
O comportamento das diversas forças políticas foi o esperado. O PSD só enganou quem não acredita na possibilidade dos códigos genéticos. Quando daqui por algum tempo se conhecerem os resultados, então poderemos tirar conclusões mais acertadas. Sabe-se que os sindicatos, com excepção da fenprof, alinharam com o PSD; o que também não surpreende.
Por força da actualidade, passam a existir mais responsáveis pelas soluções que se venham a construir: o governo e o partido que o suporta, o PSD e os sindicatos quase todos.
"O projecto de resolução do PSD sobre a avaliação dos professores e o novo estatuto da carreira docente foi hoje aprovado no Parlamento. O documento contou apenas com os votos favoráveis dos social-democratas e com a abstenção do PS e dos restantes partidos da oposição.(...)"

O défice orçamental passou nos últimos dois anos de menos de três por cento para os actuais oito por cento. Nesse período os professores portugueses tiveram as suas carreiras congeladas. Todavia, ouvi há pouco na sic notícias um debate sobre o orçamento retificativo. O economista Nogueira Leite, com a anuência do economista Luís Duque, acusa a Assembleia da República de irresponsabilidade por apoiar o fim da divisão da carreira dos professores. Relaciona o facto com o tema em debate: o aumento do défice. Nem queria acreditar. É mesmo uma doença esta perseguição aos professores.
Ainda esperei mais um bocado, mas nem uma linha foi dita sobre a hecatombe financeira, sobre as falências imobiliárias ou sequer sobre os casos BPN, BPP e afins. Nada. É grave, que raio. A continuar assim, isto um dia ainda pode acabar mal. Basta olhar para a "face oculta" e para as suas ramificações tentaculares para se perceber a berlusconização da nossa vida pública.
Aprovado Orçamento Rectificativo para aumentar limites de endividamento ![]()
"O Governo aprovou hoje, na reunião do Conselho de Ministros, uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado de 2009 que prevê uma redistribuição dos limites do endividamento.(...)"
... na opinião de Paulo Guinote. Leia aqui.
Cortesia de Manuela Silveira.
Tem outra análise com três pilares, também precisos e ainda mais locais, aqui.

Recebi por email o seguinte texto:
"Caro/a Professor/a,
O retomar dos trabalhos parlamentares nesta nova legislatura foi feito em torno do debate sobre Educação e Carreira Docente.
Para que o trabalho político do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda na área da educação tenha a qualidade que nos é exigida, e para que esse trabalho seja também participado e avaliado por todos os envolvidos e interessados no debate sobre política educativa, retomamos por este meio o contacto e o diálogo com todos os professores e educadores que a nós se dirigiram na anterior legislatura.
A Assembleia da República votou hoje os projectos apresentados pelos diferentes partidos da oposição relativos ao fim da divisão da carreira e ao actual modelo de avaliação.
O resultado da votação será hoje divulgado pela comunicação social – os projectos apresentados pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, que previam quer o fim da divisão da carreira de professor, quer a suspensão do actual modelo de avaliação (o que implicaria a não penalização de qualquer professor ao abrigo deste modelo, ou a contagem das classificações para os efeitos de concurso ou progressão) foram chumbados.
Os restantes projectos que também previam a suspensão, designadamente do PCP e do CDS, foram também chumbados.
As intervenções do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda no debate dessas propostas, de Francisco Louçã, Ana Drago, José Manuel Pureza e Cecília Honório podem ser visualizadas nas respectivas hiperligações.
Da votação de hoje resultou apenas a aprovação do projecto de resolução do PSD. Porque muita desinformação e confusão se tem instalado sobre o que significa esta iniciativa, e muitas dúvidas se criaram sobre as implicações desta votação, aproveitamos para fazer alguns esclarecimentos.
1 . A proposta pelo PSD não define a suspensão do actual modelo de avaliação. Defende sim a substituição no futuro por um outro modelo, mas sem o balizar (ou seja, não acautela a não introdução de quotas, ou dos resultados escolares dos alunos num futuro modelo), e sem acautelar os efeitos das classificações do actual modelo nos futuros concursos ou na progressão na carreira.
O que significa que o modelo de avaliação ainda está em vigor, e que só o Governo pode agora definir o que vai acontecer. Ou seja, o acordo do PS e do PSD vai no sentido de passar um “cheque em branco” ao Governo.
2. A proposta do PSD que foi hoje aprovada é uma recomendação ao Governo. Isto é, não tem carácter vinculativo. O Governo pode ou não cumprir essa recomendação.
Se tivessem sido aprovado projecto de lei do Bloco de Esquerda significaria que a suspensão da avaliação era uma lei da República – logo, imperativa e vinculativa.
3 . Deste debate fica, portanto, muito em aberto. Contudo, se algo aprendemos com este debate na AR foi que ele forçou o Governo a recuar e a mostrar disponibilidade negocial . O que significa que a pressão tem que ser mantida, para que essa negociação tenha resultados reais.
Nesse sentido, acompanharemos com atenção o processo negocial que agora decorre entre Ministério da Educação e os representantes sindicais, e tudo faremos para que este tenha resultados positivos que permitam colocar um ponto final neste lastimável processo.
Contamos, para tal, com a sua participação, crítica ou sugestão – para que possamos cumprir o nosso compromisso político: trabalhar para construir e reforçar uma escola pública democrática e de qualidade.
Com os melhores cumprimentos,
Ana Drago
Grupo Parlamentar
Bloco de Esquerda"

"... fico aguardando telegramas, os azuis recados. os poderes da manhã já pouco duram. à superfície o som move na boca um pouco sopro. não julgues que me importam as roldanas do tempo no teu corpo são certos os abismos de cartão e falsa a neve que nos cobre os passos. de graça a terra nos dispõe na foto e a idade inventa nomes que a dissipem descobre-me impacientes os recados o envelope da urgência o intervalo ..."
António Franco Alexandre
em Poemas.

Sabe-se como a "Obamamania" atingiu as nossas campanhas eleitorais. Para não se cair no ridículo, lá se disfarçou a intenção. Também se conhece a generalizada alergia dos sectores da Educação das nossas organizações políticas aos blogues de professores. Mas se dermos visibilidade às notícias como a que pode ler a seguir, até pode ser que a atmosfera mude.
"Obama homenageia a "coragem" dos 'blogger' cubanos e apela ao governo de Raul Castro para permitir um "acesso ilimitado" à Internet e à informação em resposta a um questionário divulgado hoje no mais célebre 'blog' cubano.
Obama alerta igualmente que o estabelecimento de uma "relação mais normal" com o governo cubano "exige uma acção" deste a favor dos direitos e liberdades, segundo as respostas a um questionário que lhe foi enviado pela 'blogger' cubana Yoani Sanchez, recompensada com numerosos prémios na Europa e nos Estados Unidos.(...)"
.... aqui, no blogue de Paulo Guinote.

Ver pessoas a defender o indefensável é dos exercícios mais ridículos que nos é dado registar. Mais ainda, quando se sabe que os actores dessa defesa conhecem a nulidade da sua argumentação.

Na opinião de Ramiro Marques; aqui.

Os juízes de Estrasburgo proibiram a exposição de crucifixos nas escolas. Na Turquia proibiriam a meia-lua e em Israel a estrela de David. Há já quem peça a supressão do Natal e, segundo a mesma lógica, do Yom Kippur e do Ramadão. Tudo em nome da laicidade do Estado.
O que se passa é que, no mundo, o Estado não significa apenas Estado central. Também são "Estado" as regiões, os concelhos, as comunidades autónomas, as associações religiosas e culturais em que são delegadas funções públicas de acordo com o princípio da subsidiariedade.
Numa Europa multiétnica e multirreligiosa continuam a ser importantíssimas as velhas nações e as formações que têm por base valores, normas e símbolos tradicionais. Proibi-los por irritarem, perturbarem e incomodarem alguém significa impedir que comunidades inteiras continuem a ser elas mesmas; é negar o pluralismo.
A história mostra-nos que o pluralismo sempre foi negado por aqueles que querem destruir o passado e construir utopias. Os espanhóis anularam as civilizações pré-colombinas, a Revolução Francesa até mudou o nome dos anos e dos meses. Os comunistas soviéticos impuseram o ateísmo. Nos estados islâmicos totalitários, quem mostrar uma Bíblia vai preso. A utopia leva ao totalitarismo.
Significará isto que os filósofos e os juristas dos direitos humanos têm uma mentalidade totalitária? Se quiserem realizar a utopia de impedir que qualquer indivíduo possa ser perturbado pelo comportamento real ou simbólico de outro indivíduo, sim.
Para conseguirem contentar toda a gente têm de proibir tudo: usos e costumes, valores, até mesmo as línguas de outros povos. Enquanto os grandes impérios persa, romano e britânico deixavam viver os cultos, as tradições e as línguas, os nossos visionários são impiedosos. E não apenas em relação às dimensões das ervilhas e das laranjas, mas também aos símbolos religiosos e até à linguagem. Em determinados países não se pode dizer "sexo"; tem de se dizer "género", para não ofender ninguém.
Após os totalitarismos jacobino, marxista, nazi e muçulmano, pode vir a nascer um totalitarismo eurocrático. Acena com promessas utópicas, destrói as instituições do passado e impõe o seu poder. Ensinados pela história, tentamos impedir que isso aconteça, estamos atentos e somos desconfiados. É certo que somos europeus, mas, por favor, conservemos as nossas tradições, as nossas línguas, e até mesmo as nossas fraquezas e os nossos preconceitos. E, se tentarem impor-nos alguma coisa à força, devemos dizer que não."
por Francesco Alberoni,
Sociólogo, escritor e jornalista

"Ministério da Educação, sindicatos dos professores e partidos da oposição parecem estar de acordo quanto ao futuro do modelo de avaliação docente ainda em vigor: já não deve surtir efeitos para o ciclo que começou em Outubro e se prolongará até 2011. Apesar desta base comum, a divisão instalou-se. Em causa está uma palavra. Suspensão. Amanhã os projectos da oposição vão a votos no Parlamento.(...)"
Cortesia da Isabel Seno.

Enquanto os professores ainda não intuíam o desastre, realizou-se o tal concurso para a categoria de professor titular com os critérios que se sabe. Foi difícil iniciar a contestação e só com a introdução do monstro burocrático da avaliação é que se foi acumulando o sentimento de revolta que explodiu com essa tentativa de impor má burocracia sustentada por uma teia de injustiças e de ofensas públicas aos professores portugueses.
Mas a rede de ignominias permitiu aos professores a construção sólida de uma malha formada por blogues, movimentos, sindicatos, emails e sms.
E o que muitos não acreditavam e consideravam como uma impossibilidade formal e informal, começou agora a acontecer. Ora leia.
"A ministra da Educação entrega hoje aos sindicatos a proposta de calendário negocial para a revisão do estatuto da carreira e da avaliação de desempenho docentes. O Governo prepara-se para deixar cair a divisão da carreira docente entre professor titular e não titular, naquele que será um dos maiores passos dados pela nova ministra da Educação, Isabel Alçada, no sentido de chegar a um consenso quanto a um novo modelo de avaliação dos professores.(...)"

Recebi um email da colega Ana Lima do blogue "O vento que passa". Pede-me a Ana que vá ler a "carta aberta" que publicou, aqui, em que faz uma crítica aos treze colegas, em que me incluí, que assinaram uma moção como uma declaração pública de não entrega da ficha de auto-avaliação. Já reparei que o assunto tem provocado alguma polémica na blogosfera.
Uns dias após a publicação do manifesto, escrevi um texto que fui buscar e que colo de seguida. Tenho todo o respeito pela Ana Lima, mas nada mais tenho a acrescentar sobre o assunto.
"Subscrevi um pequeno texto (contra a avaliação de docentes enquanto mistificação) que tem gerado alguma polémica no seio da justa luta dos professores. A sua primeira publicação ocorreu na edição impressa do jornal público do dia 13 de Junho de 2009. Seguiu-se a divulgação pelos diversos blogues de professores e retive-me numa leitura atenta dos diversos comentários. Mantive uma silente contenção e esperei que a poeira assentasse um pouco. Já se sabe que neste tempo de turbilhão informativo e de vórtice inaudito as partículas granulosas não teimam em regressar ao sossego; e o meu cérebro exige-me disciplina.
Talvez nem perca muito com esta decisão. Se for penalizado é algo que só a mim me diz respeito. De pouco me vale invocar os valores monetários que fui desperdiçando ao longo da vida em nome da coerência de ideias ou de atitudes. Os que me conhecem sabem que sou tolerante e diplomata, mas que também me regulo por uma firme e determinada exigência individual com total respeito pelas posições dos que convivem comigo. Não adiantaria invocar, ainda, outros momentos da minha vida onde algo de semelhante aconteceu; e nem sempre venci.
(...) Subscrevi o texto em causa por solidariedade com quem o fazia, com a intenção de o fazer quase sempre às causas e aos amigos e para reafirmar a coerência em não participar na mistificação em que se inscreve o actual modelo de avaliação. Transmiti isto aos meus colegas assinantes.
Sei que posso parecer exorbitante com isto que estou a escrever. Mas é assim. E nada mais acrescentarei no domínio das minhas circunstâncias individuais. Nem herói nem mártir como sempre fiz questão de afirmar.
Tenho, naturalmente, muito mais palavras para escrever sobre a auto-avaliação em termos técnicos, políticos e jurídicos. Darei conta de tudo isso quando os meus critérios julgarem oportuno."
Adenda às 23.55: informam-me que a Ana Lima retirou o post.

Avaliação: Falha de entrega de documentos sem penalização
"Os professores que não entregaram os elementos de avaliação não serão penalizados, declarou hoje o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (FENPROF), Mário Nogueira.
«Foi-nos dito que a ministra da Educação iria actuar para que não houvesse penalizações aos professores em relação ao primeiro ciclo (de avaliação)», relatou Mário Nogueira, após uma reunião com o secretário de Estado adjunto e da Educação, Alexandre Ventura.
O Governo retomou hoje o diálogo com as estruturas sindicais, tendo apresentado o calendário negocial relativo ao Estatuto da Carreira Docente e ao modelo de avaliação."

"O líder parlamentar do CDS-PP defendeu hoje que o Governo deve aceitar a suspensão legal da avaliação dos professores, uma vez que já garantiu que dará indicações às escolas para não iniciarem os procedimentos do segundo ciclo avaliativo.(...)"
"A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) revelou hoje a intenção do Governo de informar as escolas sobre a cessação dos procedimentos a seguir relativamente à avaliação dos professores, "pois haverá novas regras".
"As escolas vão ser informadas muito em breve que será desnecessário levar por diante os procedimentos, pois haverá novas regras", declarou o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, no final de uma reunião com os secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Ventura.(...)"
ou em

Esta rubrica vai ter hoje a última entrada e foi dedicada ao esbororar do inexequível modelo de avaliação dos professores. Caiu porque era inaplicável e um monstro de burocracia. Espero não ter de a reabrir: acredito que alguma lição foi aprendida.
"Mário Nogueira, dirigente de Fenprof, afirmou hoje à saída da reunião com a ministra da Educação: "Este modelo de avaliação acabou"."

Já se vão ouvindo notícias que anunciam o fim da divisão da carreira e Isabel Alçada confirma o esboroar definitivo do monstro burocrático da avaliação dos professores.
"A ministra da Educação vai apresentar nesta quarta-feira um calendário aos sindicatos para negociar novas regras na avaliação de desempenho e no estatuto da carreira docente.
Isabel Alçada admite que haverá um novo modelo de avaliação e um novo estatuto, mas frisou que optou por não suspender o que está em vigor para não haver «um vazio legal», informa a agência Lusa
Além do calendário, a ministra assumiu que apresentará mais alguma coisa aos sindicatos para fechar este ciclo de avaliação, escudando-se a revelar pormenores do que tenciona apresentar em primeira-mão aos representantes dos professores.(...)"

Um texto imperdível aqui.
Cortesia da Isabel Seno.

São recorrentes os discursos de cautela no seio dos professores que lutaram contra as políticas do ministério da Educação do anterior governo PS; o actual tem o mesmo chefe mas poderá ser obrigado a mudanças significativas. Sempre que se regista alguma vitória, surge de imediato um elenco de avisos de que não é bem assim e que "ainda vais ver que fica tudo como está".
Sabe-se que este processo foi longo e muito cansativo. Também se conhece que os professores foram registando vitórias aparentes, sucessos que não se concretizavam, e que se tornaram em triunfos tão amargos que mais pareciam derrotas.
Nesta altura não temos de ter nenhum medo de existir e devemos celebrar várias vitórias. Aconteça o que acontecer, já ninguém defende a divisão da carreira nem o monstro burocrático de avaliação. Vão ser agendadas alterações na gestão escolar, nos horários dos professores e no estatuto do aluno. Ora, e que raio, tudo isto se deve à justa luta dos professores e à força da razão. E quando escrevo professores, estou a referir-me às suas ligações na chamada nova rede (blogues, movimentos, sms´s e emails) e a alguns dos seus sindicatos.
Celebremos e continuemos a luta. O ânimo é sempre uma parte fundamental para quem resiste; mais ainda, quando o festejo reside em impressões objectivas.
O ratinho de Kohlberg?
"O líder parlamentar do PS afirmou hoje que "ainda está em aberto" o sentido de voto dos socialistas face aos diplomas da oposição sobre revisão do modelo de avaliação dos professores e revisão do Estatuto da Carreira Docente.
Projectos de lei e de resolução do PSD, CDS-PP, Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes", todos no sentido de acabar com o actual modelo de avaliação dos professores, vão ser discutidos em plenário na quinta-feira e votados no dia seguinte.(...)"
No blogue de Paulo Guinote, aqui.

O blogue de Ramiro Marques tem um post, aqui, que deve ser lido com toda a atenção. Tem matéria mais do que óbvia e bastante positiva. Colo-a de seguida com um bold para o que considero mais relevante.
Como já escrevi algumas vezes, o número de visitantes deste blogue nem está contado desde o início nem tem tido um contador comum e constante. Os primeiros anos foram mesmo sem contador e tenho ideia que ouve alturas em que apenas recorri ao sitemieter. Mas como essa aplicação teve uns problemas e como os seus layouts não me agradavam, mudei há coisa de dois anos, salvo erro, para o apollofind que tem uns gráficos interessantes e uma informação que me é suficiente.
Hoje aconteceu um detalhe curioso: o "correntes" atingiu no apollofind 600.000 visitantes dedicados e 955.000 hits. Verifiquei que o utilizador 600.000 veio cá parar através de uma pesquisa google, com o critério "correntes", que foi direccionado para um post cujo título é "tem comprimidos para o enjoo aí?" e que é dedicado a mais uma notícia sobre o inenarrável ME que dizia assim: Ministério da Educação assume que acordo com sindicatos não é possível.
A título de curiosidade o blogue registou ontem as entradas que se pode ver no quadro e com as proveniências referidas que o ligam, naturalmente e com honra, aos blogues de professores.
Depois de 1782 posts e 4413 comentários, o blogue manter-se-á com a linha editorial que escolheu para os últimos três anos.
Um contributo que deve ser lido com toda a atenção; aqui.

Recebi de Ilídio Trindade, coordenador do MUP, o seguinte esclarecimento.
"Caro Professor Ilídio Trindade.
Agradeço o contacto e a oportunidade para esclarecer a posição do PSD que alguns têm tentado distorcer.
O Projecto do PSD refere expressamente o prazo de 30 dias, após a sua aprovação para a extinção da divisão da carreira em 2 categorias (entre professores titulares e não titulares) e para a consagração de um novo modelo de avaliação (também em 30 dias).
Nesse sentido, parece-nos óbvio que todos os procedimentos relativos ao 2º ciclo avaliativo deverão ser imediatamente suspensos. É uma questão de bom senso que, certamente - no caso do Projecto do PSD ser aprovado -, os Directores e o próprio ME compreenderão.
De resto, no ponto 3 do nosso Projecto, prevê-se a criação de um enquadramento transitório que garanta que professores que não participaram no 1º ciclo avaliativo que agora termina (por exemplo, por não terem entregue os objectivos individuais), não sejam penalizados na sua carreira.
Assim, nomeadamente com a possibilidade - já assumida pela Ministra - de todos poderem entregar as fichas de auto-avaliação, só não progredirá quem não quiser.
O Projecto não refere explicitamente a "suspensão" do actual modelo de avaliação. Na verdade, este Projecto vai mais longe, prevendo que - no prazo de trinta dias - haja uma substituição (logo, uma revogação e não uma mera suspensão) do actual modelo.
Se se confirmar a ideia expressa pelo PM ontem de que apoiará o projecto do PSD, tal significará uma grande evolução do PS que deveremos saudar. E significará, principalmente, o fim da divisão na carreira e a morte do modelo de avaliação que ainda vigora (recordo que, por enquanto, o PS nunca disse que era contra a divisão na carreira e apenas falou em aperfeiçoamentos no modelo, nunca falou num novo modelo...).
Será assim uma grande vitória da luta que os professores travaram nos últimos 2 anos. E a esse respeito, penso que todos devemos estar gratos àqueles que (como o meu amigo) lideraram, empenhada e entusiasticamente, essa luta.
Se o Projecto do PSD for aprovado, estão criadas todas as condições para que a paz volte às nossas escolas e, assim, nos concentremos na qualidade do ensino e nas aprendizagens dos nossos alunos.
Para qualquer esclarecimento adicional, não hesite em contactar-me."
Pedro Duarte
Deputado do PSD

No início da década de noventa li uma série de livros de Francesco Alberoni. Achei-os interessantes e guardo de alguns dos seus estudos aprendizagens importantes. Depois, quase que lhe perdi o rasto. Recebi por email um texto seu que resolvi publicar. Diz assim:
"Estudar as datas na escola ajuda a compreender a identidade do país.
por Francesco Alberoni,
Publicado em 10 de Novembro de 2009
Nos últimos 40 anos, os pedagogos quase destruíram as bases do pensamento racional e os fundamentos da nossa civilização. E fizeram-no com a ajuda de uma única decisão: eliminando as datas, acabando com a obrigatoriedade de apresentar os factos por ordem cronológica. Agora é normal ouvir dizer que Manzoni viveu no século xvi. Não há razões para espanto porque na escola já não se ensinam os acontecimentos pela respectiva ordem temporal, dizendo, por exemplo, que Alexandre Magno viveu antes de César, que, por sua vez, viveu antes de Carlos Magno, e só depois vem Dante e, em seguida, Cristóvão Colombo.
Esta pedagogia foi importada dos Estados Unidos, um país sem história que tenta anular as raízes históricas dos seus habitantes para que se tornem cidadãos norte-americanos. Aplicá-la a Itália, produto de uma estratificação histórica com 3 mil anos, e ao resto da Europa, que tem raízes culturais gregas, romano e judaico-cristãs, é equivalente a destruir-lhes a identidade. Ao contrário de nós, as civilizações islâmica e chinesa estudam obstinadamente a sua história, para se conhecerem melhor e se reforçarem.
Perder a capacidade de ordenar cronologicamente os acontecimentos significa igualmente perder a identidade pessoal. Quando perguntamos a alguém "Quem és?", essa pessoa conta-nos o que fez e o que faz nesse momento. Quando procuramos trabalho, apresentamos o nosso currículo. Quando nos apaixonamos, contamos a nossa vida à pessoa que amamos. Hoje vemos muita gente que já não sabe ordenar aquilo que viveu e vê o passado apenas como uma sucessão caótica de acontecimentos.
A desordem no pensamento reflecte-se na língua. A escola já não ensina gramática, análise cronológica ou consecutio temporum. Há quem não distinga o passado próximo do passado remoto, quem não perceba a lógica do conjuntivo e do condicional e alguns confundem até o presente com o futuro. É a desagregação mental, a demência.
Cara ministra Gelmini, peço--lhe que me dê ouvidos e afaste todos os pedagogos desta corrente nefasta. E depois, por favor, obrigue todos os professores a fazerem um curso de História com datas e um curso de Gramática. Finalmente, mande instalar em todas as salas de aula um grande cartaz horizontal onde estão assinalados, por ordem cronológica, todos os episódios significativos da história, para que os nossos jovens possam habituar-se à sucessão temporal. Uma muleta para o cérebro."
Sociólogo, escritor e jornalista.
Cortesia da Isabel Seno.
Um texto de Mário Crespo; aqui.
"Mark Felt foi um daqueles príncipes que o sólido ensino superior norte-americano produz com saudável regularidade. Tinha uma licenciatura em Direito de Georgetown e chegou a ser uma alta patente da marinha dos Estados Unidos. Com este formidável equipamento académico desempenhou missões complexas no Pentágono e na CIA.
Durante a guerra do Vietname serviu no Conselho Nacional de Segurança de Henry Kissinger. Acabou como Director Adjunto do equivalente americano à nossa Polícia Judiciária. Durante vários anos foi Director Geral interino do FBI. Foi nesse período que Mark Felt se tornou no Garganta Funda. Muito se tem escrito sobre as motivações de um alto funcionário do aparelho judiciário americano na quebra do segredo de justiça no Watergate. Todo o curriculum de Felt impunha-lhe, instintivamente, a orientação clássica de manter reserva total sobre assuntos do Estado. Hoje é consensual que Mark Felt só pode ter denunciado a traição presidencial de Nixon por uma razão. Para ele, militar e jurista, acabar com o saque da democracia americana era uma questão de honra. Pôr fim a uma presidência corrupta e totalitária era um imperativo constitucional. Felt começou a orientar em segredo os repórteres do Washington Post quando constatou que todo o aparelho de estado americano tinha sido capturado na teia tecida pela Casa Branca de Nixon e que, com as provas a serem destruídas, os assaltos ao multipartidarismo ficariam impunes. A única saída era delegar poder na opinião pública para forçar os vários ramos executivos a cumprir as suas obrigações constitucionais. Estamos a viver em Portugal momentos equiparáveis.Em tudo. Se os mecanismos judiciais ficarem entregues a si próprios, entre pulsões absurdamente garantisticas, infinitas possibilidades dilatórias que se acomodam nos seus meandros e as patéticas lutas de galos, os elementos de prova desaparecem ou são esquecidos. Os delitos ficam impunes e uma classe de prevaricadores calculistas perpetua-se no poder. Face a isto, há quem no sistema judicial esteja consciente destas falhas do Estado e, por uma questão de honra e dever, esteja a fazer chegar à opinião pública elementos concretos e sólidos sobre aquilo que, até aqui, só se sussurrava em surdinas cúmplices. E assim sabe-se o que dizem as escutas e o que dizem as gravações feitas com câmaras ocultas que registam pedidos de subornos colossais. Ficámos a conhecer as estratégias para amordaçar liberdades de informação com dinheiro do Estado. E sabemos tudo isto porque, felizmente, há gente de honra que o dá a conhecer. Por isso, eu confio no Procurador que mandou investigar as conversas de Vara com quem quer que fosse. Fê-lo porque achou que nelas haveria matéria de importância nacional. E há. Confio no Juiz que autorizou as escutas quando detectou indícios de que entre os contactos de Vara havia faces até aqui ocultas com comportamentos intoleráveis. E, infelizmente o digo, confio, sobretudo, em quem com toda a dignidade democrática e grande risco pessoal, tem tomado a difícil decisão de trazer ao conhecimento público indícios de infâmias que, de outro modo, ficariam impunes. A luta que empreenderam, pela rectificação de um sistema que a corrupção e o medo incapacitaram, é muito perigosa. Desejo-lhes boa sorte. Nesta fase, travam a batalha fundamental para a sobrevivência da democracia em Portugal. Têm que continuar a lutar. Até que a oposição cumpra o seu dever e faça cair este governo."

"A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) revelou hoje “expectativas positivas” antes de reunir com a tutela, manifestando-se confiante de que é possível estabelecer “num curto espaço de tempo” um novo modelo de avaliação de desempenho.
“Estamos com expectativas positivas e esperamos da parte do Ministério da Educação a compreensão de que se torna essencial eliminar os factores de perturbação que existem nas escolas”, afirmou o secretário-geral da FNE.
(...)“Acreditamos que é possível, com base na avaliação feita pela OCDE, Conselho Científico para a Avaliação de Professores e pareceres das organizações sindicais, estabelecer um novo modelo de avaliação de desempenho num curto espaço de tempo”, acrescentou, apontando para “30 a 60 dias”.
(...) Após reunir com a tutela, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, anunciou também que a ministra Isabel Alçada reconheceu a “prioridade” e “urgência” da revisão daqueles diplomas e reiterou aos sindicatos que “todas as matérias estão em aberto”.(...)

E não é que num dos momentos mais sobreaquecidos da luta dos professores e quando é consensual a queda dos titulares e do monstruoso modelo de avaliação, eis que a questão que consegue absorver o maior débito de caracteres e de consumo de neurónios é a estratosférica obtenção da menção de excelente ou de muito bom por parte de um reduzido número de professores através do "complex dois" que durou, em média, cerca de sete meses.
É, com toda a certeza, um caso impar na Europa - está bem, eu sei que é inaudito apenas na do centro e na do norte -.
Ninguém acreditaria que depois de quatro anos desastrosos para a escola pública, assistiríamos a um braço-de-ferro através da exponencial e sofisticada troca de argumentos para a solução de matéria tão tradutora do propalado rigor e do estímulo da meritocracia.
Não; não está ao alcance de um qualquer país.
"Pedro Duarte confessa que, se voltasse atrás, incluia a suspensão da avaliação no projecto entregue ao Parlamento.(...)"
"O Bloco de Esquerda deixou cair o projecto de lei que estabelecia um modelo integrado de avaliação das escolas e dos professores, por considerar inoportuna a sua votação quando sindicatos e Governo estão em negociações.(...)"
... aqui.

O PSD abandonou a ideia de suspensão do modelo de avaliação de professores rasgando o "Compromisso da Educação" que tinha assinado com os movimentos de professores, deixando com essa atitude desiludidos muitos dos que confiaram nesta "plataforma" dos partidos da oposição. Não vou, neste texto, discorrer sobre o que está a acontecer na luta dos professores e do poder democrático da escola, mas tentarei apenas invadir a esfera dos compromissos que não se cumprem e das fidelidades à ideia da escola pública de qualidade para todos.
Não gosto de advogar-me um estatuto de adivinho, mas escrevi antes das legislativas uns textos que não foram muito bem aceites pelos meus colegas resistentes, como por exemplo este, onde registei a minha impressão para a necessidade de se quebrar a nefasta lógica de arco-do-poder.
Pugnei por essa quebra, porque percebi que, com mais ou menos demagogia, era do lado de fora dessa ambiência que se encontrava uma resposta com rumo e significado para a encruzilhada em que se encontra o nosso sistema escolar. Bem sei que o discurso de Ana Drago, por exemplo, não cola com o eduquês que inunda o programa para a Educação do bloco e que as intervenções de alguns dos deputados da CDU estão emaranhados no muro de má burocracia que asfixia o ensino - esta organização responde às minutas com mais minutas, soluciona o excesso de má burocracia com excrescências de má burocracia, revela o mesmo afastamento das salas de aula e tem horror à supressão de procedimentos que é o único caminho que pode salvar o nosso sistema escolar -.
Sempre disse que a agenda do actual PS tinha tiques e inscrições miméticas em comparação com as dos seus parceiros do arco-do-poder e que era abençoada e estimulada pela cooperação estratégica com Belém. E mais: separa-me dessas organizações um princípio básico: é para mim inaceitável que se sustente a asserção "privatização de lucros e nacionalização de prejuízos" em qualquer área da governação, mas muito mais ainda na Educação básica - para já não referir a secundária e a superior como é máxima nas nações desenvolvidas -.
O PSD rasgou, sem qualquer convicção e com um exasperante oportunismo, este modelo de avaliação para caçar os votos dos resistentes e rasga agora o "Compromisso da Educação" para não perder o lumpen. Não adianta esperar transmutações de carácter, nem nas pessoas nem nas organizações: o genoma dos princípios é também infalível e nos momentos mais sobreaquecidos dá sempre sinal de si.
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. campanhas(6)
. campanhas eleitorais(44)
. ccc(5)
. ciência(4)
. cinema(89)
. circunstâncias pessoais(21)
. comemorações(3)
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