Em busca do pensamento livre.
Sexta-feira, 19.01.18

 

 

 

"(...)A certa altura, a jornalista pergunta a Bragança de Miranda se ele nunca quis ser artista. O entrevistado diz uma série de coisas sobre o seu percurso pessoal e profissional e termina assim: "Felizmente, veio a Revolução que acabou com todas essas ilusões." Porquê, diz a jornalista?: "Porque a Revolução era bem mais importante. E foi um momento fantástico que só quem o viveu pode verdadeiramente perceber. Quem não teve a sorte de ter vivido o 25 de Abril tem que se contentar com os mundiais de futebol."(...).

 

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publicado por paulo prudêncio às 18:29 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 18.01.18

 

 

 

A flexibilização curricular, ou interdisciplinaridade, nunca se impôs institucionalmente por causa de "impossibilidades" organizacionais. A hiperburocracia (também a digital) revelou-se a principal componente crítica. Foi assim nas experiências de 1989 e 1998 e há sinais de repetição, como alguém numa experiência em curso bem a norte relatou num email:

"(...)as nossas avaliações são sempre muito positivas. Confunde-se crítica a um processo com má opinião sobre organizações e profissionais. Cria uma ilusão fatal. Os relatórios e inquéritos ouvem pessoas condicionadas, desinteressadas ou com medo de expressar uma opinião crítica". 

É evidente que as avaliações no sistema escolar não são tão fatais como noutros universos. Os célebres helicópteros Kamov passaram sem mácula nas listas de verificação e quando Pedrógão ardeu nem sequer descolavam; ou o BES atingiu nota máxima nos testes de stress e dias depois faliu deixando centenas de pessoas sem as poupanças de uma vida; ou ainda, e como se viu no último prós e contras, há urgências de hospitais públicos com relatórios recomendáveis e com "uma realidade comparada a países de terceiro mundo; em guerra" (dito em directo por médicos e enfermeiros com conhecimento do real e com a concordância dos dirigentes presentes). E é preciso coragem para discordar. É muito triste, mas é assim. Ou seja, as escolas podem generalizar com base em experiências recomendadas que a implosão organizacional pode ser novamente uma questão de tempo.

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Quarta-feira, 17.01.18

 

 

 

"(...)Há o bem e o mal, e há uma categoria intermédia que é o Mal tolerado. Há um cinismo inconsciente, que é necessário à vida. É o que eu chamaria o intolerável tolerado. Mas agora isso tornou-se num cinismo demasiado visível, que tomou conta do espaço público, é ubíquo. Essa transparência, visibilidade do intolerável, pode levar, a longo prazo, a que o sistema mude a partir do interior, por acção de uma outra categoria, que competiria com a da ganância: a vergonha. Agora já não é possível esconder a podridão moral da sociedade, por pura vergonha. Mas enquanto isso não acontece, os jovens não podem mais viver com esse Mal intermédio. Querem afirmar-se. Não é por ressentimento, ou impulso de destruição, castigo ou vingança. É uma indignação contra a intolerabilidade do Mal mediano.(...)"

 

José Gil, Pública,

4 de Março de 2012, pág. 24.

 



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Enviado às Redacções das Televisões

 



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Terça-feira, 16.01.18

 

 

 

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Já se decreta o fim dos rankings. No mínimo, há um atraso. É notório o consenso sobre a inutilidade dos rankings clássicos (sem a variável sócio-económica) como instrumento científico. Limitavam-se a concluir o óbvio e a plasmar os mesmos resultados anos a fio com subidas ou descidas de uma décima por ano ou disciplina. Há muito que se sabe: grandes oscilações de resultados representam sempre mudanças significativas no tecido social. Mesmo os rankings mais recentes, com a dita variável, revelaram-se um logro. Em ambos os casos, serviam privados que ocultavam os dados sócio-económicos e que financiavam os estudos como publicidade destinada a comparar o incomparável. É até surpreendente como ainda se realizam, nos diversos patamares escolares, estudos sobre resultados dos alunos sem usar variáveis dependentes e independentes. Repetem-se análises primárias de dados com conclusões rudimentares e redundantes (como os rankings inventados em Portugal). Há muito que a estatística aplica modelos de regressão linear múltipla ajustados aos dados seleccionados (é reconhecida a aplicação IBM SPSS Software; lançada em 1968, é "acessível a todos os níveis de habilidade e a projectos de todos os tamanhos e complexidades") que deveriam fazer escola a partir dos serviços centrais do ME. Que o centralismo tivesse alguma utilidade, digamos assim.



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Segunda-feira, 15.01.18

 

 

 

Parece-me aceitável uma discussão abrangente do perfil do aluno. Aliás, um algoritmo sensato exige um perfil com mais de 60% de responsabilidade para a sociedade. A percentagem escolar engloba currículos que foram afunilados principalmente com a troika - mas também antes disso - e que tardam a recuperar uma carga equilibrada.



publicado por paulo prudêncio às 20:46 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Se ontem me interrogava com a "existência de Londres", hoje faço-o com Ovar. Ora leia:

"Em Ovar, a vitória de Rui Rio foi esmagadora. O novo líder do PSD obteve 409 votos, contra os apenas 60 de Santana Lopes. Uma reportagem do Expresso, publicada no semanário deste sábado, mostra como numa casa, que afinal já não existe, vivem oito militantes do PSD. Numa outra, os cadernos eleitorais garantem que lá habitam 17 militantes. Salvador Malheiro, o social-democrata que preside à Câmara de Ovar, nega irregularidades. Mas as histórias sucedem-se."



publicado por paulo prudêncio às 16:30 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 14.01.18

 

 

 

E Londres ainda existe?

A dúvida impõe-se com os argumentos, e os desenvolvimentos, pró-Brexit. Mas não só. É que, e entretanto, Trump eliminou Londres (embora o motivo desta pós-verdade seja indissolúvel: o edifício da embaixada dos EUA em Londres) e a incerteza cresceu. Como a absolutização do digital, o recente fenómeno do melhor restaurante londrino vulgarizou-se. Dever ser isso. O espaço tinha um site com ementas do outro mundo, imagens apelativas e os melhores comentários de clientes. Projectou-se, em quatro meses, para o primeiro lugar no Trip Advisor e atingiu o topo. Só que o restaurante não existia. Foi toda uma engrenagem com dados falsos ou manipulados. O facto reforça a dúvida inicial. Mas convenhamos: o melhor restaurante londrino foi uma notícia falsa precisa e humorada. Mas veja o vídeo com a entrevista ao criador (com uma fisionomia na linha de Boris Jonnson e Donald Trump).

 

 



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Luís Afonso



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Sábado, 13.01.18

 

 

 

"Nem todos os que votaram Trump são racistas, mas todos os racistas votaram em Trump", opinião de Luís Costa Ribas - correspondente da SIC nos EUA -.



publicado por paulo prudêncio às 13:28 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 12.01.18

 

 

 

 

O tratamento da informação no sistema escolar não se adequa à sociedade da informação e do conhecimento. Está longe disso.

Grande parte da informação obtida não é relevante para o processo de tomada de decisões, nem contribui para que os professores, principais fornecedores de informação, concentrem a energia na preparação e realização das actividades lectivas.

Exige-se a alteração do que existe. Os sistemas de informação necessitam de uma grande depuração com um objectivo de sentido contrário ao habitual: escolher os campos de obtenção de informação essencial (que são muito menos do que os que existem); e é fundamental impedir a repetição no lançamento de dados: do nome do aluno às classificações que obtém até aos conteúdos dos relatórios mais diversos. É uma reforma essencial.

 

(Já usei esta argumentação noutros posts)



publicado por paulo prudêncio às 13:55 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 11.01.18

 

 

 

Custa acreditar que o Governo, por questões financeiras (seria ainda pior se houvesse uma atitude revanchista coordenada pelos mesmos do período 2005-2009), use a avaliação kafkiana do desempenho dos professores para bloquear descongelamentos e progressões. Era preferível dizer que não existem euros suficientes e aplicar o princípio a toda a administração pública e não apenas aos professores. Ou seja, continua o raciocínio: excluímos os professores e desenvolvemos o calendário eleitoral. O vídeo seguinte explica bem os detalhes.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 13:53 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 10.01.18

 

 

 

 

"Ter uma carreira" tornou-se politicamente incorrecto na década de oitenta do século passado e as "novas políticas de gestão pública" aplicaram a precarização. "Ter uma carreira" foi menorizado através do "não há empregos para a vida". Há uma geração, hoje nos quarenta, que já duvida da bondade do conceito. Os da geração seguinte ainda aceitam e assumem a ideia até que a idade avance. E por que é que inscrevo gerações? Porque os que iniciaram a dúvida já intuíram que são descartáveis e substituíveis pelos mais jovens com argumentos financeiros ou de imagem. A precarização retira rede quando ela se torna imperativa. Para além do que foi dito, será grave que as administrações públicas continuem a perder carreiras que exigem histórico de saberes e maturidade nas decisões.

 

(Já usei esta argumentação noutros posts)



publicado por paulo prudêncio às 14:42 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 09.01.18

 

 

 

 

O regresso da antiga flexibilidade curricular entrou na agenda mediática. Discute-se o efeito nos alunos e nos métodos de ensino. Compreende-se. Mas isso representa uma pequena parte do problema. Os alunos vão aprender como sempre e relacionarão, também como sempre, o que aprendem nas diversas disciplinas. Os professores vão ensinar com os métodos de "sempre". Aumentará a possibilidade de tratar um tema do programa de diversas disciplinas num mesmo momento, a exemplo da extinta área de projecto. Poderá ser positivo.

Mas grande parte do problema, e o que conduziu ao inferno a anterior experiência de gestão flexível dos currículos, centra-se na organização. Na marcação, em catadupa, de reuniões de agenda repetida, no tratamento da informação e em dois verbos infernais: articular e registar. E nada se lê sobre isso como componentes críticas. Pior: teme-se que nada se tenha aprendido. Há variáveis organizacionais que não correspondem directamente à análise dos resultados dos alunos nem aos métodos de ensino: são de gestão pura e dura. Os dois verbos referidos são modismos da linguagem escolar que determinam o "estar muito tempo juntos", mesmo que aconteça sem qualquer visão ou estratégia, sem instrumentos modernos de gestão e em reuniões de informação repetida. São dois verbos que remetem a burocracia escolar para o lugar dos procedimentos inúteis e do faz de conta. Quando se ouviram as conclusões dos arautos do duo verbal, encontrou-se pouco mais do que a socialização dos professores.

 

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Frase de #banksy

Imagem obtida em Agosto de 2017

 

(Já usei esta argumentação noutros posts)



publicado por paulo prudêncio às 14:12 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 08.01.18

 

 

 

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A aula foi de 50 minutos durante décadas. Em 1998, decidiu-se por mais "tempo de aula" e inventou-se a de 90 minutos (2 aulas). Como havia disciplinas com 1, 3 ou 5 aulas semanais, criaram-se as de 45 minutos. Ou seja, a redução de 50 para 45 originou um irresolúvel imbróglio de 5 minutos que transitou entre governos até Nuno Crato. Aí, os professores passaram a leccionar minutos em vez de aulas numa eloquente homenagem ao anti-simplex. Gerou-se uma tortuosa contabilidade que os agentes escolares tentaram ignorar.

Quem leu o último "despacho de flexibilização curricular" ficou apreensivo. Por distracção ou desconhecimento, as matrizes curriculares projectaram aulas de 50 com aulas de 45 em disciplinas do mesmo ciclo; a confusão seria idêntica em ciclos diferentes que usassem os mesmos espaços.

Mas por que é que não se acaba com os horários ao minuto? Alunos, disciplinas e professores têm x aulas semanais (45 ou 50, ou 50 e ponto final) e ponto final. E as reduções dos professores? Se um professor lecciona 22 ou 25 aulas semanais, o seu posicionamento na carreira, e a sua idade, reduz-lhe y aulas por semana. Mas é preciso estudar regressões lineares múltiplas para simplificar estas variáveis? Entristece a sucessão de oportunidades perdidas. Ainda sobre o despacho, observou-se o "linguajar bem pensante dos excessos das ciências da educação", que persiste e aglutina o que tem más provas dadas, que se tornará um pesadelo em associação com os "atavismos das ciências da administração".

 

(Já usei esta argumentação noutros posts)

 



publicado por paulo prudêncio às 18:49 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 07.01.18

 

 

 

 

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Luís Afonso



publicado por paulo prudêncio às 15:03 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 06.01.18

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:25 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 05.01.18

 

 

 

 

Cresce a apreensão com o silêncio sobre a plataforma digital única para o sistema escolar (a E-360). É um imperativo com cerca de duas décadas. Entretanto, continua a desordem da redundância com mais de vinte plataformas digitais. O tempo passa e a atmosfera acrescenta burnout aos profissionais que lançam informação, que se reforça com os dados não incluídos nas plataformas das empresas privadas. Mas mesmo os incluídos e devidamente tratados, como, por exemplo, os dos alunos, são "desconhecidos" por decisores e avaliadores, provocando a circulação infernal de ficheiros excel e word. É o tal mundo criativo da repetição e das inutilidades, estimulado a partir do poder central. É uma espécie de "brinquemos às escolas e à gestão". No mínimo, a governabilidade exigiria a inclusão de "toda" a informação nuclear nesse software como critério primeiro de licenciamento e a proibição de outras plataformas nos serviços centrais. A avaliação externa (Inspecção-Geral) "penalizaria" os desvios das escolas, com saliência para a obtenção da informação nas aplicações do office ou equivalente e para a impressão de documentos; a administração pública tem já exemplos, como é notório com o portal das finanças que até lida com um universo muito mais complexo no cruzamento de dados.

 

(Já usei esta argumentação noutros posts;

há quase duas décadas :))

 

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publicado por paulo prudêncio às 16:44 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 04.01.18

 

 

 

 

É, como já escrevi, muito interessante a obra de Daniel Kahneman (2011), "Pensar, Depressa e Devagar".

Parece que temos dois sistemas a regular a nossa mente. Podemos simplificar, considerando o sistema 1 como "imediato ou depressa" e o sistema 2 como "elaborado ou devagar". Por vezes, parece que o sistema 2 é preguiçoso e ficamos pelo 1. Siga o exemplo que escolhi (página 62) e tirará algumas conclusões.

 

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publicado por paulo prudêncio às 18:13 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 03.01.18

 

 

 

PR vetou a lei do financiamento dos partidos. Há muito ruído à volta do assunto e é visível que o método escolhido para a construção da lei enfraqueceu as melhores razões.


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publicado por paulo prudêncio às 17:31 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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