Em busca do pensamento livre.
Quinta-feira, 05.03.15

 

 

Andamos há uns sete anos a pagar a comprovada corrupção bancária (alemã incluída) e agora conclui-se o que é há muito denunciado? São uns cómicos. Já devem estar saciados. "A Europa está a pedir sacrifícios às pessoas para salvar bancos", diz o alemão Martin Shulz, e o Governo lusitano é dos mais fundamentalistas na expiação da culpa dos portugueses.

 

Para além disso, temos um rol de banqueiros (em tempos acima de qualquer suspeita) a contas com a justiça, um ex-primeiro-ministro em prisão preventiva e nem imaginamos o que se seguirá. E ainda há quem diga que é o povo quem espanta os investimentos?

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:05 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

O surrealismo, como corrente artística de vanguarda que definiria os caminhos do modernismo entre as duas grandes guerras do século XX, está vigente no liberalismo que comanda o país e a maioria das suas instituições. 

 

Ansiamos por uma saída para o estado em que vivemos e um olhar para o surrealismo ajudaria a reencontrar o caminho da modernidade, mesmo para os que atingiram um qualquer pico como é o caso da contenda entre Sócrates e Passos: "Sócrates acusa passos de "acto desprezível" que o deixa perto da miséria moral".

 

Ou seja, primeiro destrói-se e depois confessa-se. E aí voltamos à análise do surrealismo. A saída do estado surreal só se consegue com muita psicanálise. É bom recordar que a corrente de Sigmund Freud penetrava no inconsciente e isso influenciou decisivamente o surrealismo como actividade criativa.

 

Alguns surrealistas ligavam-se ao cubismo e isso explica uma série de fenómenos. As faces do cubismo justificam uma multiplicação contínua e surreal que se transporta para a actualidade e que é agora explicada pela rotação (spin) da mecânica quântica.

 

Já usei estes argumentos noutros posts.

 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:52 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 04.03.15

 

 

 

Bem sei que é exigente, mas é uma experiência interessante: quando opinamos sobre a detenção de um político da área adversária, devemos pensar que se trata de alguém da nossa; quando questionamos a acção de um juiz dirigida a um político, devemos considerar que o suspeito é alguém da corrente adversária.

 

Sei lá. É um bocado como naquelas discussões sobre a idoneidade dos dirigentes desportivos com provas dadas em ilegalidades, mas que sobrevivem por se tratar da justiça desportiva. Por exemplo: um portista pensa que Pinto da Costa é do Sporting e constrói o "veredicto". Resumamos a ideia: das disputas e da alteridade.

 

2ª edição.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 22:16 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:20 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 03.03.15

 

 

 

Um político português pode praticar "desvios" financeiros inferiores aos que se imagina praticados pelo ex-primeiro-ministro. De acordo com a nova-teoria-dos-passos, na nossa sociedade o limite financeiro é a única referência.

 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:38 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Oito anos depois da publicação, há mais uma lei do MEC a gerar confusão. É inacreditável o estado de sítio legislativo. E não é que a letra seja dúbia, a guerra aos professores assumida por Lurdes Rodrigues é que fez prevalecer o espírito persecutório. Só por isso é que há dúvidas na aplicação da redução da componente lectiva por idade.

 

Havia, naturalmente, professores com reduções antes de 2007 e a tal lei diz que devem obter mais 2 horas aos 50, outras duas aos 55 e mais quatro aos 60, sempre num limite de oito. Houve escolas que sim e outras que não. O tal espírito era também maioritário nas escolas, a coisa complicou-se e depois veio a troika com a malta do além. Há um dirigente do MEC, que se demitiu (ou foi) em 2014, que fez um parecer claro favorável aos professores logo desmentido por mais uma circular, esta de anteontem, da sua substituta (que até tinha dado esperanças à eterna pró-ordem e a um dos quinze sindicatos - os outros catorze estão em parte incerta -). Às tantas começaram a fazer contas a retroactivos e a novas contratações e deixaram para quem se seguir.

 

MECmiguel deve ter lido qualquer coisa do MECministério, digo eu, e fez a metáfora perfeita.

 

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Em Londres, quando fazemos uma queixa sobre uma coisa que nos foi servida, surripiam-na da mesa - sem olhar para ela - e substituem-na logo.

Num restaurante predilecto para os pequenos-almoços (o Fountain do Fortnum's) serviram-nos um chá em que flutuavam algumas cinzas. Queixei-me e o empregado nem pediu desculpa. Fingiu-se envergonhadíssimo e, passado um minuto, tinha chegado um bule com chá perfeito.

No Hotel Ritz de Londres (onde não se pode dizer, como disse Harold Pinter durante um ensaio de uma peça dele que ele encenava, que "não estamos no Ritz") apareceu-nos um jarrinho de leite cheio de bolhas de gordura. Mal protestámos chegava outro jarrinho cheio de leite perfeito.

Em ambos os casos fiz questão, como repórter intrépido que sou, de perguntar porque é que assim tinha sido. Explicaram-me logo, como se fosse óbvio (até porque era) que "it saves time and assumes the customer is always right".

Em Portugal, entretanto, mesmo nos melhores (ou mais caros, já que raramente coincidem) restaurantes, os empregados examinam e atrasam tudo, olhando para as queixas e opinando sobre elas: "Tem razão, o garfo está sujo" ou "Não, esta mancha no copo é por causa da máquina de lavar louça".

Seja como for, perde-se tempo e, sobretudo, põe-se em causa a queixa do cliente. Se o cliente (por muito enganado e paranóico que seja) acha que o copo está sujo, mais vale concordar com ele (ou ela) do que tentar provar, agressivamente, que não é assim.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 13:15 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Segunda-feira, 02.03.15

 

 

 

As três variáveis do antigo livro de ponto - sumários, faltas de alunos e de professores - têm de obedecer a outra filosofia de gestão na passagem do analógico para o digital. Provocar-se-á uma espécie de estropia se o pensamento analógico se sobrepuser na transferência e haverá produção de conhecimento e significativa melhoria da atmosfera organizacional se o pensamento digital for conhecedor da gestão da informação.

 

O sumário tem um valor didáctico e histórico e o pensamento analógico acrescentou-lhe um tempo de registo - momento de abertura e de conclusão, por exemplo - sem qualquer base docimológica. No pensamento digital, o tempo de registo deve ficar ao critério do professor e o sistema deve permitir o lançamento por WEB para não se circunscrever aos terminas da rede da instituição.

 

O registo de faltas de alunos e professores não tem qualquer relação com os sumários no pensamento digital. O pensamento analógico estabeleceu lógicas inversas para esse registo - o professor rubrica a sua presença enquanto em relação aos alunos apenas se regista a falta; os assistentes operacionais registam a falta do professor -.

 

O pensamento digital apenas regista faltas de professores e alunos; a presença é, obviamente, a consequência do não registo da falta. Os registos devem ser feitos em tempo de aula e em terminais da rede. O dos professores por um assistente operacional ou administrativo (pode  existir um sms automático ao professor) e o dos alunos pelo professor ou por um dos assistentes referidos.

 

Este pequeno exemplo pode ser extrapolado para dezenas de procedimentos que hiperburocratizam a vida deste tipo de organizações. Não basta mudar os instrumentos, é necessário pensar a filosofia de gestão.

 

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Domingo, 01.03.15

 

 

 

Peguei no primeiro caderno do Expresso (edição digital) e percebi que a semana deu alento ao espírito Bilderberg e que o jornal estava no registo folheto-em-campanha. Quando cheguei à página 04 passei para a revista antes de mudar de vez para a obra completa de Nuno Bragança.

 

Repare-se nesta seta alta. Este vale tudo é de bradar, realmente.

 

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O jornalismo comandado por Bilderberg omite que o presidente do CNE disse que cada chumbo é um aluno novo. Para além de tudo, esta corrente detesta que lhes digam que o principal problema do insucesso escolar está há muito identificado: "sociedade ausente para uma escola transbordante".

 

Limito-me a repetir:

 

"Há 150 mil reprovações por ano no básico e no secundário. Como o tribunal de contas diz que cada aluno custa 4 mil euros por ano, e como o presidente do CNE diz que cada reprovação é um aluno novo, as reprovações custam 600 milhões de euros", diz o jornalista.

Sinceramente, não me lembro de um tempo com tanta falácia na Educação.

Boa parte dos alunos que reprovam integram turmas que existiriam sem a sua frequência. É evidente que globalmente talvez se reduzissem algumas turmas, mas isso é sei lá o quê num país que tem que excesso de alunos por turma até nas que têm alunos com necessidades educativas especiais. Se acrescentarmos a estes achamentos a sentença de alguém da confederação de encarregados de Educação (os alunos só devem repetir as disciplinas em que reprovaram) então ficamos completamente esclarecidos sobre o conhecimento que paira sobre estes estudos.

Não vou discutir neste post a questão pedagógica, mas estas pessoas deviam fazer um estágio com presença em salas de aula numa escola escolhida pelos professores e com um regime sem reprovações.



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Sábado, 28.02.15

 

 

 

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Sexta-feira, 27.02.15

 

 

 

Mais uma vez a deputada Mariana Mortágua é incisiva no caso BES. Desta vez foi com Zeinal Bava que até demonstrou uma boa capacidade de encaixe ao ser confrontado com o "é um bocadinho amadorismo para quem ganhou tantos prémios". Mas é merecida a observação da deputada. Estamos todos cansados da "arrogância" das organizações que espremidas não passam do mais datado funcionalismo do século passado e, neste caso, com sérios prejuízos para o etário público. Mas o melhor é ver o vídeo.

 

 



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Quinta-feira, 26.02.15

 

 

 

"Há um exagero em muitas das pessoas que se queixam que cederam por causa da pressão", disse a especialista, não ouvi o nome, na TSF. O tema era o assédio nas relações de trabalho e a consequente "desculpa" para a fraqueza moral.  

 

Não é preciso ouvir uma especialista para comprovar a evidência. Os últimos anos do sistema escolar foram férteis. Quantas e quantas vezes (é uma lista mesmo interminável) não ouvimos o argumento da pressão, e da necessidade, para justificar o mais notado oportunismo? E como disse a especialista, este tipo de "fraquezas" são sempre, e a prazo, prejudiciais aos indivíduos que as praticam e vezes de mais aos grupos onde se inserem.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 19:56 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

Concordo com a ideia do CNE de eliminar a obrigação de tornar públicas as pautas de avaliação antes do sétimo ano de escolaridade, substituindo-a por informação individual a cada aluno e respectiva família. E não se deve circunscrever às pautas: deve aplicar-se a todas as avaliações e a quadros de valor e de mérito.

 

Ia a escrever que há muito que escrevo a defender estas ideias, mas não é verdade. Não é há muito porque os descomplexados competitivos criaram estes processos há pouco tempo e até julguei que esta espécie de "nova teoria do homúnculo" era impossível no século XXI.

 

Pode conhecer aqui e aqui alguns dos textos que escrevi sobre o assunto.

  

As ideias do CNE

 

Reavaliar provas do 4.º e 6.º ano.


Propõe ainda, entre várias outras medidas, que seja eliminada a obrigatoriedade de afixação pública das pautas de avaliação, uma prática "sem par nos restantes sistemas educativos, substituindo-as por "informação individual dirigida a cada aluno e respectiva família". Que seja reavaliada "a adequação das provas finais do 4.º e 6.º anos aos objectivos de aprendizagem dos ciclos que encerram, bem como rever as suas condições de realização". Actualmente são feitas ainda no decorrer do ano lectivo, o que traz "enormes constrangimentos ao funcionamento das escolas, para além de determinarem alterações nos processos de leccionação".

 

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Quarta-feira, 25.02.15

 

 

 

 

A guerra aos professores, confessada por António Costa do PS, foi declarada em 2006 e prossegue. Tem tido picos. Nuno Crato perpetrou o mais elevado e sairá ao nível de Lurdes Rodrigues.

 

Do primeiro dia de aulas de 2006/07 até ontem, leccionei 2976 aulas a 1176 alunos (não contabilizei as inúmeras substituições).

 

Como sou sempre o primeiro a chegar à aula (e com os alunos da puberdade a preparação do espaço nos intervalos, se existirem, ajuda muito) e o último a sair (na minha disciplina a eficiência tem, desde sempre e também nestes mais de 30 anos de professor, uma relação directa com a eficácia e não é uma qualquer epifania tardia), organizei 94310 minutos e meio da actividades lectivas como tempo potencial de aprendizagem. Durante esse tempo, seleccionei exercícios critério das seguintes unidades didácticas: atletismo (872), basquetebol (1213), dança moderna (24), exploração da natureza (22), futebol (979), ginástica (2051), jogos pré-desportivos com inclusão do andebol e do badminton (570), natação (55) e voleibol (950).

 

Estou a obter informação num software que criei para a gestão das aulas e para a avaliação dos alunos.

 

Os relatórios ficam à distância de um clique e da necessidade de informação para apoio à tomada de decisões. Podia divulgar as notas que dei, o tempo dos exercícios critério de cada unidade didáctica, o número de raparigas e rapazes, os anos de nascimento e por aí fora. Não estou a usar folhas excel nem calculadoras. É quase uma década com lançamento de dados em todas as aulas.

 

E é interessante olhar para o que é que os atacantes dos professores fizeram nos domínios da organização e da gestão escolar nesse período. Era importante que esses beligerantes prestassem contas no domínio da eliminação da hiperburocratização, analógica e digital, com que inundaram as escolas e que não tergiversassem com simulações de autonomia no regime mais do mesmo desta vez disfarçada de municipalização rumo à sacrossanta privatização. Aliás, há três certezas sobre o desempenho do mainstream: parou no século passado, é avesso a procedimentos que dão mesmo trabalho e que produzem conhecimento e lançou o país no estado em que estamos.

 

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Parte do layout do sumário dos projectos de aula - base de dados construída em filemaker. 



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Terça-feira, 24.02.15

 

 

 

"Há 150 mil reprovações por ano no básico e no secundário. Como o tribunal de contas diz que cada aluno custa 4 mil euros por ano, e como o presidente do CNE diz que cada reprovação é um aluno novo, as reprovações custam 600 milhões de euros", diz o jornalista.

 

Sinceramente, não me lembro de um tempo com tanta falácia na Educação. É mais um descaramento do discurso do "mais com menos". Até acho que chegaram lá a partir do seguinte algoritmo: se num concelho reprovam mil, se cada escola tem mil, podemos fechar uma escola e poupar 10 milhões.

 

Cada reprovação é um aluno novo? Francamente.

 

Boa parte dos alunos que reprovam integram turmas que existiriam sem a sua frequência. É evidente que globalmente talvez se reduzissem algumas turmas, mas isso é sei lá o quê num país que tem que excesso de alunos por turma até nas que têm alunos com necessidades educativas especiais. Se acrescentarmos a estes achamentos a sentença de alguém da confederação de encarregados de Educação (os alunos só devem repetir as disciplinas em que reprovaram) então ficamos completamente esclarecidos sobre o conhecimento que paira sobre estes estudos.

 

Não vou discutir neste post a questão pedagógica, mas estas pessoas deviam fazer um estágio com presença em salas de aula numa escola escolhida pelos professores e com um regime sem reprovações.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:04 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

Está a ter alguma mediatização a bloqueada redução, através da idade combinada com o tempo de serviço, da componente lectiva dos professores. Estamos em presença de uma deriva legal que começou a ser praticada em 2008 (a lei é de 2007) quando o Governo de então promovia uma guerra aos isolados professores (palavras de António Costa) e a sociedade lusa aplaudia. Claro que os professores grisalhos eram o alvo a abater e o nivelamento por baixo a regra. Seguiu-se a malta além da troika e a linha de água imergiu de vez.

 

Como em todas as florestas ou selvas, há árvores no sistema escolar que estão desde o início a remar contra a maré. Só que também há os eucaliptos (nos salões e corredores lisboetas acotovelam-se), normalmente, e há muito, sem sala de aula ou com a esperança de que já lá não regressem, que acham que pagam os salários dos professores e que vêem na letra da lei um espírito eternamente jovem e implacável: professor idoso é mais preguiçoso do que laborioso. É até célebre aquele eucalipto que telefonou para o MEC a perguntar o lado do selo branco e sobre esta lei deve ter repetido a busca de sapiência; quem o conhecia afirmava que para as golpadas tinha sempre resposta expedita.

 

Pelo descrito, criaram-se as condições para que a lei das reduções fosse troikada. O que era e é claro (2 horas de redução (ou mais duas) aos 50 anos de idade e 15 anos de serviço; mais 2 horas de redução aos 55 anos de idade e 20 anos de serviço; mais 4 horas de redução aos 60 anos de idade e 25 anos de serviço; e isto independente das horas de redução consideradas antes de 2007 e sempre no limite de oito) tornou-se numa vã glória de mandar num sistema escolar mergulhado na selva da desesperança e que moveu uma assumida guerra aos seus professores com o contributo de demasiados eucaliptos: ignorou-se a acumulação com o "e isto independente das horas de redução consideradas antes de 2007 e sempre no limite de oito".

 

Nota: deve sublinhar-se que existem escolas que cumpriram a lei. 

 

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Segunda-feira, 23.02.15

 

 

 

Se há herança que remonta, no mínimo, há ditadura do século passado é o medo de existir e de expressar uma opinião contrária ao poder vigente.

 

Na história recente prevaleceu, custe o que custar a admitir, a escola de Cavaco Silva. O não à política, o não à ideologia, o apontar de dedo aos adversários como "os políticos" ou "os revolucionários" fez uma escola recheada, essa sim, de fanatismo ideológico disfarçado de servilismo, cheia de oportunismo e de preconceitos, de "sem-face" e de silenciosas campanhas de bastidores. Não raramente, os "cavaquistas" assegurariam a virtude nos trajes mais cinzentos, o mais do mesmo em respeito à ordem e ao bom nome, as contas "certas" na defesa dos desfavorecidos e, acima de tudo, não fariam ondas em nome do pragmatismo e da obediência às hierarquias. É o que se vê, realmente.



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Domingo, 22.02.15

 

 

 

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O Governo está em pânico com as próximas eleições e com o julgamento histórico; é coerente. Começou além da troika e preparava-se para a aura da salvação. A resolução dos problemas imediatos dos bancos alemães e o sucesso eleitoral do Syriza, e tudo aquilo que mais tarde se venha a saber, inverteram a história e os possíveis votos. Nesta fase, é escusado falar ao Governo de interesse nacional: a tragédia associada a um erro histórico monumental, já denunciado por Gaspar, desorientaria qualquer um.

 

O efeito eleitoral PASOK e Nova Democracia paira de tal forma que até o indizível Marcelo R. Sousa classificou Varoufakis como um artista da bola. Para além da diminuição do conceito "artista", o candidato gosta de discutir a esse nível e o conhecido frenesi tira-lhe a compostura. Talvez nem saiba que tem muito a aprender com Varoufakis, desde logo a educação com que Varoufakis tratou Maria Luís que também terá muito a aprender com Varoufakis (assim mesmo, repetido quatro vezes no mesmo parágrafo).



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 22:35 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 21.02.15

 

 

 

 

Se aceita o desafio, estude o exemplo que pode ler mais à frente e apresente-o como solução para as duas décadas de reformas estonteantes que flagelaram o sistema escolar.

 

Foi Confúcio quem disse mais ou menos o seguinte: "não sou um homem culto, apenas descobri o fio à meada". Cite-o, fica-lhe bem já que o pensador está em alta nas terras do mandarim, a propósito do emaranhado em que se afundou a discussão educativa em Portugal: municipalização, descentralização, desconcentração, autonomia, rankings, privatização, ensino cooperativo e afins.

 

E acrescente António Nóvoa: "à sociedade o que é da sociedade e à escola o que é da escola; chega da escola transbordante". Os municípios, por exemplo, devem ser avaliados pelo número de munícipes subnutridos, que abandonam a escola cedo ou que não conseguem acompanhar as aulas.

 

Diga ainda que se deve devolver a escola aos seus profissionais que, com os representantes dos encarregados de educação, devem eleger um conselho directivo. O MEC deve ter um quadro orgânico sem tachos e depurado para o essencial (tratar dos programas e dos exames nacionais, da gestão orçamental, da organização da rede escolar, da simplificação dos procedimentos administrativos, da organização da rede de formação científica dos docentes e dos programas de avaliação externa das escolas de acordo com princípios modernos de gestão da informação).

 

O (prometido) exemplo que pode ler a seguir teve uma 1ª edição em 29 de Janeiro de 2009 na sequência de mais um relatório OCDE encomendado. Sei que é ousado apontar o exemplo como fio à meada. Sei que é também ousado certificar alguém como especialista instantâneo. Há uns anos li todos os livrinhos (filosofia, música, arte moderna, economia, sexo e ciência) que o Público editou advogando a imediata especialização e não dei o tempo por perdido.

 

 

Relatório.

Auditoria externa às escolas portuguesas promovida pelo seu moderno ministério da Educação.

Dimensão: organização e gestão escolar.

Domínio: sistemas de informação.

Indicador: registo das faltas dos professores.

 

Informação obtida:

 

  • Escola A: um professor falta: o auxiliar de acção educativa (AAE) do respectivo bloco lança a ocorrência no mapa 3354.doc; o chefe dos AAE lança as ocorrências diárias verificadas em todos os blocos no mapa 3355.doc; a assistente administrava do sector de pessoal lança o produto das ocorrências semanais no mapa 3356.doc; a tesoureira lança o produto das ocorrências mensais na base de dados de pessoal e vencimentos (bdpv.xls).
  • Escola B: um professor falta: o AAE do respectivo bloco lança a ocorrência, utilizando um dos terminais da rede informática, na base de dados de pessoal e vencimentos; o sistema notifica o professor respectivo.

 

Descritores com a respectiva pontuação (optou-se por lista de verificação): 

  • mapa 3354.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3354.doc não preenchido - 0 pontos;
  • mapa 3355.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3355.doc não preenchido - 0 pontos;
  • mapa 3356.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3356.doc não preenchido - 0 pontos

 

Somatório neste indicador a inserir no ranking das escolas de boas práticas:

  • escola A - 30 pontos;
  • escola B - 00 pontos.

 

Recomendação

a observação registada na "Escola A" deve constar do relatório OCDE2.pt na mesma rubrica em que o relatório OCDE1.pt refere o seguinte:

 

"As principais alavancas do processo, tais como a Ministra e os Directores Regionais, não são funcionários públicos independentes, mas políticos nomeados e sintonizados com os objectivos da política governamental. São apoiados por serviços de dados actualizados ao minuto, que permitem uma tomada de decisão inteligente e bem informada."

 

 

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Caricatura sem mácula de Confúcio, como convém.

 

 



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Sexta-feira, 20.02.15

 

 

 

 

A crise humanitária portuguesa não é tão grave como a grega porque existe o tribunal constitucional. O Governo português, "inspirado" pelo fanatismo da destruição criadora, não pensou no país e agora envergonha-nos. Esta conclusão só pode ser considerada "uma espuma dos dias" por quem viva na estratosfera ou tenha sido picado pelo império do mal.

 

Quando hoje se lê que "em Atenas se diz que Portugal e Espanha foram os que mais dificultaram o acordo", acertaremos de novo se concluirmos: para além do radicalismo ideológico, temos dois governos apavorados com as próximas eleições.

 

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Quinta-feira, 19.02.15

 

 

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A Filipa recebeu hoje, na Academia das Ciências de Lisboa, a 1ª edição do prestigiante prémio Prof. Abreu Faro destinado a alunos dos programas doutorais do Instituto Superior Técnico nas áreas de electrotécnica e computadores, informática, física e matemática e que concluíram o doutoramento no biénio 2013/14 com a classificação máxima.

 

Foi uma cerimónia belíssima e cheia de significado.

 

"O Prémio Professor Abreu Faro é instituído pelo IST sob proposta do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores (DEEC), com o apoio do Departamento de Engenharia Informática (DEI), do Departamento de Física (DF) e do Departamento de Matemática (DM). Tem por objectivo distinguir os melhores alunos de Doutoramento nas áreas das Telecomunicações, Electrónica e Computadores, para cujo desenvolvimento em Portugal o Prof. Abreu Faro deu um contributo decisivo, homenageando-se e perpetuando-se assim a memória deste grande Homem da Ciência.

O prémio é atribuído pelo IST em períodos de 2 anos, compreendendo um diploma e um valor pecuniário a fixar no ano da atribuição. A 1ª edição do prémio é apoiada pela ANACOM e foi entregue no dia 19 de Fevereiro de 2015, durante uma Sessão Académica de Elogio Histórico na Academia das Ciências de Lisboa."

 

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"(...)Creio que a mediocridade se mede pela ausência de princípios éticos, e as pessoas que fazem uma carreira na ciência, na indústria, no comércio, nas letras, na função pública e que são bem formadas têm alguma dificuldade em aceitar, por um lado, o servilismo em relação aos partidos, por outro lado, o maquiavelismo e o oportunismo a que as máquinas partidárias dão ensejo.(...)

 

O que acabou de ler é uma das faces do prolongamento da "Nova teoria do mal" de Miguel Real que encontra, na edição do Público de hoje, em forma de entrevista.

 

A visão maniqueísta consolidou-se e ainda há dias ouvi Mariano Gago contrapôr, com absoluta mágoa, a necessidade do bem se impôr ao mal. Para o ex-ministro (mais ou menos, claro), quando o bem desafia o mal no seu reduto, todos começamos por sofrer com as consequências; mas com o tempo, a força moral do bem sobrepõe-se às circunstâncias.

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"Aos 61 anos, o filósofo, ensaísta e romancista Miguel Real lança mais um romance. Agora, em vez de ficcionar sobre a actualidade ou sobre a história, constrói uma utopia ficcional em que projecta o futuro: O Último Europeu, Edições D. Quixote.(...)

E a classe política?

(...)A classe política foi tomada de assalto, sobretudo a governação, por um conjunto de funcionários das jotas que foram servilmente subindo degrau a degrau, limpando tudo em redor como os eucaliptos, até ao momento em que não há alternativa dentro dos partidos. As possíveis grandes alternativas, as alternativas de mérito fogem para a sua profissão, para a ciência, para as artes, para o comércio, para a economia, para as finanças.

Vivemos em democracia?

Há vários tipos de democracia. Do ponto de vista formal não podemos negar que há democracia, nos grandes princípios da Europa a democracia cumpre-se: há alternativas, há alternâncias, há possibilidade de contestação, há liberdade de expressão, de reunião, de manifestação, tudo isso é muito importante. Quem viveu antes do 25 de Abril não pode negar que este é o melhor regime.(...)

Há excepções?

(...)Agostinho da Silva contava uma história da serra da Malcata, onde na década de 1960 havia cinco famílias num povoado. Três dessas famílias emigraram, sem saber a língua, com os costumes rurais que tinham, a mentalidade da Nossa Senhora de Fátima, mas tiveram a ousadia e a coragem de ir a salto para a Alemanha e a França. Quando mais tarde regressaram triunfantes, com uma família, um carro, uma casa, quem dominava a aldeia? Os que não tinham tido a coragem de partir. Dominavam a sacristia, o minimercado, a serração da madeira e também a junta de freguesia. Portugal é um pouco isso. As elites corajosas e ousadas são as que partem. Ficam cá, em parte pois não quero generalizar, os que não têm coragem de partir, ou seja, não têm coragem de inovar. A elite portuguesa reflecte hoje isso.

No actual relativismo ético, idolatra-se o dinheiro e o consumo. Vivemos uma regressão civilizacional e estamos a voltar a um mundo mais desigual?

Socialmente mais desigual, inevitavelmente estamos. A Europa transformou-se numa empresa de negócios, uma grande empresa. As nações, os países são os sócios dessa empresa. A empresa fez-se para trocar, vender, comprar.(...)



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 17:34 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

A maioria que governa em Portugal foi apanhada do lado errado da história. Para compreender o recente fatalismo português, temos de considerar que os governos deste milénio inclinaram o plano e que o actual cavalgou uma onda sufragada por eleitores que teimaram em não perceber que a ideologia se confundia com a corrupção. É até um mistério como há tanta gente que empobrece e continua a defender tenazmente o enriquecimento ilícito. Não há arrependimento possível, como se pode ler em mais um muito bom artigo de opinião.

 

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"(...)Razão tinha o malogrado ex-presidente do Bundesbank, Karl-Otto Pöhl, quando em maio de 2010 acusou o resgate da Grécia de não ter em consideração nem o interesse do povo grego nem o da Europa, destinando-se apenas "a salvar bancos [alemães e franceses] e os gregos mais ricos" (Der Spiegel, 18-05-2010). O que parece iminente é mais do que pecado. Uma ofensa contra a humanidade, cuja reparação exigirá algo mais do que o tribunal da história."



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 16:40 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:12 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 18.02.15

 

 

 

Essa coisa da comercialização de bases de dados com endereços electrónicos provoca lixo sem fim e já nem há pruridos. É um vale tudo. Há uns 200 emails diários que vão parar à pasta dos indesejados e que nem lhes toco. Há pouco, o mais recente, vinha de um Óscar dirigido a jornalistas para divulgação. Abri-o. Como não sou jornalista, fica o email com a solicitação em título.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 17:43 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

A actual maioria, e de resto o arco dos poderes europeus no que levamos de milénio, fez o que estava ao alcance, e até para lá disso, para diminuir o estado social e favorecer os tais um por cento que não param de se endinheirar (claro que há uns quantos que caíram em desgraça). É factual e não adiantam meias-palavras: puseram-se do lado mais neoliberal que escolheu a Europa como alvo primeiro.

 

O sistema de saúde está em estado-de-falhas-graves-diárias. É uma espécie de estado de sítio. Ontem foram os directores do Hospital Amadora-Sintra que se demitiram.

 

É evidente que a Educação não apresenta casos tão dramáticos. Mas os cortes a eito (curriculares, mais alunos por turma e aumento dos horários dos professores) associados ao empobrecimento, e ao desinvestimento nas escolas "não-parque-escolar", fazem-se sentir e recordam um passado que se julgava distante. Dá ideia que se nada acontecer, o plano inclinado do sistema escolar chegará também a números negativos.

 

Houve, no que levamos de inverno, salas de aula, e outros espaços lectivos, com um clima impossível, pavilhões desportivos gelados e gabinetes de "trabalho" com temperaturas negativas. Um professor, mesmo que bem agasalhado, que passasse noventa minutos num gabinete assim, sabia que tinha uma forte probabilidade de adoecer. Se isso acontecesse, se fosse ao médico e se este "exigisse" uma baixa, os três primeiros dias seriam sem salário.

 

Há professores com a carreira congelada há mais de uma década, em que as famílias não aguentam mais cortes financeiros e que se apresentaram ao serviço em estado febril e com outros sintomas gripais graves. Bem sei que este discurso não parece bem num país do euro, mas a realidade é ainda mais crua do o que o que acabou de ler; bastava relatar histórias de actores de outros grupos do sistema escolar.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 17.02.15

 

 

 

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Estou há onze anos na blogosfera e a experiência permite que consuma menos tempo nas tarefas rotineiras.

 

Por exemplo, raramente desligo o computador caseiro e mantenho abertas as janelas da gestão do blogue, do email, dos blogues que sigo (com uma excepção em que gosto de clicar sempre que lá vou), de dois ou três jornais online, do twitter, do facebook e de algumas aplicações como o filemaker ou o word (nestes casos é uma espécie de since 1990 integrada nos startup items). O sistema operativo sinaliza novas mensagens ou entradas, quando chego não perco tempo a abrir aplicações e janelas e conheço o essencial de modo mais célere.

 

Como a insolência da ignorância não tem limites, o que era de todo impensável acontece: perfis como o acima descrito são usados "oficialmente" para tentar menorizar candidaturas públicas apontando-lhes o tempo de presença nas redes sociais. A coisa agrava-se quando essas campanhas "oficiais" incluem outras práticas do mesmo nível: coisas risíveis do género da pastelaria em que o candidato lancha ou toma café e por aí fora. Bem sei que este registo escapa ao habitual, mas é só porque é carnaval. 

 



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É notório o receio europeu, do poder vigente, obviamente, com a possível sensatez do fenómeno Syriza.

 

Olhando para o que aconteceu na Grécia com o arco do poder, os poderes governativos europeus temem o esvaziamento eleitoral. Seria uma espécie de dominó: sempre que havia uma eleição, a contagem imediata apontava a queda do mainstream que se colocou do lado neoliberal e que favoreceu, de modo inédito na história conhecida, os tais um por cento. Só um detalhe fundamental: o Syriza afirmou-se sem cedências ao arco governativo e isso torna o fenómeno ainda mais "assustador".

 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:26 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 16.02.15

 

 

 

 

 

Se há um dado novo nas sociedades europeias do centro e do sul é a ideia de que é preciso agir. O protesto é fundamental, mas é insuficiente. Necessita de se associar a ideias de "como fazer" e a programas inovadores, fundamentados e competentes. O mainstream deve estremecer e, no mínimo, carregar o seu legado. É fundamental desmontar as oligarquias que capturaram as democracias; não se trata de as substituir. Há muito que se percebeu isso, mas apenas uma minoria deu corpo ao imperativo.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 11:38 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 15.02.15

 

 

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"A Grécia apanhou a Europa de surpresa em 2009 e continua a surpreendê-la. Historiadores, economistas e politólogos gregos sempre aconselharam os responsáveis europeus a conhecer um pouco melhor a História grega contemporânea. A questão da dívida ocupa quase toda a cena.

Mas a dívida é uma manifestação, não a raiz do problema. Para os historiadores, o "problema grego" não é económico mas político — diz respeito ao funcionamento do Estado. A questão não está nos gregos mas nas instituições. A reforma do Estado e da economia é o nó do problema.

O "sistema grego"
O "sistema grego" remonta ao século XIX. A Grécia emancipou-se do Império Otomano em 1829 e o novo Estado começou a ser criado por altos funcionários alemães que acompanhavam o primeiro rei, o príncipe Otão da Baviera. Foi imposto um modelo centralizador contra as resistências de uma sociedade que vivia num quadro político, institucional e cultural otomano.

"A construção prosseguiu dificilmente ao longo dos séculos XIX e XX, com avanços e recuos", resume George Prevelakis, especialista da geopolítica balcânica e embaixador na OCDE. "Para obter a aceitação das populações rurais e reprimir a sua recusa da modernidade política importada, o poder serviu-se do aparelho de Estado não apenas como instrumento de repressão mas como sistema de distribuição de uma espécie de renda ou tributo. A principal moeda de troca foi o emprego pelo Estado. Um lugar na administração traduzia-se num primeiro tempo pela submissão e, a seguir, em votos."

Este é o "pacto fundador" que, em grande parte, determinou os estigmas políticos e sociais da Grécia. A fuga ao fisco tornou-se em muitos casos numa prática "legal": a Igreja Ortodoxa, o maior proprietário do país, ou os grandes armadores estão constitucionalmente isentos. As profissões liberais estavam tacitamente isentas e passaram a protestar contra a "perseguição fiscal" imposta pela troika. "Se a Grécia tivesse um efectivo sistema fiscal, nos padrões da zona euro, a receita duplicaria", concluía em 2012 o economista Kostas Vergopoulos.

Para poder distribuir uma renda a um grande número de clientes, a elite política tinha de encontrar fontes de financiamento. Para manter um Estado pletórico era necessário sobrecarregar fiscalmente a economia que, em troca, desenvolveu uma cultura de fraude fiscal.

"Nunca sendo suficientes as receitas, foi necessário olhar para o estrangeiro, ontem para a Europa e os Estados Unidos, hoje para a Rússia e a China", anota Prevelakis. "As elites gregas aprenderam a explorar os sentimentos de simpatia para com a Grécia, assim como a situação geoestratégica do país para obter financiamento estrangeiro."

Nos últimos 40 anos, os dois grandes partidos, o Pasok, do clã Papandreou, e os conservadores da Nova Democracia reorganizaram em larga escala as redes de patrocínio. Andreas Papandreou, no poder após 1981, construiu um "socialismo a crédito", escreve o historiador Nicolas Bloudanis. Impôs-se politicamente pela capacidade de arrancar fundos europeus para alargar a sua base clientelar. "Mas não é o único responsável: a direita é tão estatista como o Pasok. A classe política grega sempre confundiu dramaticamente rendimento e empréstimos."

Ao clientelismo somam-se os privilégios corporativos de centenas de grupos sociais e económicos fechados — dos advogados aos camionistas — tal como uma miríade de taxas e isenções em benefício de grupos particulares. É uma "cadeia de direitos adquiridos" que modela e atravessa a sociedade.

Além da austeridade, a Grécia comprometeu-se a fazer uma reforma integral da sua máquina administrativa e da economia. Mas a maioria das medidas foram bloqueadas por poderosos grupos de interesses.

Leszek Balcerowitz, que dirigiu as reformas da transição na Polónia nos anos 1990, fez um apelo à UE sobre a crise grega: "Ser flexível na dívida mas intransigente nas reformas". Não o "perdão" da dívida que Tsipras pede mas uma maior flexibilidade na reestruturação. A mensagem seria "premiar as reformas não o populismo económico" e incentivar o crescimento — não pensando apenas na Grécia mas em países como Portugal, Espanha, Itália ou França. A confusão entre reformas e austeridade é perversa. As reformas não sacrificam a generalidade da população, apenas os interesses instalados.

 

Tsipras e o nacionalismo.


A vitória do Syriza significou o desmoronamento do velho sistema bipartidário. Para onde vai a Grécia de Tsipras?"

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 17:29 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

  

A criação de novas disciplinas que há uns tempos, e a propósito da autonomia das escolas, preencheu a agenda mediática voltará em forma de municipalização. O atrevimento esbarra no que referi aqui.

 

Recordemos: Nuno Crato sugeriu a disciplina de mapeamento digital que só podia nascer à custa da geografia ou de horas curriculares existentes noutras disciplinas. Mas o melhor é ver o vídeo e certificar as convicções do ministro e pensar na festa que virá por aí.

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 11:48 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 14.02.15

 

 

 

 

É inadmissível a privatização de lucros em instituições escolares financiadas pelo orçamento de Estado. É uma impossibilidade em países ricos e torna-se sei lá o quê em países empobrecidos. Há sociedades onde a "ideia de inadmissibilidade" se estende ao ensino superior e inclui os privados que se financiam nas propinas dos alunos.

 

Em Portugal tem sido o que se sabe e dá ideia que o próximo ano eleitoral agendará a discussão da organização do sistema escolar omitindo a história, até a mais recente. Privatização, municipalização, desconcentração, descentralização e autonomia serão temas em debate com contornos e desequilíbrios que dificultarão um qualquer regresso à sensatez e à comprovação, teórica e empírica, dos insucessos "no modelo sueco".

 

Podemos discutir formas de acrescentar mobilização e cooperação a um sistema desesperançado, mas teremos maus resultados se insistirmos na ideia de que o sacrossanto mercado justifica a privatização de lucros no ensino não superior financiado pelo orçamento de Estado. Será pior se colocarmos a rede escolar e a gestão das escolas ainda mais expostas às competências do poder local. E esta elementar conclusão não se deve misturar na discussão sobre as liberdades: de ensinar, de aprender e de escolha curricular.

 

 

 Já usei estes argumentos noutro post.

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 11:48 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 13.02.15

 

 

 

Tem a sua piada ouvir a unanimidade dos residentes da quadratura do círculo da SICN: o Syriza obrigou a Europa a considerar as dívidas soberanas como um problema comum e a abandonar a tese dos despesistas do Sul.

 

Era bom ouvir uma quadratura de 2014, por exemplo. Dominava o registo dos fantasmas, do fim do mundo, da revolução dos descamisados e por aí fora. Ficaríamos boquiabertos com a mudança. Não se trata de um recuo negocial ou estratégico, é um verdadeiro flic à retaguarda. Esta constatação já é suficiente para reconhecer o valor histórico inalienável dos méritos da opção grega.

 

 

 

 

 



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Quinta-feira, 12.02.15

 

 

 

 

Há muito que se percebeu, pelo menos desde a viragem do milénio: a rede escolar "caminha" para um mega-agrupamento por concelho (com excepções nas zonas metropolitanas) e a consecução não estará tão longe como se imaginava; os "tresloucados" passam o testemunho. O argumento da melhor gestão de recursos é apenas desconhecimento. Os extintos CAE´s, por exemplo, fariam isso até com mais escala e não era necessário terraplenar as escolas públicas. A massa crítica docente não fez o que devia para evitar o anunciado, e já comprovado, desmiolo e os mentores dos privados-encostados-ao-estado vão andando pelos bastidores a prepararem uma nova ofensiva, que designam por municipalização, ao orçamento de Estado.

 

Não é avisado realizar tudo isto com os instrumentos legais em vigor, uma vez que a gestão de proximidade, e a consequente liderança, é um factor inalienável da gestão escolar. Haverá mudanças com o reforço do pior da política partidária que já se conhece.

 

Estão em causa algumas variáveis: a desconcentração do MEC e a sua lei orgânica, a municipalização (descentralizada) do sistema escolar e o modelo de gestão escolar que foi pensado para uma escola não agrupada e que é mais desconcentrado (com forte dependência do poder central) do que descentralizado. As redes escolares, e as análises e diagnósticos, vão dar mais sinais de que a sucessão de disparates cria o hábito.

 

 

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"Nuno Crato, Poiares Maduro e os autarcas experimentalistas trataram a Educação como se fosse uma grande rotunda e os professores como pacientes sujeitos a raio X: quietinhos, não respirem, já está!(...)"

 

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:52 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 11.02.15

 

 

 

 

Há mais de duas décadas que me impressionam os apelos à mobilidade sem fim das pessoas. Sem esquecer que a aldeia deve ser global, a pena do genial escritor toca no humanamente essencial.

 

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Gonçalo M. Tavares (2014:28). "Os velhos também querem viver". Caminho. Lisboa.

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 22:21 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

O Governo foi para além da troika, acreditou numa destruição criadora e promoveu políticas de desigualdade que protegeram os mais ricos (os tais 1%). É factual, foi "assumido" pelos próprios numa lógica arrepiante de serventia à malta dos salões e da alta finança que tem da ética e da democracia uma visão longínqua.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:26 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 10.02.15

 

 

 

 

Quando se tratava de apontar os professores e os funcionários públicos como os primeiros responsáveis pelo desastre financeiro, havia uns movimentos do género "Compromisso Portugal" que tinham aparição diária e que indicavam o caminho da salvação. Os modelos empresariais de sucesso - dos homens providenciais - exemplificados por Salgado do BES, Rendeiro do BPP, Jardim do BCP ou Costa do BPN eram as receitas do fim da história. Tudo em nome de Portugal e da avaliação meritocrática dos funcionários públicos.

 

As perguntas impõem-se: o que é feito dessa malta tão elevada? Estão tão silenciosos e desmobilizados porquê? Então e o país? Já cortaram uns 40.000 professores, mais uns milhares de milhões em impostos, salários e subsídios, e a dívida continua a subir? Quem é feito do discurso dos comentadores alinhados com estas correntes, como Gomes Ferreira, Nogueira Leite, Medina Carreira ou Camilo Lourenço? Não dizem nada sobre este estrondoso sucesso empresarial?

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 19:16 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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Discordâncias:
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