Em busca do pensamento livre.
Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

 

 

Ja tinha escrito sobre o livro de Michael Winterhoff (2008), "Por que é que os nossos filhos se tornam tiranos?", mas só hoje terminei a leitura. Muito interessante.

 

O psiquiatra infantil alemão não apresenta evidências empíricas fortes e provavelmente não necessita. O que se conclui de imediato é que a realidade educativa na Alemanha é tão preocupante como em Portugal e que estão mesmo alarmados. Quem diria.

 

Tenho insistido numa espécie de algoritmo convencido que, grosso modo, 60% do sucesso escolar se deve à sociedade e ao ambiente familiar, 30% à organização escolar e 10% aos professores. Também sublinho que os 60% são por defeito para deixar espaço às outras variáveis e que em Portugal se tem invertido o algoritmo com consequências nefastas para as taxas de abandono e de insucesso escolar efectivo e a prazo para a sociedade e para a democracia. O que não sabia é que Michael Winterhoff dedica á sociedade e às famílias uma responsabilidade que atinge uns 90%. Sempre que cita a escola e os professores é para dar exemplos negativos que têm origem nessas variáveis.

 

É um livro de leitura obrigatória. Farei, nos próximos dias, mais posts a partir do livro. "(...) o facto de nenhuma instituição pública estar em condições de funcionar como correctivo para as falhas do ambiente familiar. (...)". (p.154), é uma conclusão bem fundamentada e o pública é apenas a abrangência destes países para estas coisas.



publicado por paulo prudêncio às 20:56 | link do post | comentar | partilhar

4 comentários:
De Isabel a 28 de Outubro de 2011 às 23:28
Eu já te tinha dito que era de leitura obrigatória! Mas tu não acreditaste em mim....
Tenho-o todo sublinhadinho e o Michael já me devia dar comissão, pois devo ser a pessoa que mais propaganda faz do livrinho. Do livrinho, não. Do manual.


De paulo prudêncio a 29 de Outubro de 2011 às 00:34
Claro que acreditei. O primeiro post teve uma ironia que não terás captado. Culpa da minha escrita. O José Mota emprestou-me o livro esta semana e só hoje o consegui ler até ao fim. Voltarei com mais posts.


De Asinus a 29 de Outubro de 2011 às 00:48
Apenas 10% aos professores?
Legitime-se, então, sem cinismos, o espanto ante tantos e tantos excelentes alunos ...apesar dos professores.


De paulo prudêncio a 29 de Outubro de 2011 às 00:50
Bem observado. Não sei se leu o algoritmo na sua versão original. Se não leu colo-o de seguida:

A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico ou contratual dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino.


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