Quinta-feira, 21.08.14

 

 

 

Um horário zero é uma indignidade. É um processo kafkiano que se instala na profissionalidade e que magoará a mais forte das pessoas. Mas mais: o horário zero é uma desnecessidade financeira (o desinvestimento tem tido reduções financeiras anuais equivalentes a um assessor ministerial com carreira aparelhística no centrão) e só existe por preguiça, e quiçá impreparação, dos decisores centrais. É um exemplo do ultraliberalismo que envia as pessoas para o exterior do meio ambiente e que é, como se comprovou, perpetrado por familiares dos DDT´s. É um péssimo acto de gestão em qualquer ponto de vista.

 

Dito isto, devo sublinhar que me é incompreensível que alguém use as menções de muito bom e excelente nos últimos processos, inaplicáveis e brutalmente injustos, de avaliação do desempenho para justificar a não atribuição de horário zero. É uma espécie de Kafka contra Kafka.

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 14:19 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 20.08.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Filipa venceu o "melhor trabalho de investigação de aluno de doutoramento"("Best student paper award"), numa conferência de nível mundial, a URSIGRASS - 2014, a 31ª Assembleia Geral e Simpósio Científico da União Internacional da Rádio Ciência que está a decorrer (16 a 23 de Agosto de 2014) em Pequim, na China.

 

Recebeu um convite da organização (que já foi um prémio muito bom), a exemplo de centenas de jovens investigadores, e apresentou um trabalho ("The most general classes of Tellegen media reducible to Tellegen media: a geometrical approach") que mesmo em inglês nos parecerá mandarim.

 

Tenho o hábito de dar conta dos prémios ou distinções, académicas ou desportivas, da minha filha Filipa.

 

Este prémio é, sem qualquer dúvida, o mais importante que a Filipa recebeu nos diversos domínios. Não tem mesmo paralelo. Tem uma dimensão que honra a Filipa, o país, a universidade que representa e as pessoas que a têm ajudado nesta caminhada.

 

Se até aqui as distinções que recebeu eram da área de metamateriais, este prémio de Ciência é mais abrangente. É a maior conferência mundial na área do electromagnetismo, abrangendo tópicos de metrologia, electrónica, radiocomunicação, astronomia, biologia e medicina.

 

Num mês em que entregou a tese de doutoramento e em que recebeu outras honrosas distinções, a Filipa está mesmo de parabéns.

 

As imagens que se seguem foram captadas via Skype e darei mais detalhes oportunamente.

 

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:40 | link do post | comentar | ver comentários (23) | partilhar

Terça-feira, 19.08.14

 

 

 

A "desgraça" da bancocracia evidenciou a falácia de que os privados geriam melhor e faziam mais com menos.

 

E já nem me refiro à Educação onde têm falido várias universidades privadas a par dos escândalos de privatização de lucros no não superior em cooperativas que precarizaram professores e outros profissionais.

 

Na saúde, onde o apetite dos DDT´s começou mais cedo, de forma mais agressiva e se manteve mesmo após as sucessivas derrapagens financeiras nos hospitais privatizados, assiste-se ao desmoronar dos "Espíritos Santos da ADSE" que vêem OPA´s mexicanas a comprovarem o assalto ao orçamento de Estado português.

 

Não: como sempre se suspeitou, os privados faziam mais com menos se não se considerasse a privatização de lucros nem o atropelo aos mais elementares direitos dos profissionais. Talvez agora muitos percebam as curvas no ruído sobre os aumentos da quotização mensal de quem alimenta a ADSE.

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:51 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

 

 

 

 

Medina Carreira é uma personagem da silly season all the year. É o típico conservador que malha que se farta nos do costume e que se engasga demasiado na relação comunicacional com os DDT. Forma um tríptico com Gomes Ferreira da SICN e com Camilo Lourenço, mesmo que estes dois venham a assumir um qualquer estatuto de "arrependidos".

 

Dei pela existência de Medina Carreira em 23 de Janeiro de 2010 (fui ver o post). Escrevi mais ou menos assim: "...O "Plano inclinado" proporciona um debate, onde também se fala de Educação, moderado por Mário Cespo. Um dos convidados é Medina Carreira. O senhor confessou-se espantado porque quando anda na rua até o reconhecem e, vejam lá, que isso também acontece em Penafiel; este país não está bom, com toda a certeza." O senhor não sabia que em Penafiel se via TV em 2010.

 

Recebi um email com uma carta aberta de um Almirante, presumo que na reforma, dirigida a Medina Carreira. É longa, mas vale a pena.

 

 

"Vem V. Exa. agredindo persistentemente o juízo e a paciência dos funcionários públicos e pensionistas deste massacrado País, especialmente durante as sessões semanais do programa televisivo “Olhos nos olhos”, com uma tal insistência que mais parece ter-se já tornado numa obsessão.

Não pretendendo retirar-lhe o mérito de, desde há longo tempo, vir a chamar a atenção pública para os caminhos errados que sucessivos Governos têm vindo a seguir no descontrolo das contas públicas, principal razão por que chegámos à actual situação de descalabro nacional; não lhe reconheço, no entanto, razão seriamente fundamentada para colocar o ónus dos excessos da despesa pública quase que exclusivamente sobre os aludidos grupos sociais (funcionários públicos e pensionistas).

A sua visão do problema, assente numa mera perspectiva contabilística e não macroeconómica, peca por isso de determinadas distorções que importa denunciar e esclarecer, a bem da verdade e rigor que a delicadeza desta questão naturalmente exige. Para já não falar dos aspectos morais relacionados com os graves erros, maus tratos, ilegalidades e incontroladas prepotências, enfim, a gestão danosa a que as contas da segurança social foram sujeitas por parte de todas as governações após a mudança de regime operada em 1974, que levaram a que alguém responsável já tenha avançado que a dívida do Estado à segurança social (vista em sentido lato) se cifraria actualmente em mais de 70 mil milhões de euros (sem que alguém por isso se tenha alguma vez sentado no banco dos réus), o facto é que, mesmo ignorando esta triste realidade nunca assumida publicamente pelos detentores do poder político, por motivos óbvios, o que mais importa agora é analisar a questão numa perspectiva isenta e objectiva e não distorcer a verdade dos factos com visões subjectivas e parcelares que só contribuem para aumentar a confusão de quem está menos informado.(...)"

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:38 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Segunda-feira, 18.08.14

 

 

 

 

Conheceram-se ontem os resultados do concurso extraordinário de vinculação para professores contratados e ficou patente mais uma manobra do MEC. Os professores, um em cada dez, que "entraram no quadro têm em média 14 anos de serviço a contrato" (sim, 14, leu bem) e ficou por cumprir a exigência da Comissão Europeia que ameaçou com o Tribunal de Justiça Europeu.

 

Há um conjunto de professores que têm sido incansáveis nesta justa luta e já existem processos de professores contratados a entrarem nos tribunais portugueses.

 

Os professores contratados portugueses não estão no ponto zero neste esforço por direitos elementares. Existiram avanços e espera-se que a justiça faça o seu caminho.



paulo guilherme trilho prudêncio às 23:14 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

Só o tempo ditará o alcance da última obra de Joseph Stiglitz (Prémio Nobel da Economia de 2001 - o que dá logo outro crédito -) "O preço da desigualdade". Mas o diagnóstico é tão certeiro, que se fica com a sensação, e à medida que o tempo passa, que o livro se tornará num clássico da economia política.

 

Na página 38 podemos ler uma asserção cada vez mais óbvia (o "Se tal não for feito...", refere-se a "(...)os mercados têm de ser mais uma vez domados e moderados.(...)")

 

 

 

Na mesma página, podemos precisar um recuo civilizacional que vai, como se constata, acentuando as desigualdades.

 

 

 

Na página 41 percebemos a quebra de um contrato.

 

 

 

Na página 42 reconhecemos os ingratos que não param de desmerecer a escola pública.

 

 

 

 

Na página 44 somos confrontados com um dilema de Joseph Stiglitz. Embora o autor considere a prevalência das forças económicas, acaba por imputar ao poder político a responsabilidade pelo estado a que chegámos e cujo preço total a pagar ainda é desconhecido.

 

 

 

Na página 50 encontramos o parágrafo escolhido para a contracapa do livro e que começa na frase que sublinhei com uma seta vermelha. O editor escolheu assim. Penso que não teria tido um escolha pior se tivesse começado pela frase que seleccionei com um seta verde.

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:26 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Celestino Mudaulane (Moçambique). "O mundo dos contrastes".

Exposição "Artistas comprometidos? Talvez".

Fundação Calouste Gulbenkian, Agosto de 2014.

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:41 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 17.08.14

 

 

 

Quanto mais se acentua a crise ética, mais se degrada a legalidade.

 

 

 


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paulo guilherme trilho prudêncio às 09:57 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 16.08.14

 

 

 

 

 

 

 

Algures no litoral oeste de Portugal. Agosto de 2014.

 

 

 


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paulo guilherme trilho prudêncio às 13:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sexta-feira, 15.08.14

 

Mais de seis anos depois.



(...e Sua Excelência, esperto e oportuno, e
enquanto esfregava as mãos de tanta satisfação,
sentenciava: - as pragas, para sobreviverem,
precisam de oxigénio...)
 
 
Texto publicado em 11 de Fevereiro de 2008.


Estive presente numa reunião de professores, realizada numa das escolas das Caldas da Rainha, para escutar um movimento que nasceu na blogosfera e que se destina a manifestar a mais veemente discordância com o regime que se prevê que venha a organizar a avaliação dos professores do ensino básico e secundário.

Encontrei um movimento consciente do caminho a seguir. Esperam os seus promotores constituir uma associação sócio-profissional, ou algo com um cariz semelhante, interessada em fazer ouvir-se no domínio do estatuto da carreira docente e nos aspectos referentes à avaliação do desempenho.

O assunto interessa a todos os professores e pretendo manifestar a minha opinião. Alargam-se os espaços de intervenção e de discussão. Digamos que a situação é de crise.

Importa situar a argumentação.

Os estudos do domínio da teoria da informação têm várias décadas. Recordo-me particularmente das teses de Michael Scriven e de Daniel Stufflebeam sobre os critérios determinantes para a organização dos sistemas de suporte à tomada de decisões: importa, desde logo e em primeiro lugar, delimitar a informação - fazer a depuração entre a informação que é estruturante e a que não é - com o objectivo de obter dados para os fornecer; ou seja, a recolha de informação tem como intenção primeira, e única na grande maioria dos casos, a produção de conhecimento - acrescentou-se, mais tarde, o imperativo de constituir-se os sistemas com a ideia do binómio "obtenção/fornecimento" ser exercido em tempo real e com o recurso às novas tecnologias -.

Isto é, hoje, do conhecimento geral. Acredito que, a partir deste simples enunciado, possa dar mais consistência ao meu raciocínio.

Centremos o discurso no exercício do governo actual e nas suas políticas, tendo como referência última a polémica sobre a avaliação do desempenho dos docentes. No momento da tomada de posse, a opinião publicada, a União Europeia e as correntes económicas que dominam o mundo, exigiam dois objectivos inadiáveis: a redução orçamental e o crescimento da economia. O Ministério da Educação teve um contributo decisivo: com o apressado processo de agrupamento de escolas e com o fim quase generalizado da redução da componente lectiva dos professores para o exercício de cargos, reduziram-se em cerca de vinte mil o número de docentes em funções; com a criação da categoria de professor titular, dos cerca de sessenta mil docentes integrados nos três mais elevados escalões da carreira só dezassete mil ocuparam vaga - estou e referir-me aos docentes que estavam nos 8º e 9º escalões da carreira e que conseguiram o lugar de titular -.

Se o primeiro objectivo contribuiu decisivamente para a redução do défice orçamental, o segundo garante a sustentabilidade do sistema a médio prazo. Nunca mais teremos tantos docentes, nem nada que se pareça, nos três escalões de topo. Mas era necessário mais: importava controlar rigorosamente as progressões na carreira, estabelecendo vagas nos diversos patamares: criou-se um novo sistema de avaliação do desempenho.

Por outro lado, e na lógica da modernização da administração pública, estabeleceu-se um programa de simplificação dos procedimentos administrativos: o simplex. Estamos todos recordados do orgulho com que o primeiro-ministro anunciou a primeira bandeira do vasto elenco de medidas: o fim do burocrático e inacreditável processo de renovação de matrículas nas escolas portuguesas.

E o que é que se passou a seguir na educação? Nada. Há alguém que se atreva a dizer que a equipa que governa este ministério introduziu, sequer, uma única medida de simplificação? Não. Pelo contrário. E porquê?

Por excesso de centralização e por uma ausência assustadora de ideias modernas de gestão de acordo com os princípios enunciados pelos autores que referi. Nota-se uma evidente sobranceria, uma gritante incapacidade para ouvir os outros, constata-se uma notória incompetência e um corte radical com o sonho e com a poesia.

Sistematizemos então.

Os professores devem pugnar pela sua formação científica e esperar as melhores condições para a realização das suas aulas.

As escolas devem simplificar todos os procedimentos, eliminando as toneladas de informação não delimitada (e, aqui, deve ler-se: que não serve para nada, ou, que só serve para a ter por "precaução" e não para a obter e fornecer em tempo real) e refiro-me concretamente a: grelhas e fichas normalizadas para tudo e mais alguma coisa, sumários, relatórios para arquivo e com a destruição anunciada no prazo mínimo de cinco anos, actas e projectos curriculares de turma, fichas de avaliação sumativa interna e currículos escolares adaptados, listagens de objectivos mínimos, critérios de avaliação, informação prévia aos encarregados de educação do número de aulas previstas em cada uma das disciplinas e dos conteúdos programáticos das mesmas, projectos educativos que nada dizem e que multiplicam o que está escrito nos inúmeros documentos reguladores do sistema, revisões e mais revisões de regulamentos internos e, sei lá, tudo aquilo que não corresponda a informação essencial e de suporte a decisões estruturantes e já agora, que não seja objecto de tratamento por instrumentos do âmbito das novas tecnologias.

A cada docente deve ser solicitado a classificação de cada um dos seus alunos e nada mais. Sabe, assim, o docente, que é responsável e que tem autoridade, e que, por isso, deve estar ponto para o justificar a qualquer momento. Mais: deve também estar preparado para, a qualquer momento, escrevo-o de novo, explicar as suas opções didácticas. A escola, de acordo com a sua autonomia responsável, deve organizar o tratamento da sua informação, estabelecer os seus documentos reguladores e ser avaliada por isso numa lógica moderna que valorize e estimule os processos de simplificação de procedimentos. O que proponho nem é nada de inovador: acontece em escolas, muitas delas bem atrás de algumas das nossas no que se refere à utilização dos recursos da sociedade da informação e do conhecimento, de países deste mundo e não doutro.

Os governos devem tratar dos programas e dos exames nacionais, das melhores medidas para a gestão de recursos, da organização da rede escolar, e da simplificação dos procedimentos administrativos conducentes à obtenção da informação que suporta as decisões nos domínios referidos. Deve também organizar a rede de formação científica dos docentes e os programas de avaliação externa das escolas de acordo com princípios modernos de gestão da informação.

E o que é que está a acontecer?

Já nem vou referir uma das suspeitas que tem sido referida: o governo, por estratégia de gestão política inspirada nas teses de um senhor que nasceu em Florença no século quinze, começou por denegrir a imagem pública da classe de professores para abrir caminho às medidas de contenção orçamental. Não vou por aí. Era pedir demais.

Guio-me por aquilo que alguém chamou de "eduquês". Quase tudo - já que há escolas, e muitas, que se orientam pelo mais exclusivo e atávico conjunto de procedimentos organizativos- o que referi e que causa o bloqueio da informação nas nossas escolas é estimulado e dirigido pelo poder central. A cultura, dos dois níveis de decisão, é, na esmagadora maioria dos casos, a mesma: para nossa desgraça. E é isso que contamina todos os programas, com particular saliência para o regime de avaliação do desempenho dos professores. Tudo é dirigido e normalizado a partir da cúpula e sem a mínima evidência do espírito simplex. Pelo contrário. Basta ler o decreto que regulamenta a avaliação do desempenho e embater na utilidade dos indicadores de medida, na finalidade do projecto curricular de turma, na ideia de projecto educativo, de plano de actividades ou de regulamento interno, ou mesmo nas referências à definição de objectivos individuais.

Este não é o caminho e não basta adiar prazos. Se tem de se estabelecer vagas para afunilar as progressões na carreira, se não há financiamento para suportar a massa salarial dos professores de acordo com o que vinha acontecendo, cada uma das escolas deve organizar-se de modo a decidir as progressões na carreira de acordo com as vagas estabelecidas. E o processo só deve iniciar-se após a publicitação dos números.

De uma coisa podemos estar seguros: qualquer que seja o regime, um docente que esteja no sétimo escalão pode estar anos a fio, quiçá até ao final da sua carreira, sem progredir de escalão. Exemplos destes multiplicam-se nos diversos patamares e isso não estimula quem quer que seja. A carreira de professor vai adoecer gravemente e isso pagar-se-á a prazo. Conhecem-se países mais desenvolvidos, que, por terem seguido caminhos semelhantes ao que nos é proposto, não conseguem cativar os jovens para o aliciante exercício docente.

Afinal, ainda não foi desta que demos a primazia às pessoas.

 


paulo guilherme trilho prudêncio às 13:25 | link do post | comentar | ver comentários (22) | partilhar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:22 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 14.08.14

 

 

 

 

 

O desrespeito pela escola pública e pelo esforço da sua elevação organizacional em plena massificação da escolaridade acentuou-se poucos anos depois da mudança de milénio. Terraplenagem nos mandatos escolares, concursos de professores recheados de ilegalidades e por aí fora, permitiram a regência em roda livre de tresloucados como Lurdes Rodrigues, Lemos e Pedreira, a que se seguiu um impreparado, e não menos alucinado, ex-MRPP.

 

O centrão e os Donos Disto Tudo iam-se saciando com as obras públicas e só a aproximação da bolha imobiliária os fez derivar para a Saúde. A Educação ainda era uma coutada livre para os sem verniz do GPS, mesmo que em escala reduzida. Os yuppies do arco governativo desprezavam a Educação e até os "aristocratas do PS, gente fina ao que se sabe," hierarquizavam assim (e hierarquizam, como se a Educação não fosse a base das outras duas): cultura, ciência e educação.

 

Conclusão: pouco estudo e gente impreparada tomaram conta da máquina escolar. Não é estranho, portanto, que os professores que pediram a rescisão tenham turma atribuída, uma vez que ainda há uns meses se percebeu que "(...)existem 93 milhões de euros para rescisões, mas as solicitações, cerca de 4000, já vão em mais de 400 milhões. E se as condições do programa fossem mais favoráveis, os números da "fuga" andariam pelos 30 a 40 mil(...)". A lei nada prevê para este imbróglio, o que não é surpreendente num país em que se legisla muito e mal.

 

Não é estranho também que a CG de Aposentações ande às aranhas com tanta reforma antecipada. No caso dos professores, tudo tem sido feito ao contrário. Os aumentos dos horários foram estabelecidos a eito e com critérios preconceituosos e os programas de "reformas a tempo parcial", que são exigentes e dão muito trabalho a construir, já levam mais de uma década de atraso porque os Donos Disto Tudo tinham o tempo ocupado pelos fundos de alto risco, pelas PPP´s e pelos swaps.

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:48 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quarta-feira, 13.08.14

 

 

 

 

Estamos longe de concluir sobre os efeitos do domínio da máquina sobre o homem. É incontestável que inúmeros humanos passam grande parte do tempo diário ligados a uma máquina a interagir. Os minutos restantes destinam-se a dormir e a dominar a ansiedade pela ausência de ligação.

 

Encontrei uma passagem que aborda as vantagens da máquina, digamos assim, numa perspectiva que nos tem acompanhado em Portugal nos últimos anos e no sistema escolar em particular.

 

 

 

 

DeLillo, Don (2010:92). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.

 

 

 



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Terça-feira, 12.08.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como estamos em tempo de verão e férias, as republicações aconselham-se. Em 5 de Março de 2010 fiz um post que intitulei como "Golpe" (texto que também foi publicado pela Gazeta das Caldas) e que me causou algumas incomodidades. As pessoas do mainstream acharam um exagero, mas o tempo lá vai fazendo das suas. Para além de republicar o texto, associei ao post a imagem acima que encontrei no blogue do Paulo Guinote. Se o caro leitor estiver para isso, olhe bem para as instituições que aparecem na imagem, leia o "Golpe" e conclua.

 

 

"A propósito da recente polémica à volta da desnorteada rede escolar do concelho das Caldas da Rainha, considerei oportuno tomar uma posição que pode ser lida nos seus vários níveis de intervenção.

 

Foi por volta da década de noventa do século passado que se percebeu que o orçamento da Educação era demasiado apetitoso para que a ganância, que se afirmou através do PSD e do PS (o CDS e outros ficaram com empregos e fatias menores), o deixasse sossegado; potenciais PPP´s (parcerias público-privado,) ainda sem dono.


Vou fazer aqui um pequeno parêntesis para precisar que a fórmula PPP foi comprovadamente ruinosa para o estado, uma vez que os governantes assinavam contractos leoninos em benefício de empresas privadas para onde se passavam na primeira oportunidade, muitas vezes em comunhão espiritual com autarquias locais onde interrompiam obras integralmente públicas e já adjudicadas.


Desde a altura referida que as agendas mediáticas foram paulatinamente preenchidas pelo “tudo está mal na escola”, enquanto se edificavam escolas cooperativas em regime de excesso de oferta e em clima de quase mercado. Essa agenda foi levada até às últimas consequências, e com sonoro e central aplauso, a partir de 2005, através da destruição do poder democrático da escola.


Quando eclodiu a crise financeira, o PS foi apanhado de forma flagrante do lado predador. A mudança de agulha fez-se com a naturalidade de quem começa a dizer inverdades logo ao pequeno-almoço. Passou-se para um suposto lado contrário da agenda gananciosa, com mais uma epifania pato-bravista e de reanimação económica de imobiliários aflitos: a “parque escolar”. Estava quase tudo encenado para umas próximas legislativas e só faltava um detalhe precioso: somos os defensores da escola do estado e até retirámos financiamento aos nossos cooperativos que se dedicaram à privatização de lucros.


Os últimos tempos foram hilariantes (ou trágicos; é só escolher o lado). Ex-ministros do bloco central desceram da estratosfera e sentenciaram: escola do estado que seja pior fecha em favor da vizinha privada. Foi uma espécie de derradeiro serviço (consciente ou não), já que um deles até ameaçou desistir se a ideia não avançar de vez, numa intervenção que baralhou uma série de conceitos com a famigerada autonomia das escolas à mistura. Ao nível local foram convocados os inconscientes animadores de serviço.


Ou seja: edificaram inconstitucionalmente junto às escolas do estado – tentaram derrotar-lhes a fama e cobiçar-lhes os melhores alunos – inflacionaram as notas, colocaram professores sem concurso e em regime de amiguismo, construíram os rankings e já só falta subtrair uma boa fatia aos orçamentos. Uns grandes profissionais, sem margem para dúvidas. Um golpe perfeito, digamos assim. O pessoal da escola pública é bem mais naif e resistente e o país está no estado que se conhece."

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 10:37 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 11.08.14

 

 

 

Um certo jornalismo, e uma certa direita - por que não dizê-lo? -, anda por aí a malhar nos candidatos a professores por causa dos resultados da prova de ingresso. É uma continuação da devassa inédita: não há classe profissional com um escrutínio de maldizer semelhante. Devemos distinguir: há uns cata-ventos à procura de notoriedade e há uma busca de primeira página própria da silly season; ambos são nefastos para a profissionalidade dos professores. E depois há o tal jornalismo e a tal direita. A sociedade portuguesa é um estudo de caso. Tem uns indefectíveis do arco governativo que escrutinam mais os professores do que os empreendedores e os políticos dos casos BPN, BPP, BES e por aí fora.

 

Encontrei um post de 5 de Agosto de 2006. Já tem quase 10 anos, veja-se lá a duração da saga.

 

Diz assim:

 

Dizer que o sistema escolar em Portugal está de rastos tornou-se moda. Desde dirigentes dos partidos políticos que passam a vida a anunciar reforma sobre reforma até aos colunistas que propalam a falência do dito e passando pelos jornalistas que editam os mais variados e arrasadores editoriais, a ninguém escapa a oportunidade de zurzir nas nossas escolas. 

Esquecem-se que o país tem 30 anos de democracia e que tinha acabado de sair de uma ditadura de 48 anos: sim, 48 anos. Mas como têm de anunciar novidades, nada melhor do que escolher a área mais significativa das areias movediças.

Um dos aspectos que mais me incomoda é o desprestigiar dos nossos jovens. Dizem que eles falham muito, nomeadamente na capacidade de escrever sem erros.

Ora leia a seguinte notícia:
 
“a final do Campeonato Nacional de Língua Portuguesa, organizado pela sic, não teve grandes resultados para quem estava sentado na primeira fila da Aula Magna. Francisco Balsemão, que também era presidente do júri, ouviu o ditado lido por Bárbara Guimarães, apresentadora do concurso, e deu seis erros. A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, tinha sete erros no seu ditado e o reitor da Universidade de Lisboa, Barata Moura, deu cinco erros”.

 


Ai se fossem três jovens universitários.

 

 

 

 



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Domingo, 10.08.14

 

 

 

As sociedades confiavam aos banqueiros as suas poupanças que as administravam em benefício próprio, das instituições bancárias e do desenvolvimento da sociedade. Era um jogo com a clareza possível e em que a elevação ética era o princípio primeiro. Existia uma espécie de lealdade blindada.

 

Em Portugal, e provavelmente noutros lados, essa superioridade moral deteriorou-se. Encontrei um vídeo recente com uma antecipação em dois minutos feita no parlamento português. Ninguém pode dizer que não foi avisado. A podridão era muita, em rede, sistémica e profunda.

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:09 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 09.08.14

 

 

 

 

 

Não sou muito dado a usar aforismos nos posts e até as citações não merecem a minha preferência. Gosto mais de utilizar imagens com as leituras que vou fazendo para tentar acrescentar qualquer coisa ao que me apetece escrever.

 

Como dei conta noutra altura, deixei de comprar edições impressas dos jornais. Mantenho apenas a assinatura da Gazeta das Caldas em papel. Mas há excepções e ontem foi um dia desses. A última página do Público inscreveu um aforismo certeiro e actual atribuído a Epicuro (-341/-270), Filósofo da Grécia Antiga, que diz assim:

 

"Pelo medo de ter de se contentar com pouco, a maioria dos homens

deixa-se levar a actos que aumentam mais ainda esse medo".

 

 

Encontrei uma passagem que pode ser interpretada como um registo irónico.

 

 

 

 

 

DeLillo, Don (2010:89). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.

 

 

 



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Berlim.

 

Agosto 2014.

 

 

 


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Sexta-feira, 08.08.14

 

 

 

Não aprecio multidões e há muito que perdi a paciência para os estádios. Encontrei uma passagem interessante sobre o assunto.

 

 

 

 

 

DeLillo, Don (2010:94). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.

 

 

 

 


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paulo guilherme trilho prudêncio às 14:37 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 07.08.14

 

 

 

A ideia mais ilusória, e nefasta, associada à globalização é o aumento da escala que, em consequência, coloca o indivíduo fora da centralidade. É como se o homem deixasse de ser o sujeito da acção.

 

Encontrei uma passagem magistral sobre o tema.

 

 

 

 

 

 

 

DeLillo, Don (2010:72). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:43 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

Ouvimos um ruído semelhante à laboração de uma fábrica antiga; ferro batia em ferro num registo sincopado. Como estávamos num Museu dos Judeus, o sobressalto foi imediato acentuado pelo horror já percorrido. 

 

Quando chegámos à sala a surpresa foi o sentimento inicial. Os visitantes caminhavam sobre "caras em sofrimento" que chocavam entre si e produziam o tal ruído maquinal.

 

 

 

 

 

 

Jewish Museum

Berlim. Julho de 2014

 

 


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paulo guilherme trilho prudêncio às 09:47 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quarta-feira, 06.08.14

 

 

 

 

Queremos uma Caixa Geral de Depósitos forte, portuguesa e pública, afirmou, sem pestanejar, na SICN a deputada do CDS Teresa Caeiro numa clara demonstração de que o neoliberalismo se está a desmoronar por ser mais um sistema político inumano. Esta mudança de 180 graus é previsível na direita dos interesses, mas ainda se fica à espera da voz dos patriotas do "Compromisso Portugal" que advogavam o esvaziamento em massa dos serviços públicos. Percebe-se cada vez melhor o destino desse corte na escola pública (o alvo prioritário) e só se consegue elogiar a teatralidade desses saqueadores do bem comum.

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:09 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

 

 

 

 

 

Saltar de uma obra literária para as notícias da actualidade transporta um sabor de continuidade. Mais ainda quando lemos páginas sobre o "Submundo" da sociedade norte-americana do século passado e o cruzamos com o presente lusitano.

 

Sabe-se, e que mais se saberá, que houve fundos de alto risco que ganharam milhões com a queda das acções do BES (a malta do casino não se solidariza com a queda dos parceiros) e também se conheceu o óbvio: a santa casa da misericórdia, comandada por Santana Lopes, é providencial nos empregos para os assalariados do arco governativo cabendo a vez à aliança democrática.

 

Ora leia a passagem seguinte e veja lá se não encontra analogias no submundo da barbárie em que vivemos; mesmo naquela que professa uma qualquer santa misericórdia.

 

 

 

 

 

 

 

 

DeLillo, Don (2010:91). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:50 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 13:11 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 05.08.14

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagem obtida no litoral oeste de Portugal. Agosto de 2014.

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:16 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 04.08.14

 

 

 

 

Enquanto muitas pessoas vêem as finanças pessoais em perigo ou os empregos ameaçados por causa dos gangsters da bancocracia, há uma malta do arco governativo que tergiversa a propósito do que se denomina por conselho de ministro electrónico ao Domingo por causa do caso BES. Parece que os ministros usam o email uma vez que a presença física não é, naturalmente, sempre viável. Fazer disto caso é impreparação ou tergiversação no estilo denunciado há muito por Noam Chomsky.

 

Sócrates parece mais "gangster" do que Passos, mas os casos BPN e BES equiparam-se e o segundo "compensa" com o radicalismo ideológico. Teixeira dos Santos, o tal que dizia que estas coisas eram amendoins e que os despedimentos de professores é que cortavam na despesa, agiu ao nível de Maria Luís Albuquerque. Costa do BdP supervisionou tanto como Constâncio (e até estaria mais avisado). Há escritórios de advogados em tons rosa ou laranja e por aí fora e há momentos em que não adianta tentar passar pelos pingos da chuva, nem sequer para os abstencionistas violentos ou silenciosos profundos.

 

Consta que os mestres deste submundo do capitalismo, ou saque se se quiser ser mais rigoroso, têm uma sede em Berlim que é conhecida por Titanic.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagens obtidas na rede sem referência ao autor.

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:00 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

Recebi por email com pedido de divulgação.

 

 

Um concurso nacional de professores sem precedentes na democracia portuguesa

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 14:58 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 03.08.14

 

 

 

 

Depois de uma semana quase sem qualquer ligação à rede, o regresso, mesmo que fugaz, deixa-nos rapidamente enojados com o contexto do BES. Esta malta da "alta" finança é mesmo despudorada: na forma como saca e na lata com que argumenta. E o que mais custa é ouvir as declarações dos serviçais e dos opositores do costume.

 

Até os pássaros se deviam indignar.

 

 

 

 

 

Pássaro europeu. Julho de 2014.

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:42 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Sábado, 02.08.14

 

 

 

1ª edição em 2 de Julho de 2009.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tenho ideia que foi por altura da greve de professores de Janeiro de 2009 que uma jornalista do jornal Público entrou em contacto comigo para conversarmos mais uma vez sobre o tema. A conversa foi parar a um texto que tinha publicado neste bloque: o bloco da precaução, aqui.

 

A jornalista manifestou interesse em publicá-lo na edição impressa do jornal mas numa versão que eu teria de reduzir de modo substancial. Ao fim de umas duas ou três versões, construídas em tempo reduzido e apressado, o texto foi parar às cartas ao director na edição do dia seguinte à greve, julgo eu.

 

Pode ler agora ou voltar a ler se for caso disso (mas pode também usar o link referido e dar uma vista de olhos pela edição completa, digamos assim).

 

O muro que asfixia as escolas e os professores.

 

Quem quer que se meta na aventura de reflectir sobre o estado do sistema escolar português pode escolher os mais variados pontos de partida. A minha opção navega na história mais recente e concentra-se no tratamento da informação.

Podia optar por "sistema escolar por blocos". Mas o conceito de bloco da precaução torna mais inteligível o que quero exprimir e reforça duas ideias: é, como espero que se veja, o bloco que mais asfixia o privilégio de ensinar e contamina de modo decisivo os outros dois: o do ensino e o da organização escolar.

Este bloco da precaução, que foi construído paulatinamente e que criou um muro de burocracia na gestão da informação escolar, é quase tão difícil de derrubar como o muro de Berlim.

O bloco da precaução caracteriza-se por um universo informativo que é obtido apenas para arquivo e que existe porque está determinado de modo central através das invenções técnico-pedagógicas do ministério da Educação. E é aqui que encontramos um imenso elenco de invenções burocráticas: inúmeras actas e relatórios sem parâmetros indicadores de informação estruturante, projectos educativos impossíveis de avaliar, projectos curriculares de turma e de escola, definição de objectivos com variadas designações de acordo com os gostos e os feitios dos promotores de ocasião. A lista é interminável.

A institucionalização do bloco da precaução, e a sua aparente autoridade, parte dos serviços centrais do ministério da Educação e alastra-se de modo quase acéfalo à organização de muitas das escolas. As invenções burocráticas devidamente preenchidas são, por precaução, a única consciência profissional de muitos estabelecimentos de ensino; isso retira sentido de autonomia e de responsabilidade e gera fenómenos de subserviência e de medo.

Só assim foi possível verificar um conjunto denominado de boas práticas que tornava "exequível" aquilo que depois se provava ser inaplicável: é essa uma parte crucial da história recente da avaliação do desempenho dos professores e do arrastamento insuportável desta coisa sem pés nem cabeça. Quando se tentou perceber as boas práticas das escolas ditas de referência, o ridículo eliminou rapidamente a visibilidade mediática que se quis impor. Também por precaução se deixou de falar nisso.


 



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:50 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 


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paulo guilherme trilho prudêncio às 09:58 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 01.08.14

 

 

 

Os horários zero de professores são também uma consequência do mau planeamento (considerando que existia planeamento). Há um excesso de oferta que obedeceu a um desnorte semelhante ao que provocou a bolha imobiliária.

 

Escrevi, em 27 de Março de 2006 (texto também publicado na Gazeta das Caldas), este texto sobre a carta educativa das Caldas da Rainha.

 

O texto é longo e quem quiser uma leitura integral terá de recorrer ao link. Intitulei-o "Piscina municipal: o espelho da carta educativa do concelho" e republico-o, em modo resumido, para esclarecer o que penso sobre a rede escolar. É um texto que pode ser útil para quem se interessa por estes assuntos (mega-agrupamentos e por aí fora), qualquer que seja o concelho onde viva.

 

Ouso afirmar que se se tivessem realizado políticas parecidas (a febre era avaliar os professores e sei lá mais o quê), talvez não estivéssemos neste estado de desvario financeiro e de desnorte organizacional nas escolas.

 

 

Escrever sobre a carta educativa do concelho das Caldas da Rainha, reduzindo o texto a uma dimensão aceitável sem que os argumentos se somem de um modo selvagem, é uma tarefa que requer um aturado exercício de síntese. Nesse sentido, escolho, como exemplo, a piscina municipal onde se verificam as mais expressivas características: ausência de capacidade de antecipação - a piscina aparece com uma década de atraso e é, agora, prejudicada pelo excesso de oferta -; o seu projecto é completamente imperceptível, resultando, também por isso, numa obra com um custo de manutenção insuportável, comprometendo vários investimentos durante os próximos anos. 

A carta educativa deveria acentuar as perspectivas de futuro e interligar-se com o plano estratégico do concelho. Poderia ser objecto de uma discussão séria, interessada, profissional e competente no conselho local de educação, com a realização de um fórum aberto a todos os interessados. Estabelecer-se-iam assim, políticas educativas ajustadas às necessidades da comunidade, com indicadores que não se deslocavam duma prospectiva emancipadora, sempre balizados pela preocupação de tentar apreender o novo e dar-lhe forma. 

É hoje consensual no país, que a principal prioridade passa por eliminar o sistema de desdobramento das escolas e os desajustados regimes de sobrelotação e de sublotação. Mas para além de fazer elencos de prioridades, a carta educativa deveria criar as bases organizativas que orientariam as políticas de administração escolar, numa época em que as redes de recursos administrativos e educativos são um imperativo exigido pela sociedade da informação e do conhecimento. 

Era fundamental, que, depois, a comunidade percebesse o caminho e identificasse ao longo do percurso o que claramente se quer ou não se quer. Os desestruturados e centralizados poderes central e regional "agradeciam". É notório. O sucesso das políticas terá sempre uma relação muito directa com a capacidade de ANTECIPAÇÃO. A educação deve ser a primeira prioridade para qualquer equipa política que se candidate à gestão de fundos públicos: e em qualquer nível de intervenção. 

Nas Caldas da Rainha assistimos a uma completa desorientação, que consubstancia a ideia iluminada de navegar ao sabor da ocasião. É grave, e a subsistir durante décadas, tornará muito difícil a sua necessária correcção. E não justifica argumentar no sentido que às autarquias está cometida a responsabilidade de “apenas” gerir a educação pré-escolar e o primeiro ciclo do ensino básico. A decisão de remeter para o nível concelhio a elaboração das cartas educativas para todos os graus de ensino, prova o contrário. É num esforço corajoso que, autarcas, responsáveis em administração escolar e encarregados de educação, devem consolidar as ideias de cidadania, autonomia e responsabilidade, impondo com clareza o que querem para o seu concelho, sem desrespeitar as opções estratégicas que o país venha a seguir. 

É neste “dever ser” que tudo se joga.

 

(...)Vamos por partes. No primeiro ciclo da educação básica e na educação pré-escolar a questão que se coloca tem uma simples formulação: as instalações escolares existentes já não respondem aos desafios da actualidade. Esta constatação, começou a integrar as políticas educativas no final da década de oitenta, por altura da reforma “Roberto Carneiro”. 

No concelho das Caldas da Rainha construíram-se, então, duas escolas básicas integradas. (...)Tudo o resto ficou por fazer, procedendo-se, apenas, a pequenas obras conjunturais - pintura dos edifícios, reconversão de espaços, construção de espaços específicos (alguns de concepção inenarrável, como acontece com o pavilhão desportivo da escola básica da Encosta do Sol, na cidade). 

No final da década de noventa, teve início o processo para a construção de uma escola básica integrada na zona do complexo desportivo.

(...)Por responsabilidade do executivo da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, o projecto não se realizou, tendo a empresa construtora recebido uma avultada indemnização paga pela Direcção Regional de Educação de Lisboa. Em lugar desta escola básica integrada, surge, em 2005, uma escola particular e cooperativa sem primeiro ciclo mas com ensino secundário, com a seguinte exigência: ou se constrói também uma escola semelhante em A-dos-Francos ou não se constrói escola nenhuma. 

Ao que julgo saber, estas mesmas escolas abrirão no próximo ano lectivo a valência de 1º ciclo, mas com o pagamento de propinas. Se a escola pública tivesse sido uma realidade, ficaria a cidade com a necessidade de requalificar as escolas básicas da Encosta do Sol e do Avenal (incluindo aqui os alunos que frequentam as escolas do Parque e de São Gregório). 

(...)A seu tempo, veremos se os financiamentos não contemplarão este tipo de soluções. Resolveríamos, também e assim, a completa trapalhada que se verifica no indizível processo de constituição de agrupamentos de escolas neste concelho e teríamos vários níveis de ensino a funcionar no mesmo espaço físico - ou no caso dos centros escolares, verdadeiros agrupamentos de escolas -, como é razoável, moderno e conhecedor. 

(...)Todos os anos lectivos os responsáveis das escolas do concelho são confrontados com um novo desenho de agrupamento de escolas, com toda a instabilidade que isso implica: novos regulamentos internos, novas eleições para os órgãos das escolas, novas comissões instaladoras provisórias, enfim... é como se todos os anos houvesse eleições autárquicas para eleger um executivo provisório, porque os concelhos estavam sempre a perder ou a ganhar mais uma freguesia. 

Um dos argumentos que mais se utiliza para fundamentar a necessidade de agrupar escolas que ocupam distantes espaços físicos, prende-se com a necessidade de racionalizar recursos administrativos. Os exemplos já conhecidos de experiências desse tipo, não confirmam a intenção. E porquê? Porque se mudam as pessoas de um lado para o outro, mas não se alteram os procedimentos. 

Nesse sentido, o que seria inovador, antecipador e gerador de credibilidade negocial, seria a ideia de se caminhar no sentido da criação do pólo de administração escolar concelhio, deixando nas escolas apenas os necessários recursos mínimos para o tratamento digital dos dados administrativos e de apoio social escolar. 

Quando se fala em portal da educação, fala-se de quê? Quando um governo decreta, em 2006, a exigência de se terminar com a renovação das matrículas dos alunos (prática em uso na escola básica integrada de Santo Onofre, desde finais do século passado, mesmo sem a necessária autorização do poder central), está a falar de quê? 

A possibilidade de num mesmo concelho existir apenas um único serviço em rede - como hoje existem lojas do cidadão, redes multibanco, ou entrega electrónica das declarações de IRS - que processe os vencimentos dos docentes, que passe os certificados de habilitações dos alunos, que apure em permanência os dados de frequência escolar, que execute a transferência digital dos alunos que mudam de escola, enfim... é só dar asas à imaginação e ao conhecimento, e que os divulgue em tempo real, é não só um imperativo, como é um instrumento essencial para estabelecer políticas modernas de gestão de recursos administrativos escolares. 

E de nada vale argumentar que isto ainda não se faz em lado nenhum, já que esse estafado argumento já é mais do que conhecido, e, só serve, para comprometer, consciente ou inconscientemente, ainda mais o nosso atraso colectivo. Nas sociedades modernas, a capacidade de inovar e de antecipar não são apenas palavras bonitas, são, acima de tudo, as únicas alavancas que garantem a credibilidade e a afirmação das autonomias responsáveis. 

Os segundo e terceiro ciclos do ensino básico e o ensino secundário beneficiariam muito do que já foi dito. As escolas da cidade viveram um asfixiante regime de sobrelotação desde meados da década de noventa do século passado, o que lhes conferiu uma elevadíssima taxa de insucesso e abandono escolar e o natural alargamento dos seus quadros de docentes. Ora, se a nova escola do complexo desportivo tivesse sido uma instituição pública, os docentes que agora vão passar a ter horário zero nos estabelecimentos de ensino já existentes, seriam transferidos para a nova escola. 

Com a decisão de se construir duas escolas em regime particular e cooperativo, nada disso pode ser feito. É bom que se diga, que os docentes das instituições particulares e cooperativas são pagos pelo estado. São contratados sem qualquer concurso público e não está previsto que os docentes do quadro, da escolas públicas, com horário zero, devam integrar os quadros das escolas cooperativas, nem que sejam piores profissionais do que os docentes que essas escolas contratam. Ou seja, o estado vai financiar docentes sem serviço que, deste modo, podem vir a integrar os quadros de excedentes da função pública. Numa época em que tanto se fala na redução de custos, esta solução, é, no mínimo, espantosa. É muito grave, e mais evidente se torna, se pensarmos nas dezenas de docentes dos quadros que aguardam há anos por uma colocação no concelho e que vêem assim esse objectivo quase definitivamente adiado. 

No ensino secundário a situação é, também, extremamente confusa, com tendência a agravar-se nos próximos anos lectivos. A oferta escolar neste nível de ensino para os alunos que se destinavam à frequência das duas escolas do concelho, aumentou exponencialmente - o que provocará o mesmo fenómeno de excedente de docentes com horário zero -: duas escolas particulares e cooperativas; consolidação dos projectos de várias escolas com ensino técnico-profissional - CENFIM, CENCAL, ETEO, pólo da Universidade Católica ... -; várias escolas profissionais nos concelhos vizinhos; abertura do ensino secundário na escola Josefa de Óbidos, em Óbidos. 

(...)Apenas para que conste.



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Dublin. Agosto de 2013.

 

 

 

 



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Quinta-feira, 31.07.14

 

 

 

 

A "Gazeta das Caldas" fez mais uma peça sobre a ideia de municipalização da Educação no concelho de Óbidos, mas não encontro o link. Estive algum tempo a conversar com a jornalista apesar das dificuldades da rede. É interessante ser ouvido como professor e blogger. Não pertencer aos órgãos de partidos políticos, sindicatos e por aí fora cria algumas incomodidades na vidinha pública, mas a sensação de liberdade e de cumprimento do dever cívico é inigualável; mais ainda, e por incrível que pareça, nos tempos que correm.

 

Nota-se que a autarquia de Óbidos recuou no seu ímpeto-modelo-GES e que já se inspirou em alguma sensatez.

 

 

 

 

 

  

 

  

 

 



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Que me lembre, contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos que recebi para viver bem no serviço militar: não te distingas, sê discreto e passa o mais possível despercebido.

 

Vem isto a propósito do Governo que ainda temos, do inclassificável (só têm alguma atenuante se recorreram a Maquiavel) recurso aos especialistas da troika para a enésima reforma de sentido único do estado social e para a conversão veneradora à absolutização da estatística. A sugestão para o bom tempo militar subscreve os modelos vigentes que não encontram espaço para as fraudes do tipo BPN e que nos arruinaram. Nem as instâncias internacionais, e de supervisão mundial, detectam os milhares de milhões em fuga e só têm olhos para a média.

 

Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora.

 

O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única. Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorrem a troika e ao que parece os tecnopolíticos como o ministro das finanças, advogam uma excelência da média como tal, seja na ordem do bem ou do belo: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos.

 

 

 

 

1ª edição em 1 de Novembro de 2012

 

 



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Pizzaria PortoBello, São Martinho do Porto. Abril de 2014.

 

Um deliciosa pizza de caril de camarão numa combinação aparentemente impossível.

 

 

 


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Quarta-feira, 30.07.14

 

 

1ª edição em 28 de Agosto de 2013.

 

 

 

 

 

Certa vez, um calor tórrido impediu que chegássemos a Ronda, bem no interior da Andaluzia, motivados pelos escritos de Rainer Maria Rilke. Desta vez, um tempo fresco e um percurso costeiro com linha férrea levou-nos até à Torre, em Sandycove (Dún Laoghaire em Irlandês), que acolhe um museu de James Joyce.

 

 

 

 

O momento da chegada à Torre.

 

 

 

A porta do Museu.

 

 

 

 

A 1ª edição de Ulysses corrigida por James Joyce.

 

 

 

 

O quarto.

 

 

 

 

Dalkey vista do alto da Torre.

 

 

 

 

 

 



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Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra, Julho de 2014.

 

 

 

 

 


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Terça-feira, 29.07.14

 

 

 

 





Iniciava o exercício, e o privilégio, de direcção e gestão de uma escola portuguesa: decorria o ano de mil novecentos e noventa e sete e o estabelecimento de ensino integrava um território de intervenção prioritário: ou seja, a escola estava rodeada por problemas sociais graves e isso inundava o seu projecto educativo.

Havia que arregaçar as mangas e consumir as energias todas no essencial.

Certo dia, recebo uma assistente social que, e ao que a memória me diz, representava os serviços sociais do ministério da justiça. Vinha com a firme determinação de ajudar a resolver um problema relacionado com uma família com as características da zona envolvente: a uma pobreza chocante, associava-se uma habitação degradada e só com um quarto; tinham sete filhos, salvo erro.

As minhas tarefas exigiam-me um alucinante desdobramento. Para ganharmos tempo, propus que os visitássemos: fomos a pé, a distância era curta, e conversámos sobre as soluções.

Estávamos em plena segunda-feira. Aproximámo-nos da habitação e quando nos preparávamos para bater à porta demos com um papel com a seguinte inscrição: "só recebemos assistentes sociais às 5ª feiras das 13.00 às 14.00".

Ficámos estarrecidos e sem palavras. Lá nos recompusemos, trocámos algumas opiniões sobre o futuro e partimos.

Mas não me esqueci da intrigante determinação. Tempos depois, encontro o pai da familia e interrogo-o: "fui a sua casa com uma assistente social mas o senhor não estava. Mas porque é que só recebe os assistentes sociais naquele dia?"

Respondeu-me prontamente:"sabe, o problema é o seguinte: passo a vida a receber assistentes sociais que vêm das mais variadas instituições; fazem-me inquéritos e mais inquéritos, querem saber tudo, devassam a minha vida toda e depois nunca acontece nada. E já lá vão uns anos nisto. Também tenho direito à minha privacidade. Sou pobre, eu sei, mas mereço algum respeito".

Teve, em mim, um efeito simultâneo: uma lição de vida e um redobrar de energias.
(1ª edição em 10 de Junho de 2007)

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paulo guilherme trilho prudêncio às 17:25 | link do post | comentar | ver comentários (75) | partilhar

 

 

1ª edição em 29 de Agosto de  2013.

 

 

 

A frase em título é a que se segue ao parágrafo que escolhi para a imagem do post e foi obtida em Amos Oz (2013:202), "Cenas da vida de aldeia", D. Quixote, Lisboa.

 

A obra de Amos Oz tem um fascínio comovente. A literatura tem o condão inigualável de nos fazer viajar sem sair de casa, mas "As cenas da vida de aldeia" chegaram-me na ida e na volta de uma inesquecível viagem com um final em coincidência temporal com mais uma tragédia dos bombeiros portugueses comentada pelos que "sempre avisaram" para as pragas dos eucaliptos e das responsabilidades locais e que me recordam a única certeza existencial dos populistas na ajuda aos pobres: a publicitação do acto.

 

 

 

 
Desde então nada disso aconteceu (página 203). 


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Jorge Arranz

 

 

 

 

 


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Segunda-feira, 28.07.14

 

 

 

 

Quando há uma falência, é preciso determinar os passivos e os activos e calcular a percentagem da dívida que não será satisfeita: a reestruturação. É isso que já se deve estar a fazer com o GES e que se denomina por haircut. É sempre isso que se faz. Há, todavia, excepções: a Grécia e Portugal. O segundo foi mesmo um bom aluno que satisfez os mercados que não se cansam de premiar os governantes lusitanos.

 



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Domingo, 27.07.14

 

 

 

Nuno Crato, esse misturador do "para além da troika" com o Eduquês II, aumentou o número de alunos por turma, cortou a eito em tudo o que achava não estruturante e acentuou a infernização da profissionalidade dos professores. Em simultâneo, criou uma catadupa de exames acrescentados de apoios no período pós-lectivo para as crianças com negativas. Os resultados do conhecido mais do mesmo são inequívocos: "foi uma espécie de engodo".

 

Achar que se recupera crianças com apoios entre Junho e Julho testados por uma segunda fase de exames, é algo só ao alcance de uma mente em estado do mix referido. Turmas mais pequenas, apoios ao longo do ano e professores motivados são ideias despesistas.

 

Não sei se podemos criar algum optimismo.

 

Parece que se prepara uma nova vaga socialista centrada nos conjunturais, e justos, "novas oportunidades" e "rendimento mínimo garantido". Ou seja, nem uma linha sobre a redução do número de alunos por turma, sobre a reposição da sensatez nos currículos e na profissionalidade dos professores ou sequer nessa coisa de "somenos" que é o ambiente democrático das escolas (os socialistas modernaços fascinaram-se com o modelo GES/BES/BCP/BPN/BPP). Dá ideia que não se mexe nisso para eternizarmos a necessidade de "novas oportunidades" e de "rendimento mínimo garantido". É que nem o pessoal socialista da ciência se convence que só terão alunos se aumentarem a base no ensino não superior "regular"; são da "elite", claro.

 

 

 

 

 



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Pergunto a mim próprio que razões

Me movem a estudar sem uma esperança

De precisão, enquanto a noite avança,

A língua desses ásperos saxões,

Já gasta pelos anos a memória

Deixa cair a em vão repetida

Palavra e é assim que a minha vida

Tece e destece sua exausta história

Será (disse-me então) que de algum modo

Secreto e suficiente a alma sabe

Que é imortal e que o seu vasto e grave

Círculo abarca tudo e pode tudo.

Pra lém deste cuidado e deste verso

Espera-me inesgotável o universo.

 

 

 

 

Jorge Luís Borges (1961, p:51)

Poemas escolhidos,

Cadernos de poesia, 20,

Publicações dom quixote.

 

 

 

 

 

 


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Salinas de Rio Maior, Julho de 2014.

 

 

 

 


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Lideranças fortes, unipessoais e assentes no mérito

 

 

 

 



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Sábado, 26.07.14

 

 

 

 

 

Impressionaram-me os masoquistas da classe média que defenderam os corruptos (estou a pesar bem a escrita), e os seus serviçais, convencidos que eram liberais de direita ou de uma qualquer terceira via. E nesse grupo incluíram-se muitos professores. É claro que a coberto da ingenuidade navegou muito oportunismo.

 

Já ninguém duvida que "o verdadeiro objectivo dos "planos de resgate" foi salvar bancos" com prémios no modelo-gaspar, luís albuquerque ou nos inúmeros exemplos conhecidos e nos que se seguirão, com o contributo do inefável alinhamento das agências de raiting (a dívida lusitana não pára de aumentar e dos 741 mil milhões 63% são privados) e com os mentores a serem defendidos e eleitos pelas vítimas do saque em nome de um liberalismo que porá Adam Smith perplexo. Há consciências à volta da corrupção que só Freud explicará.

 

 

 

 

 

 

 



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Sexta-feira, 25.07.14

 

 

 

O sistema escolar português é um bocado azarado. Depois de uma equipa ministerial especializada em propaganda no modelo do célebre ministro iraquiano, chegou Nuno Crato - o assumido especialista em minas e armadilhas e implosões -. Prometeu implodir o MEC, mas tem estado a fazê-lo às escolas públicas e aos seus alunos e professores. Ao que parece, a troca dos locais de detonação continua: implodiu o GES com um detonador que devia ser destinado à sua equipa no MEC por causa da prova de ingresso para os professores contratados. O calendário faz supor que assim foi.

 

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 13:30 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:34 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 24.07.14

 

 

 

 

"Ricardo Salgado foi detido no âmbito da operação Monte Branco" e vêm-me à memória casos semelhantes e as suas demoradas consequências.

 

Recordo-me, por exemplo, do que se tem passado na Educação.

 

Ainda em 26 de Janeiro de 2014 a comunicação social trouxe para as primeiras páginas o caso GPS.

 

 

 

 

 

 

O tempo passa, as escolas públicas continuam sublotadas e as pessoas impacientam-se. Nesta fase de matrículas, de constituição de turmas e de destribuição de serviço docente, a relação público-privado na Educação agudiza-se e ameaça estalar.

 

Basta estudar os concelhos mais atingidos. Enquanto as escolas públicas partilham turmas e professores e reduzem as contratações, os colégios privados financiados integralmente pelo Estado agem isolados, contratam quem entendem sem concurso público e em regime de duplicação da despesa.

 

A peça do DN (26 de Março de 2014) deu mais um passo na perplexidade.

 

 

 

 

 

E o "Notícias ao Minutodesenvolveu.

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:30 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

 

 

 

 

 

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paulo guilherme trilho prudêncio às 09:50 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 23.07.14

 

 

 

 

 

Metade da redução de pessoas na administração central, entre 2001 e 2013, foi em cortes a eito em professores do ensino não superior. Cerca de 49000 pessoas saíram desse sector, sendo que perto de 22000 eram educadores e professores dos ensinos básico e secundário. Uma razia comprovada, derivada do aumento do número de alunos por turma, da diminuição da carga curricular dos alunos, dos agrupamentos de escolas e do aumento dos horários dos professores.

 

Há um estudo interessante a fazer.

 

Se aumentou significativamente a rubrica dos consumos intermédios do Estado, podemos considerar que as 20 e tal mil pessoas a menos que não são professores passaram a despesa por outsourcing. Ou seja, deixou de fazer o Estado para dar lugar a empresas com boa convivência no aparelhismo partidário.

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:54 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:25 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 22.07.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Daqui.

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:50 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

Quando se tratava de apontar os professores e os funcionários públicos como os primeiros responsáveis pelo desastre financeiro, havia uns movimentos do género "Compromisso Portugal" que tinham aparição diária e que indicavam o caminho unipessoal a seguir. Os modelos empresariais de sucesso - dos homens providenciais - exemplificados por Salgado do BES, Rendeiro do BPP ou Costa do BPN eram receitados diariamente. Tudo em nome de Portugal e da avaliação meritocrática dos funcionários públicos.

 

As perguntas impõem-se: o que é feito dessa malta tão elevada? Estão tão silenciosos e desmobilizados porquê? Então e o país? Já cortaram uns 40.000 professores, mais uns milhares de milhões em salários e subsídios, e a dívida continua a subir? Que é feito dos comentadores alinhados com estas correntes, como Gomes Ferreira, Medina Carreira ou Camilo Lourenço? Não dizem nada sobre este estrondoso sucesso empresarial?

 

É tudo muito miserável.

 

Estamos com uma dívida de 741 mil milhões de euros, cerca de 37% são dívida pública e os restantes 63% dívida privada. Mas mais: os professores foram de longe os mais cortados na administração central, Portugal foi o 3º país da UE onde a dívida mais subiu e a dívida lusitana foi a mais lucrativa do mundo em 2012.

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:42 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

 

 

O nivelamento por baixo no sistema escolar é tal, que o "abate de professores" (palavras de Pacheco Pereira) disputa as primeiras páginas com a Ucrânia e com Gaza. Há uma década que é quase diariamente assim.

 

O BES e os 741 mil milhões de euros (sim, 741.000 milhões) da dívida (acrescentar pública é para quem quer enganar o pessoal) já são coisas menores. O país está na bancarrota por causa dos professores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Segunda-feira, 21.07.14

 

 

 

 

 

 

Imagem encontrada algures na rede sem referência ao autor.

 

 

A prova de ingresso para professores contratados continua abaixo do limite mínimo e já há quem fale em guerra política.

 

Há décadas que as questões da escola pública sofrem do mesmo preconceito afastado da realidade: "as escolas são dominadas pelo Partido Comunista, pela CGTP e pelos sindicatos da Fenprof".

 

É evidente que as instituições referidas são activas e constitucionais e beneficiam do descarado arco da governação dos concorrentes. Estão no pleno exercício democrático.

 

Mas quem conhece mesmo a heróica (sim, heróica) luta dos professores portugueses na última década, reconhece que engavetá-los é apenas uma manobra fantasmagórica que começou com Mário Soares e que se foi repetindo como se o mundo não pulasse nem avançasse.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:50 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

 

 

 

 

Uma boa liderança não precisa do unipessoal para se afirmar, mas uma chefia incompetente pode usar o modelo referido para provocar danos impensáveis.

 

Há uma certa direita, e mesmo alguma esquerda com alguns problemas só explicados por Lacan, que olha para os imaculados banqueiros - esses expoentes da meritocracia e do unipessoal -, com a mesma estupefacção que ocupou as neurónios dos pró-soviéticos com as revelações após a queda do muro.

 

A meritocracia e o unipessoal não lidam bem com a democracia, mas são essenciais aos regimes totalitários; o que acabei de escrever tem já demasiadas evidências teóricas e empíricas e admite, naturalmente, excepções.

 

O exemplo dos banqueiros, mais ainda do endeusado Salgado do BES (mas também do beato do BCP ou do "guru" da gestão do BPP), é elucidativo quanto à falácia da meritocracia que se quis impor (ainda ontem à noite na RTP1 vi José Sócrates, esse "animal feroz" acérrimo defensor das duas categorias para gáudio do público do segundo parágrafo, confessar que o seu maior erro foi a avaliação de professores) e evidencia o perigo real dos modelos unipessoais.

 

Por vezes, são necessárias tragédias para que alguns dogmas caiam. Não sei se foi desta que caíram mais duas ideias inumanas na aplicação, mas houve um abalo significativo com efeitos colaterais ainda por determinar.

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:49 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 20.07.14

 

 

 

 

Há umas semanas, e a propósito da municipalização do sistema escolar, fiz um post, que teve como título "A ideia em curso de municipalização é uma explicação para a bancarrota", que diz assim:

 

 

"Os últimos governos da direita, PSD/CDS, alteraram a lei orgânica do MEC. Durão Barroso eliminou 27 centros de área educativa (CAE´s) quando começavam a ter massa crítica e Passos Coelho extinguiu 5 Direcções Regionais de Educação (DRE´s), que deviam ter sido eliminadas em vez dos CAE´s,quando começavam a perceber a sua nova função. Tudo eliminado, eis que a mesma direita tem uma epifania de 180 graus e inventa um quadro orgânico com 308 agências municipais (sim, 308 porque nós somos uns 400 milhões; essa coisa dos 10 milhões e da quebra de natalidade é só para impressionar a malta dos fundos) depois de ter assinado centenas de contratos de autonomia com estruturas escolares inexistentes no sistema solar: os mega-agrupamentos. Só uma nota e uma conclusão: os governos de direita referidos iniciaram os seus mandatos com a divisão do território entregue ao mesmo incompreendido estratega, como exemplo para a importância que dão ao assunto: Miguel Relvas. A conclusão é óbvia: não estamos na bancarrota apenas por culpa dos outros."

 

 

Na última edição da revista do Expresso, a jornalista Clara Ferreira Alves sublinhou a seguinte passagem na sua "Pluma Caprichosa" com o título, veja-se lá, o "Perigo de voar na TAP": 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:47 | link do post | comentar | partilhar

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