Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

 

 

 

 

 

"(...)o controlo do tempo é poder. Hoje em dia não saberíamos exactamente onde protestar contra as injustiças que são cometidas por meio do controlo do tempo, mas a questão de quem decide acerca do tempo continua a ser a principal interrogação crítica. À questão de quem tem o poder, de quem manda, decide ou influi responde-se reformulando-a do seguinte modo: quem define os prazos e os ritmos? Quem, e de que modo, determina a velocidade dos processos sociais?(...)Poderíamos adiantar como hipótese a ideia de que, com a perda de significado de território, o espaço cedeu ao tempo a sua função central nas disputas humanas. A descriminação sexual, os conflitos de interesses, as exclusões sociais, as formas subtis de poder, articulam-se mais em redor de uma dominação do tempo do que de uma posse do espaço.(...)"*

 

O sistema escolar não escapa ao controlo do tempo e a discussão à volta dos agrupamentos de escolas evidencia-o. Mais do que o controlo do espaço, que é uma discussão interessante, a subordinação ao tempo é inexorável embora se restrinja ao poder sobre horários escolares e distribuição de serviço.

 

Se é legítimo o direito de defesa do emprego ou a preocupação com os horários zero, já é de todo incompreensível que o controlo do tempo se remeta às horas de entrada ou de saída dos diversos professores ou ao tipo das actividades lectivas (escolha das disciplinas curriculares ou dos graus de ensino).

 

É esta redução (outros chamam-lhe mesquinhez) temporal que descredibiliza e que se vê; mesmo que se julgue que não. Mas ainda mais nefasta é a discricionariedade no controlo dos horários escolares que o actual modelo de gestão escolar acentuou de forma objectiva e principalmente subjectiva e que comprova à saciedade duas proporcionalidades inversas: a da prepotência com a competência e a da sensatez com a incompetência.

 

São confrangedores os relatos que nos dizem que mesmo um reconhecido mau profissional como professor não necessita de muitos meses de algum controlo sobre as variáveis referidas para se arvorar em déspota e senhor do tempo. Cansa ver tanto desconhecimento sobre o modo mais profissional e competente de controlar o tempo com transparência e equidade. O que fazer? Uso da lei e não cedência na defesa do poder democrático das escolas e do que há muito se enuncia: sem democracia não há responsabilização, como sublinha aqui o Paulo Guinote: "Quem defende que a accountability se define apenas pela obediência a relações hierárquicas, está a defender qualquer coisa próxima da ditadura.(...)"

 

*Daniel Innerarity (2011:102).

"O futuro e os seus inimigos".

Lisboa: Teorema.



paulo guilherme trilho prudêncio às 17:53 | link do post | comentar | partilhar

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Muito bem Paulo Prudêncio. Esqueceu-se de referir ...
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