Em busca do pensamento livre.
Segunda-feira, 05.12.16

 

 

 

O DN diz que o "Ministério queria injetar sangue novo nas escolas, mas não tem como fazê-lo" por questões financeiras. É um assunto discutível e com muitas variáveis. Repito o que tenho escrito: há uma legião de professores em burnout. Basta olhar para os números (mais de 40% dos professores tem mais de 50 anos de idade) e conhecer horários e a generalidade das burocracias. Pelos vistos, nada vai acontecer brevemente. Há, desde logo, inutilidades horárias e burocracia cuja eliminação reduzia a despesa.

Captura de Tela 2016-12-05 às 16.45.25



publicado por paulo prudêncio às 16:45 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 04.12.16

 

 

 

A alteração das regras para aposentação associada aos aumentos nos horários e na burocracia, exige que uma legião de professores tenha um único objectivo para salvar a dignidade mínima: que as aulas não se afastem muito da qualidade do período áureo da energia. As profissões exigentes são assim e só quem nunca passou uns anos numa sala de aula é que confundirá o que escrevi com corporativismo.

 

15738915_cDNYQ

 



publicado por paulo prudêncio às 16:40 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

1093331

Cópia de 1093331

Luís Afonso

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:08 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 03.12.16

 

 

 

As universidades e os politécnicos devem organizar o acesso ao ensino superior. O ensino secundário, para além de obrigatório, deve certificar o fim de um ciclo de estudos. É uma mudança difícil, mas ficaremos com mais sociedade e melhor escola e com crianças com mais tempo para brincar. O regime actual estimula, por incrível que pareça e desde os seis anos de idade, muitos trabalhos de casa, muitos exames, muitas explicações, quadros de honra nos primeiros ciclos de escolaridade e ocupação total do tempo em instituições. Para além, como se sabe, das componentes críticas do ensino secundário vigente. Não há regimes de acesso perfeitos, mas o existente provoca, e há muito, consequências negativas directas e indirectas.

 

mafalda-2

 



publicado por paulo prudêncio às 11:48 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 02.12.16

 

 

 

Aprecio cartoons. Michael Sandel, um importante filósofo vivo e autor de "O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados" e "Justiça - fazemos o que devemos?", considerará interessante reflectir sobre esta forma de medir povos e eleitores.

 

18323936_YgMDe

 



publicado por paulo prudêncio às 16:47 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 01.12.16

 

 

 

"A vegetariana" de Han Kang é o meu livro de 2016, mesmo que outro me surpreenda no que resta do ano. Numa conservadora atmosfera sul-coreana, Yeong-hye, "uma mulher absolutamente normal, que não era bonita nem feia, que fazia as coisas sem entusiasmo de maior, mas que nunca reclamava, e que deixava o marido viver a sua vida sem sobressaltos como ele sempre gostara", deixou, no dia em que teve um pesadelo terrível, de comer carne; e de a cozinhar. Provocou uma revolução relacional dentro e fora de casa. Terminou classificada como louca, como um qualquer Giordano Bruno. É um romance tão inesquecível que merece um segundo post.

 

29732538183_a47dc17c94

 



publicado por paulo prudêncio às 20:52 | link do post | comentar | partilhar

 

 

Os Pastores e o Rebanho

 



publicado por paulo prudêncio às 17:10 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 30.11.16

 

 

 

15078657_926281800838441_8310132295560811099_n

Antero



publicado por paulo prudêncio às 16:56 | link do post | comentar | partilhar

 

Captura de Tela 2016-11-30 às 15.02.28

 

É, objectivamente, uma descida na confiança nas instituições, e na democracia, a sucessão de habilitações falsas. Depois dos últimos casos, o Expresso "apurou que o Governo" procurou mais irregularidades. Houve duas pessoas que pediram exoneração sem entrega da documentação. Percebeu-se que o fizeram por terem declarado habilitações falsas. É, e sei lá que se diga mais no meio deste pântano, uma atenuante. O Público revela uma prática muito negativa para o crédito das nomeações em concursos públicos: "no momento da nomeação, foi-lhe pedido que apresentasse o currículo para que fosse colocado no despacho e “acreditou-se que as informações eram as correctas”.



publicado por paulo prudêncio às 15:01 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 29.11.16

 

 

 

Portugal deve estar a subir no ranking (esse estado febril) do tempo que uma criança de dois anos demora a esvaziar um biberon com leite. Lançar crianças em correrias institucionais é o nosso segredo. Estamos cada vez mais Top Perfomers: velocíssimos na lógica e avessos a maçadas ambientais e culturais. Hoje também se soube pelos testes TIMMS (4º ano de escolaridade), que, entre 1995 e 2015, "Portugal subiu treze lugares na Matemática (continua atrás do Cazaquistão, que raio - este aparte é meu -) e desceu significativamente no Estudo do Meio"; como se observa no gráfico do Público. 

 

Captura de Tela 2016-11-29 às 17.53.26

 



publicado por paulo prudêncio às 17:53 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 28.11.16





 



"Que o caos está presente em tudo é uma descoberta grega que se torna arrepiante quando se descobre que, em vez de estar no início, está dentro de todas as coisas, mesmo aquelas que fazemos para nossa segurança."

 

José B. de Miranda,
Queda sem fim.


publicado por paulo prudêncio às 21:55 | link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

 

 

 

1091874

Cópia de 1091874

 

Luís Afonso

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:55 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 27.11.16

 

 

 

Duas palavras entraram na moda: disruptor (rompe com o que está) e pós-verdade ("os factos objectivos têm menos influência na formação da opinião pública do que os apelos emocionais e as crenças pessoais"). Se fosse um pessimista, diria que estamos enclausurados numa sociedade (septuagenária e erguida nas ruínas da II guerra) em queda sem fim e que esperneamos porque não podemos partir de imediato para outro planeta.

 

Mas como o post é sobre a escola, e como sou optimista, façamos a disrupção a pensar na escola-indústria considerando as "salas de aula do futuro" uma pós-verdade. Desde que há escola que se tenta escapar ao ensino tradicional. Foi assim, por exemplo, "a seguir à II guerra" com Freinet, Montessori e Summerhill e, já com o digital, com as plataformas Moodle que se tornaram processos descontrolados quando aplicados em crianças e mais ainda em turmas numerosas. São também intemporais os comportamentos dos actores. Os modistas acusam os tradicionalistas de acomodados e os segundos reivindicam o fim da história. É difícil mudar a escola-indústria, mais ainda em sistemas centralizados por controle burocrático. É aí que o digital pode ajudar a ideia de "sala de aula do futuro". Não há organização que ensine em ambiente digital se não viver numa atmosfera correspondente. O clima organizacional tem de assentar na confiança e a simplificação de procedimentos tem de eliminar o lançamento de informação inútil, repetida ou redundante. No caso português, está muito por fazer.

 

image

 



publicado por paulo prudêncio às 18:47 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 26.11.16

 

 

 

"Poucos economistas perceberam a emergência da crise actual, mas essa falha de previsão foi o menor dos problemas. O mais grave foi a cegueira da profissão face à possibilidade de existência de falhas catastróficas numa economia de mercado. O papel da economia perdeu-se porque os economistas, enquanto grupo, se deixaram ofuscar pela beleza e elegância vistosa da matemática. Porque os economistas da verdade caíram de amores pela antiga e idealizada visão de uma economia em que os indivíduos racionais interagem em mercados perfeitos, guiados por equações extravagantes. Infelizmente, esta visão romântica e idílica da economia levou a maioria dos economistas a ignorar que todas as coisas podem correr mal. Cegaram perante as limitações da racionalidade humana, que conduzem frequentemente às bolhas e aos embustes; aos problemas das instituições que funcionam mal; às imperfeições dos mercados - especialmente dos mercados financeiros - que podem fazer com que o sistema de exploração da economia se submeta a curto-circuitos repentinos, imprevisíveis; e aos perigos que surgem quando os reguladores não acreditam na regulação. Perante o problema tão humano das crises e depressões, os economistas precisam abandonar a solução, pura mas errada, de supor que todos são racionais e que os mercados trabalham perfeitamente."

 

 

Paul Krugman

New York Times

2 de Setembro de 2009

 

 

16409017_3MH0i

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:48 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Morreu um dos símbolos de uma época. Fidel Castro e Che Guevara desenvolveram, com uma coragem comovente, a ilha alternativa a dois blocos imperiais: EUA e URSS. O processo prolongou-se e transformou-se num regime totalitário com as características inerentes. Foi pena, mas nunca se saberá se podia ser diferente. Julgo que a história considerará as duas faces e espera-se que a humanidade aprenda com essa marcante experiência.

 

3238463



publicado por paulo prudêncio às 12:22 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

 

18845362_JN4ve

 



publicado por paulo prudêncio às 10:16 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 25.11.16

 

 

 

São tais as evidências, que a interrogação que ouvi faz sentido: é mais polvo ou mais pântano? Coabitam os dois fenómenos. Aliás, o segundo foi até denunciado por Guterres. No caso Vistos Gold, por exemplo, notam-se os tentáculos de um polvo, mas a existência de um pântano de dimensões apreciáveis é inquestionável. Digamos que são polvos (e polvitos) que se alimentam silenciosamente em pântanos aparelhados.

 

19685352_rpRKF

 

 



publicado por paulo prudêncio às 14:37 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 24.11.16

 

 

 

 

"Uma sociedade pós-heróica necessita de uma política que se exerça para lá da alternativa enfática entre o poder e a impotência. Tanto o discurso ideologicamente voluntarista como o derrotismo neoliberal ressoam de tempos heróicos em que mandar era entendido como mandar absolutamente com uma disposição soberana, sem verdadeiros interlocutores, sem respeito pela complexidade social. Mas há vida política no poder limitado e na impotência política bem gerida. A falência da política, que uns festejam e outros lamentam, é uma tese que não pode confirmar-se historicamente nem medir-se empiricamente. A política é por vezes desacreditada partindo do modelo de uma competência inalterável, como se os problemas sociais estivessem condenados à alternativa de receberem solução por meio de uma política soberana ou de ficarem abandonados à sua sorte.(...)" 

 

 

 

Daniel Innerarity (2011, p:135).

"O futuro e os seus inimigos". Lisboa: Teorema.



publicado por paulo prudêncio às 17:10 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 23.11.16
 
 
 
 

(a intemporalidade das reedições
e uma breve e singela homenagem
aos comentadores Ana Sousa e Pedro Peixoto)

 
 
 
Primeiro que tudo – e convém esclarecer – horas escolares é uma questão pessoal. Não consigo resumos para tão pouco tempo. Sou pouco dado a coisas rápidas. Sonhei viver uma eternidade acompanhado das pessoas que mais amo. A angústia da luta contra o tempo desgosta-me. Feitios. Acima de tudo, confesso, gosto da solidão do meu pensamento. Aprecio a elaboração de ideias. É um prazer indizível. É francamente o meu jogo predilecto.

Falar das horas escolares, engloba a minha, já confessada, sedução pelo tempo. Pela sua inexorável voracidade. Mais do que a impossibilidade do eterno retorno, as aulas escolares sempre me pareceram um saltitar de jaula em jaula. Ensinámos, ensinamos e ensinaremos de acordo com os tempos que correm. Com tanta pressa, pela superficialidade ficaremos. Escolarizados e condenados, mas não sages.

Todos querem ter um lugar ao sol na composição dos programas escolares. Tanto há para ensinar. Incontestável e legítima ambição. Da intuição à retórica, tudo justifica a necessidade de tempos escolares.

Desde as associações científicas de professores aos sindicatos de docentes, passando pelos membros dos governos ou das respectivas oposições, todos advogaram a favor da redução do número de aulas escolares. Fez escola e foi consensual. O resultado de todas essas consultas e discussões teve, quase sempre, como resultado a manutenção de quase tudo ou o regresso a fórmulas determinadas pelos picos económicos ou ideológicos. Os argumentos repetiram-se. Até podemos imaginar um lapidar diálogo. Diz o docente da disciplina x: “Têm que reduzir o número de aulas escolares, nem sei como é que os alunos aguentam isto”. Responde o docente da disciplina y: “Sim, sim. Mas nas aulas da disciplina z, pois nas minhas, ou nas tuas, seria o caos, não te esqueças”. Tarefa inumana para o decisor.

Por tudo isto, ser criança em tempo escolar implicará uma percepção alargada e cheia de inúmeras imagens. A sua relação com os mestres será efémera. Curtos – muitos e intermitentes - períodos de concentração serão os segredos de uma boa aprendizagem: entretanto, pouco ou nada se sabe sobre a forma como cada um aprende. A figura do mestre perder-se-á na razão da sua multiplicidade.
A criança necessitará de recorrer a fontes mais velozes, associará ao desperdício de tempo a ideia do pecado original. Terá saudades do futuro?

Na ânsia do minimalismo economicista, projectado desde as nanoteconologias à magreza corporal, nada escapa a esse círculo estonteante. O “zapismo” da vida leva-nos a esta angústia. Andamos tanto para não sairmos do mesmo sítio (e, no entanto, a ciência avança, todos os dias).

É tudo curto, rápido e impreciso. Devorar o “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust, sete volumes, cerca de 4000 páginas em “times new roman” 09, ficará fora de qualquer programa escolar. É pena. A eternidade toda, paradoxalmente, em sete volumosos volumes.

Volta a ser, novamente, uma questão do universo pessoal. A única revisão curricular – e com as mais variadas posições horárias - está dentro de cada um de nós: um postulado para a eternidade, digo eu.
 
 
 


(Este texto não é inédito.
Publiquei-o numa revista da especialidade,
algures em 2000, 2001 ou 2002)


publicado por paulo prudêncio às 21:10 | link do post | comentar | ver comentários (23) | partilhar

 

 

 

"parece que certas realidades transcendentes emitem em torno de si radiações a que a multidão é sensível. É assim que, por exemplo, quando se dá um acontecimento, quando na fronteira está um exército em perigo ou derrotado, ou vitorioso, as notícias bastante nebulosas que dele chegam e de que o homem culto não sabe retirar grande coisa, provocam na multidão uma emoção que o surpreende e na qual, depois de os especialistas o terem posto ao corrente de verdadeira situação militar, ele reconhece a percepção pelo povo daquela aura que rodeia os grande acontecimentos e que pode ser visível a centenas de quilómetros".

 

Marcel Proust

 

Em busca do tempo perdido

 

 

(1ª edição em 20 de Outubro de 2010)

 



publicado por paulo prudêncio às 18:20 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Cacofonia

 

Já tem uns dias esta referência ao Correntes. Agradeço.



publicado por paulo prudêncio às 15:26 | link do post | comentar | partilhar

 

 

Os analistas mainstream estão algo apoplécticos com o Governo. Compreende-se. Foram anos a fio a tergiversar com o arco governativo e não entendem a gramática da geringonça. A oposição também não. Acusa o Governo de "defender a escola pública" e o PSD considera "como seus" os raciocínios políticos de Lurdes Rodrigues e Marçal Grilo. Olha que novidade.

 

(Primeira edição em 19 de Maio de 2016)

 

 

Cartoon-Egypt-Nagui-Doctor-300x160.jpg



publicado por paulo prudêncio às 10:43 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 22.11.16

 

  

 

"Os rankings apenas mostram a qualidade dos alunos que fazem os exames e não nos permitem inferir se a escola trabalha bem ou mal" é uma óbvia conclusão que não se alterará com o que se anuncia: "nas escolas de topo mais de metade dos alunos chumba pelo menos uma vez".

 

Captura de Tela 2016-11-22 às 22.12.24



publicado por paulo prudêncio às 22:18 | link do post | comentar | partilhar

 

  

 

 

 


Narração de um homem em Maio (1953-60).

 


Mexo a boca, mexo os dedos, mexo
a ideia da experiência.
Não mexo no arrependimento.
Pois o corpo é interno e eterno
do seu corpo.
Não tenho inocência, mas o dom
de toda uma inocência.
E lentidão ou harmonia.
Poesia sem perdão ou esquecimento.
Idade de poesia.

 


Herberto Helder em Poesia Toda.

 

Para acompanhar o poema escolhi uma das 100 fotografias mais influentes da história para

a revista Time. 

image

 

image

 



publicado por paulo prudêncio às 12:34 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 21.11.16

 

 

 

1089886

Cópia de 1089886

Luís Afonso

 

 



publicado por paulo prudêncio às 23:06 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

A história da distribuição da riqueza é política. Não se reduz a mecanismos puramente económicos. Lê-se em dois clássicos: a "Riqueza das Nações" de Adam Smith ou "O capital no século XXI" de Thomas Piketti. Sempre foi questionável a noção de que a economia é uma ciência independente da filosofia moral e política. A foto, e a sua história, remete-nos para a complexidade do problema: há sempre uns quantos que aspiram enriquecer à custa do trabalho dos outros e o difícil, e belo, exercício democrático consiste em contrariar a natureza humana. Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", coloca a questão actual assim: "Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)" Daí à importância das redes públicas de escolas, como um valor inquestionável das democracias, vai um pequeno passo. Será, contudo, insuficiente, se permitirmos que os mercados invadam desde cedo a vida escolar.

 

Lewis Hine foi um fotógrafo, um dos primeiros, comprometido com a denúncia das condições de trabalho. A foto (Cotton Mill Girl) é de 1908 e foi seleccionada pela "Time como uma das 100 fotografias mais influentes da história".

 

image

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:27 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 20.11.16

 

 

É a 3ª edição desta curta radiografia. É um facto que o ambiente no país está desanuviado, mas também é inquestionável que nada mudou no essencial na vida profissional de milhares de professores. A 1ª edição foi em 5 de Novembro de 2015 e a 2ª em 10 de Junho de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar e apesar da eliminação de algumas variáveis importantes que não constavam do exame (por exemplo: concursos BCE e prova de acesso).

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

 

images

 



publicado por paulo prudêncio às 18:16 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 19.11.16

 

 

 

Escrevi assim em 30 de Março de 2011:

 

Vi ontem um debate na TVI24, moderado por Constança Cunha e Sá, com a participação de Medeiros Ferreira, Santana Lopes e Fernando Rosas. Santana Lopes introduziu a avaliação de professores para condenar a oposição. Medeiros Ferreira foi taxativo: o problema estava no modelo. Uma coisa que nasce errada acaba por cair, mesmo que tarde e de forma errada. Fernando Rosas concordou.

 

A moderadora alegou com a cedência às corporações. Medeiros Ferreira voltou a ser taxativo: para além dos partidos e dos sindicatos, há outras forças na sociedade e não concordo que se possam classificar como negativas; pelo contrário, têm é de ser ouvidas. Medeiros Ferreira mostrou, mais uma vez, estar atento e informado.



publicado por paulo prudêncio às 18:12 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 18.11.16

 

 

 

 

Ouvi há pouco na TSF a seguinte conclusão: "as nossas elites, de esquerda e de direita, estão muito mais próximas do que imaginam." Não reparei no nome do investigador. Do ponto vista da Educação, a conclusão tem validade e até considerando a ideia mais contundente: "são historicamente viciadas em viver à custa do trabalho dos outros". Em geral, viveram da escravatura durante três séculos, também com o ouro e as especiarias e até com o colonialismo. Em tempos recentes, o dilúvio de fundos europeus acomodou as almas. Na crise actual, os "desgraçados" são os pagadores de impostos e as políticas sociais. Na saúde, os alarmes soam quando "começam" a morrer pessoas e é surpreendente a sobrevivência do SNS. Na justiça, há que manter os povos minimamente em ordem e na segurança social o objectivo é impedir que os descontinuados se aglomerem perigosamente. Na Educação, até se pode encher salas de aula, entreter o auditório com "reformas", encerrar ou aglomerar escolas sem critério civilizado, manter números elevados de analfabetismo ou negligenciar o insucesso escolar em crianças e jovens. Também é surpreendente a sobrevivência da rede de escolas públicas, apesar da babilónia criada pelas tais elites que, como sublinhou o investigador, nunca "olharam para a organização como um valor precioso".

 

terapia3

 



publicado por paulo prudêncio às 18:04 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 17.11.16
 
 




Parte de uma carta de Walt Whitman ao seu editor inglês William Rosseti, em 1867.

"Cálamo é uma palavra corrente. Trata-se da erva ou juncácea aromática de grande porte que cresce nas zonas pantanosas dos vales, cujo caule mede quase um metro de altura;..."

Um dos poemas de Cálamo.

Separando a erva dos prados.

Separando a erva dos prados, aspirando o seu raro aroma,
Dela reclamo a espiritualidade,
Exijo o mais íntimo e abundante companheirismo entre os homens,
Peço que ergam as suas folhas, as palavras, actos, seres,
Esse de límpidos ares, rudes, solares, frescos, férteis,
Esses que traçam o seu próprio caminho, erectos e livres avançando, conduzindo e não conduzidos,
Esses de indomável audácia, de doce e veemente carne sem mácula,
Esses que olham de frente, imperturbáveis, o rosto dos presidentes e governadores como se dissessem Quem és tu?
Esses de natural paixão, simples, nunca constrangidos, insubmissos,
Esses de dentro da América.



Walt Whitman

 

Tradução de José Agostinho Baptista.

tags:

publicado por paulo prudêncio às 19:47 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

"Em 2021 as escolas públicas vão ter menos 109 mil alunos", diz o Público. É uma oportunidade para recuperar o ensino público, desde logo reduzindo o número de alunos por turma. O estudo diz que a redução se verificará em todos os ciclos. Veremos. Há, contudo, um dado importante não abrangido pelo estudo: a mudança de sentido dos fluxos migratórios. No nosso caso, há sinais de menos emigração e mais imigração (não apenas de portugueses regressados ou de outros europeus).

 

Captura de Tela 2016-11-17 às 13.54.22

 



publicado por paulo prudêncio às 13:54 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 16.11.16

 

 

 

Notícia do DN de hoje.

 

"Vim aqui com toda a gratidão por tudo o que a Grécia - esse pequeno grande mundo - deu à humanidade ao longo dos tempos", afirmou Barack Obama no Centro Cultural da Fundação Stavros Niarchos. O presidente americano começou o seu último dia em Atenas com uma visita à Acrópole.

 

Captura de Tela 2016-11-16 às 18.55.39

 



publicado por paulo prudêncio às 18:55 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 15.11.16

 

 

 

Hoje soube-se que "a economia surpreendeu e acelerou com números que não se viam há três anos". Para além disso, o défice está controlado e o desemprego diminuiu. Em Portugal, um Governo de um PS descomprometido com o neoliberalismo, e apoiado pelo PCP e pelo BE, experimenta soluções macroeconómicas que deviam ser apoiadas e elogiadas pela Comissão Europeia. Como exercício elementar, Bruxelas encerrará amanhã o processo de défice excessivo. Esta solução governativa (optimista, moderada e sensata), era há muito apontada como catastrófica por quem nos empurrou para a bancarrota. São os mesmos que agora não "compreendem" a erosão do centro político e que inventaram do nada o número ideológico e demagogo de 3% do défice. O Governo não baixou os impostos para as pequenas e médias empresas nem para as pessoas e não repôs a totalidade das pensões e salários; há muito por fazer. O Governo sabe-o. Mas, e como logo se percebeu, o executivo apoiado pelas esquerdas não nos atiraria de imediato para Marte.

 

aviao_da_vinci

 



publicado por paulo prudêncio às 21:19 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Crato aumentou a eito o número de alunos por turma. O Governo, pela voz do ministro da Educação, anunciou que a "forma como se fará a redução de alunos por turma depende do impacto financeiro". Aguardemos pelo processo. Mas há matérias, e muitas não financeiras ou com reduzido impacto, que devem ser revertidas.



publicado por paulo prudêncio às 21:10 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 14.11.16

 

 

 

O sistema acordou com o pesadelo dos EUA. A suprema ironia elegeu, bem lá no alto, um produto do sistema que fez campanha como indignadoA erosão do centro político nas democracias ocidentais é um problema grave que se pode tornar trágico. Há toda uma ganância criada pelo sistema que é cada vez mais difícil de combater. Ontem, no Expresso, Joseph Stiglitz disse que "populismo" mistura coisas muitos diferentes. Podemos chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um dado governo deixou para trás? Isso não é merecedor de crítica. O populismo até pode ser um remédio contra o elitismo." Hoje, Ana Sá Lopes, no I, diz que os "trumpistas estão no meio de nós (olhe para o lado)", Jorge Sampaio, no Público, "alerta para a tendência global dos movimentos populistas", António Lima, no Sol, diz que "os democratas procuram líder no meio dos escombros", Ricardo Paes Mamede, no I, diz que "há uma grande dificuldade em fazer face aos populismos de direita" e Helena Tecedeiro, no DN, fala-nos de Steve Bannon, o tipo que dirigiu a campanha de Trump e que "é acusado de antissemitismo e de ser próximo dos supremacistas brancos. Foi funcionário do Goldman Sachs, acusou Obama de importar muçulmanos cheios de ódio, comparou o programa de planeamento familiar americano ao holocausto e aconselhou as mulheres vítimas de assédio online a se desligarem e pararem de tramar os homens na internet."

 

Captura de Tela 2016-11-14 às 16.11.28

 



publicado por paulo prudêncio às 16:43 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 13.11.16

 

 

 

É o que não se pagou dos empréstimos. 40 mil milhões (na banca portuguesa) é cerca de 25% do PIB e o dobro da requalificação bancária; ou seja, poderá ser o verdadeiro valor da segunda variável.

 

19418919_DIqAq

 



publicado por paulo prudêncio às 19:20 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Na revista do Expresso (p:42), Joseph Stiglitz diz, antes da vitória de Trump e pensando nos dois lados do Atlântico, que não gosta do termo "populismo", embora esteja preocupado com a erosão do centro político. "O "populismo" mistura coisas muitos diferentes. Podemos chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um dado governo deixou para trás? Isso não é merecedor de crítica. O populismo até pode ser um remédio contra o elitismo." O Nobel da economia (2001) prefere o termo demagogia. Dá um exemplo: "Números "surgidos" do nada como o limite de 3% do défice. Aplaude o Governo português que devia ser premiado e não o contrário." Fala, por exemplo, da batota em relação à França, do falhanço rotundo da troika e da moda recente dos governantes não eleitos made in Goldman Sachs. Uma entrevista a não perder, até para não dizermos que é incompreensível a ascensão eleitoral da Trump Tower.



publicado por paulo prudêncio às 17:42 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 12.11.16

 

 

 

E é isto: "(...)No jantar de caridade de Al Smith, com a hierarquia católica de Nova Iorque e o poder político, financeiro e mediático ao lado dos dois candidatos, Trump chamou corrupta a Hillary e disse várias piadas ofensivas. A resposta dela foi uma gargalhada falsa, uma máscara afivelada para consumo externo. Quem visse aquilo nas várias plataformas, da televisão à rede, veria um grupo poderoso e privilegiado de amigos, mulheres com jóias e homens emproados, onde ela parecia a rainha e Trump o primo da província. Teria sido útil, por uma vez, observar uma reação emocional.(...)" escreveu Clara Ferreira Alves (CFA) na revista do Expresso (03:12/11/2016). No primeiro caderno, CFA diz que "Trump é um fascista, não em sentido clássico, rodeado de criminosos de colarinho branco." Até arrepia. Espero que não se confirmem os piores cenários. É evidente que Trump é um oportunista que se gaba de fugir a impostos, e de não sei quantas trafulhices, e de não respeitar os direitos mais elementares das pessoas envolvidas nas suas actividades. Mesmo assim, coabitou anos a fio com o arco governativo. A imagem é elucidativa e encontramos inúmeras da mesma família nas democracias ocidentais. No mundo real registamos a oportunista hipocrisia em nome institucional ou o modo oligárquico de apropriação do bem comum. E ficava aqui a tarde toda a detalhar um pântano que nunca dá bons resultados.

 

Adenda: Na mesma revista (p:42), Joseph Stiglitz diz, antes da vitória de Trump e pensando nos dois lados do Atlântico, que não gosta do termo "populismo", embora esteja preocupado com a erosão do centro político. "O "populismo" mistura coisas muitos diferentes. Podemos chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um dado governo deixou para trás? Isso não é merecedor de crítica. O populismo até pode ser um remédio contra o elitismo." O Nobel da economia (2001) prefere o termo demagogia. Dá um exemplo: "Números "surgidos" do nada como o limite de 3% do défice. Aplaude o Governo português que devia ser premiado e não o contrário." Fala, por exemplo, da batota em relação à França, do falhanço rotundo da troika e da moda recente dos governantes não eleitos made in Goldman Sachs. Uma entrevista a não perder, até para não dizermos que é incompreensível a ascensão eleitoral da Trump Tower.

 

Captura de Tela 2016-11-12 às 14.06.40

 



publicado por paulo prudêncio às 22:46 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 11.11.16

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:25 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Deixei o seguinte o comentário no facebook: "Que grande confusão neste post. São assuntos bem distintos. Estou surpreendido com o seu "hilariante". Parece que HC já vai com mais de 2 milhões de votos. Isso não merece ser discutido? Estamos no fim da história? Que relação é que isso tem com o desejo da geringonça ser bem sucedida. A geringonça teve mais votos do que a PàF, que concorreu coligada. O partido, sem coligações, com mais votos populares foi o que forma o Governo. E podia não ter sido, obviamente. Mas foi."



publicado por paulo prudêncio às 15:39 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
comentários recentes
Até arrepia.
Se olharmos para estes casos públicos como amostra...
Perfeitamente compreensível a indignação. Aliás, e...
curto e grosso: não aceito a treta do 'impacto fin...
Até arrepia. Esperemos que não se confirmem os pio...
Claro que a democracia dos EUA tem uma longa histó...
Trump’s election provides a powerful reminder that...
posts recentes

Injectar sangue novo nas ...

do elementar

do estado da arte

mais sociedade e melhor e...

dos povos e dos eleitores

ligações
posts mais comentados
tags

agrupamentos

além da troika

antero

avaliação do desempenho

bancarrota

banda desenhada

bartoon

blogues

caldas da rainha

campanhas eleitorais

cartoon

cinema

circunstâncias pessoais

coisas tontas

concursos de professores

contributos

corrupção

crise da democracia

crise da europa

crise financeira

crise mundial

crónicas

democracia mediatizada

desenhos

direito

direitos

economia

educação

efemérides

escolas em luta

escolas privadas e cooperativas

estatuto da carreira

falta de pachorra

filosofia

finanças

fotografia

gestão escolar

história

humor

ideias

literatura

luís afonso

mais do mesmo

manifestação

movimentos independentes

música

organização curricular

paulo guinote

política

política educativa

portugal

professores contratados

público-privado

queda de crato

queda do governo

rede escolar

sociedade da informação

tijolos do muro

ultraliberais

vídeos

todas as tags

favoritos

bloco da precaução

pensar o sistema escolar ...

escolas sem oxigénio

e lembrei-me de kafka

as minhas calças brancas ...

as minhas calças brancas ...

reformas e remédios (1)

sua excelência e os númer...

sua excelência (2) (reedi...

sua excelência (1) (reedi...

subscrever feeds

web site counter
Twingly BlogRank
arquivo
blog participante - Educaá∆o - correntes .jpg
Por precaução
https://www.createspace.com/5386516
Razões de uma candidatura
https://www.createspace.com/5387676
mais sobre mim