que, ""no dia anterior à queda do BES", o PR da altura recomendou o banco e uma auditoria externa atribuiu a pontuação máxima nos tais testes de stress".

Estamos, paulatinamente, a criar um caldo propício à demagogia. A credibilidade da justiça é o pilar fundamental da democracia, embora não se deva confundir auditores externos com MP e PGR. Como já se observou recentemente, quando há meios as investigações são conclusivas e espera-se que o caso dos incêncios tenha desenvolvimentos semelhantes ao do BES e da PT.



publicado por paulo prudêncio às 15:41 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

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Luís Afonso



publicado por paulo prudêncio às 13:50 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 30.10.17

 

 

 

Consta por aí, e não vou procurar a fonte, que descongelar a carreira dos professores, incluindo os últimos sete anos e actualizando os salários, exigiria mais 600 milhões de euros ao OE2018 que é o equivalente ao descongelamento das carreiras de toda a função pública em 2018 e 2019. Aliás, também consta que a dívida aos professores já vai em 5 mil e 400 milhões de euros. Pois bem. Que sejam esses os números. E o que é que os professores têm a ver com isso, a não ser o facto de terem contribuído como ninguém para a redução do défice e terem sido alvo do maior despedimento colectivo da história? São, por acaso, um grupo de excluídos? Se não se descongelar carreiras, não há qualquer aumento de despesa. Se é para descongelar, que se faça para todos e com o faseamento possível. Ou será que não estou a equacionar bem o problema?

O que consta por aí é o seguinte:

 

«Descongelar carreira para todos os professores, devolvendo as progressões perdidas nos últimos sete anos e atualizando integralmente os salários, custaria 600 milhões de euros ao Estado. É tanto quanto o valor que o Governo pretende gastar com o descongelamento das carreiras de toda Função Pública em 2018 e 2019.»



publicado por paulo prudêncio às 10:47 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Para além de tudo, temos, como sempre, os valores.

 

"(...)Restringir a inovação em Educação à utilização de tecnologias é pois extremamente pobre e equívoco, dado que as tecnologias podem ser usadas para segregar e excluir da mesma forma que podem ser usadas para incluir e para melhorar a participação de todos os alunos. Depende dos valores que lhes são precedentes.(...)"

 

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Domingo, 29.10.17

 

 

 

"Al Gore volta a ser inconveniente, mas com optimismo". Fui procurar o post que fiz sobre a primeira "verdade inconveniente" e tem a data de 01 de Novembro de 2006. Começa assim:

 

O alarme soa todos os dias: o aquecimento global sente-se e teme-se. As catástrofes anunciadas deixam de ser "apenas" um prenúncio de morte, para passarem a ditar mais um exercício de apelo deseperado aos nosso hábitos de vida diária. Chamam-lhes catastrofistas, oportunistas e radicais, mas os estudiosos do aquecimento global não desistem; e ainda bem.

Al Gore, o ex-futuro presidente dos USA, como ele gosta de dizer, é um deles. Depois de anos e anos de exercício do poder, e quando muitos esperavam o seu exílio dourado, eis que o homem decide passar a maioria dos dias a dormir no “desconforto” dos hotéis de charme deste mundo, para realizar milhares de conferências sobre estes graves problemas do ambiente terrestre. Parece-me que o faz com convicção.

Fomos ver o documentário “uma verdade inconveniente” na antiga sala do cinema Nimas.

Com técnicas de realização de conferências muito profissionais, Al Gore ensina-nos tudo sobre aquecimento global e deixa que se fale da sua vida pessoal e das suas genuínas aspirações como ser humano. Passou-se um fenómeno curioso e que raramente se vê nas salas de cinema em Portugal: no final, vários espectadores aplaudiram de modo bem audível.(...)

 

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publicado por paulo prudêncio às 10:57 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 26.10.17

 

 

 

Saúda-se, mas veremos como as pessoas aguentam congelamentos, prolongamentos da vida activa e impostos retidos na fonte e directos no consumo. Os credores da dívida, a banca e os investidores "determinantes" alegram-se com a notícia de que o "défice cai 2290 milhões até ao final de Setembro" e aplaudem que "Draghi garanta que compras de dívida “não vão parar subitamente”. Esses alegram-se e aplaudem e os restantes esperam que a seca tenha fim.



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Quarta-feira, 25.10.17

 

 

 

 

Com todos os riscos de quem retira do contexto uma passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,

"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".

A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias e no combate às desigualdades atravessar todas as gerações, a decadência entranha-se; como a história, de resto, já nos explicou.



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Segunda-feira, 23.10.17

 

 

 

 

Alguns exemplos na carreira dos professores.

 

 

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Recebido por email devidamente identificado.



publicado por paulo prudêncio às 16:55 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Domingo, 22.10.17

 

 

 

 

O Governo eliminará nove anos de serviço dos professores no descongelamento das carreiras. Nem considera uma recuperação faseada. Excluiu-os. E porquê apenas os professores? Por uma questão técnica, diz o Governo.

É consensual que a sucessão de "reformas estruturais" deixou o Estado, e a sociedade, sem norte. A avaliação do desempenho é um espelho dos desajustamentos. As avaliações no Estado (SIADAP) são um fingimento indesmentível e em 95% das empresas não existe.

Qual é, então, a questão técnica que exclui os professores? São os pontos, diz o Governo. Nas outras carreiras as pessoas obtêm um ponto por ano até ao número necessário à mudança de categoria e nos professores, diz o Governo, é por menção qualitativa. Só que a menção é obtida, com quotas, numa escala de 0 a 10 pontos (por exemplo: 7.51 pontos é bom e 8.53 pontos é muito bom) e o professor muda de categoria ao fim de x anos (como nas restantes carreiras). Era preferível o Governo pedir desculpa aos professores por imitar os anteriores. Se a história da exclusão raramente nos falou de "perseguidos" por serem muitos, desta vez é mais surpreendente; ao fim de dois anos, regista-se a imutabilidade também nas questões não financeiras vigentes desde 2007.

 

 

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Página 13 da edição impressa do Público de 15 de Fevereiro de 2014.

O estudo que concluiu que a avaliação do desempenho não era praticada em 95% das empresas foi publicado uma semana antes, salvo erro.

Os sindicatos usaram, e bem, o argumento.



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"Clara Ferreira Alves. João Duque. Raul Vaz. Alguns dos vírus que intoxicam e estupidificam a opinião pública."

 

 



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Sábado, 21.10.17

 

 

 

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@máriosilva



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Autor:
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