Em busca do pensamento livre.
Quarta-feira, 26.04.17

 

 

 

E o leitor interrogará: Frenocómio? Já lá vou, não desista. Primeiro convém esclarecer: há mais de uma década que vou somando episódios para esta conclusão. Mas depois de ler umas coisas sobre o estado geral das escolas, sobre as provas de aferição para os petizes, sobre a hiperburocracia e sobre o estado da gestão das escolas, não me permitia outro entendimento. E qual é então o significado de manicómio? É fenocómio, hospital para internamento de doentes mentais ou hospital psiquiátrico, com todo o respeito por estes lugares.



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A gestão das escolas teve um recente pico mediático com as trapalhadas "na designação de diversos membros dos Conselhos Gerais". A democracia representativa foi uma miragem no modelo em curso e deu lugar a um ambiente de partidocracia que retirou a vivência democrática numa instituição que deveria ser exemplar. O modo de escolher as direcções escolares parece ter sido o único fim da constituição dos Conselhos Gerais e foi mais uma derrota para o antigo arco governativo. Quem decidiu, em 2009, eliminar o modelo que existia, teve a oposição de muitas escolas mas a oportunidade criou alinhados de última hora. É hoje consensual para quem avalia o modelo: as direcções escolares devem ser eleitas, num processo devidamente escrutinado, por todos os que exercem funções nas escolas integrados num caderno eleitoral mais alargado a exemplo do que acontecia até 2009. É, portanto, com alguma expectativa que se espera pelas decisões do Governo actual.

 

O Paulo Guinote tem um post importante sobre o assunto, "Liberdade para ensinar a liberdade", com a seguinte passagem:

"(...)Governos sucessivos, dominados por forças políticas tidas por alternativas, nada mudaram numa situação em que a liberdade e autonomia dos professores foram cuidadosamente destruídas, assim como a democracia no funcionamento interno das escolas foi transformada numa vaga memória. Defender a Liberdade para as escolas escolherem a sua forma de organização interna é algo que recupera valores que agora, infelizmente, parecem incómodos da Direita à Esquerda na Educação. Seria um bom exemplo para demonstrarem que ainda acreditam no que Abril trouxe ao nosso país, mas tudo o que está em desenvolvimento na área da Educação aponta no sentido inverso. Com a colaboração, nem que seja com simulacros de oposição, de quase todos aqueles que a cada momento se afirmam herdeiros dos valores de Abril.(...)"

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Luís Afonso



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Terça-feira, 25.04.17

 

 

 

Abril foi por acaso, mas fiz uma espera para que 25 fosse o primeiro dia. Gosto de ter um blogue - esses clássicos da publicação digital -  e que o "Correntes (em busca do pensamento livre)" faça anos hoje. Mantenho o ritmo diário de publicação. Este é o post 9494 e partilhei alguns textos no twitter ou no facebook. 13 anos depois, agradeço mesmo pela atenção.

 

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Segunda-feira, 24.04.17

 

 

 

A Grã-Bretanha, talvez mais a Inglaterra, vai preparando a saída da União Europeia. Ao que percebo, os ingleses só querem aceitar emigrantes com formação superior que se destinarão, em regra, aos empregos que os britânicos rejeitam. Já se formam filas de espera para não perder o visto; e o emprego. E quais são as nacionalidades desses candidatos? Em primeiro lugar, portugueses e espanhóis. Ou seja, a geração mais escolarizada de sempre, com o financiamento da escola pública até ao superior ou com as altas propinas pagas pelas famílias no superior privado, tem este destino. Em Portugal, e a exemplo dos "camareros espanhóis", "só há" empregos com décadas de precário ou abaixo do salário mínimo mais mínimo da Europa do euro. Custa a engolir para quem festeja amanhã 43 anos do 25 de Abril.



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Domingo, 23.04.17

 

 

 

O "caso sarampo" evidenciou o intolerável julgamento popular (o desrespeito por quem perde um filho) a par da sociedade ausente que remete para a escola-armazém um caderno de encargos impossível de cumprir (o controle rigoroso das vacinas obrigatórias deve ser feito pelo SNSaúde onde estão registados todos os cidadãos).

 

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As contas do insucesso (mas com sentido)



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Sábado, 22.04.17

 

 

 

Não se vislumbra a inversão da queda dos salários. O Governo já anuncia que não aumentará os funcionários públicos até 2021. Pode ser apenas uma carta de intenções dirigida às instituições financeiras e a Bruxelas e depois se verá. Mas importa recordar que a queda dos salários tem de ser acompanhada da queda dos lucros e das rendas; e com muito cuidado com a perigosa deflação. Já Adam Smith via essa queda como uma decisão circunscrita às leis e à política. Se analisasse o que se passou em Portugal, seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: houve uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e foi esse radicalismo que provocou o empobrecimento. Por incrível que pareça à esquerda europeia que tem governado, a queda dos salários provocou a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP e outros monopólios). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos (que conhecem melhor que ninguém) das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

Neste contexto, é impossível escapar à análise da globalização que foi considerada inicialmente uma ideologia. Estamos, isso é já visível, perante um novo modo de produção - que aumenta a produtividade, mas que concentra o lucro nas rendas e não cria empregos nos países mais ricos - e de organização planetária que reduziu a pobreza mundial para números inéditos. São estas contradições que têm de ser resolvidas dentro de cada bloco numa espécie de regressão temporal. Não se vê outro caminho na impossibilidade de um governo mundial. E, já agora, os neoliberais podem ainda recuar mais um bocado e lerem quem não se cansam de citar.

 

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Adam Smith (2010:171) em "Riqueza das nações", Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.



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O modelo de gestão escolar vigente lançou a partidocracia para dentro das escolas e o descrédito local das instituições não pára de aumentar. O Público noticia outra trapalhada: "Conselhos de escolas irregulares ameaçãm eleiçoes de directores. Nos conselhos gerais das escolas estão representados pais, professores e outros funcionários. Mas há problemas na forma como os encarregados de educação estão a ser designados para vários destes órgãos. O que põe em causa as decisões que são tomadas."

 

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Sexta-feira, 21.04.17

 

 

Nota: "(...)O fármaco da dura austeridade, como observaram vários economistas, em vez de curar o doente, enfraquece-o de modo ainda mais implacável. Sem se interrogarem sobre os motivos que levaram as empresas e os Estados a endividarem-se - estranhamente, o rigor não faz mossa à corrupção que prolifera e aos chorudos ordenados de ex-políticos, administradores, banqueiros e conselheiros! -, os múltiplos orquestrares desta deriva recessiva não estão nada perturbados com o facto de serem sobretudo a classe média e os mais cadenciados a pagar(...). Não significa que se fuja estupidamente à responsabilidade da situação. Mas também não é possível ignorar a destruição sistemática de qualquer forma de compreensão e de solidariedade, pois os bancos e os credores exigem sem piedade, como Shylosk em O Mercador de Veneza, o arratável de carne viva a quem não consegue regularizar a dívida.(...)". Nuccio Ordine (2013:07), "A utilidade do inútil", Faktoria de Livros.



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Um título sugestivo como manual para a sobrevivência no estado organizacional das escolas portuguesas. Mas a leitura transporta-nos para outras paragens. É uma obra interessante.

 

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Quinta-feira, 20.04.17

 

 

 

Os números do "desaparecimento" de professores até arrepiam. Desde 2004/2005, "desapareceram" das escolas públicas 42.000 professores; cerca de 25% dos 167.000 que existiam e cerca do dobro da percentagem da redução de alunos (14%). É fazer as contas. Para além disso, o número de professores com menos de 30 anos já ia, em 2016, em 451; 1,4%. Ou seja: os professores, os causadores do défice por serem muitos, "desapareciam" na inversa proporcionalidade da aproximação à bancarrota. O tal financiamento despesista foi afinal para a banca - alguém tem dúvidas? - que prossegue alegremente em registo de perdão de dívida, enquanto os professores congelam, precarizam, imergem em burocracia e inutilidades e "aposentam-se" em "estado crítico para a saúde pública".



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Quarta-feira, 19.04.17

 

 

A inédita maioria que apoia o Governo tem um discurso mais positivo do que as anteriores, mas pouco respira para além do défice. Regista-se o abandono do discurso da austeridade virtuosa e da venialidade ao poder europeu. Mas não chega. Bruxelas continua com a agulha apontada ao pensamento que sustenta o presidente do Eurogrupo e que foi também apoiado pelo antigo arco governativo português durante boa parte do que levamos de milénio. Estamos, portanto, numa espécie de quadratura do círculo também por culpa própria. Quanto aos professores, desesperam com o atraso na concretização das boas vontades. Sabem que são o maior grupo dos funcionários públicos (e o que isso tanto financiou os interesses do antigo arco governativo) e que a massa salarial é elevada mesmo com os baixos vencimentos. Mas é cada vez mais difícil aceitar o congelamento das carreiras, os milhares de precários, os aumentos dos horários e das inutilidades e o prolongamento da desconfiança na democracia. Para além disso, o adiamento das reformas, que se está a tornar num caso sério de saúde pública, contamina as atmosferas organizacional e relacional e coloca o sistema escolar à beira de um ataque de nervos.



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Terça-feira, 18.04.17

 

 

 

 

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Luís Afonso



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Segunda-feira, 17.04.17

 

 

"Não fiquem cansados tão depressa: o mal é mais tenaz do que o bem", é o título de mais um texto muito interessante de Pacheco Pereira. O discurso sobre o mal vem a propósito de "Trump é um perigo de dimensões mundiais e pode conduzir o mundo ao patamar de uma guerra". 

A contenda entre o mal e o bem continua sobreaquecida. O bem, e quem o promove, é odiado pelo mal que é persistente e usa disfarces sofisticados. É preciso estar atento, parece-me a preocupação mais evidente do texto de JPP. Miguel Real (2011:113), na "Nova teoria do mal", Lisboa, D. Quixote, tem uma passagem interessante, mesmo que algo pessimista:

"(...)O bem corresponde, assim, a tudo o que contribua, num tempo e num espaço civilizacionais, para a perseveração integral da especificidade de um ser, e o mal a tudo o que o impeça, frustre ou destrua. Na tensão entre a preservação e a destruição, só existem equilíbrios provisórios, não permanentes, o mal impera e vence sempre.(...)"



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Daqui



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Domingo, 16.04.17

 

 

 

A especialização desportiva percebeu, há muito, que existe um esgotamento das capacidades volitivas. O corpo reage. A energia psicológica não é inesgotável. É também por isso que se contraria a precocidade nessa especialização. Os modelos de formação bem sucedidos são graduais na exposição aos quadros competitivos e "exigem" que as políticas de competição escolar (as mais diversas e não apenas as desportivas) destinadas às crianças sejam diferentes das aplicadas aos jovens e aos adultos. Em geral, quem começa muito cedo a competir como se de um adulto se tratasse atinge a saturação volitiva quando era esperado um rendimento que maximizasse as potencialidades desportivas. Os muito difíceis estudos empíricos neste domínio dão passos e são fundamentais para comprovarem os efeitos da saturação da vontade. O psicólogo Roy Baumeister é citado com importantes contributos. Criou o conceito "depleção do ego". É como se a vontade fosse um músculo que deixa de ser irrigado; acelera a queda de açúcar e cria um efeito geral de fadiga. Estes estudos são usados, e por incrível que pareça, para explicar o burnout dos professores (e não apenas dos portugueses) porque tomam muitas decisões diárias em clima de ansiedade. Daí ao esgotamento é um passo frequente com o prolongamento, e a degradação (mais turmas, mais alunos, mais burocracia, mais procedimentos inúteis, menos confiança), das carreiras associado a um indicador fundamental representado na imagem: o sono. Ou seja, abandonámos o tempo das incertezas (é também o tempo dos governos mudarem de vez a agulha) em relação ao esgotamento da força de vontade que não era mensurável por "invisibilidade" e que os crédulos, que só admitem o perdão da dívida dos bancos, "confundiam" com corporativismo ou com classificações desinformadas.

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Salvador Dalí



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Sábado, 15.04.17

 

 

(1ª edição em 21 de Janeiro de 2009)

 



 
 
Quem se mete na aventura de reflectir sobre o estado do sistema escolar português pode escolher os mais variados pontos de partida. A minha opção navega na história mais recente e concentra-se no tratamento da informação.

 

Podia optar por "sistema escolar por blocos", mas o conceito de bloco da precaução reforça duas ideias: é o que mais asfixia o privilégio de ensinar e contamina de modo decisivo os outros dois blocos: o do ensino e o da organização escolar.
 
Importa estabelecer duas questões prévias:
 
A função primeira da escola é o ensino. Sabe-se muitas maneiras de ensinar, mas pouco sobre o modo como cada um aprende. Se em relação à forma como cada cérebro processa as suas aprendizagens a palavra-chave é ignorância, então é avisado não se hierarquizar, sem evidências objectivas, os métodos de ensino. Esse atrevimento selectivo, docimológico e algo dogmático, tem provocado inúmeras polémicas;
 
Os critérios determinantes para os sistemas de suporte à tomada de decisões, obedecem à hierarquização de três categorias sobre o seu tratamento: delimitar, obter e fornecer. Deve ser feita uma análise aturada que estabeleça a informação que é estruturante para, depois, a obter e fornecer em tempo real, com o recurso a novas tecnologias, e com o imperativo de produzir conhecimento (estruturante das organizações).

 

 

Situemos a argumentação e façamos a caracterização dos três blocos.

 

O bloco do ensino é o lugar que determina a actvidade que cada um dos professores faz dentro da sala de aula; neste imenso universo deve centrar-se a sua avaliação do desempenho, onde é indiscutível que cada professor deve estar sempre preparado para fundamentar as suas opções científicas e didácticas e os critérios que escolheu para avaliar os seu alunos.

 

O bloco da organização escolar é o espaço que cria as melhores condições para que cada uma das aulas se realize: é a sua primeira finalidade. Solicita aos professores duas informações: a classificação de cada um dos alunos e a respectiva assiduidade. Deve seleccionar a informação que pretende obter para a fornecer em tempo real e com a exigência da produção de conhecimento. Este bloco deve ser dirigido por um professor e tenho ideia que será melhor conduzido por aqueles que revelem um desempenho muito profissional no bloco do ensino.

 

O bloco da precaução caracteriza-se por um universo informativo que é obtido apenas para arquivo e que existe porque está determinado de modo central através das invenções técnico-pedagógicas do MEC. E é aqui que encontramos um elenco de má burocracia: inúmeras actas e relatórios sem parâmetros indicadores de informação estruturante, projectos educativos impossíveis de avaliar, projectos curriculares de turma e de escola, definição de objectivos com variadas designações, e por aí fora numa lista interminável.

 

A institucionalização do bloco da precaução, e a sua aparente autoridade, parte dos serviços centrais do MEC e alastra-se à organização de muitas das escolas.

As invenções burocráticas devidamente preenchidas, são, por precaução, a única consciência profissional de muitas organizações escolares. E isso retira sentido de autonomia e de responsabilidade e gera fenómenos de subserviência e de medo.

Este bloco, que foi construído paulatinamente ao longo de anos e que criou um muro de burocracia na gestão da informação escolar, é difícil de derrubar.

 

O porvir de um muro é tão diverso quanto o propósito da sua edificação. Quando a liberdade dos homens esbarra num qualquer aglomerado, de tijolos ou de verdades incontestáveis, o obstáculo acaba por ceder e cai. O que mais impressiona nas quedas é a incredulidade dos que estiveram anos a fio do lado errado: começaram por crer nas virtudes dos dogmas, sustentarm as suas vidas na acomodação aos cinzentos privilégios dos funcionários dessas sociedades e acabaram como defensores acérrimos de burocracia monstruosa e desprovida de qualquer sentido libertador da condição humana.

 

A situação dos professores portugueses pode explicar-se deste modo: imersos num tentacular assombro burocrático da cinco de Outubro e da restante máquina administrativa, os professores, indignados e saturados, e sem liberdade para ensinar, ecoam os seus protestos dos lugares mais recônditos do país até ao histórico Terreiro do Paço. Incrédulos, os funcionários do chamado "eduquês" ("uma industria que move milhões") ficam atónitos, surpresos, mas ainda esperançosos: têm, em quem governa o MEC, um último e desesperado bastião. Não é fácil assistir a uma queda sem fim e presenciar a ruína das convicções mais profundas.

 

Contudo, foi possível identificar um conjunto denominado de boas práticas que tornava "exequível" aquilo que depois se provava ser inaplicável: é essa uma parte crucial da história recente da avaliação do desempenho dos professores e do seu arrastamento insuportável. Quando se tentou perceber as boas práticas das escolas ditas de referência, o ridículo eliminou rapidamente a visibilidade mediática que se quis impor.

 

Também por precaução se deixou de falar nisso.

 

 



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Sexta-feira, 14.04.17

 

 

 

Gosto de rever museus. Não me importo quando uma viagem se resume a esses espaços, aos alojamentos e a curtos passeios. A revisão permite aprender mais e atenua a busca do tempo perdido. O acervo do Prado é o que se sabe, mas permitam-me que escolha o tríptico "The Garden of Earthly Delights" de Hieronymus Bosch (El Bosco em espanhol), que justificou uma sessão interessante no último Folio de Óbidos.

 

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Bosh, Museu do Prado. (este vídeo ajuda)

 

internet permite saber muito mais. Basta googlar.

Contudo, a presença física continua insuperável.

 

1ª edição em 15 de Outubro de 2016



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Quinta-feira, 13.04.17

 

 

 

 

 

Sugerido por António Ferreira.



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Quarta-feira, 12.04.17

 

 

 

 



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Terça-feira, 11.04.17

 

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 10.04.17

 

 

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(Foi em 2015 que editei este texto pela última vez e publiquei-o com a seguinte introdução: Desafiado por uns quantos amigos, e para contraditar revisonismos localizados e mesmo que muito pouco consistentes, decidi reeditar este texto escrito em 2005 e que inseri no correntes, em 29 de Novembro de 2005; antes da publicação no blogue foi publicado no site das novas fronteiras, no expresso online e na edição impressa da gazeta das caldas em 25 de Novembro de 2005, p.21)

  

 
 
A minha experiência permite-me pensar por raciocínio indutivo o sistema escolar.
 
Passei a década de 90 do século XX e metade da primeira década do século XXI num mergulho quase alucinante na gestão escolar. Foram quinze anos inesquecíveis. E se quando iniciei essa tarefa privilegiada as dúvidas pairavam nas cabeças de muitos dos que me apoiavam - para não falar nos que não me apoiavam - hoje, digo-o, com um orgulho indesmentível, que a obra foi bem sucedida. Tudo assentou numa ideia corajosa que combinou o risco da autonomia com a intenção bem vincada de simplificar procedimentos através da utilização quase obsessiva das tecnologias de informação. E de tempo.
 
Obter informação para a fornecer em tempo real através de fluentes redes informáticas foi a prioridade plenamente conseguida. Tudo isso alicerçado em bases de dados construídas na própria escola, sem custos para a instituição e com a presença constante do primado da administração e da gestão pedagógicas.
 
Aquela escola é, hoje, um lugar de excelência organizativa mas também da vivência assumida e reconhecida de um extraordinário ambiente de trabalho. Conseguiu-se, quase, atingir o modelo das organizações nas democracias mais avançadas: gestão participada com intervenientes autónomos e responsáveis.

Mas não só em modelos indutivos deve assentar a construção das ideias e dos métodos. Recordo as palavras, não literalmente, do Presidente da República Portuguesa quando visitou a Noruega, em 2004: "os noruegueses apostam muito na organização e quando têm que gerir alguma coisa não têm imensas ideias, apostam antes em poucas alavancas e escolhem aquelas que resultando de uma aturada análise lhes parecem as chaves que arrastarão tudo o resto”".

Ora é precisamente isso que é necessário fazer no sistema escolar em Portugal. Temos assistido a um somatório de discussões e polémicas que invariavelmente aumentam o trabalho burocrático dos actores da escola mas que não introduzem qualquer alteração estruturante e significativa. Na maioria das vezes, alimentam apenas os conteúdos necessários para as agendas mediáticas dos órgãos difusores de informação.

Mas a ideia da simplificação não é nova nem de modo nenhum peregrina. Cruzei-me com esta tese nos primeiros anos como docente.
 
Decorria o ano de 1983, tinha acabado de leccionar, a disciplina de educação física, a 11 turmas do 11º ano. Cerca de 400 alunos e um sala exígua que se denominava ginásio. Um verdadeiro suplício. Não havia método de ensino que resultasse. Era um jovem professor cheio de ideias e de vontades académicas e depressa contactei com as amarguras de um docente entusiasmado .Todavia, foi esse o ano da atribuição do prémio Nobel ao britânico William Golding. Lembro-me duma sua entrevista ao canal 2 da televisão portuguesa. Já no fim desse interessante registo, é-lhe feita a pergunta sobre o método de ensino que ele mais utilizava. Estava curioso. Recordo, que o genial escritor tinha sido professor do 1º ciclo durante umas boas três décadas. A resposta foi pronta e mais ou menos do género: "meu caro, com 30 alunos não há método que resulte, agora com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes". Foi lapidar. Ainda hoje faço fé nas palavras deste mestre.

A maioria das escolas, dos 2º e 3º ciclos e do ensino secundário, em Portugal consome 90% da sua energia a tratar dos problemas da sobrelotação. É com se uma família tivesse dez filhos e habitasse uma só assoalhada servida por uma casa da banho. Lá teria o pai que advogar a falta de autoridade ou a mãe de remeter o problema para a complexidade do regulamento interno ou, quiçá, da internet ou da televisão. A questão do sistema escolar em Portugal, e aquilo que o afasta das escolas dos países do chamado primeiro mundo, é a sobrelotação das instalações e o desgraçado regime de desdobramento.

As crianças e os jovens deveriam ter as aulas no período da manhã e as actividades de complemento no início da tarde. Não conheço professor que se resigne ao facto dos seus filhos frequentarem o turno da tarde. E se falo de docentes, posso, também, referir os filhos das famílias capazes de pressionarem as instituições escolares. E os filhos dos que não sabem que o podem fazer? São esses os que abandonam cedo a escola e os que contribuem para os nossos maus desempenhos nos testes internacionais. Em regra é assim.

O que podemos fazer?

Eliminar, como medida inadiável e prioritária, os horários de desdobramento nas escolas, garantindo que nenhum estabelecimento de ensino funcione nesse regime e que o número máximo de alunos por turma se situe em próximo dos 20.
 
Os horários escolares dos alunos têm que respeitar a inclusão das actividades lectivas no período da manhã, ficando o período de início da tarde reservado para as actividades de complemento. Todas as escolas que não cumpram estes objectivos devem ser responsabilizadas, ficando o insucesso desta medida associado à responsabilização política local e regional.
 
Devem ser assinados contratos entre o poder regional, local e escolar de modo a que se estabeleça o limite da consecução destes objectivos. Estou certo que os opositores a estas ideias assentarão os seu argumentos nos imperativos financeiros ou aludirão à complexidade da situação e daqui a uns anos gastaremos fortunas em obras escolares sem projecto que se perceba. O costume. Obstáculos e mais obstáculos que mais não servem do que pugnar pela asfixia, por vezes mesmo que de modo inconsciente, do nosso futuro colectivo.

Mas o sistema é despesista. Nisso estamos todos de acordo. E é despesista, porque, como diz o arquitecto Nuno Teotónio Pereira, e muitos outros especialista o seguem, Portugal tem 38 quadros de divisão administrativa do território e não um como seria moderno e razoável. O que se pouparia aí em recursos financeiros e em capacidade de planeamento regional da carta educativa leva a que se considere o objectivo primordial de fácil realização.

Uma outra ideia fundamental e de alcance estratégico inquestionável passa pela estafada reforma da administração pública. Mas qual o cerne dessa reforma na educação? Muito se tem falado da avaliação do mérito. Mérito de quem?

Olhemos para os concursos de professores para o ano lectivo 2003/04: quem os desenhou propalava o primado da competência da gestão privada. Todos sentimos arrepios.

Encontramos na rede multibanco do sistema bancário o paradigma daquilo que deve ser feito. Importa que o poder central consiga criar os métodos de gestão da informação em tempo real e que estabeleça as redes com as escolas.

Chega de discutir a gestão escolar do modo ingrato, para os docentes claro, que todos conhecemos?(...)Por incrível que possa parecer, nem em 2005 a gestão financeira das escolas passa pelas redes informáticas. Culpa de quem? A maioria das escolas recorre ao software de empresas supostamente especializadas ou constrói as suas próprias bases de dados. E o poder central? Para que serve? Como pode falar de competência em gestão quem nunca o fez de modo eficiente. É como na gestão da casa de cada um de nós: só devemos gastar aquilo que temos e não confiar na bondade do que está escrito nas estrelas. E para isso devemos estar bem informados e em tempo útil. O gestor decisivo é o método e não apenas o académico.

Estão aqui três ideias fundamentais. Investir fortemente no desígnio de eliminar a sobrelotação das escolas e das turmas e considerar como prioritários os horários dos alunos no sentido do rendimento pedagógico. Administrar o território com objectivos claros, mensuráveis, consensuais e modernos e legitimados pelo sufrágio universal. Recorrer às novas tecnologias da informação, criando a rede das escolas através da disponibilização dos indispensáveis instrumentos de gestão - vulgo, bases de dados. Com estas três medidas arrastaremos as outras todas: pedagogias mais ou menos directivas, manuais mais ou menos escolares, professores melhor ou pior formados, exames só nos anos terminais ou nos anos todos. Eu sei lá. Ficaremos parecidos com um país a sério e mais aproximado dos ideais democráticos. Mais do que gestores, o que precisamos é de instrumentos modernos de gestão.

Acordem senhores! Virámos de século, a aldeia é global. Dez anos que sejam, um ligeiro piscar de olhos na vida de uma sociedade.


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Maria Helena da Rocha Pereira (1925-2017)

 

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Domingo, 09.04.17

 

 

 

 

 



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Sábado, 08.04.17

 

 

 

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Lembra-se do olho de deus de Guernica? Olhe para a imagem acima. Uma questão de pormenor: o oxigénio do que é belo. A imagem permite pensar mais um pouco. E que tal um deus culpado, que vê tudo mas que não actua? É muito interessante e vem bem a propósito.

 

Guernica, "o mais célebre e poderoso quadro do século XX", faz hoje 80 anos e está patente no Museu Reina Sofia, em Madrid.

 

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É um privilégio estar como na imagem que se segue.

 

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publicado por paulo prudêncio às 16:46 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 10:18 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 07.04.17

 

 

 

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Daqui

 



publicado por paulo prudêncio às 10:28 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 06.04.17

 

 
 
 
 
 
 
Mais de nove anos depois.
 
 



(...e Sua Excelência, esperto e oportuno, e
enquanto esfregava as mãos de tanta satisfação,
sentenciava: - as pragas, para sobreviverem,
precisam de oxigénio...)
 
 
Texto publicado em 11 de Fevereiro de 2008.


Estive presente numa reunião de professores, realizada numa das escolas das Caldas da Rainha, para escutar um movimento que nasceu na blogosfera e que se destina a manifestar a mais veemente discordância com o regime que se prevê que venha a organizar a avaliação dos professores do ensino básico e secundário.

Encontrei um movimento consciente do caminho a seguir. Esperam os seus promotores constituir uma associação sócio-profissional, ou algo com um cariz semelhante, interessada em fazer ouvir-se no domínio do estatuto da carreira docente e nos aspectos referentes à avaliação do desempenho.

O assunto interessa a todos os professores e pretendo manifestar a minha opinião. Alargam-se os espaços de intervenção e de discussão. Digamos que a situação é de crise.

Importa situar a argumentação.

Os estudos do domínio da teoria da informação têm várias décadas. Recordo-me particularmente das teses de Michael Scriven e de Daniel Stufflebeam sobre os critérios determinantes para a organização dos sistemas de suporte à tomada de decisões: importa, desde logo e em primeiro lugar, delimitar a informação - fazer a depuração entre a informação que é estruturante e a que não é - com o objectivo de obter dados para os fornecer; ou seja, a recolha de informação tem como intenção primeira, e única na grande maioria dos casos, a produção de conhecimento - acrescentou-se, mais tarde, o imperativo de constituir-se os sistemas com a ideia do binómio "obtenção/fornecimento" ser exercido em tempo real e com o recurso às novas tecnologias -.

Isto é, hoje, do conhecimento geral. Acredito que, a partir deste simples enunciado, possa dar mais consistência ao meu raciocínio.

Centremos o discurso no exercício do governo actual e nas suas políticas, tendo como referência última a polémica sobre a avaliação do desempenho dos docentes. No momento da tomada de posse, a opinião publicada, a União Europeia e as correntes económicas que dominam o mundo, exigiam dois objectivos inadiáveis: a redução orçamental e o crescimento da economia. O Ministério da Educação teve um contributo decisivo: com o apressado processo de agrupamento de escolas e com o fim quase generalizado da redução da componente lectiva dos professores para o exercício de cargos, reduziram-se em cerca de vinte mil o número de docentes em funções; com a criação da categoria de professor titular, dos cerca de sessenta mil docentes integrados nos três mais elevados escalões da carreira só dezassete mil ocuparam vaga - estou e referir-me aos docentes que estavam nos 8º e 9º escalões da carreira e que conseguiram o lugar de titular -.

Se o primeiro objectivo contribuiu decisivamente para a redução do défice orçamental, o segundo garante a sustentabilidade do sistema a médio prazo. Nunca mais teremos tantos docentes, nem nada que se pareça, nos três escalões de topo. Mas era necessário mais: importava controlar rigorosamente as progressões na carreira, estabelecendo vagas nos diversos patamares: criou-se um novo sistema de avaliação do desempenho.

Por outro lado, e na lógica da modernização da administração pública, estabeleceu-se um programa de simplificação dos procedimentos administrativos: o simplex. Estamos todos recordados do orgulho com que o primeiro-ministro anunciou a primeira bandeira do vasto elenco de medidas: o fim do burocrático e inacreditável processo de renovação de matrículas nas escolas portuguesas.

E o que é que se passou a seguir na educação? Nada. Há alguém que se atreva a dizer que a equipa que governa este ministério introduziu, sequer, uma única medida de simplificação? Não. Pelo contrário. E porquê?

Por excesso de centralização e por uma ausência assustadora de ideias modernas de gestão de acordo com os princípios enunciados pelos autores que referi. Nota-se uma evidente sobranceria, uma gritante incapacidade para ouvir os outros, constata-se uma notória incompetência e um corte radical com o sonho e com a poesia.

Sistematizemos então.

Os professores devem pugnar pela sua formação científica e esperar as melhores condições para a realização das suas aulas.

As escolas devem simplificar todos os procedimentos, eliminando as toneladas de informação não delimitada (e, aqui, deve ler-se: que não serve para nada, ou, que só serve para a ter por "precaução" e não para a obter e fornecer em tempo real) e refiro-me concretamente a: grelhas e fichas normalizadas para tudo e mais alguma coisa, sumários, relatórios para arquivo e com a destruição anunciada no prazo mínimo de cinco anos, actas e projectos curriculares de turma, fichas de avaliação sumativa interna e currículos escolares adaptados, listagens de objectivos mínimos, critérios de avaliação, informação prévia aos encarregados de educação do número de aulas previstas em cada uma das disciplinas e dos conteúdos programáticos das mesmas, projectos educativos que nada dizem e que multiplicam o que está escrito nos inúmeros documentos reguladores do sistema, revisões e mais revisões de regulamentos internos e, sei lá, tudo aquilo que não corresponda a informação essencial e de suporte a decisões estruturantes e já agora, que não seja objecto de tratamento por instrumentos do âmbito das novas tecnologias.

A cada docente deve ser solicitado a classificação de cada um dos seus alunos e nada mais. Sabe, assim, o docente, que é responsável e que tem autoridade, e que, por isso, deve estar ponto para o justificar a qualquer momento. Mais: deve também estar preparado para, a qualquer momento, escrevo-o de novo, explicar as suas opções didácticas. A escola, de acordo com a sua autonomia responsável, deve organizar o tratamento da sua informação, estabelecer os seus documentos reguladores e ser avaliada por isso numa lógica moderna que valorize e estimule os processos de simplificação de procedimentos. O que proponho nem é nada de inovador: acontece em escolas, muitas delas bem atrás de algumas das nossas no que se refere à utilização dos recursos da sociedade da informação e do conhecimento, de países deste mundo e não doutro.

Os governos devem tratar dos programas e dos exames nacionais, das melhores medidas para a gestão de recursos, da organização da rede escolar, e da simplificação dos procedimentos administrativos conducentes à obtenção da informação que suporta as decisões nos domínios referidos. Deve também organizar a rede de formação científica dos docentes e os programas de avaliação externa das escolas de acordo com princípios modernos de gestão da informação.

E o que é que está a acontecer?

Já nem vou referir uma das suspeitas que tem sido referida: o governo, por estratégia de gestão política inspirada nas teses de um senhor que nasceu em Florença no século quinze, começou por denegrir a imagem pública da classe de professores para abrir caminho às medidas de contenção orçamental. Não vou por aí. Era pedir demais.

Guio-me por aquilo que alguém chamou de "eduquês". Quase tudo - já que há escolas, e muitas, que se orientam pelo mais exclusivo e atávico conjunto de procedimentos organizativos- o que referi e que causa o bloqueio da informação nas nossas escolas é estimulado e dirigido pelo poder central. A cultura, dos dois níveis de decisão, é, na esmagadora maioria dos casos, a mesma: para nossa desgraça. E é isso que contamina todos os programas, com particular saliência para o regime de avaliação do desempenho dos professores. Tudo é dirigido e normalizado a partir da cúpula e sem a mínima evidência do espírito simplex. Pelo contrário. Basta ler o decreto que regulamenta a avaliação do desempenho e embater na utilidade dos indicadores de medida, na finalidade do projecto curricular de turma, na ideia de projecto educativo, de plano de actividades ou de regulamento interno, ou mesmo nas referências à definição de objectivos individuais.

Este não é o caminho e não basta adiar prazos. Se tem de se estabelecer vagas para afunilar as progressões na carreira, se não há financiamento para suportar a massa salarial dos professores de acordo com o que vinha acontecendo, cada uma das escolas deve organizar-se de modo a decidir as progressões na carreira de acordo com as vagas estabelecidas. E o processo só deve iniciar-se após a publicitação dos números.

De uma coisa podemos estar seguros: qualquer que seja o regime, um docente que esteja no sétimo escalão pode estar anos a fio, quiçá até ao final da sua carreira, sem progredir de escalão. Exemplos destes multiplicam-se nos diversos patamares e isso não estimula quem quer que seja. A carreira de professor vai adoecer gravemente e isso pagar-se-á a prazo. Conhecem-se países mais desenvolvidos, que, por terem seguido caminhos semelhantes ao que nos é proposto, não conseguem cativar os jovens para o aliciante exercício docente.

Afinal, ainda não foi desta que demos a primazia às pessoas.

 


publicado por paulo prudêncio às 15:24 | link do post | comentar | ver comentários (22) | partilhar

 

 

Hoje, no I

 

"Educação: Por uma Flexibilização Coerente

 

(...)Ao longo dos últimos 25 anos tivemos vagas sucessivas de retórica e legislação anti-insucesso com as mais variadas legitimações: ou porque é pedagogicamente infrutífero reter os alunos, ou porque isso lhes abala a auto-estima, ou porque é uma “chaga social” ou, de forma mais pragmática, porque “é caro”. Sejam coerentes de uma vez por todas e restrinjam a possibilidade de reter os alunos a casos ultra-excepcionais de falta de assiduidade, assumindo que todos (ou quase) devem passar de forma independente do seu desempenho, recebendo no final do Ensino Básico um certificado com as suas classificações, sejam quais forem. Abandonem de vez a noção de “positiva” e “negativa”, até porque a escala de 1 a 5 é toda positiva do ponto de vista matemático. E assim deixaríamos de comentar a transição de alunos com seis ou oito “negativas”. O aluno passou de ano com média de 1,5 ou 3,7 ou 4,8. E acaba-se de vez com o insucesso. Isso, sim, consideraria coerente e pouparia imenso em “formação” e conversa fiada por todo esse país, a massacrar pela enésima vez os professores, tentando fazê-los sentir-se “inflexíveis” e culpados pelos males alheios."



publicado por paulo prudêncio às 09:40 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 05.04.17

 

 

 

Nota-se bem a presença do simplex dois na "papelada-a-menos-na-muita-papelada-a-menos-nem-sequer substituída-por-ficheiros-digitais" do IRS. E nota-se vontade de simplificar na administração pública.

No sistema escolar é o inverso. O ME exige, ou insinua, informação "impensada" que não é incluída nos programas das empresas de software escolar. Isso provoca a circulação infernal de ficheiros excel e word. É uma escalada sem paralelo. Proporciona também a roda livre escolar de quem "desconhece" que a obtenção de informação "pedagógica" tem exigências administrativas. É o tal mundo criativo da repetição de inutilidades. É uma espécie de "vamos brincar às escolas e à gestão". No mínimo, a governabilidade exigiria a inclusão de "toda" a informação nuclear nesse software como critério primeiro de licenciamento. A avaliação externa "penalizaria" os excessos - e pontuaria as boas soluções - e não o contrário. O uso das muito boas aplicações do office da Microsoft, Word e Excel, deve ser proibido para a obtenção e circulação da informação "oficial" através de programas de email ou alternativos; não vai lá de outro modo. Uma decisão à francesa com os "emails-fora-de-horas". Quem não tem outra solução, ficaria sem a informação e concluiria que o fundamental da escola está longe desse universo.

 

Não é a primeira vez que uso alguns destes argumentos.



publicado por paulo prudêncio às 11:37 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 04.04.17

 

 

Houve uma fase em que os bancos eram avaliados nos testes de stresse; nem sei se ainda o são, tal o surreal da coisa. Havia uma espécie de variável independente (dito assim em registo humorado): banco aprovado no stresse falia de seguida; lembro-me de um que obteve um excelente imediatamente antes da queda.

Os contribuintes também desconfiam dos elogios dos presidentes da República aos bancos. Sempre que os PR´s se metem nisso, o resultado é oposto. 

 

1121756

Cópia de 1121756

 

Luís Afonso



publicado por paulo prudêncio às 17:21 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:57 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
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