Em busca do pensamento livre.
Segunda-feira, 24.11.14

 

 

 

O ponto de não retorno está quase aí

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 13:21 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

 
“Como atribuir os direitos ao indivíduo enquanto tal, uma vez que o direito rege as relações entre diversos indivíduos, uma vez que a própria ideia do direito pressupõe uma comunidade ou uma sociedade já instituída? Como fundar a legitimidade política nos direitos do indivíduo, se este nunca existe como tal, se em sua existência social e política ele está sempre necessariamente ligado a outros indivíduos, a uma família, uma classe, uma profissão, uma nação?”.
 
 
 
 

 

Pierre Manent


 

do livro Política e Modernidade 
de José Bragança de Miranda

 

3ª edição do post



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Domingo, 23.11.14

 

 

 

É raro o caso de grande corrupção que não passe pela Suíça. Já cansa de tanta "neutralidade". 

 

"(...)não estando em estado de guerra internacionalmente desde 1815, o país é sede de muitas organizações internacionais como o Fórum Económico Mundial, a Cruz Vermelha, a Organização Mundial do Comércio e do segundo maior Escritório das Nações Unidas. A nível europeu, foi um dos fundadores da Associação Europeia de Comércio Livre e é parte integrante do Acordo de Schengen. Em termos desportivos, o COI, a FIFA e a UEFA possuem as suas sedes localizadas no território suíço.(...)"

 

Para além do rol de organizações citadas, há décadas que se reconhece à Suíça o alojamento confidencial das contas de tudo o que é ditador e muitas vezes de local de abrigo para os déspotas deste mundo. Dá ideia que o poder formal instituiu há muito a Suíça como o local neutral que dá jeito em caso de desvario.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:18 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

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Sábado, 22.11.14

 

 

 

Pelo que consta, é a primeira vez que um ex-primeiro-ministro português é detido. Nem adianta acrescentar que as notícias falam em corrupção. Já ninguém se espanta com o estado da nossa democracia, tal a vertiginosa sucessão de ilegalidades que alastraram pelo território. É uma vergonha.

 

O poder político não podia ser mais mal-tratado pelos seus actores nos últimos dias: à história das pensões vitalícias para ex-deputados sucede-se a detenção de um ex-primeiro-ministro com episódios que também datam ao tempo em que exercia as funções de chefe de Governo.

 

Quem olha a partir do sistema escolar, recorda-se de um primeiro-ministro que dizia que finalmente se iam avaliar professores e que debitava argumentação sobre tudo o que dizia respeito à organização da escola pública. Um exemplo, realmente.

 

 

 



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Sexta-feira, 21.11.14

 

 

 

Só o tempo ditará o alcance da última obra de Joseph Stiglitz (Prémio Nobel da Economia de 2001 - o que dá logo outro crédito -) "O preço da desigualdade". Mas o diagnóstico é tão certeiro, que se fica com a sensação, e à medida que o tempo passa, que o livro se tornará num clássico da economia política.

 

Na página 38 podemos ler uma asserção cada vez mais óbvia (o "Se tal não for feito...", refere-se a "(...)os mercados têm de ser mais uma vez domados e moderados.(...)")

 

 

 

Na mesma página, podemos precisar um recuo civilizacional que vai, como se constata, acentuando as desigualdades.

 

 

 

Na página 41 percebemos a quebra de um contrato.

 

 

 

Na página 42 reconhecemos os ingratos que não param de desmerecer a escola pública.

 

 

 

 

Na página 44 somos confrontados com um dilema de Joseph Stiglitz. Embora o autor considere a prevalência das forças económicas, acaba por imputar ao poder político a responsabilidade pelo estado a que chegámos e cujo preço total a pagar ainda é desconhecido.

 

 

 

Na página 50 encontramos o parágrafo escolhido para a contracapa do livro e que começa na frase que sublinhei com uma seta vermelha. O editor escolheu assim. Penso que não teria tido um escolha pior se tivesse começado pela frase que seleccionei com um seta verde.

 



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"Os portugueses se atormentam, se perseguem e se matam uns aos outros, por não terem entendido que o Reino, tendo feito grandes conquistas, viveu por mais de três séculos do trabalho dos escravos, e que perdidos os escravos era preciso criar uma nova maneira de existência, criando os valores pelo trabalho próprio".

 

 

 

Mouzinho da Silveira, 1832

(Citado por Eduardo Lourenço em

"O labirinto da saudade", 1972:9)

 

 

(1ª edição em 22 de Setembro de 2011)

 



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Quinta-feira, 20.11.14

 

 

 

Estado de excepção é um conceito utilizado pelo filósofo italiano Giorgio Agamben e inicialmente definido por Carl Schmitt.

Preocupado com as derivações das nossas democracias, que legitimam ideias e práticas típicas das ditaduras, Giorgio Agamben recusou participar numa conferência nos USA para não ter que se sujeitar a passar pelo crivo securitário dos aeroportos. "Está em causa a minha liberdade" - afirmou.


Forte crítico do que se passou em Guantânamo, Giorgio Agamben alerta-nos para um conjunto de fenómenos que podem corroer os alicerces das democracias ocidentais. 

 

(1ª edição em 28 de Maio de 2008)

 

Lembrei-me deste post a propósito dos que remetem os que defendem direitos cívicos, que também passam pelas questões económicas, para o lugar dos líricos despesistas.

É bom recordar que foi sempre assim: de perda em perda até à ausência objectiva e subjectiva de direitos e com as justificações monetaristas e do equilíbrio das contas.

 

 

 



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"Poder-se-á reduzir a humanidade a uma mera soma estatística de cidadãos-consumidores que se vão entredevorando pelo tédio e pela inveja?" É difícil generalizar como Gilles Châtelet o fez, mas prevalece a impressão de que quem faz os mercados são os consumidores e não os empresários. Os sábios, como hoje se classificam pessoas como Steve Jobs, "limitaram-se" a antecipar o que os consumidores desejariam ou criaram-lhes o desejo? Ou combinaram as duas pulsões?

 

 

 



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Quarta-feira, 19.11.14

 

 

 

"No reino dos seres vivos, o ser humano é o único que sabe que há futuro. Se os humanos se preocupam e esperam é porque sabem que o futuro existe, que ele pode ser melhor ou pior e que isso depende, em certa medida, deles próprios.(...)"

 

 

 

2ª edição. Daniel Innerarity (2011, p:09).

"O futuro e os seus inimigos".

Lisboa: Teorema.

 

 

 



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O tríptico que Francis Bacon dedicou a Lucian Freud terá o valor mais alto de sempre no mercado da arte.

Este tipo de notícia pode pôr a pensar os nosso afuniladores curriculares.

 

 

 

 



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Terça-feira, 18.11.14

 

 

 

 
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Daniel Dennett é um relevante filósofo americano. "A liberdade evolui" é o título de uma das suas obras. Tem uma pequena história que merece uma atenta reflexão.

 

"A Orquestra Sinfónia de Boston é conhecida por fazer a vida difícil aos maestros convidados até que estes dêem provas de que merecem ocupar o lugar. Perante a sua estreia à frente da orquestra, e conhecendo a reputação da mesma, um jovem maestro decidiu tentar um atalho para conseguir ser respeitado. Estava programado que dirigisse a estreia de uma obra contemporânea inaudivelmente dissonante, e enquanto lia a partitura ocorreu-lhe um estratagema brilhante. Encontrou um crescendo no início, em que toda a orquestra produzia um som estridente em mais de doze notas discordantes, e reparou que o segundo oboé, uma das vozes mais suaves da orquestra, estava programado para tocar um Si natural. Agarrou na partitura para o segundo oboé e inseriu cuidadosamente o sinal para bemol - a partir de agora era indicado ao segundo oboé que devia tocar um Si bemol. No primeiro ensaio, conduziu energicamente a orquestra até ao crescendo adulterado. "Não!", berrou, parando a orquestra abruptamente. Depois, com o sobrolho enrugado e em profunda concentração disse: "Alguém, vejamos, sim, deve ser... o segundo oboé. Devia tocar um Si natural e tocou um Si bemol". "Não pode ser", respondeu o segundo oboé. "Eu toquei um Si natural. Um idiota qualquer tinha escrito aqui Si bemol!"."

 

 

 

(Não é a primeira vez que

transcrevo esta história

num post).

 

 



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O caso dos vistos gold não pára de nos surpreender

 

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As imitações raramente resultam, mas vamos observando.

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Segunda-feira, 17.11.14

 

 

Mais do que gestores do público ou do privado, há pessoas honestas e outras que nem por isso.

 

O que o caso dos vistos gold mais salienta, para além da corrupção que nos consome, são as quase certas ilegalidades de funcionários públicos com cargos elevados na hierarquia. Já estávamos habituados à corrupção dos privados, com a banca em lugar de destaque, e às práticas lesivas do Estado praticadas pelo poder político, mas desta vez o flagelo atinge o âmago da democracia.

 

O caso dos vistos gold é imperdoável. Quem serve a coisa pública tem o dever de proteger a instituição que serve e de a colocar acima dos interesses pessoais. A legalidade é um dever de cidadania para todos, sabemos isso, mas estes quadros da função pública foram, ao que tudo indica, de um egoísmo inaceitável numa sociedade flagelada por cortes salariais, pelo desemprego, pela emigração e pelo empobrecimento.

 

Se se comprovar a sua inocência, então o caso terá contornos gravíssimos na mesma.

 

 

 

 



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Um dos ex-libris da cidade das Caldas da Rainha, o conhecido mercado da fruta, "regressou" após obras de requalificação. As pequenas e médias cidades portuguesas não escapam à crise, os mercados de ar livre são essenciais à esperança e uma espécie de ágora.

 

A Praça da Fruta (Praça da República é o nome verdadeiro) é um lugar aconselhável. Volta a ser o sítio onde compro as frutas, os legumes, as azeitonas, as nozes, os queijos e por aí fora. E há sempre o Café Central, outrora um local de tertúlias imperdíveis, para uma bica, um gelado ou uma refeição ligeira.

 

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Domingo, 16.11.14

 

 

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 O eterno desenho do Quino.

 

O liberalismo selvagem (ou ultraliberalismo) vigente, persistente, totalitário e já com história, tem contornos evidentes. A sua agenda consistiu na diluição de alguns valores essenciais à democracia. Por exemplo, a ideia de transparência foi-se tornando em algo só ao alcance de pessoas pouco espertas ou nada expeditas: uma coisa démodé

 

Nada tens a esconder? Não és interessante. És um aborrecido.

 

A revista do Expresso tem uma interessante entrevista sobre a necessidade de desconstruir o tal liberalismo:

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O título está também interessante:

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A entrevista é extensa. Escolhi uma das lides (de lead :)):

 

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E por falar em revistas e peças interessantes, também aconselho a peça da Revista do Público sobre "O estado da meritocracia em Portugal".

 

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Sabe-se agora que os múltiplos prémios de gestão recebidos pela PT eram comprados. É uma espécie de cúmulo do liberalismo selvagem em que vivemos.

 

A grande corrupção domina a Europa. Desgraçadamente é assim. Para cada 20 novos ricos são espremidos uns 20 milhões das classes média e baixa. O limiar está atingido e nem se imagina onde vamos parar. 

 

Há uma lógica de incumprimento da lei, de chico-espertismo, que se alastrou. Sabe-se das justas críticas ao legislador, mas também se desespera por uma qualquer refundação moral.

 

 

 



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Ferro Rodrigues quer que o Governo de Costa "tenha uma política alternativa que não seja apenas a mudança de caras para as mesmas políticas" e também se espera que não seja um regresso de caras para as políticas conhecidas.

 

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Sábado, 15.11.14

 

 

 

Os adeptos das políticas do Estado mínimo invocam o liberalismo e Adam Smith para justificarem a queda dos salários como uma consequência do empobrecimento da sociedade.

 

Era bom que remetessem a tese para os "soldados" do Goldman Sachs. Como à frente se verá, a queda dos salários tem de ser acompanhada pela queda dos lucros e das rendas e, naturalmente, por uma perigosa deflação.

 

Já Adam Smith via a queda dos salários como um decisão circunscrita às leis e à política e sem relação directa com o empobrecimento da sociedade. Se analisasse o que se passa em Portugal, seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: há uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e é esse radicalismo que provoca o empobrecimento.

 

A queda dos salários está a provocar a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP ou as PPPs). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

 

 

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Adam Smith (2010:171) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

 

2ª edição. Reescrito.



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Sexta-feira, 14.11.14

 

 

 

Os últimos governos da AD alteraram a lei orgânica do MEC.

 

Durão Barroso eliminou 27 centros de área educativa (CAE´s) quando começavam a ter massa crítica, "colocavam professores na hora" (imagine-se se tivessem a facilidade dos meios actuais) e "caiu" na Educação por causa dos concursos de professores. Passos Coelho extinguiu 5 Direcções Regionais de Educação (DRE´s), que deviam ter sido eliminadas em vez dos CAE´s, quando começavam a perceber a sua nova função e "caiu" na Educação por causa dos concursos de professores.

 

Tudo implodido, eis que a mesma área política tem uma epifania de 180 graus e inventa um quadro orgânico com 308 agências municipais descentralizadas (sim, 308 porque nós somos uns 400 milhões; essa coisa dos 10 milhões e da quebra de natalidade é só para impressionar o pessoal dos fundos) depois de ter assinado centenas de contratos de autonomia com estruturas escolares desconcentradas. É confuso, sei disso, mas é mesmo assim. As trapalhadas são ininteligíveis.

 

Só mais uma nota e uma conclusão: os governos referidos iniciaram os seus mandatos com a divisão do território entregue ao mesmo estratega, como exemplo para a importância que dão ao assunto: Miguel Relvas. A conclusão é óbvia: não estamos na bancarrota apenas por culpa dos outros e a ideia vigente de mercado municipal é uma explicação.

 

 

 Já usei estes argumentos noutros posts.

 

 



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Raramente uso aforismos nos posts e até as citações não merecem a minha preferência. Gosto mais de utilizar imagens com as leituras que vou fazendo para tentar acrescentar qualquer coisa ao que me apetece escrever.

 

Como dei conta noutra altura, deixei de comprar edições impressas dos jornais. Mantenho apenas a assinatura da Gazeta das Caldas em papel. Mas há excepções. Há tempos, a última página do Público inscreveu um aforismo certeiro atribuído a Epicuro (-341/-270), Filósofo da Grécia Antiga, que diz assim:

 

"Pelo medo de ter de se contentar com pouco, a maioria dos homens deixa-se levar a actos que aumentam mais ainda esse medo".

 

 

 

Segunda edição. Rescrito. 

 

 



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Quinta-feira, 13.11.14

 

 

 

 

 

Um vídeo muito elucidativo sobre a evasão fiscal no centro da Europa. Parte de França e passa pelos paraísos fiscais no Luxemburgo, Holanda ou Irlanda.

 

Cortesia do António Ferreira.

 



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Discricionaridade concursal - situações iguais com tratamentos desiguais?

 

 

 

 



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Fui à procura do primeiro post sobre os "vistos gold" (é de 22 de Fevereiro de 2014) e tem esta passagem: "(...)A bomba de neutrões, a última variante da bomba atómica, é um pequeno dispositivo termonuclear que destrói "apenas" organismos vivos. Nessa linha, o Goldman Sachs criou o subprime, também conhecido por crédito de neutrões, que endividou a classe média, levou-a à falência e recuperou o edificado intacto. Nesta altura, o Goldman Sachs lança outro produto do género, os vistos gold, que diz atrair a endinheirada classe média chinesa e afins e já a expõe a vendas especuladas à potência cinco.(...)".

 

E depois, basta seguir o trajecto habitual do ultraliberalismo. Regras complexas, muito complexas e em letra tamanho três, e a "necessidade" de acelerar processos a bem da nação. Repare-se que hoje há outra notícia da mesma família. Depois de tudo o que se tem passado, a privatização da TAP volta à agenda. Já nem sei que diga mais.

 

 

 

 

 

 



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Regressei à cidade onde nasci poucos anos depois da partida "definitiva" e senti uma descida emocional que se esbateu três dias depois. A permanência por trinta dias provocou uma "dor de saudade", por se tornar aguda a consciência da perda, ainda mais intensa do que no primeiro abandono.

 

Ao ler "O essencial sobre Marcel Proust", de Mega Ferreira (obra apenas digital), percebe-se, escrito como ninguém e com uma inigualável sensibilidade como era o caso de Marcel Proust, que isso não só acontece nos regressos como se repete nas deambulações pelos espaços há muito imaginados.

 

 

 

 

 

 
 2ª edição do post. Reescrito.
 


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"Só no ano passado emigraram 110 mil portugueses", o que dará quase meio milhão de pessoas desde 2010.

 

 

 

 



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Quarta-feira, 12.11.14

 

 

 

Já dei conta do meu fascínio pela obra de Amos Oz.

 

O genial escritor consegue lançar umas gotas de oxigénio no eterno e sangrento conflito entre israelitas e palestinianos. Nem sei se em vão, uma vez que o conflito não só persiste como tem momentos de alucinante descontrole.

 

Recebi por email uma história que terá sido escrita por Amos Oz. Não consegui confirmar.

 

"(...)Um exemplo engenhoso do discurso e da política ocorreu recentemente na Assembleia das Nações Unidas e fez a comunidade do mundo sorrir. Um representante de Palestina começou: "Antes de começar a minha intervenção, quero dizer-lhes algo sobre Moisés. Quando partiu a rocha e inundou tudo de água, pensou, "que oportunidade boa de tomar um banho!" Tirou a roupa, colocou-a ao lado sobre a rocha e entra na água. Quando saiu e quis vestir-se, a roupa tinha desaparecido. Um Israelita tinha-as roubado". O representante Israelita saltou furioso e disse, "que é que você está a dizer? Os Israelitas não estavam lá nessa altura." O representante Palestiniano sorriu e disse: "e agora que se tornou tudo claro, vou começar o meu discurso."(...)

 

 

 



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Arendt considerava que a crise geral que se vivia no mundo moderno, em meados do século XX, abrangia os variados domínios da vida humana e eclodia nos diversos países, com saliência para Estados Unidos da América. Uma das componentes mais críticas centrava-se na crise periódica da educação, que se tinha transformado num problema político central com repercussões diárias no mundo dos jornais, e sublinhou que “(...)uma crise na educação suscitaria sempre graves problemas mesmo se não fosse, como no caso presente, o reflexo de uma crise muito mais geral e da instabilidade da sociedade moderna.(...)”.

 

Arendt, H. (2006:195).

Entre o passado e o futuro.

Oito exercícios sobre o pensamento político.

Lisboa: Relógio D´Água.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 12:00 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

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Encontrei o desenho na rede sem referência ao autor.

 

 

 

 



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Terça-feira, 11.11.14

 

 

 

Foi por volta de 2006 que quebrámos a regra caseira de ligar a televisão apenas às 21h00. Havia excepções, obviamente, mas o desvio acentuou-se com a sucessão de tresloucados, e tresloucadas, que foram governando a Educação.

 

O telejornal das 20h00 passou a antecipar o toque no "on". Por princípio, o canal público generalista tem preferência. Mas nas últimas semanas o alinhamento da RTP1 entrou, declaradamente, no frenesi da campanha eleitoral. Bem sei que falta um ano para as legislativas, mas há vícios que a democracia não resolveu como também se constata em tanto BPN, BCP, PPP´s, BES, PT e por aí fora. A dificuldade está na escolha da alternativa e o clique no "off" está sempre à mão.

 

 

 

 



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Foi às 15h00 do dia 7 de Novembro de 2014, num anfiteatro do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, que a Filipa Isabel Rodrigues Prudêncio defendeu, com a nota máxima, o seu doutoramento com o título "Revisiting bi-isotropic media: a new analytical and geometrical approach".

 

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Duas horas e meia depois, a fotografia da Filipa com o júri. 

 

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A Filipa e o Professor Ari Shivola, finlandês de quem ouvi falar muito, que é uma autoridade mundial em electromagnetismo e uma das principais referências bibliográficas que a Filipa referiu.

 

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A Filipa e os seus colegas e amigos. Era evidente mais uma boa onda.

 

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A Filipa, os pais e o Professor Carlos Paiva, orientador principal do doutoramento.

 

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O abraço da mãe.

 

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O abraço do pai.

 

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A comemoração em mais uma excelente onda.

 

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Fotografei e fiz vídeos para a posteridade. A sala estava composta nas filas mais atrás. Nada sei do conteúdo da "Revisiting bi-isotropic media: a new analytical and geometrical approach", mas olhei para a ideia desburocratizada da forma: 134 páginas, sem qualquer nota de rodapé e com a bibliografia considerada essencial.

 

Ganda Filipa!

 

 

 

 



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É vulgar dizer-se que Cavaco Silva gosta de fazer o género marciano, mas depois do BPN, do BES e da PT convenço-mo que Plutão deve ser a outra residência de veraneio.

 

E repito: enquanto o Governo, numa deriva de mercado selvagem e de destruição criadora, expunha a PT acabando com a Golden Share, o PR medalhava Zeinal Bava. Tudo a uma só voz. Como é que é possível que Cavaco Silva venha agora interrogar-se acerca dos actos de accionistas e gestores?

 

A imagem seguinte é de Plutão ou foi mais uma obrigação da troika?

 

 

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Nº 4 da revista três três, sob o tema "a cópia"

 

 

 

 



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Segunda-feira, 10.11.14

 

 

 

"A PGR garante que não houve sabotagem no Citius e arquiva inquérito" e na mesma primeira página online do Público também se lê que o inimitável Cavaco Silva pergunta "o que é que andaram a fazer os accionistas e gestores da PT?".

 

É espantoso, realmente. A ministra, que manchou a honra de pessoas com a insinuação de sabotagem, não se demite perante o facto, nem o PR, que foi eleito sucessivamente como o anti-político que cuidaria das contas da nação, se desculpa por ter participado, até em cooperação estratégica, na bancarrota e por mais recentemente ter aprovado que o seu Governo eliminasse a Golden Share na PT enquanto condecorava Zeinal Bava. 

 

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Não tenho qualquer preconceito contra o liberalismo e daria a "mão à palmatória" se encontrasse motivos; até aos neoliberais. Desde há muito que percebi que os liberais excessivos não se devem confundir com Adam Smith. São egoístas, conservadores no pior dos sentidos, oligarcas na primeira oportunidade, algo oportunistas e contrários a qualquer elevador social; dissimulam muito, mas não conseguem esconder o preconceito.

 

Veja-se o vale tudo da maioria que governa no caso PT. Os excessos do neoliberalismo eliminaram a Golden Share (é do tempo em que eram, com orgulho e fanatismo, além da troika) e permitiram o caso Rio Forte. Em desespero de causa, viram-se para o capital outrora corrupto de Isabel dos Santos.

 

E repare-se na propalada prestação de contas. Crato não se demite, a malta do Citius também não e o economista que, ao que consta, não pode falar em público depois do almoço continua "ministro das cervejas". Os ultraliberais são ultra irresponsáveis, adeptos das lapas-no-poder e pouco escrupulosos com um valor que não lhes é precioso: a democracia.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 12:28 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

Estado Comatoso

 

Sendo legitimo e justo que a contratação de professores tenha sido o tema central nas últimas semanas, esta ofuscou a anestesia geral que se vive na classe docente. A enxurrada legislativa produzida nos últimos anos que piorou e degradou as condições profissionais, parece ter sido assimilada e integrada normalmente no quotidiano, sem réstia visivel de qualquer reação indignada.
Tanto a nivel do orçamento governamental, a curto e médio prazo, como na agenda sectorial do PS, não existe nenhuma referência positiva à carreira profissional do trabalhador público. Neste contexto, independentemente do partido do ‘arco do poder’ que governar nos próximos anos, pode inferir-se que:
- a progressão na carreira continuará suspensa ad eternum
- os salários serão cortados ad eternum ou definitivamente reduzidos
- está ativado o mecanismo de utilizar a mobilidade especial na classe docente a partir de 2015
- em muitas escolas continuará a colocar-se na componente não letiva trabalho letivo, recorrendo à ambiguidade da legislação que confere discricionariedade à direção, e compromentendo a contratação de novos professores nos anos vindouros
- milhares de professores continuarão ‘congelados’ no mesmo escalão por mais tempo, situação que já se prolonga há 8 ou mais anos, com consequências nefastas a longo prazo, nomeadamente no cálculo do valor da pensão de reforma (caso hipoteticamente ainda exista…)
- a degradação sócio-económica na classe docente tornou-se regular e incremental, com perspetivas de se agravar, caso a municipalização das escolas se faça nos moldes desejados pelo governo
- as alterações legislativas de reformulação dos escalões remuneratórios resultaram em situações injustamente absurdas, de despromoção injustificada, ocorrendo casos de docentes que com 6 anos de diferença de idade, pode estar colocado o mais velho no 8º escalão e o ‘mais novo’ no 4º escalão…
- a indiferença e a ‘sobrevivência do mais apto’ serão o modus vivendi que insidiosamente irá dominando o ambiente escolar, incentivado por politicas de gestão
- respira-se mais frequentemente a hostilidade contra o serviço público, promovendo mais conflitualidade, mais desmotivação, mais desesperança…
- reduzir a profissão ao objetivo principal de manter um salário, mesmo que reduzido, e com isso obter uma satisfação submissa a toda e qualquer indignidade hierárquica, parecerá ser o mote quotidiano dos mais novos com a adesão dos mais velhos…
- não existe nenhuma proposta politica de melhoria do estatuto social docente
 a manipulação psico-emocional dos agentes educativos será mais frequente, sendo-se ‘preso por ter cão e preso por não ter’, levando a uma forma subrepticia de assédio moral para promover a desistência
 
Acrescentando aos aspetos profissionais as alterações sociais gravosas, o panorama é desanimador e algo desesperante. Contudo, em vez da indignação, revolta e ação terem sido germinadas nos individuos, no seu lugar instalou-se enraizadamente o coma induzido…
 
Mário Silva


publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:22 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Domingo, 09.11.14

 

 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 11:51 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 08.11.14

 

 

 

O Governo insiste no "prémio para as câmaras que trabalhem com menos docentes" que andará à volta dos 13.500 euros anuais por unidade. É uma lógica transversal denominada por "prémio Audi", só que desta vez de gama baixa. Os governos portugueses andam há mais de uma década a delapidar a imagem pública dos professores e agora conseguem um género de machadada final.

 

É evidente que podemos ficar o dia todo a discutir as competências que passam do MEC para os municípios e as que são retiradas à famigerada autonomia escolar e entregues ao poder local. Quando se repartem responsabilidades, deve sublinhar-se que o país é o que é.

 

O mais risível, e trágico, nisto tudo é o desnorte deste desgoverno que dá razão aos que desesperam por eleições. Depois de andar à pressa a assinar, e a publicitar com toda a pompa, umas papeladas que se denominaram por contratos de autonomia com as escolas e os agrupamentos, mudou de agulha e avançou para uma municipalização que só pode ter resultado de alguma epifania que invadiu a cabeça de um qualquer Maduro inebriado com a estranja. Valha-nos não sei o quê, como se escreveu neste editorial.

 

Parece que já só falta escolher o canal generalista para o sorteio da coisa. Depois da rábula sem-fim das colocações, assistir-se-á à eliminação do professor municipal.

 

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Sexta-feira, 07.11.14

 

 

Ouvi, ontem, Nuno Crato dizer no parlamento que não conhece o que o PS pensa sobre políticas educativas e, principalmente, sobre as alternativas às suas políticas. Claro que saber o que o PS pensa é importante, mas o fundamental não estará só aí.

 

O sistema escolar tem sido tão devastado por reformistas compulsivos, e comprovadamente impreparados, na última década (para não irmos mais atrás), que a desesperança e o cansaço são de tal ordem que corremos o risco das medidas tresloucadas se perpetuarem. Se alguém soletrar a palavra mudança, ouvirá de imediato: outra vez? E, como todos sabemos, não faltam disparates a corrigir com urgência.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 13:05 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

Passarei o dia à volta da sessão de doutoramento da minha filha.

 

 

 



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Quinta-feira, 06.11.14

 

 

"As rescisões por mútuo acordo com professores custaram o dobro do previsto" em mais um momento risível com os cálculos matemáticos do MEC vigente. Crato tinha cerca de 87 milhões para este programa em 2014 e investiu quase 200 milhões. E o mais incrível é que o MEC deu "carta branca" aos professores em condições de rescisão e só a concedeu a metade. 

 

É um MEC a dobrar em todas as direcções: dobra a mais e a menos.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:51 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Jean-Claude Juncker (tem nome de esquentador de marca alemã, mas é luxemburguês e é o novo presidente da Comissão Europeia (CE)), parece estar envolvido no esquema seguinte: "(...)acordos secretos com Luxemburgo permitem a 340 multinacionais pagarem menos impostos(...)".

 

Há uma tendência da Europa para se afundar que dá ideia que é obrigada a isso por quem manda no mundo. Só pode ser ou então o velho continente está dizimado pela grande corrupção. Sei lá. Os Goldman Sachs´s (o comissário Moedas fez parte do grupo) e afins escolheram um tal mordomo das Lajes para presidente da CE e agora indicam uma personagem que mal toma posse é fragilizada desta forma. É sempre a descer, realmente.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 13:58 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

 

 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:51 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 05.11.14

 

 

 

Merkel afirmou que Portugal tem licenciados a mais e acredita-se que o tenha intuído nos inúmeros contactos com o Governo. Passos Coelho repetiu à exaustão o excesso e Nuno Crato parecia concordar com a ideia dos enchidos a mais.

 

Nuno Crato aparece hoje a "afirmar que Portugal não tem licenciados a mais" e já há quem considere a atitude corajosa. Aliás, os elogios vêm do sítio que encontra uma outra medida positiva no consulado de Crato: a "exclusão" da equivalência de Relvas.

 

Crato estava em Valpaços numas jornadas do PSD e só pode estar em rota de colisão com o partido. Os partidos apreciam as "relvices" e não devem admirar as "coisas boas" de Crato. Para os partidos, com excepções em todos, claro, é simples e empreendedor: se há um lugar de assessor para maiores de 35 anos, indicam uma pessoa com 28 e argumentam que é precoce. Se a função exige uma licenciatura em direito, apresentam um quase licenciado em turismo argumentando que a frequentou num estado de direito. Em regra, o assessor filiado apenas apresenta o cartão partidário e uma carta de recomendação do chefe respectivo. Nuno Crato deve estar bem escaldado com essa malta.

 

Claro que nada disto atenua o radicalismo ideológico nem os preconceitos que levaram ao experimentalismo que terraplenou o sistema escolar.

 

 

 



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Terça-feira, 04.11.14

 

 

"Angela Merkel diz que Portugal e Espanha" têm licenciados a mais.

 

Sabe-se que "(...)em 2013, 25,3% da população da União Europeia entre os 15 e os 64 anos tinha completado estudos superiores, enquanto a percentagem portuguesa era de 17,6% e a alemã de 25,1%. Na cabeça da lista encontrava-se a Irlanda, com 36,3% da população entre os 15 e os 64 anos licenciada, seguindo-se o Reino Unido com 35,7%, estando a Roménia (com 13,9%) e a Itália (com 14,4%) no final da lista.(...)"

 

Não sei como é possível alguém fazer afirmações destas. Às tantas, são dados fornecidos pelo Governo português cujo primeiro-ministro classificou recentemente a nossa formação ao nível dos enchidos e baralhou os alemães.

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 19:36 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

 

 

 

A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil e é preciso reler algumas vezes. O resultado é sempre sublime. É um dos meus poetas preferidos.

 

Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno erigido perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático.

 

Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

 

 

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 12:40 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 03.11.14

 

 

 

Passava os olhos pelo livro de José Tolentino de Mendonça (JTM), "A mística do instante, O tempo e a promessa", e reflectia, com o autor, à volta do conceito de espiritualidade que para JTM significa interioridade como "a noção mais afim à ideia de mística". Não é difícil imaginar a bondade transversal que ilumina a obra.

 

Leio as crónicas de JTM há muito e não sabia que é vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa. E foi isso que me chamou à atenção. Não me lembro de uma pessoa formada nessa universidade que não professe o ultraliberalismo; pelo menos o neoliberalismo mais competitivo, como se vivêssemos na selva, é apontado como caminho. E é isso que me surpreende em tanto conselho cristão e em tão elevadas almas. JTM será uma excepção, uma espécie de ovelha fora do rebanho?

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:35 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

Não podemos despir a pele e ainda bem que é assim. A singularidade dos humanos é um verdadeiro oxigénio.

 

Mas a história já nos ensinou vezes sem conta que quando colocamos os interesses individuais muito acima dos colectivos acabamos por afectar os segundos e irremediavelmente os primeiros. Os gestos mais egoístas que prejudicam os interesses dos grupos acabam sempre com danos sérios para ambos, seja no âmbito nacional ou local; é só deixar passar o tempo, embora se tenha que registar, e infelizmente, que há danos que são quase irreparáveis.

 

Ter um olhar para o grupo e outro para o individual é uma formulação difícil; sabemos disso. Mas quem olha para o interesse geral consegue sempre proteger os interesses mais particulares.

 

 Já usei esta argumentação noutros posts.



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Domingo, 02.11.14

 

 

 

Não sei se Passos Coelho é um testa de ferro, mas é um adepto do Estado mínimo e o radicalismo ideológico abençoou o seu programa. 

 

Não sei se Passos Coelho é manipulado, mas rodeou-se dos que acreditaram numa espécie de modelo "Singapura" que revolucionaria a nação portuguesa.

 

Não sei se Passos Coelho é um ultraliberal ou um social-democrata, mas sei que a sua crença "além da troika" foi partilhada por governantes europeus ultraliberais e adapta-se aos gostos dos casinos bolsistas e dos offshores.

 

Não sei se Passos Coelho tem mesmo intenção de prolongar a tragédia e já pouco interessa onde começam os ultraliberais e acabam os neoliberais ou liberais apenas; socialistas da terceira via incluídos. O que as democracias desejam é que as personagens da "escola Passos Coelho" saiam de cena.

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:49 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

 

 

 

... esta entrevista a António Nóvoa (pouco mais de 10 minutos apenas).

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 16:36 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

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Sábado, 01.11.14

 

 

"Vê lá que a filha da minha empregada senta-se ao meu lado na faculdade", é um espanto misturado com indignação que pode ser escutado aos filhos da geração ainda adolescente no 25 de Abril e nas que se seguiram.

 

E nesse grupo encontramos, para além dos óbvios e imutáveis conservadores, MRPP´s, esquerdas minoritárias diversas, socialistas e sociais-democratas de vias avançadas e até os freaks da altura.

 

Não direi que é uma desilusão, pois para isso tínhamos de estar iludidos e não era caso para tal. É uma espécie de tristeza, de ligeiro choque e de surpresa com o estado em que ainda estamos com quase quarenta anos de democracia. Às vezes até parece que regredimos e que eliminámos a memória.

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 17:04 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

O conceito "escola completa" significa que o ensino "regular" não se deve limitar às matérias estruturantes como a matemática e a língua materna.

 

É óbvio que quem defende a "escola completa" não desvaloriza as matérias estruturantes.

 

Já nem se questiona, nos sistemas escolares mais avançados, o equilíbrio entre as ciências, as humanidades e as expressões (dito assim para ser sucinto) porque eliminaram há muito o analfabetismo e porque sabem que os alunos mais apoiados aprendem as matérias estruturantes independentemente da carga horária (nos limites do razoável, obviamente). Epifanias como as de Nuno Crato são desconhecidas.

 

O desequilíbrio da carga horária em sociedades como a nossa provoca, para além de tudo o resto, desigualdade de oportunidades. Os alunos têm apoios muito desiguais à sua educação. Esse desequilíbrio tem sempre dois indicadores: aumento do abandono escolar e vantagens nulas no desempenho dos alunos mais apoiados como se referiu no parágrafo anterior (os alunos mais apoiados aprendem as matérias estruturantes independentemente da carga horária).

 

Já usei estes argumentos noutros posts.

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 11:25 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 31.10.14

 

 

 

Li qualquer coisa mais ou menos assim (não a reencontro, mas tenho ideia que é da autoria de Joseph Stiglitz): antes de escolhermos qualquer dos caminhos que se vão propondo para sairmos donde estamos, devemos perceber três coisas óbvias: a crise é artificial, a austeridade não é a solução e é mesmo o problema e a Alemanha é o obstáculo.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:45 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 30.10.14

 

 

 

Obscenidade é, por exemplo, lançar o nome de uma pessoa e depois afirmar-se a sua inocência. O vale tudo tem a ética em estado de sítio.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 22:41 | link do post | comentar | partilhar

 

 

Já se tinha dado conta que o MEC continuaria a colocar professores em plena época natalícia. Mas afinal a coisa já vai em partidas de carnaval. Isto é que é capacidade de antecipação, realmente.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:08 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar


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Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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