Em busca do pensamento livre.
Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

 

 

Já enunciei que não confio no ex-guru do subprime António Borges. Não sou dado a teorias da conspiração, mas este actual director do FMI para a Europa tem uma coisa em comum com Mario Draghi (presidente do Banco Central Europeu), Mario Monti (primeiro ministro italiano) e Lucas Papademos (primeiro ministro grego) - foram todos funcionários da Goldman Sachs.

 

Há mais sinais preocupantes para as democracias europeias. Em Itália, o governo forma-se para agradar aos "mercados" e, segundo Fabrizio Tassinari, "(...) 22% dos italianos não encontram grandes diferenças entre um sistema de governo autoritário e um sistema de governo democrático (...)". Sem querer entrar num registo muito pessimista, diria que vamos dando passos, e que passos, em direcção a uma tragédia.



publicado por paulo prudêncio às 15:13 | link do post | comentar | partilhar

18 comentários:
De Luís a 16 de Novembro de 2011 às 15:50
Mário Monti é um dos conselheiros internacionais da Goldman Sachs. Vai agora acumular três salários? Evidentemente que vai ou não fosse ele jesuita. O que acho curioso é que a banca internacional se lance agora abertamente a pôr fundamentalistas no poder. Depois de porem os fundamentalistas no poder na Líbia, metem agora no governo de um Estado laico fundamentalistas católicos, caso de Monti e do novo ministro da Cooperação Internacional da Itália o fundador da Comunidade de Santo Egidio, Andrea Riccardi. Esta crise planificada será longa e terá uma luta muito longa para evitarmos que nos imponham uma Nova Ordem.


De Elenáro a 16 de Novembro de 2011 às 18:04
A democracia está morta, Paulo.

Pior ainda. Em muitos casos conseguiu-se matar a democracia e o republicanismo. Agora temos as tecnocracias económicas onde não se escolhe quem se quer mas quem nos dizem para escolher. Já não se representa o povo, o que é "publico", mas sim os grupos financeiros. É que nem são já os grupos económicos, são só os financeiros.


De ana a 16 de Novembro de 2011 às 23:03
COINCIDÊNCIAS???

"Em muitos casos conseguiu-se matar a democracia e o republicanismo."


«Os dois feriados não religiosos que o Governo vai propor extinguir são o 5 de Outubro – Dia da Implantação da República e o 1 de Dezembro – Dia da Restauração da Independência, avança a Rádio Renascença, sem indicar fontes.»


De paulo prudêncio a 16 de Novembro de 2011 às 23:29
Que tempos Ana. Essas opções dão mesmo que pensar.


De ana a 16 de Novembro de 2011 às 20:33
Por que será que António Borges pediu hoje demissão do cargo de director do FMI para a Europa?!


De paulo prudêncio a 16 de Novembro de 2011 às 20:47
Onde obteve a informação Ana?


De ana a 16 de Novembro de 2011 às 21:10
Há meia dúzia de minutos, no noticiário da TVI ou da SIC... [Agora é que estou baralhada, pois andei a fazer zapping de um para o outro, mas aposto mais na TVI, porque me ficou na cabeça a voz forte do pivot da TVI a dizer que acabaram "de receber a notícia de última hora de que António Borges pediu demissão do cargo de director do FMI..." Assim, curto e grosso, sem mais quaisquer desenvolvimentos e precisamente ao mesmo tempo que eu lia este post. Que coincidência!]


De paulo prudêncio a 16 de Novembro de 2011 às 21:12
Obrigado Ana. Já vi. Dizem que foi por razões pessoais e não fi um post porque respeito os possíveis problemas pessoais ou familiares. Mas pensei: querem ver que estão a preparar o nosso Mário Monti?


De Elenáro a 16 de Novembro de 2011 às 21:18
Seria o assalto final ao castelo!


De ana a 16 de Novembro de 2011 às 21:28
Concordo com a sua decisão e prudência, como tenho concordado com os seus pensamentos que aplaudo.

Contudo, como sou muito menos "pura" nas minhas avaliações políticas (embora de trazer por casa, confesso!), pergunto-me se as razões pessoais de António Borges se resolverão rapidamente em terras lusas e/ou até que um Monti à portuguesa deva surgir em cena... Quando é que não sei ao certo, mas desconfio que possa não tardar muito, agora que a Troika até recomenda cortes salariais para o sector privado, tão do desagrado do governo.

E fico ainda mais assustada ao imaginar a proliferação de MONTI' s (aos montes) por esta Europa fora, sem qualquer sufrágio popular e do agrado do Reich da era contemporânea... Credo!


De paulo prudêncio a 16 de Novembro de 2011 às 21:30
Até já tinha o post feito. Mas pensei: que raio: e se a pessoa tem mesmo um qualquer problema grave? Mas como estamos a manifestar as opiniões por aqui, pareceu-me suficiente. Subscrevo Ana e até o escrevi num post mais abaixo.


De donatien a 16 de Novembro de 2011 às 21:21
Não me passou despercebido...Nada acontece por acaso...


De paulo prudêncio a 16 de Novembro de 2011 às 21:24
Se bem se lembram, há uns pouco anos, António Borges regressou como um guru do suprime que vinha para primeiro-ministro...


De ana a 16 de Novembro de 2011 às 21:44
Conhecem este artigo de opinião de um tal Filipe Luís que escreve na VISÃO? Dá que pensar...

«O Quarto Reich

A inflamada declaração de Angela Merkel, numa entrevista à televisão pública alemã, ARD, em que sugere a perda de soberania para os países incumpridores das metas orçamentais, bem como a revelação sobre o papel da célebre família alemã Quandt, durante o Terceiro Reich, ligam-se, como peças de puzzle, a uma cadeia de coincidências inquietantes.

Gunther Quandt foi, nos anos 40, o patriarca de uma família que ainda hoje controla a BMW e gere uma fortuna de 20 mil milhões de euros. Compaghon de route de Hitler, filiado no partido Nazi, relacionado com Joseph Goebbels, Quandt beneficiou, como quase todos os barões da pesada indústria alemã, de mão-de-obra escrava, recrutada entre judeus, polacos, checos, húngaros, russos, mas também franceses e belgas. Depois da guerra, um seu filho, Herbert, também envolvido com Hitler, salvou a BMW da insolvência, tornando-se, no final dos anos 50, uma das grandes figuras do milagre económico alemão. Esta investigação, que iliba a BMW mas não o antigo chefe do clã Quandt, pode ser a abertura de uma verdadeira caixa de Pandora. Afinal, o poderio da indústria alemã assentaria directamente num sistema bélico baseado na escravatura, na pilhagem e no massacre. E os seus beneficiários nunca teriam sido punidos, nem os seus empórios desmantelados.

As discussões do pós-Guerra, incluíam, para alguns estrategas, a desindustrialização pura e simples da Alemanha - algo que o Plano Marshal, as necessidades da Guerra Fria e os fundadores da Comunidade Económica Europeia evitaram. Assim, o poderio teutónico manteve-se como motor da Europa. Gunther e Herbert Quandt foram protagonistas deste desfecho.

Esta história invoca um romance recente de um jornalista e escritor de origem britânica, a viver na Hungria, intitulado "O protocolo Budapeste". No livro, Adam Lebor ficciona sobre um suposto directório alemão, que teria como missão restabelecer o domínio da Alemanha, não pela força das armas, mas da economia. Um dos passos fulcrais seria o da criação de uma moeda única que obrigasse os países a submeterem-se a uma ditadura orçamental imposta desde Berlim. O outro, descapitalizar os Estados periféricos, provocar o seu endividamento, atacando-os, depois, pela asfixia dos juros da dívida, de forma a passar a controlar, por preços de saldo, empresas estatais estratégicas, através de privatizações forçadas. Para isso, o directório faria eleger governos dóceis em toda a Europa, munindo-se de políticos-fantoche em cargos decisivos em Bruxelas - presidência da Comissão e, finalmente, presidência da União Europeia.

Adam Lebor não é português - nem a narração da sua trama se desenvolve cá. Mas os pontos de contacto com a realidade, tão eloquentemente avivada pelas declarações de Merkel, são irresistíveis. Aliás, "não é muito inteligente imaginar que numa casa tão apinhada como a Europa, uma comunidade de povos seja capaz de manter diferentes sistemas legais e diferentes conceitos legais durante muito tempo." Quem disse isto foi Adolf Hitler. A pax germânica seria o destino de "um continente em paz, livre das suas barreiras e obstáculos, onde a história e a geografia se encontram, finalmente, reconciliadas" - palavras de Giscard d'Estaing, redactor do projecto de Constituição europeia.

É um facto que a Europa aparenta estar em paz. Mas a guerra pode ter já recomeçado.»

AQUI: http://aeiou.visao.pt/o-quarto-reich=f625730#ixzz1b1wYUF00


De paulo prudêncio a 16 de Novembro de 2011 às 21:51
É. Muito bom Ana, obrigado. Assustador, convenhamos.


De maria do norte a 16 de Novembro de 2011 às 21:57
Que carago, a coisa está a ficar preta! Só nos faltava mais essa!


De Fausto Viegas (Norte) a 16 de Novembro de 2011 às 22:26
O Norte que ACORDE, carago.


De SempreAtento a 17 de Novembro de 2011 às 01:14
João Duque, um daqueles gurus que algum anti-socratismo primário elevou a qualquer coisa e a quem o novo poder deu uma chucha para se sentir mais importante.

‘Se [o Governo] quiser manipular mais ou manipular menos, opinar, modificar, é da sua inteira responsabilidade, porque estamos convencidos [de] que o faz a bem da Nação, porque foi sufragado e foi eleito para isso.’

Estas declarações foram proferidas no Fórum TSF de ontem e andam a fazer furor na blogosfera próxima do PS que era e ainda está, a começar pelo Jugular.

Não vale a pena elaborar muito a coisa e desta vez há que ser claro, curto e grosso, usando argumentos a que raramente recorro: isto é um argumento de tipo ditatorial, fascista mesmo, apesar de evocar o sufrágio (Hitler também foi eleito).

Quanto ao mais, apenas assinalar que o poder que está teve de arrumar os excedentários candidatos a ministros ou a qualquer coisa. A este deram-lhe um grupo de trabalho que produziu um documento que tem partes que parecem um sub-capítulo do livrinho mais recente (e muito melhor escrito) do Eduardo Cintra Torres.

A outro, também caracterizado num passado recente por declarações meio disparatas, deram-lhe a presidência da AICEP. O mesmo cargo que deu brado quando serviu ao PS para arumar um Basílio horta em trânsito atrasado da direita para a “esquerda”, qual sucedâneo de Freitas do Amaral.

Em tempos, isto faria insurgir os 31′s e seria um 31 para os insurgentes.

Mas como a maior parte deles é responsável pelo “pensamento” do poder que está, estão caladinhos não lobrigando que a vergonha agora é equivalente da pretérita.

A bem da Nação, há que começar a preparar a limpeza destes, como outrora foi necessário, com prazo folgado, tratar da limpeza dos outros.

Cada vez se distinguem menos e o benefício de alguma dúvida escoa-se perante declarações destas.

Mais valia João Duque ser vazio de substância, pois a que demonstra ter, quando deixada à solta, é algo que chega a envergonhar quem a ouve ou e.

Ficamos haver no que isto dá. Mas não vai dar nada de bom.


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