Em busca do pensamento livre.
Domingo, 20.08.17

 

 

 

Kevin Durant, jogador da NBA, recusou-se a ir à Casa Branca contrariando a tradição das equipas vencedoras da competição. Foi taxativo: "não tenho respeito por quem lá está". Ponto final. Noutro sentido, mas dentro do mesmo desnivelamento norte-americano, Trump cancelou a presença em prémios do Kennedy Center por causa de uma série de ameaças de boicote. Espera-se que o homem comece a ter a noção do ridículo e que atenue estragos antes de se pôr ao fresco.



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Sábado, 19.08.17

 

 

 

Apesar da ubiquidade dos media, uma pessoa lá consegue afastar-se umas semanas do turbilhão na esperança que a distância e o silêncio aumentem o grau de inteligibilidade. Contudo, o regresso continua a trazer perplexidades. Não tanto o tragicómico Trump - só a sua aparição no ecrã põe o mundo a rir para embaraço norte-americano - mas principalmente o terrorismo, as mortes e as tragédias lusitanas. Por cá, os fenómenos mortais são provocados por incêndios - pela incapacidade, com décadas, do poder político central, regional e local de cuidar de valores preciosos como a organização e a gestão do território (para cúmulo, a plateia substituiu os culpados: dos pirómanos da aldeia passou-se para a máfia organizada) - e pela queda de um carvalho. Não se belisque. Foi mesmo isso. Sim, uma árvore caiu e matou mais de uma dezena de pessoas e deixou umas cinco centenas de feridos. E não se pense que aconteceu numa área vastíssima. Foi numa ilha tutelada pelos Governos central e regional, por uma Câmara Municipal, por uma Junta de Freguesia e, no caso, por uma instituição religiosa (e outro cúmulo ainda mais risível: será o ministério público a apurar o responsável pelo carvalho). E é isto. Afinal, sem novidades. Ninguém tinha a incumbência de zelar pela verticalidade das árvores de grande porte. É um sossego, realmente.



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 da água e do vento

@mariadocéu



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Sexta-feira, 18.08.17

 

 

 

 

As pessoas fizeram um semestre no "estado islâmico" e regressaram como quem esteve em "erasmus"?

Por outro lado, as redes sociais ampliam a "ágora" e os sinais de intolerância. Vê-se ódio ao que os outros pensam. É o sinal mais evidente. Daí a actos terroristas irá um qualquer passo dependente de circunstâncias, oportunidades e distúrbios diversos, como se percebe com a identidade dos fanáticos. Amos Oz é, mais uma vez, muito claro:

"A essência do fanatismo reside no desejo de obrigar os outros a mudar... O fanático é uma das mais generosas criaturas. O fanático é um grande altruísta."

 

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Quinta-feira, 17.08.17

 

 

 

 

Primeira publicação em 24 de Agosto de 2005.
 
 
 
 
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Sua Excelência considerava-se soberbo em números. Chefiava uma instituição com um milhar de matriculados e duas centenas de residentes. Exigia a mais soberana severidade no tratamento dos algarismos - palavra derivada do árabe alkarizmi, sobrenome do matemático árabe Abu Ibn Muça -. 

Havia uma associação de algarismos que era sagrada para Sua Excelência: o número de identificação, proveniente do infalível poder central. 

Sua Excelência mobilizava, uma vez por ano, residentes e tutores de facto para a renovação da condição dos matriculados. As filas de espera duravam horas no mais profundo respeito pela ordem. Os tutores de facto, acompanhados dos próprios matriculados, desesperavam pela minuciosa verificação. Encaravam, com uma submissa satisfação, a confirmação do acerto no inamovível número de identificação. 
 
Sua Excelência elogiava os residentes pela ausência de falhas. 


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Pode saber mais aqui.

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 16.08.17

 

 

 

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Terça-feira, 15.08.17

 

 

 

O 15 de Agosto recorda-me sempre o filme imperdível de Gianni de Gregorio. E nem sei porquê, mas desta vez associo-o à difícil poesia de Rainer Maria Rilke: exige leitura repetida, mas o resultado é sublime. É um dos meus poetas preferidos. Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno, situado perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático. Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

  

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)

 

Depois da poesia, um vídeo do filme - é um muito bom momento de humor -.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:29 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 14.08.17

 

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 16:19 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

Registei a adopção neoliberal em boa parte do sistema escolar na última década e vou vendo perplexidade nos que repetiam antes das várias quedas: isso é impossível. Mas o que mais me intrigou foi a indiferença e o convencimento da salvação; é que nem os 1% podem confiar em tal. É evidente que se o tempo dá lições às "nêsperas de Mário H. Leiria", há ainda umas franjas que precisam de alguma repetição da célebre "Indiferença" de Brecht.

 

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Domingo, 13.08.17

 

 

 

 

 

Aprecio o modo de Lonzo Ball organizar o jogo. Os Lakers depositam

fundamentadas esperanças neste jovem que se estreará na NBA.

 



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Sábado, 12.08.17

 

 

 

Há décadas que as escolas abrem todas em Setembro. O início é ruidoso quando há devaneios como a eliminada BCE. O Governo reverteu cortes salariais, eliminou contratos com "privados", integrou professores nos quadros e alterou provas dos mais pequenos. Mas grande parte das variáveis que degradaram a escola pública estão intocáveis. António Costa, que confessou a guerra aos professores decretada nos primeiros conselhos de ministros de Sócrates, mantém as variáveis fundamentais. Não reverteu. O tempo passou e já não adianta a escusa com a herança.

Sumariemos: anos a fio com avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), carreiras congeladas desde 2005, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horários zero, contratados "eternos" e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tanta desconfiança e agravada pela idade avançada do grupo de professores. Mas seria indecente que se fizesse das reformas antecipadas uma espécie de cortina de fumo que pede repetidamente o "impossível" para que o desespero acabe num mal menor e na manutenção dos instrumentos da referida guerra.

 

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Sexta-feira, 11.08.17

 

 

 

"O amor nem sempre vence o poder, mas é o único caminho para a sabedoria" é uma frase do inesquecível cineasta iraniano. Encontrei-a por aqui quando ontem ouvi uma referência à sua obra.

 

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A imagem é do genial "sabor da cereja" (1997).

 



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Quinta-feira, 10.08.17

 

 

 

 

Há componentes críticas na organização escolar: hiperburocracia, fragilidade democrática, profissionais desesperançados e insuportável caderno de encargos. Para além disso, os fundos que permitiram edificar escolas cruzaram-se com o tradicional caos na gestão do território; ou seja, há tipologias escolares para todos os gostos mas, e apesar disso, há uma qualquer relação com os ciclos de ensino.

Mas eis que um especialista em tergiversação - com antigas responsabilidades governativas e em fóruns de influência - recuperou uma das suas epifanias e inclinações: e se os ciclos de ensino adoptassem o 6+6, mesmo que desdobrado em 3+3+3+3, em detrimento do 4+2+3+3, que já foi 4+2+3+2 e passou a 4+2+3+2+1 até chegar ao 4+2+3+3? Há quem prefira o tal 6+6, o 6+3+3, outros o 4+5+3, o 9+3 e até recentemente houve quem tentasse o 4+prof ou quando muito 6+prof em paralelo com o 12 para uma minoria. Sei lá. Terraplena-se o parque existente e elege-se a táctica escolar como o quebra cabeças; como alguém perguntava, táctica ou bitáctica? Não sou avesso a mudanças; pelo contrário. Mas não há pachorra, realmente. Só podemos falir ciclicamente.

 

2ª edição.

 

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Quarta-feira, 09.08.17

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 08.08.17

 

 

 

 

Era uma folha pousada

no cotovelo do vento;

e pairava, deslumbrada,

entre morte e movimento.

 

Era uma folha: lembrava,

de tão frágil, o momento

em que a vida ficava

escrava do teu juramento.

 

Era uma folha: mais nada.

Antes fosse esquecimento!

 

 

 

David Mourão-Ferreira

Obra Poética

1948-1988

Editorial Presença (2006,p:109)

 


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Segunda-feira, 07.08.17

 

 

 

 

A desconfiança nos professores, que se instituiu em má burocracia, começou há mais de uma década, mas disseminou-se a partir daí. O "eduquês organizacional" alimentou-se também do modo digital. Os ficheiros que circulam nas redes escolares são intratáveis e atingirão valores não mensuráveis. Aquele anúncio da PT, que afirmava a capacidade em sediar na Covilhã toda a informação do planeta, não considerou o MEC e o sistema escolar.

 

A cultura anti-professor desenvolvida nos serviços centrais generalizou-se. Se considerarmos que o "modelo" exige impressão de documentos para uma leitura atenta e imparcial (), estará na má impressão motivada pela racionalização de tinteiros de impressoras a explicação para a desconfiança nos professores e que parece suportar-se no que pode ler a seguir. Tem os resultados depois da imagem.

 

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Daniel Kahneman (2011:91), "Pensar, Depressa e Devagar". 

Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.

 

Resultados: 5 e 47.

 

2ª edição.



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Domingo, 06.08.17

 

 

 

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Cópia de 1151163

 

 

Luís Afonso



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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