Em busca do pensamento livre.
Segunda-feira, 20 de Junho de 2011

 

 

Não acredito que um professor com pelo menos duas décadas de serviço docente, com várias turmas por ano lectivo e que tenha realizado um exercício dedicado e profissional, possa advogar o fim do direito de redução da componente lectiva à medida que a idade vai avançando. É insano e ponto final. Quando leio professores a proporem coisas assim, belisco-me sempre. A humanidade é feita de avanços e recuos, sabemos isso. Também conhecemos a falência em que estamos, mas é importante tentar garantir alguma sanidade; mesmo que nos chamem corporativos.

 

Há, nesse domínio, um problema grave por resolver com os colegas do primeiro ciclo e com os educadores de infância. Estes profissionais só não têm redução da componente lectiva com o avanço da idade porque não há vontade e porque o nivelamento português é por baixo até à bancarrota. É possível fazer melhor com os recursos existentes e nem é curial aumentar a despesa. É preciso estudar e ter ideias civilizadas de gestão das pessoas.

 

O resultado da desfaçatez destas políticas tem sido óbvio: fuga com penalização e um mergulho na ingratidão e na memória curta. A crise não pode permitir a defesa da regressão civilizacional. Quem tanto criticou os antecessores não pode agora advogar as mesmas receitas. Se alguém tem de o fazer, que não sejam professores os proponentes.



publicado por paulo prudêncio às 19:10 | link do post | comentar | partilhar

8 comentários:
De Isabel a 20 de Junho de 2011 às 20:11
Concordo, Paulo.
É humanamente impossível aguentar o que isto é hoje. O desgaste com crianças pequenas é enorme e, para que ninguém esqueça, com a Marilu, essa demente, os profs do 1º ciclo passaram a fazer 27 horas directas com os alunos. 27! E são 27 horas. Não são 27 tempos de 45minutos.
Esta é que eu ainda não engoli - reformva-me para o ano!........
Obrigada pelo post! Haja alguém que se lembre do 1º ciclo!


De Susana Queiroz a 20 de Junho de 2011 às 20:43
Obrigada


De paulo prudêncio a 20 de Junho de 2011 às 21:48
Bjo às duas.


De nêspera a 21 de Junho de 2011 às 00:58
Bom... o sr. ministro da educação se quiser e puder repor alguma justiça não terá mãos a medir...

Não é só redução da componente lectiva;
Não é só 27 horas com alunos no 1.º ciclo;
Não é só horários dos professores;
Não é só horários dos alunos;
Não é só concursos;
Não é só a prisão dos ex(?) titulares a agrupamentos que não desejam;
Não é só o compradio que se instalou nas escolas à custa de uma gestão que permite arbitrariedades sem limites;
Não é só o modelo de avaliação injusto e insano...

É repor a dignidade;
É repor o respeito;
É repor a equidade;
É repor a confiança em quem dirige as escolas;
É repor o reconhecimento de quem trabalha...
etc. etc. etc. Cansei-me. Mas todos sabem do que falo, certo?

Será o Professor Nuno Crato capaz de repor o acreditar nas instituições e nas pessoas? Será que sabe MESMO em que estado estão as escolas deste país? Espero que sim. Espero que pessoa tão douta e sabedora tenha consciência de que acabaram com as pessoas nas escolas. Não foram só os professores! Foram alunos, funcionários administrativos, assistentes operacionais. Todos! Os que ainda tocam viola (embora desafinada) são os lambe-botas, os bufos e os protegidos de (alguns) directores.

E isso vai demorar muito tempo e muito espaço e muito sentido a repor...


De Paulo G. Trilho Prudencio a 21 de Junho de 2011 às 12:57
Muito bom mesmo.


De nêspera a 21 de Junho de 2011 às 01:00
Ah! E esqueci-me de dizer:
Belo post! Como já estamos habituados :)


De nêspera a 21 de Junho de 2011 às 01:06
Eu de novo :)

"Linkei". Espero que não te importes.


De Paulo G. Trilho Prudencio a 21 de Junho de 2011 às 12:56


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