
Os últimos acontecimentos em Santo Onofre têm-me proporcionado mais um pico de informação. Uma professora de uma das escolas da cidade das Caldas da Rainha e que acompanha o caso de Santo Onofre com interesse, enviou-me um texto para publicação. Claro que está tudo identificado, mas para sua protecção omito o seu nome.
"Ainda não acredito no que aconteceu. Deves andar com náuseas. Um abraço solidário. Podes publicar este texto no teu blogue?
Uma vitória de Maria de Lurdes Rodrigues e uma vergonha para os professores de Santo Onofre! E - sobretudo - uma traição aos outros professores que tiveram a coragem e a dignidade de afirmar os seus princípios e de lutar por eles em nome de todos.
A Escola de Santo Onofre foi, de certa forma, um símbolo da nossa luta contra as políticas sustentadas na maioria absoluta do PS. Lembro-me dos aplausos nas manifestações à passagem dos professores de Santo Onofre; lembro-me da admiração pela firmeza desta escola no confronto com o autoritarismo e a arbitrariedade da anterior equipa do ME. Fomos, debaixo de chuva intensa, aos portões desta escola apoiar os seus professores - nossos colegas - e manifestar o nosso repúdio pelo carácter fascista da medida tomada pelo ME: a destituição de um Conselho Executivo democraticamente eleito e a imposição de um intruso na direcção da escola. E eis que, agora, os mesmos professores de Santo Onofre fazem o impensável: legitimam, eles próprios (!!), como director da escola precisamente o intruso da CAP. Alguém que, ao facto de ter sido imposto à escola por um poder arbitrário, acrescenta agora, segundo consta, uma manifesta e provada incompetência para o exercício do cargo!
Tentar explicar um comportamento destes (e muitos outros a que temos assistido) é confrontarmo-nos com uma miséria que não é apenas profissional, mas humana. Manuel J. Gomes, tradutor de Étienne de La Boétie, escreveu: “Se em 1600 era tarefa difícil escrever um prefácio a La Boétie, hoje não é mais fácil. Hoje como nos tempos de La Boétie e Montaigne, a alienação é demasiado doce (como um refrigerante) e a liberdade demasiado amarga, porque está demasiado próxima da solidão.” Referia-se à obra “Discurso da Servidão Voluntária”, de La Boétie, cuja leitura atenta e reflectida seria útil a muita gente.
Por aquilo que a Escola de Santo Onofre representou, entre os professores e para a opinião pública, na legítima luta dos professores pela Educação, um desfecho destes significa uma pesada derrota e uma humilhação para todos. Isto sim, faz-me perder a esperança.
Afinal a dignidade, a firmeza e a coragem não tinham o rosto nem o nome da Escola de Santo Onofre. Tinham os rostos e os nomes de alguns professores desta escola. Havia poucos Professores em Santo Onofre! Estou a lembrar-me do conto, que li quando era criança, “O rei vai nu” e de como, quando o rei percebe que os outros já descobriram a sua nudez, corre envergonhado a esconder-se no palácio. O nome da escola apenas abrigava um pacato rebanho que aguardava o pastor/o chefe que os protegesse e conduzisse... nem que seja em sentido contrário ao que seguiram até agora. Se é que seguiam algum!
Um rebanho que, assim, impõe aos outros professores a triste imagem da falta de classe da classe docente."
Autora identificada.
De Por uma gestão com moral a 29 de Novembro de 2009 às 22:27
Por perdermos uma batalha ainda não perdemos a guerra!
Nas nossas vidas sempre enfrentamos batalhas, algumas ganhamos, outras perdemos mas as batalhas mais importantes de nossas vidas são aquelas que perdemos. E que somente nessas batalhas nós aprendemos.
Os grandes desafios ainda estão para vir, aguardemos com serenidade, porque isto não vai terminar por agora. Muita água correrá sob as pontes e a liberdade irá passar por aqui!
Por uma escola pública inclusiva.
De Sérgio Ramos. a 29 de Novembro de 2009 às 22:37
Parabéns a quem redigiu este comovente e VERDADEIRO texto.
De PORTUGAL AMORDAÇADO a 29 de Novembro de 2009 às 22:48
Nunca digam nunca. Uma professora tem o seu nome protegido por escrever um texto desta qualidade. Nunca pensei. Só assunto já dava que pensar.
De Navegador a 29 de Novembro de 2009 às 22:50
O Assombro da Incoerência do Nosso Ser
“Sou um mero espectador da vida, que não tenta explicá-la. Não afirmo nem nego. Há muito que fujo de julgar os homens, e, a cada hora que passa, a vida me parece ou muito complicada e misteriosa ou muito simples e profunda. Não aprendo até morrer – desaprendo até morrer. Não sei nada, não sei nada, e saio deste mundo com a convicção de que não é a razão nem a verdade que nos guiam: só a paixão e a quimera nos levam a resoluções definitivas.
O papel dos doidos é de primeira importância neste triste planeta, embora depois os outros tentem corrigi-lo e canalizá-lo… Também entendo que é tão difícil asseverar a exactidão dum facto como julgar um homem com justiça.
Todos os dias mudamos de opinião. Todos os dias somos empurrados para léguas de distância por uma coisa frenética, que nos leva não sei para onde. Sucede sempre que, passados meses sobre o que escrevo – eu próprio duvido e hesito. Sinto que não me pertenço…
É por isso que não condeno nem explico nada, e fujo até de descer dentro de mim próprio, para não reconhecer com espanto que sou absurdo – para não ter de discriminar até que ponto creio ou não creio, e de verificar o que me pertence e o que pertence aos mortos. De resto isto de ter opiniões não é fácil. Sempre que me dei a esse luxo, fui forçado a reconhecer que eram falsas ou erróneas.
Raul Brandão, in ” Se Tivesse de Recomeçar a Vida”
Há sempre mais um outròólhar. O meu, sobre Santo Onofre, está no sítio do costume. Abraço solidário.
Obrigado Miguel.
Abraço também para ti 
De pronúncia do norte a 30 de Novembro de 2009 às 00:04
Para a autora do texto
(...)
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre
De Ricardo Silva (APEDE) a 30 de Novembro de 2009 às 00:53
Lamento profundamente esta notícia. Estive presente na manifestação de apoio e solidariedade para com a Direcção Executiva demitida pelo ME, levando-lhes também um abraço e todo o apoio dos movimentos independentes de professores aos colegas de Sto. Onofre e gostaria muito que o caminho tivesse sido outro.
O Paulo Prudêncio conhece de há muito a minha posição sobre a decisão de não terem concorrido ao CG, com uma lista de resistência que tivesse capacidade de influência sobre qualquer decisão que viesse a ser tomada no sentido de legitimar a posição da CAP. Considero que cometeram um erro estratégico, quase infantil. Era quase óbvio (conhecendo a natureza humana) que alguém haveria um dia de quebrar a cadeia da resistência, e tu, Paulo, devias sabê-lo bem pois sempre referiste a tal questão de 80 mil terem entregue OI, pouco tempo depois de terem ido 120 mil para a rua. Sempre te disse que devemos combater o modelo de gestão por dentro, SOBRETUDO nas escolas onde há potenciais candidatos a directores que se destacam pela sua adesividade às políticas do ME.
Os factos presentes vieram dar-me razão. Sei bem que mesmo tendo professores da luta no Conselho Geral é complicado garantir um efectivo controlo da actuação dos Directores (e da sua eleição), mas é MUITO PIOR se deixarmos que os CG’s sejam também eles ocupados por adesivos. Na D. Carlos I não cometemos esse erro. Em Sto. Onofre tudo indica que não souberam acautelar isso e agora têm esta votação lamentável. Que é indiscutivelmente uma derrota, mesmo que me digam que a esmagadora maioria dos professores não se identificam com o sentido da votação. Fico com a curiosidade de perceber que listas se candidataram ao CG e que tipo de professores formaram essas listas. Isto apenas para perceber melhor quem é que efectivamente tomou parte no colégio eleitoral, por parte dos professores.
Seja como for e não conhecendo ainda todos os dados, que fico triste, lá isso fico.
Ainda assim, muita força para os resistentes (mesmo que sejam menos do que eram há uns meses atrás), pois este modelo de gestão tem de ser derrotado! Não desistiremos NUNCA dessa luta.
Abraço
Viva Ricardo.
O que menos precisamos em Santo Onofre é que nos venham "atirar pedras". Conheces muito pouco sobre o caso e também não vou fazer aqui um relambório. A dignidade nunca é infantil, queres desculpar-me. Em Santo Onofre nada foi consertado e cada um sempre fez o que entendeu ser mais correcto.
Obrigado pela atenção e um abraço.
Ps: não fica bem, se me permites, a um dirigente de um movimento de independentes, vir, aqui, e nesta hora, recriminar quem lutou e vive um momento difícil.
De Um professor resistente a 30 de Novembro de 2009 às 09:50
Mas quem é que se julga este senhor? Sem saber bem do que fala vem para aqui dar aulas. Pior por ser de um movimento. Este género de solidariedade é dispensável.
De Anabela a 30 de Novembro de 2009 às 19:24
Uma humilhação, sem dúvida ! Mas, mais ainda para aquele pequeno grupo que teima em atraiçoar tudo por que a maioria dos prof de Stº Onofre tem lutado !!!
De Ricardo Silva (APEDE) a 30 de Novembro de 2009 às 20:10
Paulo,
Quando me ligaste hoje de tarde e me explicaste melhor a situação, não imaginava que a tua resposta ao meu comentário tivesse sido tão azeda. Resposta que só agora li. Para quem está de fora até pode ficar com a sensação que não estou ao lado daqueles que resistem e continuam a resistir em Sto. Onofre. Erro crasso que só pode advir de um menor desconhecimento sobre a minha postura de sempre em relação a Sto. Onofre. Quanto ao facto de eu não conhecer a situação por dentro, pois bem, só não conheço melhor porque ela nunca foi explicada como me explicaste hoje. Podia tê-lo sido. E se calhar devia. Aqueles que estiveram sempre do vosso lado, e eu fui um deles, se calhar mereciam. Tivemos até oportunidade para isso, em reuniões da APEDE ou mesmo nas manifestações. Não me confrontes pois com um desconhecimento da situação sobre o qual não quiseste ou pudeste fazer luz, pelo menos até hoje. Desculpa-me a frontalidade, mas perante o teu comentário, tenho de o dizer.
Aliás tu sabes bem, porque me conheces desde há já algum tempo, que não sou pessoa para "atirar pedras" ao ar, sobretudo contra professores. Quando falo procuro sempre fundamentar o que digo. Ao contrário do que dizes a minha intenção não é "atirar pedras", de todo, e se assim o entenderam até vos peço desculpa, pois a intenção não era essa, simplesmente discordo da forma como geriram o processo ao nível do Conselho Geral. Discordo. Ponto final. Creio que posso discordar, certo?
Trata-se apenas de uma discordância estratégica, nada mais que isso. E quanto à questão da dignidade tb creio que não te fica bem confundires o que eu disse, sobre uma estratégia que considerei algo infantil e pouco precavida, com questões de dignidade. Uma coisa nada tem a ver com a outra. Por essa ordem de ideias, consideras então que todos os professores que se candidataram aos Conselhos Gerais em listas de resistência (como aconteceu na D. Carlos I, a minha escola) são menos dignos do que aqueles que ficaram de fora dos Conselhos Gerais, como aconteceu inicialmente em Sto. Onofre? Não acredito que penses assim. Creio que basta reler com atenção o meu comentário anterior para se perceber bem que não está em causa o meu total respeito e solidariedade por aqueles que RESISTIRAM. Foi exactamente por sentir esse respeito que me desloquei no meu carro, de Sintra às Caldas da Rainha, depois de um dia de aulas, para vos levar um abraço de solidariedade no dia da manifestação em Sto. Onofre. Podia ter ficado quieto e mandado um sms, mas decidi ir e dizer presente. Era importante e fundamental. E não sei se sabem, mas se não sabem ficam a saber (e nunca o disse antes publicamente) que foi a APEDE (e os restantes movimentos) numa reunião formal com o SPGL, na Fialho de Almeida, bem antes dessa manifestação, que alertou PELA PRIMEIRA VEZ para a situação que se vivia em Sto. Onofre. Fui eu, especificamente, quem apresentou a situação ao António Avelãs nessa reunião. Ele desconhecia por absoluto o que se passava até esse momento (pelo menos assim o afirmou). Há diversas testemunhas do facto. Detesto mal entendidos e convém que isto fique bem claro, pois não gosto de injustiças. Não peço reconhecimentos (aliás eu é que agradeço ao pessoal resistente de Sto. Onofre o contributo que deram para a luta) mas era bom que não fossem injustos, acusando-me de falta de solidariedade ou de um "atirar pedras" no momento mais dificil. Isso não! Se muitos de vocês se sentem revoltados com o evoluir da situação, acreditem que eu também.
Para aqueles que em Sto. Onofre sempre mantiveram uma posição de coerência e resistência (e acredito que seja a esmagadora maioria) ficou o meu abraço e todo o apoio, quer em meu nome pessoal, quer em nome da APEDE, no anterior comentário. Abraço que renovo. A APEDE estará sempre disponível para o reforço da luta.
Para ti, Paulo, um abraço e espero que entendas bem as minhas palavras. Sou um tipo frontal e de coração ao pé da boca que se empenha de alma e coração nas causas em que acredita. É por isso que fico triste e algo revoltado se sinto que depois disso surgem palavras injustas. Acredito até que tenhas sentido algo semelhante quando me leste, mas creio que clarifiquei agora, ainda melhor, o meu ponto de vista.
Viva Ricardo.
Pensei que já estava esclarecido. O meu comentário foi apenas uma sequência do teu.
Sei que cada escola tem as suas circunstâncias. E com as pessoas passa-se o mesmo. Não tenho de fazer juízos sobre os comportamentos de quem fez isto ou aquilo: a única coisa que afirmei é que escolas com a situação como a de Santo Onofre foram poucas e que ficaram isoladas.
Por mim ficamos bem assim.
Um abraço e força aí.
De Um sindicalista a 30 de Novembro de 2009 às 22:21
Não entendo estes movimentos. Então quem não entregou objectivos e/ou ficha de avaliação era ingénuo? Onde estávamos se não fossem esses.
Viva caro sindicalista.
Já esclareci tudo com o Ricardo, que é um grande resistente, e peço para pararmos com este tipo de discussão.
O conhecimento das circunstâncias ajuda muito.
Centremos as energias no essencial, que é a defesa do poder democrático da escola.
Um abraço a todos.
De anónimo a 30 de Novembro de 2009 às 21:55
Se a realidade fosse assim simples, entre entrar ou não entrar no CG(T)... Na minha escola, houve 2 listas quer para o CGT e para o CG; os críticos (prof's) tiveram maioria no CGT. Porém, o processo de escolha do director foi vergonhoso. Para uns, estava tudo concertado; para outros o objectivo era não fazer ondas, não mexer no status quo. EE, alunos, autarquia (ou o partido que a suporta que dizia que não interferia e se absteve mas manipulou a 'comunidade'). Penso que a perversidade deste modelo é tal que dificilmente se conseguirá fazer prevalecer o que é melhor para o funcionamento da escola e não permitir que CG e director funcionem em conluio. E o funcionamento de uma escola pode eternizar-se neste modo.
Nisto, como noutras questões, não há preto e branco em matéria de soluções.
Um abraço solidário para o colega P.Prudêncio.
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