Em busca do pensamento livre.
Domingo, 21.12.14

 

 

 

O surrealismo, como corrente artística de vanguarda que definiria os caminhos do modernismo entre as duas grandes guerras do século XX, está vigente no liberalismo que comanda o país e a maioria das suas instituições. 

 

Ansiamos por uma saída para o estado em que vivemos e um olhar para o surrealismo ajudaria a reencontrar o caminho da modernidade, mesmo para os que atingiram um qualquer pico de adrenalina como foi o caso do deputado trauliteiro do PSD, Carlos Abreu Amorim, que agora se confessa: "Já não sou um liberal. O Estado tem de ter força".

 

Ou seja, primeiro destrói-se e depois confessa-se. E aí voltamos à análise do surrealismo. A saída do estado surreal só se consegue com muita psicanálise. É bom recordar que a corrente de Sigmund Freud penetrava no inconsciente e isso influenciou decisivamente o surrealismo como actividade criativa.

 

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 Pintura de Vladimir Kush.

 

 



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Em 3 de Junho de 2011 escrevi um texto, que se chamou "O medo como herança", que tem motivos para se repetir nos tempos que se aproximam. Por vezes, e em eleições e por muito construtivo que se queira ser, o mais importante é que seja derrotado quem governa. Para além da burocracia que paralisa, acrescentou-se uma "irreparável" destruição criadora como corporização de um fanatismo para além da troika que está presente desde o início. É mesmo isso que se pode acentuar se a actual maioria continuar a governar e basta recuperar o tal de guião da reforma do Estado que voltará à agenda com as mesmas e comprovadas falácias; na Educação será mesmo conclusivo.

 

"Não sei se o caso France Telecom foi consciente. Não tenho dados para o veredicto. Do mesmo modo, permito-me dar lugar aos que especulam que o que se viveu em Portugal nos últimos anos foi de premeditação inconsciente embora com resultados igualmente desastrosos. O que mais me impressionou neste período, e que me oxigenou a não desistência, foi a generalização do medo. O pavor de existir é a mais nefasta herança desta governação.

 

A má burocracia corporizada em amontoados de grelhas anula o indivíduo e o seu inatismo cooperativo e gregário. Institucionaliza o formulário com campos sem fim e em que o erro num deles pode sentenciar a reprovação, a vergonha e a imobilidade na progressão na carreira. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia associada a uma pirâmide clientelar e preenchida por uma ficção em forma de ferro, venera a bajulação, exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade. É a pensar nessa liberdade que votarei e na esperança de fechar este trágico capítulo."

 

 

 

 



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Sábado, 20.12.14

 

 

 

 

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Sexta-feira, 19.12.14

 

 

 

 

Já uma vez fiz um post com a seguinte citação de John Stuart Mill a propósito da Liberdade:

 

"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento"

 

Não sei se o homem é naturalmente bom. A prevalência do mal sempre nos obrigou a desconfiar.

 

Não raramente assistimos ao convite para o fim da história. Talvez a ânsia de liberdade individual, consubstanciada na ideia de que finalmente está tudo resolvido e de que o que se segue é a felicidade plena, leve à distracção colectiva que nos empurra paulatinamente para tragédias que podem atingir horrores como o holocausto.

 

Se a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade, é crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de entender ou de transformar.

 

 



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Quinta-feira, 18.12.14

 

 

 

 

 

Trailer oficial legendado.

 

 

 

 



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Quarta-feira, 17.12.14

 

 

 

Na génese da propalada accountability está uma "nova" gestão dos serviços públicos que tem como alicerce o controlo dos sujeitos, que nada tem de novidade e que tudo nos diz sobre os caminhos silenciosos do totalitarismo.

 

"O que havia de tão novo nestes projectos de docilidade que interessava tanto o século XVIII? Havia a escala do controlo: era uma questão não de tratar o corpo, num grupo, "por atacado", como se se tratasse de uma unidade indissociável, mas de trabalhá-lo "a retalho", individualmente, de sobre ele exercer uma coerção subtil, de obter domínio sobre ele ao nível do próprio mecanismo - movimentos, gestos, atitudes, rapidez: um poder infinitesimal sobre o corpo activo. Depois havia o objecto do controlo: não eram ou não mais eram os elementos significadores do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficiência de movimentos, a sua organização interna; a única cerimónia verdadeiramente importante é a do exercício. Por último, há a modalidade: implica uma coerção ininterrupta e constante, a supervisão do processo da actividade e não tanto o seu resultado, e é exercida de acordo com uma codificação que reparta, tão proximamente quanto possível, tempo, espaço, movimento. Estes métodos, que tornaram possível o controlo meticuloso do corpo, que asseguraram a sujeição constante das suas forças e lhes impuseram uma relação de docilidade-utilidade, poderão ser chamados de "disciplinas".(...)"

 


Jardine (2007:57), Foucault e Educação.

 

 

 

 



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Terça-feira, 16.12.14

 

 

 

 

As comissões pela venda dos submarinos foram de seis milhões: um milhão para cada extenuado; cinco são conhecidos e pertenciam ao BES. Quem será o sexto?

 

 

 

 



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Que me lembre, a expressão "Paradigma perdido" tornou-se usual com Edgar Morin e com a crítica do afastamento do homem em relação à natureza; escrito assim para simplificar.

 

Quando tanto se fala no desnorte em relação à selecção das áreas para a reindustrialização (que raio de palavrão), parecia-me curial regressar ao paradigma de Morin donde nunca se deveria ter saído: a cadeia de abastecimento no sentido mais lato, considerando o homem em todas as suas dimensões; tenho ideia que, por esse caminho, não haveria tantas bolhas originadas pelos negócios financiados pela banca que produzem muito para além da cadeia referida e que parecem dirigir-se também a outros habitantes do sistema solar.

 

 

 



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Segunda-feira, 15.12.14

 

 

 

 

 

O Conselho Nacional de Educação colocou online o relatório Education and Training Monitor 2014 que inclui dados globais e nacionais.

 

 

 

 

 



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O ensino, como um espaço de liberdade a preservar a todo o custo por questões democráticas e civilizacionais, levou um abalo considerável no que levamos de milénio. Os promotores do ultraliberalismo dominante nem sempre tiveram consciência, a exemplo doutros momentos da história, do lado do muro que ocupavam. Aplica-se ao ensino o que Robert Linhart (1978), "Lês Archipels du Capital", registou nos factores de produção: 

 

"o capital já não é um factor de produção é a produção que é um simples factor do capital."

 

 

 

 



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Do habitual falso recuo

 

"Nada de essencial mudou pois o objectivo dos municípios será eliminarem as contratações “regulares” para se mostrarem eficientes e ficam, deste modo, com 25% do currículo para entregarem a quem bem entenderem.(...)" 

 

 

 



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Domingo, 14.12.14

 

 

 

 

 

"Todos os instrumentos científicos são válidos depende da cabeça que os utiliza", é uma intemporal evidência que pode ajudar na matéria em título e que deve ser acompanhada de outras comprovações. O dogmatismo, o extremismo e o fim da história, por exemplo, são asserções a considerar quando se lê a caixa de comentários da notícia que diz: "e se os alunos não tivessem notas? O debate chega a Portugal".

 

A surpreendente ideia francesa de abolição de notas não poderá significar o fim da avaliação dos alunos; claro que não será disso que se trata. Parece-me que há a necessidade de discutir o modo como a sociedade está a considerar os resultados escolares como reflexo do mercado selvagem que se globalizou. Todos concordamos com o que acabei de escrever e temos de discutir e encontrar soluções.

 

Não conheço os detalhes franceses nem o que se vai discutir em Portugal. Todavia, impressiona-me a nossa capacidade para aplicar os mesmos mecanismos avaliativos, com a respectiva publicitação em rankings, a alunos do 12º ano e do 4º ano, por exemplo. Na Finlândia, e ainda como exemplo, as avaliações dos alunos só são publicitadas a partir dos 13 anos. Antes disso, são apenas comunicadas ao respectivo encarregado de educação. Isso não significa qualquer facilitismo nem o fim da avaliação. Há tempos escrevi assim:

 

"é fundamental que a publicação dos resultados escolares seja adaptada aos níveis de escolaridade e, naturalmente, à idade dos alunos. Para começar, devem discutir-se os procedimentos de publicitação dos resultados escolares individualizados até ao sexto ano de escolaridade".

 

 

 

 



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Sábado, 13.12.14

 

 

E ao contrário dos nossos "reformistas", discutem e testam (com um ano de distância, veja-se lá). Por cá, nem sequer nos interrogamos com rankings em exames do quarto ano.

 

"(...)As notas estão com os dias contados nas escolas francesas. O Conselho Superior dos Programas, órgão do Ministério da Educação francês, elaborou uma proposta para abolir o sistema de avaliação através das notas, que na França vão de zero a 20, e substituí-las por uma análise mais geral das competências dos alunos. O projeto será discutido numa conferência nacional nesta quinta e sexta-feira (11 e 12), em Paris.(...)Sistemas similares sem as tradicionais notas já vêm sendo utilizados há muitos anos por países europeus onde a educação é considerada de alto nível, como a Suécia, a Dinamarca e a Alemanha. Na França, se for aprovado, o novo sistema pode começar a ser testado em 2015.(...)"

 

 

 

 



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Da novilíngua em Educação: a "eficiência".

 

 

 



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"A democracia está em vias de extinção na Europa", dizia alguém recentemente. E acrescentou: "dá ideia que imerge, e se impõe, um sistema global em que o poder se desloca paulatinamente para o poder financeiro não sufragado".

 

Encontramos sinais desse desuso da democracia em coisas mais pequenas. Dizia-me um amigo que limitou os mandatos de gestão, já neste milénio e numa instituição financeira quando ainda não era uma obrigação da lei, que estava a ser confrontado frequentemente, em questões estritamente profissionais ou perto disso, com argumentos que desvalorizavam a sua opção pela renovação democrática e que "eliminavam" a atenção ao uso cuidado da democracia. São sinais, realmente.

 

 

 

 

 



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Sexta-feira, 12.12.14

 

 

 

Raramente uso aforismos nos posts e até as citações não merecem a minha preferência. Gosto mais de utilizar imagens com as leituras que vou fazendo para tentar acrescentar qualquer coisa ao que me apetece escrever.

 

Como dei conta noutra altura, deixei de comprar edições impressas dos jornais. Mantenho apenas a assinatura da Gazeta das Caldas em papel.

 

Mas há excepções. Há tempos, a última página do Público inscreveu um aforismo certeiro atribuído a Epicuro (-341/-270), Filósofo da Grécia Antiga, que diz assim:

 

"Pelo medo de ter de se contentar com pouco, a maioria dos homens deixa-se levar a actos que aumentam mais ainda esse medo".

 

 

 

 

Terceira edição. Rescrito.

 

 

 

 



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Quinta-feira, 11.12.14

 

 

 

 

 

Pergunto a mim próprio que razões

Me movem a estudar sem uma esperança

De precisão, enquanto a noite avança,

A língua desses ásperos saxões,

Já gasta pelos anos a memória

Deixa cair a em vão repetida

Palavra e é assim que a minha vida

Tece e destece sua exausta história

Será (disse-me então) que de algum modo

Secreto e suficiente a alma sabe

Que é imortal e que o seu vasto e grave

Círculo abarca tudo e pode tudo.

Pra lém deste cuidado e deste verso

Espera-me inesgotável o universo.

 

 

 

 

Jorge Luís Borges (1961, p:51)

Poemas escolhidos,

Cadernos de poesia, 20,

Publicações dom quixote.

 

 

 



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O Caos toma assento como árbitro. 

E o seu juízo apenas agrava 

a querela que assegura o seu reinado. 

Acima dele, é o Acaso o juiz supremo... 

 

 

 

Encontrado num pedaço de papel.

 

 

 



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Quarta-feira, 10.12.14

 

 

 

Estão comprovados os casos de corrupção no nosso sistema financeiro. Se olharmos para o passado recente, e para o presente, não faltam evidências: há pessoas acusadas e os que ainda não o foram são, no mínimo, responsáveis por péssima gestão.

 

Sejamos objectivos: salários, pensões, impostos e empobrecimento geral pagaram o desvario. Depois de tantos casos no ministério publico e de horas sobre horas de inquéritos parlamentares, o que as pessoas querem é que a devolução financeira se faça e que, no mínimo, não se prolongue eternamente. É caso para repetir: falam, falam, falam...

 

 

 

 



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Terça-feira, 09.12.14

 

 

 

A mediática troca de acusações (dá ideia que o estalar de vernizes está no início) entre Salgado e Ricciardi comprova a origem da bancarrota que levou ao corte de salários e pensões e ao empobrecimento quase geral. A tal banca de moral elevada endividou e capturou o país (BCP, BPP, BPN, BANIF, CGD, BES e afins como a PT, as PPP,s e o financiamento partidário) e os credores, muitos da mesma família, mantêm a contabilidade e querem receber tudo. É apenas mais esse "lance de casino" que se discute quando se fala de reestruturação da dívida.

 

Onde estão as personagens como Nogueira Leite, João Duque, Camilo Lourenço e por aí fora que eram infatigáveis nos laudos aos DDT,s enquanto receitavam cortes a eito nos do costume?

 

 



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"O Leopardo" (1963), filme premiado de Luchino Visconti, retrata "(...)a atmosfera vivida nos palácios da aristocracia durante o conturbado reinado de Francisco II das Duas Sicílias e o Risorgimento - longo processo de unificação dos Estados autônomos que originaram o Reino de Itália, em 1870.(...)Trata-se de uma adaptação do romance homônimo(...)que usa a queda da monarquia de Bourbon no Reino das Duas Sicílias e sua anexação ao da Alta Itália, governado pela dinastia Saboia.(...)".

 

No fundo, a esperança de "Il Gattopardo" era que tudo ficasse na mesma.

 

 

 

 

 

 



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A generalização dos motores de pesquisa começa a ter história e a preocupar os que se inquietam com as aprendizagens das novas gerações. O google, por exemplo, é uma ferramenta poderosíssima para os adultos e muito questionável para os mais jovens. Ora leia a entrevista a Umberto Eco.

 

 

Umberto Eco. "O Google é uma tragédia para os jovens".

 

"(...) Sim, no caso do Google, ambos os conceitos convergem. O Google cria uma lista, mas no momento em que olho para a lista que o Google gerou, ela já mudou. Essas listas podem ser perigosas - não para os adultos como eu, que adquiriram conhecimento de outro modo -, mas para os jovens, para quem o Google é uma tragédia. As escolas deveriam ensinar a arte da discriminação. (...). A educação deveria regressar às estratégias das oficinas da Renascença. Aí, os mestres podiam não ser capazes de explicar aos alunos por que razão uma pintura era boa em termos teóricos, mas faziam-no de maneiras mais práticas. Olha, isto é o aspecto que o teu dedo pode ter e este é aquele que deve ter. Olha, esta é uma boa combinação de cores. A mesma abordagem deveria ser utilizada nas escolas quando se lida com a internet. O professor deveria dizer: "Escolham qualquer assunto: a história da Alemanha ou a vida das formigas. Pesquisem em 25 páginas web diferentes, comparando-as, e tentem descobrir qual tem informação importante e pertinente". Se dez páginas disserem a mesma coisa, pode ser sinal de que essa informação está correcta. Mas isso também pode acontecer porque alguns sites se limitaram a copiar os erros dos outros. (...)"

 

 

 



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Os últimos dias voltaram a mediatizar a crescente desistência escolar dos jovens que terminam o ensino secundário. A ideia errada de que não vale a pena ter um curso superior aparece como a causa primeira. É evidente que a empregabilidade dos cursos superiores é determinante, mas a variável que vai crescendo, e que uma natural vergonha impede a verbalização, é o empobrecimento. Os jovens percebem que a família não conseguirá responder ao esforço financeiro e "ajudam" desistindo com "dignidade".

 

 

 

 



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Ler aqui.

 

 

 

 



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Domingo, 07.12.14

 

 

 

"Querem ver que vai ler a carta toda". Levantou-se e saiu.

 

A cena passou-se no saudoso cinema King, em Lisboa, ao fim da primeira hora (mais ou menos, claro) de exibição do belo filme "A carta" de Manoel de Oliveira. Éramos uma dezena de espectadores e já estávamos reduzidos a metade. 

 

Confesso que não aprecio comentários dos espectadores nas salas de cinema, mas este foi inesquecível. Uma freira recebeu uma carta no seu quarto no convento, há uns minutos que a câmara nos dava um plano inamovível, a carta tinha umas quantas folhas e o saturado espectador tinha razão: leu a carta toda.

 

 

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Sábado, 06.12.14

 

 

 

 

 

 

(Este texto foi escrito em Junho de 2004. Resolvi reescrevê-lo e reeditá-lo)

 

 

 

Passei uma tarde encantadora. Foi um descanso merecido para um corpo que vai aturando maçaduras diversas. O dia soalheiro ajudou, a cadeira de jardim encorpou-se de vez e as leituras estavam a condizer. Se a perfeição existe, estive lá perto. Foram momentos de um prazer indizível. Argumentei-me em cadeia com sínteses que me elevaram as motivações. Tenho tardes assim. Mas hoje, uma das leituras fez-me viajar para longe das letras que os olhos percorriam. Fiz uma visita à minha memória. É um dos meus exercícios predilectos, pois não obedece a muitas formalidades nem aos necessários - para outros tipos de visitas, é claro - pormenores protocolares. A meu gosto. Entro por ali adentro, pesquiso à vontade e o tempo que quiser, realço o que mais me interessa, embora, e vezes sem conta, tropece em acontecimentos menos agradáveis. 

Foi hoje o caso. Lembrei-me do serviço militar. Vinte e poucos anos, muito poucos mesmo, e zero tiros no currículo. De uma hora para a outra raparam-me os caracóis, encheram-me de fardas e de sei lá mais o quê e disseram-me: vais ser comando; a honra suprema de um jovem português. Chamavam-me de Prudêncio, o meu último nome, coisa que até aí me parecia exclusivo do meu pai. Fui obrigado a fazer uma tropa de voluntários com detalhes engraçados: perguntavam-me:  - és voluntário?; respondia: - não. Mas nos papéis punham a cruz no sim e quando mais refilasse pior: aprendi rápido e sentenciei: - se tem de ser, vamos a isso.

Depois foi aquilo que se sabe. Mesmo com uma estrela aos ombros, já que ali éramos todos iguais, valha-lhes isso, a dureza e a brutalidade diárias sucederam-se até o horror se instalar. Lembro-me, entre tantas outras coisas tremendas, de saborear um naco de pão duro barrado com pelos da barba e sangue. Ou então, de me deitar em terrenos cravejados de balas que tinham acabado de cair. Violência acumulada em meses e meses sem fim. Valeu-me a ausência da guerra. Não sei o que faria dos "inimigos".

Como quero compreender os jovens que lutam nas diversas guerras. Humanos que são, jamais quererão ouvir o nome do palco do único e infeliz dos teatros: o das operações militares. 

Da parte que me toca, nunca mais "perdoarei", nem à Amadora nem a Santa Margarida, pelo facto de terem sido os solos dos meus horrores.


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Sexta-feira, 05.12.14

 

 

 

 

Ouvimos, desde a viragem do milénio, o persistente discurso anti-escola pública e anti-professor:

 

"a escola pública entrou em ruptura; os alunos aprendem pouco; as escolas públicas são más ou pioram a cada ano; estamos a ficar para trás nos testes internacionais; as escolas públicas não contribuem para o crescimento económico e começam a colocar em causa a nação; as escolas públicas já não vão lá com meias-medidas; as escolas públicas devem ser fechadas em larga escala e os professores despedidos. Mas mais: o discurso que acabei de escrever foi defendido pela direita e pela esquerda que aspirava a governar, foi defendido pelas "elites" que preenchiam os média mainstream e por aí fora. Quem se atrevesse a defender o contrário era acusado de dar lugar ao status quo."

 

O parágrafo que está em itálico é de Diane Ravitch (com adaptação à sua realidade, obviamente), ex-secretária de Estado na administração do Bush mais crescido, bem à direita, portanto, e pode lê-lo na obra da ex-governante, "Reign of Error: The Hoax of the Privatization Movement and the Danger to America's Public Schools" (qualquer coisa como: o reinado do erro: A farsa do movimento de desestatização e o perigo para as escolas públicas da América). 

 

A direita americana chegou a este ponto depois de sucessivos falhanços com a privatização de escolas, com o cheque-ensino, com os modelos hiperburocráticos de avaliação de professores e por aí fora. Por cá, o guião da reforma do Estado, por exemplo, faria corar de vergonha Diane Ravitch.

 

Argumentemos com pragmatismo: os resultados escolares que o mainstream tanto acusou foram desmentidos pelos estudos internacionais do PISA (Programme for International Student Assessment), do TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e do PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study).

 

Custa ver como se continua a omitir estas evidências e a não prestar contas. Espera-se que o próximo ano permita uma verdadeiro contraditório nas políticas educativas de quem aspira mesmo a governar e que a defesa da escola pública não fique apenas "para os que protestam".

 

 

Já usei alguns destes argumentos noutros posts.

 

 

 



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Quinta-feira, 04.12.14

 

 

 

 

É inadmissível a privatização de lucros em instituições escolares financiadas pelo orçamento de Estado. É uma  impossibilidade em países ricos e torna-se sei lá o quê em países empobrecidos. Há sociedades onde a "ideia de inadmissibilidade" se estende ao ensino superior e inclui os privados que se financiam nas propinas dos alunos.

 

Em Portugal tem sido o que se sabe e dá ideia que o próximo ano eleitoral agendará a discussão da organização do sistema escolar omitindo a história, até a mais recente. Privatização, municipalização, desconcentração, descentralização e autonomia serão temas em debate com contornos e desequilíbrios que poderão dificultar muito um qualquer regresso à sensatez e à comprovação, teórica e empírica, dos insucessos "no modelo sueco".

 

Podemos discutir formas de acrescentar mobilização e cooperação a um sistema desesperançado, mas teremos maus resultados se insistirmos na ideia de que o sacrossanto mercado justifica a privatização de lucros no ensino não superior financiado integralmente pelo orçamento de Estado. E esta elementar conclusão democrática não se deve misturar na discussão sobre as liberdades: de ensinar, de aprender e de escolha curricular.

 

 

 



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Quarta-feira, 03.12.14

 

 

 

Terminado o protectorado, parece concretizar-se a reposição dos feriados e teme-se pelo regresso da bancarrota. O desvario autonómico também atinge o parceiro menos numeroso da maioria, uma vez que Paulo Portas já clamou por independência. Veremos a reacção alemã que deixa de ter quase o dobro dos feriados do que os despesistas lusitanos.

  

"(...)PS apresenta diploma para repor feriados do 1º Dezembro e 5 Outubro já em 2015Relativamente aos feriados religiosos que foram eliminados, os socialistas não propõem a sua reposição imediata, mas 'abrem a porta' a essa possibilidade.(...)"



 



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A profissão de professor em Portugal é a mais devassada do mundo conhecido. Não há saída da troika ou campanha eleitoral que atenue as investidas contra a profissionalidade dos professores.

 

Há anos a fio que é assim. Invariavelmente, os média abrem os serviços noticiosos com sei lá o quê à volta dos professores. Há mesmo quem se interrogue se este "ódio" à escola pública não representa um qualquer desconforto com a democracia.

 

E para não variar, anuncia-se mais uma greve à prova para professores contratados. É teimosia ou obstinação da equipa ministerial?

 

 

 



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Terça-feira, 02.12.14

 

 

 

 

Sim, acontece muitas vezes. Ainda no último domingo, Marcelo Rebelo de Sousa conjugou dois verbos para os resultados do ensino privado nos rankings dos exames: arrasaram; esmagaram. Como é um professor de direito, temos de baixar o grau para lá do inadmissível e já nada nos deve espantar. O político estava fora de si e terraplenava resultados escolares como quem comenta o "seu Braga".

 

 

 



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Segunda-feira, 01.12.14

 

 

 

O concerto do trio Alexandre Frazão (bateria), Carlos Barreto (contrabaixo) e Bernardo Sassetti (piano) foi soberbo e abriu da melhor forma o JazzValado2011.

 

Há muitas possibilidades instrumentais para trios de jazz, mas a combinação escolhida é das que mais gosto de ouvir. Os temas faziam parte de um repertório que se iniciou em 1996.

 

Se me pusesse a eleger os melhores músicos para aqueles instrumentos, qualquer dos três seria uma das primeiras escolhas. O público esteve electrizante e em simbiose com os músicos. Tenho ideia que os encores se prolongaram por cerca de uma hora e isso diz tudo.

 

Pode ouvir o tema vagabundo.

 

 

(1ª edição em 9 de Abril de 2011)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:29 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

"(...)quem se limita ao que está a acontecer nem sequer compreende o que acontece.(...)" 

 

 

Daniel Innerarity (2011:49). 

"O futuro e os seus inimigos". 

Lisboa: Teorema.

 

 

 



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Domingo, 30.11.14

 

 

 

 

Bem sei que é exigente, mas é uma experiência interessante: quando opinamos sobre a detenção de um político da área adversária, devemos pensar que se trata de alguém da nossa; quando questionamos a acção de um juiz dirigida a um político, devemos considerar que o suspeito é alguém da corrente adversária.

 

Sei lá. É um bocado como naquelas discussões sobre a idoneidade dos dirigentes desportivos com provas dadas em ilegalidades, mas que sobrevivem por se tratar da justiça desportiva. Por exemplo: um portista pensa que Pinto da Costa é do Sporting e constrói o "veredicto". Resumamos a ideia: das disputas e da alteridade.

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:25 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

A interessante presença de António Sampaio da Nóvoa.

 

Captura de Tela 2014-11-30 às 01.21.28.png

 

 

A clarificação de António Costa. Maioria absoluta? Até nos arrepiamos se as caras e as políticas da Educação tiverem a mesma inspiração dos últimos governos socialistas (acentuadas pelo actual Governo). Aguardemos pelos programas e pelos protagonistas. Já se percebeu que o discurso inscreve um "chega de diminuir a escola pública e os seus profissionais"; mas não chega, claro.

 

Captura de Tela 2014-11-30 às 14.42.54.png

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 15:02 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

 

 

 

 

 

  

 

 

É uma história aconselhável a pessoas sensíveis ao sofrimento alheio, embora contenha imagens chocantes. Se ligarem o título à imagem compenetram-se dos perigos que vão correr. Quero convocar seres deste universo e partilhar o destino de uma das minhas memórias. Só tive uma dúvida: se seria um abuso usar a imagem de um tubarão numa história tão violenta, porque sei, pela voz da ciência, que estes animais são normalmente inofensivos e que a sua ferocidade é a reacção natural de quem é habitado pelos medos do mundo; como os humanos, afinal.

 

Acredito que serei absolvido. Parece-me palpitante começar uma narrativa desta maneira e antes de vos subir o pano não resisto a fazer uma declaração de princípios. Sempre que assisto a um discurso ministeriável para uma plateia de professores - e aconteceu uma coisas dessas, recentemente, num congresso de professores de história - reforça-se a necessidade dos jovens treinarem a memória através dos exercícios de cálculo na matemática. Pergunto-me repetidamente: então e a história? Ficarão os jovens mais preparados para enfrentarem os domínios da razão com a tabuada na ponta da língua ou com o conhecimento da história? Se tivesse que optar, escolhia as duas. Para ilustrar esta excêntrica conclusão, vou vos dar a conhecer como os encantos da infância podem ser ensombrados pelos relatos da investigação histórica.

 

A história passa-se em duas praias. No Tohofinho, uma das belas praias de Inhambane, cidade moçambicana, e na Foz do Arelho, a praia das Caldas da Rainha, cidade portuguesa. Entre uma e outra, esboroou-se um encantamento com mais de 30 anos.

 

Decorria o ano de 1971, tinha 11 para 12 anos e vivia na cidade de Maputo. As férias grandes eram intermináveis. Uns vizinhos convidaram-me para passar um mês, dos três que essas férias nos abençoavam, na cidade de Inhambane. Era preciso percorrer cerca de mil quilómetros para se chegar à cidade suave. Uma catedral erguia a centralidade da terra da boa gente, por baptismo de Vasco da Gama, que acolhia muitos cidadãos indianos e paquistaneses. Aparentava uma pacífica coabitação entre culturas.

 

Bastava percorrer uma ou duas dezenas de quilómetros para sermos presenteados com uma das belas praias que rodeavam Inhambane. O Tohofo (lê-se tofo) era a nossa escolha. Praia quente, de águas imaculadas e impossível de descrever. Pouco habitada, com um hotel, uma estância balnear de ferroviários e pouco mais. Uns poucos quilómetros antes de se chegar ao Tohofo, aparecia uma picada para o Tohofinho.

 

É do segundo lugar que a minha memória guarda as imagens que me fizeram escrecrever este texto. Os jovens chegavam diariamente ao Tohofinho pela praia. Centenas de metros percorridos de modo pedonal e sempre com a mente desperta para o aviso dos perigos mortais. O Tohofinho tinha uma rebentação fortíssima e era um albergue de tubarões.

 

Na fronteira das duas praias, erguia-se um invulgar rendilhado rochoso. Na maré vazia, a natureza oferecia-nos um belo complexo (digo complexo para ser moderno, já que aquilo não era mais do que um “simplexo”) de piscinas naturais. Foi numa dessas piscinas que tive a sensação única de tocar num tubarão vivo; pequeno é certo, já que esta história não vos é contada por um caçador de leões ou elefantes.

 

Guardo dessas férias a ideia de ter estado no paraíso. Passados 33 anos, e imaginem como cenário uma esplanada da não menos bela Foz do Arelho, lia uma entrevista da historiadora portuguesa Dalila Mateus. Um arrepio apoderou-se de todo o meu ser. A tese da investigadora apresentava argumentos para se considerar como genocídio a presença portuguesa nos territórios coloniais. Entre outros relatos, Dalila Mateus contou algumas atrocidades cometidas pela PIDE. Salientou a prática comum de se lançarem aos tubarões do Tohofinho - em plena primeira metade da década de 70 do século XX - os presos políticos de pele negra. Em que águas límpidas terei eu tocado? Como foi isto possível?

 

 

(Texto reescrito. 1ª edição em Maio de 2004)





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Sábado, 29.11.14

 

 

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1ª página da Gazeta das Caldas em 28 de Novembro de 2014.

 

A Escola Secundária Raul Proença, nas Caldas da Rainha, é a escola pública com melhores resultados nos rankings 2104 do ensino secundário. Foi, naturalmente, com orgulho que a comunidade escolar recebeu a notícia. É já habitual a distinção da Secundária Raul Proença nestes rankings, mas é a primeira vez que ocupa o primeiro lugar nas escolas públicas. Os jornais salientam a primazia do ensino privado e ainda não li qualquer referência ao facto do índice sócio-económico das famílias (os tais dados do contexto) só ser considerado para as escolas públicas. Mas deixo isso para outro post.

 

A Secundária Raul Proença é a escola sede do Agrupamento de Escolas com o mesmo nome que inclui a Escola Básica Integrada de Santo Onofre e ainda mais dez escolas (do primeiro ciclo e do pré-escolar). Aqui por casa é natural a satisfação: a minha esposa lecciona há mais de duas décadas na Raul Proença e foi lá que a minha filha fez o ensino secundário.

 

O concelho das Caldas da Rainha tem estado na agenda mediática da Educação como um ponto central na defesa da escola pública, já num ano recente (este ano ainda não vi) os rankings do Expresso classificavam o concelho em 1º lugar no país nos exames do secundário e ao longo das últimas décadas o sistema escolar caldense tem conhecido as mais variadas distinções.

 

Há um dado relevante nesta classificação do ensino secundário da Raul Proença: a coerência entre a classificação interna e a dos exames.

 

Há muitos dados para serem estudados: o Público e o Expresso, haverá mais clarotêm duas ferramentas.

 

É evidente que as primeiras páginas salientam a componente mais crítica: as políticas educativas dos últimos anos afundam as escolas públicas e a mediatização dos rankings transforma-se em publicidade para o ensino privado.

 

Só mais um detalhe interrogativo: rankings com escolas do 4º ano de escolaridade?

 

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 1ª página do Público online em 29 de Novembro de 2014.

 

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 1ª página do Expresso em 29 de Novembro de 2014.

 

 

 

 

 

 

 



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Sexta-feira, 28.11.14

 

 

 

 

Se o processo de constituição do direito é fenomenológico e normativo, impõe-se a interrogação: quais são os momentos dos normativos vigentes? Os especialistas responderão: direito só há um o vigente e mais nenhum.  

 

A vigência é o modo de ser do direito e engloba duas categorias: a validade e a eficácia. Para Kant, por exemplo, "a validade sem eficácia é inoperante e a eficácia sem validade é cega".

 

Um Estado que se afirma de direito, como o nosso, e em que a validade e a eficácia são acusadas da dissolução na espuma dos dias, é fundamental o exemplo, desde logo, dos primeiros dignitários do Estado.

 

Olhamos para o estado de boa parte das figuras políticas, e dos mais variados quadrantes, e ficamos perplexos. E ficamos ainda mais preocupados se considerarmos a atmosfera que exibem primeiro-ministros e muitos dos "capitães" partidários como é o caso de Duarte Lima. Argumente-se o que quiser, mas é indisfarçável a crise da democracia.

 

 

 



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Dúvidas municipais

 

 

 



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Mesmo numa lógica de conhecimento sumário e introdutório, deve precisar-se que agir sobre a informação é não só atuar sobre os dados obtidos, mas proceder sobre as relações que se estabelecem, “(...) ou seja, sobre os padrões coletivos ou individuais de formatação e através deles sobre a perceção do real e sobre a ação que dela decorre (...)” Rascão (2004, pág. 21).



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Quinta-feira, 27.11.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 26.11.14

 

 

 

Na divergência no argumentário à volta da detenção do ex-primeiro-ministro, podia remeter-me à helénica suspensão dos juízos mais conhecida como estado de epoché (epoché é um estado de repouso mental (momento de dúvida) pelo qual nem afirmamos nem negamos). Podia, e posso, esperar que a justiça funcione.

 

Mas ouço as declarações de um antigo Presidente da República, e as réplicas das organizações de magistrados, e fico perplexo com o estado a que chegámos. Será o tal pântano que cada vez mais carece de um esclarecimento por parte do autor?

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:21 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 25.11.14

 

 

 

 

Foi inaceitável que um canal de televisão esperasse no aeroporto a detenção do ex-primeiro-ministro e o desempenho televisivo de Clara Ferreira Alves, na SICN na noite da prisão preventiva, foi das figuras mais tristes de que tenho memória. A defesa de Sócrates em contraposição à justiça foi patética e com tiques oligárquicos.

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:00 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

 

 Maputo, 7 de Setembro de 1974.

Encontrei a imagem aqui.

 

 

 

O meu vizinho era em tudo insuportável: racista, machista, fascista, mal-educado, brejeiro e por aí fora. Tinha três filhos: um da minha idade, outro dois anos mais novo e um terceiro uns quatro anos mais velho e um verdadeiro fora-da-lei. Das raras vezes que entrei na casa dele saí com a convicção de que não voltaria. Os filhos eram meus amigos, principalmente o da minha idade.

 

Estávamos em Setembro de 1974 e a Frelimo tinha iniciado pelo norte a jornada do "Rovuma ao Maputo (a capital, bem a sul)" que finalizaria o poder português através de um Governo provisório que prepararia a independência em Junho de 1975. Tinha uns 16 anos e despertava para o tema de todas as horas e discussões: a política. Nessa altura, o exército português depôs as armas e iniciou com os guerrilheiros da Frelimo uma força mista que patrulhava Maputo. As pessoas como o meu vizinho detestavam a mistura.

 

Em 7 de Setembro de 1974 a baixa da cidade estava cheia. Ao que confirmei depois, um automóvel passeava pelas ruas arrastando uma bandeira portuguesa. Gerou-se um tumulto que originou o "Movimento Moçambique Livre". Foram tomados o Jornal de Notícias e a Rádio Clube de Moçambique. Durante dois a três dias transmitiram-se comunicados a favor do movimento e contra a Frelimo. Instalou-se a violência. As populações moçambicanas dos subúrbios viraram e queimaram carros com pessoas lá dentro e invadiram as ruas da capital armadas com catanas. Alguns portugueses agiram como snipers e atingiram os "invasores". Foram dias de terror. Fiz três coisas de que me recordo bem: morava perto do hospital e assisti à chegada de várias camionetas de caixa aberta com cadáveres, refugiei-me em casa e, no segundo dia, fui com os meus pais ver o que se passava na Rádio Clube de Moçambique. Vi aí um dos chefes do movimento a discursar e a ser fortemente aplaudido: era o meu vizinho.

 

Dito tudo isto para relembrar uma coisa óbvia: da rua só saíram ditaduras.

 

Vi isso naquela altura (embora aquele movimento tenha durado três dias), já o tinha lido na História e confirmei-o ao longo dos anos com tantos lutadores a estalarem o verniz por coisas que "nada" tinham a ver com política.

 

Como fazer então a "revolução" sem ser a partir da rua (ou antes que parta da rua) é o grande desafio da sociedade portuguesa.

 

 

 

 1ª edição em 28 de Outubro de 2013.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:51 | link do post | comentar | ver comentários (16) | partilhar

 

 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:28 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 24.11.14

 

 

 

 

O ex-primeiro-ministro José Sócrates ficou em prisão preventiva. 

 

É vulgar dizer-se, e bem, que se deve esperar pelo veredicto da justiça. É evidente que as pessoas têm o quarto poder (hoje mais vasto do que nunca) para os estados de alma; e existem inúmeras pessoas que sentiram na pele os efeitos das políticas de Sócrates e, principalmente, das portas que as suas ideias obstinadas abriram.

 

Fanatismos à parte, concluímos por mais um sério abalo na democracia. Mas isso não deve motivar uma qualquer descrença. Sim, porque sem algum optimismo e sem uma crença, mesmo que mínima, na democracia, não é possível ajudar a que a justiça continue a funcionar.

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 22:58 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

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A frase de Christopher Hitchens (2009:251), em "Deus não é grande, como a religião envenena tudo", da Dom Quixote, "(...)O princípio essencial do totalitarismo é fazer leis às quais é impossível obedecer (...)" proporciona uma interessante discussão. 

 

Em 25 de Outubro de 2009, aqui, escrevi o seguinte:

 

Mas com a velocidade com que se legisla, e nisso o quase "extinto" ME foi imbatível, e com a consequente falta de qualidade das leis é natural que os destinatários do direito se interroguem com a sua vigência. Faz tempo que o direito tem vindo a abandonar a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso".

Neste sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam as ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos para o contraditório, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. É trágico, mas é assim. Embora a história nos mostre com frequência o aparecimento de um "profeta", também nos explica que as sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e pegando na frase de Christopher Hitchens, pela construção de leis impossíveis de obedecer e por práticas anti-democráticas ou corruptas (para os dois últimos casos, nem são precisos exemplos).

 

No caso vigente do sistema escolar, podemos pegar em inúmeros exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Só o fingimento permite o "cumprimento" legal. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de considerar todas as hipóteses e dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

 

(1ª edição em 27 de Janeiro de 2012. Reescrito)

 

 

 

 



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O ponto de não retorno está quase aí

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 13:21 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

 
“Como atribuir os direitos ao indivíduo enquanto tal, uma vez que o direito rege as relações entre diversos indivíduos, uma vez que a própria ideia do direito pressupõe uma comunidade ou uma sociedade já instituída? Como fundar a legitimidade política nos direitos do indivíduo, se este nunca existe como tal, se em sua existência social e política ele está sempre necessariamente ligado a outros indivíduos, a uma família, uma classe, uma profissão, uma nação?”.
 
 
 
 

 

Pierre Manent


 

do livro Política e Modernidade 
de José Bragança de Miranda

 

3ª edição do post



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