Em busca do pensamento livre.
Segunda-feira, 08.02.16

 

 

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Sua Excelência enfadava-se com o que lhe acontecia e vivia duplamente: sobressaltado com o que tinha para fazer e aterrado com o que deixava de realizar. Era um dilema em forma circular. Tinha adquirido um tique só explicado por Lacan: dizia e repetia para consigo e para com os outros: isto não é como antigamente. Era uma espécie de oxigénio rarefeito.

O seu antecessor tinha-lhe deixado duas cartas: uma para o primeiro momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total - e uma outra para o segundo momento de aflição - quando tivesse de tomar uma decisão e a ignorância fosse total -.

Sua Excelência, certo dia, abriu a primeira: "culpe o seu antecessor", continha o sobrescrito.

Sua Excelência, certo dia, abriu a segunda: "escreva duas cartas", continha o sobrescrito.
 
 
 
 
 
(Reedição. 1ª edição em 14 de Abril de 2008)
 

 

 A propósito desta risível troca de cartas.

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:44 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 07.02.16

 

 

 

"Há um aumento de 14 milhões de euros na rubrica dos contratos de associação com escolas particulares e cooperativas por compromissos assumidos pelo anterior Governo, mas os 82 milhões de cortes na Educação não superior serão preenchidos por cortes nesse sector", disse há pouco, numa rádio, uma voz autorizada neste projecto de OE. Como escrevi ontem, a rede escolar 2016/17 será um bom teste a essas intenções. Mas há uma evidência neste projecto de OE2016: a escola pública continua na primeira linha das penalizações orçamentais.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 17:54 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Sua Excelência estava impendida para moderar um debate à volta dos amontoados de escolas: coisa descomunal, já se vê, mas em plena propagação num país sem falência anunciada.

O plenipotenciário do poder central disse: "todos os meus colegas, pelo menos os que são sérios, desvelados e versados na realidade, estão de acordo com a espécie de montão."

O plenipotenciário do poder local disse: "todos os meus colegas, pelo menos os que são sérios, desvelados e versados na realidade, estão em desacordo com a espécie de montão."

Sua Excelência ostentou a inferência: "disse."
 
 
 
 
(1ª edição em 12 de Abril de 2008)

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 13:42 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 06.02.16

 

 

 

Mário Centeno diz que não é o orçamento que queria, mas será mais responsabilizado por ele do que os eurocratas (dito assim para sorrir, já que os eurocratas não prestam contas) e nunca se saberá o que aconteceria se tivesse "vencido" em toda a linha. 

 

Há, por exemplo, rubricas na Educação que estão a gerar perplexidade e contestação. Desde logo, o aumento de 6% (de 239,9 milhões para 254,3 milhões de euros) nas verbas transferidas para o ensino particular e cooperativo quando o programa enuncia que "(...)sem prejuízo pelos compromissos contratuais assumidos pelo Estado, e da necessária preservação da estabilidade das escolas, restrinja a existência de contratos de associação em zonas em que exista oferta e capacidade instalada não utilizada nas escolas públicas(...)".

 

Portanto, existe um projecto de OE2016 que pode justificar "compromissos assumidos pelo anterior Governo"; certo. Mas a rede escolar para o ano lectivo 2016/17, a primeira com este Governo, será o primeiro teste a sério no assunto em causa. Bem sei que há quem reconheça na mediatrix a possibilidade de uma revolução despercebida ("velocidade, velocidade e mais velocidade. Seria possível uma revolução ter lugar tão rapidamente que ninguém desse por ela?"), cuja regra é mais ou menos assim: quem não for rápido não vive. Contudo, ainda prefiro a prudência. 

 

Nas matérias referentes à carreira dos professores da escola pública não estou optimista, mas espero estar enganado. 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:25 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

 

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Sexta-feira, 05.02.16

 

 

 

 

A ausência de perspectivas de melhoria da qualidade de vida tem-se revelado fatal para as sociedades democráticas. Ou seja, o elevador social é um oxigénio da democracia. A insistência nas conhecidas, estudadas e históricas causas das desigualdades tem evidências óbvias que devem ser repetidas à exaustão. Como diz o FMI, temos estado a "espalhar" a riqueza para cima e não para baixo (basta estudar os EUA da década de 90 do século XX - a desregulação da economia - para encontrar causas). E o que mais se teme é que os tais 1% demonstrem "que acabam sempre a destruírem-se uns aos outros". Para além disso, provou-se que a ideia de que o "crescimento é uma maré enchente que faz subir todos os barcos" precisa de quem faça do combate às desigualdades um objectivo primeiro.

 

 

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Quinta-feira, 04.02.16

 

 

 

Leia, sff, e tente adivinhar quem fez estas declarações antes de encontrar as soluções no parágrafo final; mas sentado como na imagem (prémio 2014 do melhor cartoon da Press Cartoon Europe).

 

  1. “Não é preciso ser altruísta para apoiar políticas que elevem a renda dos pobres e da classe média. Todos beneficiarão com essas políticas porque são essenciais para gerar crescimento mais alto, mais inclusivo e mais sustentado. Ou seja, para se ter crescimento mais duradouro será necessário gerar crescimento mais equitativo."
  2. "Novos estudos demonstram que elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos pobres e da classe média aumenta o crescimento do PIB de um país até 0,38 pontos percentuais em cinco anos. Em contrapartida, elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08 pontos percentuais. Nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta estão a "espalhar" para cima e não para baixo. Para além de outras variáveis, constata-se que os ricos gastam uma fracção menor da sua renda o que reduz a procura agregada e enfraquece o crescimento. Os nosso estudos anteriores demonstram que a desigualdade excessiva de renda reduz, e na verdade, a taxa de crescimento económico e torna o crescimento menos sustentável com o tempo."

 

Está sentado? Pois fique a saber que são declarações, em Bruxelas, de Christine Lagarde, em Junho de 2015, baseadas no boletim oficial do FMI de 17 de Junho de 2015 que integra o estudo, também de Junho de 2015 e do mesmo FMI"Causes and Consequences of Income Inequality: A Global Perspective". Se Maquiavel estivesse por cá, teria explicação: "disse ao Príncipe: faz a maldade toda em pouco tempo e depois confessa-a; sei lá: afirma-te neoliberal no início e "social-democrata para sempre" no fim; confia na sabedoria popular."

 

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Quarta-feira, 03.02.16

 

 

 

Saltar de "neoliberal além da troika" para "social-democrata para sempre" e critérios para atribuir a licença de banqueiro (o supremo testemunho de confiança das sociedades capitalistas).

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:26 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

Moçambique festejou a independência (Junho de 1975) e mudei de nacionalidade por naturalidade (e naturalmente) e residência (sem direito a passaporte). Como constava (já em 1976) que os jovens da minha idade seriam enviados para a URSS, RDA ou Cuba para estudos superiores, a fuga como refugiado era a alternativa. Apesar do risco de denúncia, o passaporte português (ilegal, claro) era a única solução.

 

A viagem de Maputo para Lisboa tinha escala em Atenas e Geneve, durou bem mais do que o previsto e aterrou também na Beira (os guerrilheiros que entraram no avião para lerem muito devagar os nomes dos denunciados, que seriam enviados para campos de reeducação, demoraram a sair-me da memória), Dar es Salaam, Nairobi, Kampala e Londres.

 

As peripécias são inesquecíveis, mas fiquemos pelo percurso de madrugada entre Nairobi (Quénia) e Atenas (Grécia) num avião da East African Airlines a desfazer-se: bancos rasgados, barulho ensurdecedor, refeição intragável e humidade insuportável. Muito antes do destino, o avião iniciou uma descida e recebemos o aviso de que íamos aterrar: Entebbe, aeroporto de Kampala (Uganda). A maioria dos passageiros tinha o "estatuto" de refugiado, o Uganda era governado pelo ditador Idi Amin, com fama de antropófago, e uns meses antes tinha ocorrido por ali um raid israelita para resgatar um avião desviado. Temia-se o pior. O edifício do aeroporto era enorme, mas estava literalmente vazio; recordo-me das longas prateleiras sem qualquer objecto. Após horas de impasse, lá embarcámos num voo da British Airwais porque a East African não podia voar em espaço europeu e nós por pouco também não: é que a floresta Zika fica a 20 kms de Kampala.

 

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Terça-feira, 02.02.16

 

 

 

 

Aumentam as desigualdades, os tais 1% vencem a guerra (e confessam; lá isso) em modo proporcional à ganância e isso é irrefutável (e se calhar "compreensível" numa sociedade de mercado quase sem limites morais). Não é isso que mais me impressiona e não é de agora. O que mais me intriga (digamos assim porque não me intriga nada) é o apoio fervoroso que os 1% encontram em grupos numerosos dos 99%; são verdadeiros soldados que votam, discutem e sei lá mais o quê. Normalmente acabam como o soldado da imagem, mas o problema é que costumam acordar demasiado tarde.

 

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"Poucos economistas perceberam a emergência da crise actual, mas essa falha de previsão foi o menor dos problemas. O mais grave foi a cegueira da profissão face à possibilidade de existência de falhas catastróficas numa economia de mercado. O papel da economia perdeu-se porque os economistas, enquanto grupo, se deixaram ofuscar pela beleza e elegância vistosa da matemática. Porque os economistas da verdade caíram de amores pela antiga e idealizada visão de uma economia em que os indivíduos racionais interagem em mercados perfeitos, guiados por equações extravagantes. Infelizmente, esta visão romântica e idílica da economia levou a maioria dos economistas a ignorar que todas as coisas podem correr mal. Cegaram perante as limitações da racionalidade humana, que conduzem frequentemente às bolhas e aos embustes; aos problemas das instituições que funcionam mal; às imperfeições dos mercados - especialmente dos mercados financeiros - que podem fazer com que o sistema de exploração da economia se submeta a curto-circuitos repentinos, imprevisíveis; e aos perigos que surgem quando os reguladores não acreditam na regulação. Perante o problema tão humano das crises e depressões, os economistas precisam abandonar a solução, pura mas errada, de supor que todos são racionais e que os mercados trabalham perfeitamente."

 


Paul Krugman
New York Times
2 de Setembro de 2009



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Segunda-feira, 01.02.16

 

 

 

 

Em 2005, o PS neoliberal iniciou a confessada guerra aos professores da escola pública. Encontrou uma inesperada resistência e foi perdendo batalhas. Em 2009, já em desespero e contra aquilo que ridiculamente considerava uma coutada comunista, destruiu um modelo de gestão que ia na primeira década de vigência, e de maturidade, e avaliado com nota muito positiva pelo próprio MEC. Lurdes Rodrigues criou a cadeia militar (assim classificada pela própria) com o controle vertical de directores escolares que ficaram também dependentes do pior da partidocracia local e de um método de selecção que exige júris qualificados e não imaturos. A PàF manteve, obviamente, o núcleo do processo e aguardam-se as ideias do "novo" PS onde coabitam Lurditas D´Oiro com públicos opositores ao devaneio (Santos Silva, por exemplo, que foi Ministro da Educação).

 

O blogue ComRegras publica os resultados de uma sondagem "concorda com o método de eleição do Diretor do Agrupamento/Escola?". O método actual é rejeitado pela maioria dos inquiridos. Obtém a última posição como se observa na imagem. Tem aqui a ligação ao post com uma análise do Paulo Guinote.

 

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Domingo, 31.01.16

 

 

 

"O director de turma tem três dias úteis para informar o aluno adulto que faltou" era a redacção de um artigo do estatuto do aluno que vigorou em boa parte do que levamos de milénio e que traduzia com eloquência a infantilização da nossa sociedade que transformou o sistema escolar num grande primeiro ciclo.

 

Como os extremos se tocam, sucedeu-se o contrário de infantilizar (adultizar crianças?) concretizado num retrocesso civilizacional que aplicou aos anos escolares das crianças as normas e os procedimentos do fim da adolescência ou mesmo do ensino de adultos.

 

E depois é só assistir ao contraditório em forma de quadratura do círculo de simultaneidades: incluir e ensinar para a excelência (no que raio que isso seja com crianças), brincar e reunir, o mais cedo possível, recursos para um mundo cada vez mais competitivo (não será "apenas" mais desigual?), tempos livres e modelo industrial de organização escolar e por aí fora. Por mais que se diga que os sistemas bem sucedidos sempre foram os que trataram as crianças como crianças, os jovens como jovens e os adultos como adultos, e que alargaram a base, a contenda ideológica parece que eliminou a sensatez.

 

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Sábado, 30.01.16

 

 

"Como o actual Ministro da Educação nunca estudou ciências da educação e toma medidas destas, eu também nunca estudei matérias dessas mas, e por isso, sinto-me autorizado para dizer o que vou dizer". Imagine-se que foi mais ou menos deste modo que um convidado do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), instituição que se tornou "privada" pela mão de Crato e que montou toda uma estrutura que se financia no número de exames que elabora e aplica, se referiu ao contraditório que ia proclamar em relação a decisões do novo MEC. É bom que se sublinhe: andamos a assistir a ondas de indignação por causa de uma industria de provas finais (os alunos durante os 1º e 2º ciclos fazem inúmeras provas durante 6 anos) para crianças de 9 e 11 anos, que não tem paralelo em qualquer país europeu, e mesmo na maioria dos países da OCDE, que não existiram em Portugal até 2011 e que se aplicavam apenas a duas das disciplinas. 

 

Mas o psicólogo, que pode ter dito o que escrevi, parece que acrescentou um argumentário algo contraditório. Ou seja, enuncia as consequências muito negativas da aplicação destes exames e depois afirma que é a favor de exames. Mas de quais exames? Destes ou doutros? Enfim: um pico de pão e circo. Resumamos:

 

"As escolas estão a tornar-se "desonestas" e "batoteiras", acusa psicólogo. Foi um retrato impiedoso(...)Uma escola que acha que tem de avaliar, embrulhando os testes e os exames num clima de alarme, é uma escola que diz às crianças que o importante é ter bons resultados e não aprender(…).E uma escola assim é desonesta,(...)lembrando que muitos alunos são afastados das escolas onde estão precisamente devido à sede destas em garantirem bons resultados nos exames nacionais.

 

(...)Temos, nas escolas de hoje, turmas de primeira e de segunda, disciplinas de primeira e de segunda, alunos de primeira e alunos de segunda. São formas estranhas com que temos convivido e que já mereceram aval ministerial. Mas uma escola assim transforma-se numa escola amiga do apartheid e uma escola assim avalia, mas não educa.(...)É estranho que não se acarinhe o erro, porque uma criança que não pode livremente errar ganha uma imunodeficiência adquirida ao erro e à dor. O que tem como consequência tornarem-se competitivos e presunçosos, quando diante do conhecimento deviam ser rebeldes. Crianças assim pensam pior”.

 

Quer isto dizer que este psicólogo é contra a avaliação e os exames? A resposta é negativa e tem como alvo o actual ministro da Educação que anunciou que não se realizarão exames no 4.º e 6.º ano por considerar que estes têm efeitos “nocivos” para as crianças. “Se as crianças não aprendem a conviver com o medo de serem avaliadas ficam mais frágeis e com menos garra. Não é mau que destilem medo face aos exames, porque o medo traz também audácia. Mau é mudar as regras a meio do jogo. Mau é discutirmos as avaliações antes das aprendizagens”, acusou, antes de afirmar o contrário do que foi dito pelo ministro Tiago Brandão Rodrigues. “Quanto mais tarde as crianças tiverem provas nacionais, mais tarde reúnem os recursos para as vencer,(...)os exames não magoam as crianças, o que as magoa é a forma como os pais e as escolas acabam por usar esta avaliação."

 

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Sexta-feira, 29.01.16

 

 

 

Na génese da accountability está uma "nova" gestão dos serviços públicos que tem como alicerce o controlo dos sujeitos, que nada tem de novidade e que muito nos diz sobre a actualidade.

 

"O que havia de tão novo nestes projectos de docilidade que interessava tanto o século XVIII? Havia a escala do controlo: era uma questão não de tratar o corpo, num grupo, "por atacado", como se se tratasse de uma unidade indissociável, mas de trabalhá-lo "a retalho", individualmente, de sobre ele exercer uma coerção subtil, de obter domínio sobre ele ao nível do próprio mecanismo - movimentos, gestos, atitudes, rapidez: um poder infinitesimal sobre o corpo activo. Depois havia o objecto do controlo: não eram ou não mais eram os elementos significadores do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficiência de movimentos, a sua organização interna; a única cerimónia verdadeiramente importante é a do exercício. Por último, há a modalidade: implica uma coerção ininterrupta e constante, a supervisão do processo da actividade e não tanto o seu resultado, e é exercida de acordo com uma codificação que reparta, tão proximamente quanto possível, tempo, espaço, movimento. Estes métodos, que tornaram possível o controlo meticuloso do corpo, que asseguraram a sujeição constante das suas forças e lhes impuseram uma relação de docilidade-utilidade, poderão ser chamados de "disciplinas".(...)"


Jardine (2007:57),
Foucault e Educação.

 

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Quinta-feira, 28.01.16

 

 

 

 

"(...)Interessante é ver o enorme contraste entre os resultados das esquerdas inovadoras e das esquerdas conservadoras. Enquanto aquelas - esquerda do PS e BE - averbaram ganhos significativos, estas - o PS neoliberal e o PCP ortodoxo - registaram perdas claríssimas. E estas, infelizmente, foram suficientes para anular, a favor da direita, os ganhos obtidos.(...)". O que leu é parte de um texto de José Sarmento Ferreira no facebook e é bem elucidativo da confusão à esquerda se olharmos a partir das políticas educativas da última década. Resumamos para este formato: as confessadas políticas educativas neoliberais (as tais Novas Políticas de Gestão Pública que tinham como bandeira a accountability) foram aplicadas pelo "grupo" de Lurdes Rodrigues (penso que coordenado por Vieira da Silva), que está em pleno com o actual Governo, mas que já foram condenadas por Costa. Se havia quem "ouvisse", embora sem acção visível, os professores durante a tragédia socrática, era a ala "segurista" que está à direita dos "socratistas" (que são agora "costistas") e que negou Nóvoa votando em Marcelo. Basta googlar por Nóvoa e por dois conceitos que este reforçou recentemente, "O regresso dos professores" e "Escola transbordante", para se concluir que quase todos poderiam votar em Sampaio da Nóvoa com excepção dos neoliberais ainda não arrependidos (os convictos devem ficar descontinuados da esquerda europeia). Se estudarmos outras áreas encontramos desorientações semelhantes. Já agora, e pensando no BE inovador e nas presidenciais, não percebo o que festejam tão efusivamente.

 

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Quarta-feira, 27.01.16

 

 

 

 
 

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Então que tal?

 

no Público
27 de Janeiro de 2014

"por Santana Castilho 
 
1. Dois meses corridos sobre a entrada em funções do novo Governo, considerando todos os anúncios de mudança e o que já foi mudado, venho perguntar aos professores de sala- de-aula: então, que tal? 
 
Da última vez que os contei, eram 11 os documentos, com 18 itens de referência obrigatória, que uma simples reunião de turma de final de período gerava. Há sinais de alívio desta burocracia gratuita? As esferográficas continuam a ser compradas através de concursos públicos centralizados, via plataforma informática? Em tempos de reversão, fala-se por aí que cada escola vai voltar a ser escola? Ou está tudo sereno, na molhada do agrupamento? Já discutem um novo modelo de gestão, que traga democraticidade à coisa, ou estão bem sob o jugo de vários pequeninos ditadores? O vosso quadro de pessoal está em vias de ter uma dimensão adequada às necessidades? Já perceberam como a vossa carga desumana de trabalho não remunerado vai ser aliviada? Já reorganizaram as vossas vidas para responderem zelosamente ao acréscimo de provas a corrigir com a ressurreição das provas de aferição? Já trabalham para definir que recursos e que meios a vossa escola vai ter para combater as dificuldades dos alunos? Já decidiram algo sobre a reversão das aulas de 90 minutos? Embora já habituado, notei que há poucos dias (Escola Secundária Jorge Peixinho, no Montijo) um colega nosso levou um valente murro de um aluno, em plena sala de aula. Pergunto-vos se já notaram indícios de que algo vai mudar em matéria de disciplina. Fala-se por aí em tornar público o crime de agressão a um professor? Ou está tudo tranquilo e a indisciplina é coisa que não vos aflige? Serviços de orientação escolar, vocacional ou tutorial? Diz-se algo? Sobre o que se seguirá ao fim do vocacional em idade precoce, consta algo? Necessidades educativas especiais, minorias étnicas, culturais e religiosas? Fala-se disso? Têm corrido bem as reuniões com os sindicatos para alterar o estatuto da carreira docente? 
 
Desculpem! Reli isto, um décimo do que gostaria de vos perguntar, e reconheço a minha inconveniência: que importam estas minudências se os exames acabaram? 
 
 
2. O fim da denominada Bolsa de Contratação de Escola (BCE), instrumento que permitia que escolas com contratos de autonomia ou integrantes dos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) fixassem critérios próprios para contratar professores, é uma medida positiva, por pôr fim a uma roleta-russa absurda, geradora de processos tresloucados, que vitimaram milhares de professores. 
 
Mas a morosidade na colocação (21 dias em média por cada docente) numa burocracia inaudita, balizada por 2,3 milhões de candidaturas a 7573 concursos no presente ano, sendo relevante, não é argumento primeiro. Mas foi o que o ministro invocou. 
 
Tão-pouco me parece aceitável insistir em reivindicar poder para fixar critérios próprios, por isso fazer parte dos contratos de autonomia. Mas foi o que invocaram o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares e o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. 
 
Termos em que parece pertinente recordar que o argumento primeiro é o que o artigo 47º da Constituição da República Portuguesa fixa, quando determina que “todos os cidadãos têm direito de acesso à função pública, em condições de igualdade e liberdade”. Com efeito, o carácter universal deste direito de acesso foi denegado a milhares de professores, por via de 1149 páginas de critérios imbecis e grotescos, definidos para só servirem a alguns. E porque o momento é próprio e o tempo é novo, recorde-se, ainda, toda a jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia, relativa à directiva 1999/70/CE, que aponta numa só direcção, legal e justa: vinculação aos quadros de todos os professores que, desde 2001, sejam titulares de mais de três contratos anuais sucessivos. 
 
 
3. A DBRS, a agência de notação financeira que tem sido generosa com a dívida do Estado português, deu sinais de impaciência (leia-se de profundo desagrado) com a pulverização sem critério dos créditos de alguns credores seniores do Novo Banco. Se daí resultar um abaixamento do rating (leia-se o débil elo que nos liga à protecção do BCE) será com um ruidoso “paf!” que explodirá a nossa reputação, já em queda nos mercados, sem que qualquer coligação nos acuda e a António Costa. É que, por muito que não gostemos deles (e eu não gosto), os mercados existem e sem os tomar em conta o esboço de orçamento não passará de um esboço de desgraça. É que tomar de assalto o Rato e driblar Seguro foi fácil. Fintar o resto para chegar a São Bento requereu engenho e arte. Mas para conseguir ultrapassar a ortodoxia financeira de Bruxelas e garantir as migalhas que o esboço distribui, não chega o sorriso crónico de Centeno. Bendito seja Costa se vier a ter razão para me chamar Velho do Restelo! "


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Independentemente do efeito eucalipto à direita provocado por Marcelo, era expectável uma segunda volta. Não aconteceu por 2,5%, se tanto. Por muitas análises que se façam, há uma responsabilidade objectiva do PS nesse facto. Maria de Belém, com todo o direito a candidatar-se, obviamente, surgiu aos olhos dos eleitores como a anti-costistas apoiada pelos "seguristas" (digamos assim, porque não sei se esses legados existem). Partiu com 16 ou 17% e finalizou com 4%. Para onde foram os cerca de 12% dos votos? Uma parte significativa para Marcelo e ponto final. Não tivesse sido assim, estaríamos a disputar uma segunda volta e nunca se sabe o que aconteceria.

 

O que aconteceu com Maria de Belém? Se partiu com o apoio dos "seguristas", perdeu-o a meio da caminhada porque não quis assumi-lo. Como esses eleitores eram anti-costistas, tornaram-se anti-Nóvoa e votaram em Marcelo. Foi pena que não tivessem apoiado Sampaio da Nóvoa. Em consciência, era natural que o fizessem. O que é mais risível e incompreensível (para quem observa de fora), é que, na vigência de Seguro à frente do PS, António Sampaio da Nóvoa coordenou as principais acções da Educação, teria apoio para as presidenciais e não interferiu minimamente na luta interna dos socialistas. Ou seja, Sampaio da Nóvoa foi "vítima" da desorientação no maior partido do centro esquerda. Aliás, a confusão ideológica marca a história recente do PS e olhar para as políticas da Educação ajuda a compreender o fenómeno. Mas isso fica para um próximo post.

 

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Terça-feira, 26.01.16

 

 

 

 

Os totalitarismos estabelecem-se através das leis. Desde logo, com a produção de leis impossíveis de cumprir (ou de evidente má qualidade). Mas com a velocidade com que se legisla, é natural que os destinatários do direito se interroguem com a vigência. Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. As sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e como foi dito, pela construção de leis impossíveis de cumprir, mas também por práticas anti-democráticas ou corruptas.

 

No caso do sistema escolar, podemos pegar em muitos exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Em muitos casos, só o fingimento permite o "cumprimento" legal. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

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Segunda-feira, 25.01.16

 

 

 

 

As escolas estão em alvoroço com a supressão dos exames industriais (Crato, num momento de rara lucidez, denominou-os por prova final) das crianças (9 e 11 anos) inventados de supetão, e sem ouvir ninguém, em 2011. Professores, alunos e pais já pensavam em Guterres e na ONU para que o calendário tivesse mais um mês por ano de forma a atenuarem a falta de aulas com ritmo durante seis meses nas disciplinas, a maioria, que Crato considerou não estruturantes (conceito desconhecido no mundo avançado desde o século XVII). Ninguém percebe como é que as escolas abriam antes de 2011, nem como funcionam as suas congéneres europeias sem estas provas finais. A desorientação está a contaminar os orçamentos dos órgãos de comunicação social que tinham um pico de vendas no dia em que publicavam rankings que ignoravam os dados sócio-económicos das escolas privadas de modo a respeitarem a origem imaculada dos financiamentos mais altruístas. O novo Governo, que eliminou o teste anual e universal que permitia um conhecimento sobre o sistema já elogiado no novo planeta para lá de Plutão, decretou provas de aferição para crianças de 7 e 10 anos de forma a garantir que todos os professores consigam continuar a leccionar e que os comentaristas mais agressivos se engasguem.

 

PS: este post foi escrito em ortografia irónica.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:33 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

Trinta anos depois de ter assinado, em Chaves, uma lista de apoiantes da primeira mulher independente, Maria de Lurdes Pintasilgo (1986), candidata à Presidência, apoiei pela primeira vez publicamente (os tempos mediáticos são realmente muito diferentes e com influência decisiva no desfecho até de eleições presidenciais), e fui proponente, um candidato à Presidência: António Sampaio da Nóvoa (2016).

 

O candidato a Cidadão Presidente não venceu, mas voltaria a ter o meu apoio se o tempo recuasse os dias que entendesse. O seu discurso após os resultados eleitorais é elucidativo: parabéns a quem venceu,  com a elevação e a coerência que fez com que há muito o considerasse um muito bom candidato, mas também num registo comovido e alegre, solidário e feliz, autêntico e estruturado. Foi mais uma lição. Sampaio da Nóvoa é daquelas pessoas que os portugueses, de uma ponta à outra do espectro político, não se cansam de pedir que diga presente, mas que depois não é ouvido com toda a atenção porque os fanatismos (e os pântanos, já agora) se sobrepõem.

 

Não sei se voltarei a apoiar com convicção uma candidatura Presidencial e muito menos se esse facto demorará outros trinta anos. O que observei, e vivi e testemunhei, foi uma extraordinária candidatura apoiada por cidadãos envolvidos pela emoção e pelo voluntarismo. Foi muito bonito mesmo. Publico um vídeo que fiz na Aula Magna no encerramento. Muitas pessoas que viram as imagens em directo pelas televisões perguntaram-me se os momentos de apoteose eram, como parece habitual, encenados para as televisões. Nada disso. O que se vê no vídeo foi uma constante naquela hora e meia. Sampaio da Nóvoa era sistematicamente interrompido por aquele testemunho inesquecível.

 

Portugal mergulhou na prosa dominical do empobrecimento e ainda não foi desta que os eleitores deram lugar à prosa poética. A democracia (nesta fase, mais mediocracia) é assim e é também por isso que a defendemos. Faz escolhas que nem sempre são as nossas ou as mais inspiradoras, mas valeu a pena. Obrigado, Sampaio da Nóvoa.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 11:57 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 24.01.16

 

 

 

Quando falamos de cortes a eito nas pessoas, podíamos acrescentar que é ainda mais grave nas administrações públicas porque há muito que não produzem alfinetes como se leu no exemplo de Adam Smith. São inúmeros os exemplos de multinacionais que entraram em espiral recessiva com os cortes a eito nas pessoas. Nas administrações públicas é ainda pior pois alastra-se à economia.

 

Uma multinacional financia-se nos mercados, procura paraísos fiscais e obedece aos desejos lucrativos dos accionistas. Para isso, tem uma desequilibrada relação entre receitas e despesas que tem que ser favorável à primeira coluna da folha de cálculo: as receitas. Se os lucros baixam, o financiamento exige juros mais elevados e a solução é cortar nas despesas ou aumentar a produção. Em regra, cortar a eito nas pessoas é o que está mais à mão.

 

Se substituir multinacional por administração pública terá um retrato do que se passou em Portugal.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 15:56 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 23.01.16

 

 

 

 

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Já Adam Smith via a queda dos salários como um decisão circunscrita às leis e à política e sem relação directa com o empobrecimento da sociedade. Se analisasse o que se passa em Portugal, seria tão taxativo como Joseph Stiglitzhá uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e é esse radicalismo que provoca o empobrecimento.

 

Os adeptos das políticas do Estado mínimo, que invocam o liberalismo e Adam Smith para justificarem a queda dos salários como uma consequência do empobrecimento da sociedade, eram mais precisos se remetessem a tese para os "soldados" do Goldman Sachs. Como à frente se verá, a queda dos salários tem que ser acompanhada pela queda dos lucros e das rendas e, naturalmente, por uma perigosa deflação.

 

A queda dos salários está a provocar a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP ou as PPPs). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

 

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Adam Smith (2010:171) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

 

3ª edição. Reescrito.

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 17:01 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 22.01.16

 

 

 

Não faltarei. Sampaio da Nóvoa reforça o sentimento de tonar possível o "impossível".

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 14:03 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

 

 

 

 

(Este texto não é inédito e reescrevi-o. Publiquei-o numa revista da especialidade, algures em 2000, 2001 ou 2002. "Recuperei-o" a propósito de uma conversa com quem visitou recentemente Barcelona. É uma homenagem a Gaudi, cuja igreja da sagrada família continua envolta em polémica; deveria ter sido concluída?)

 

 
 
Sempre que o tema da minha ocupação cerebral se relaciona com o pé direito, dois conceitos condicionam de imediato as minhas opiniões:
  • do lado a que sou menos dado, o das religiosidades, condiciona-me a abençoada e eterna entrada com o pé direito; foram tantos os seguidores desta superstição na passagem de ano da mudança de milénio que se esgotou a possibilidade de refutar os mais crentes;
  • do lado que mais me entusiasma, o do pé direito dos edifícios erguidos pelo esforço dos menos favorecidos dos Homens, podem contar com opiniões mais ousadas.
Suponho que este pé direito foi o verdadeiro motor da minha consciência cívica. Sei que buscar a origem da consciência dos Homens é tarefa só ao alcance de uns quantos. Mas da minha é algo que pode ficar ao critério do meu imaginário. Atrevo-me mesmo a dizer que quem em criança nunca quis tocar no tecto do mundo não pode ter uma boa consciência social. Fui tentando tocar nos tectos das minhas casas, embora a altura dos pés direitos me exigisse a adolescência para obter saborosos sucessos.

Na atmosfera do lugar onde nasci e depois cresci, vivia-se num constante apelo a duas actividades desportivas: o futebol e o basquetebol. A primeira mais do lado das religiosidades e a segunda mais do lado das ousadias.

Era com um sentimento de verdadeira transcendência que, de mãos dadas com os pais, avós ou tios, as crianças assistiam a esses rituais de boa convivência. É certo que nem sempre as coisas corriam bem. Na ânsia humana de ser mais veloz, de ser mais forte ou de chegar mais alto, os convívios tinham momentos que azedavam e se travestiam de aspectos assustadores.

Desde cedo que as crianças iniciavam os exames exploratórios. A primeira e última experiência como jogador de futebol num clube a sério ocorreu por volta dos onze anos. Vacinei-me. Como o campo de jogo era em tudo igual ao dos adultos, “o fenómeno pé direito” aparentemente só se manifestava no tamanho das balizas. Nada mais enganador. As dimensões intermináveis do campo e o peso insuportável da bola não me deixaram alternativa. Via, com uma surpresa ingénua, como os adultos desses sítios, e doutros nossos conhecidos, sentiam uma alegria esfuziante com as dificuldades das crianças. As gargalhadas eram ruidosas. A desfaçatez chegava ao ponto de equiparem “os miúdos” com calções enormes para o espectáculo ser mais completo.

Fiquei para sempre nos jogos de rua com os meus amigos, onde eram as crianças que escolhiam o tamanho do campo, das balizas, da bola ou dos calções. Mas havia algo que começava a despertar a tal consciência de direitos de que vos falei antes.

Para a divulgação do jogo de basquetebol, os seus responsáveis construíam campos só para crianças onde o “fenómeno pé direito” era o inimigo número um. As dimensões do espaço do jogo, dos cestos ou das bolas eram apropriadas. Ideias avançadas com a assinatura de alguém que não se acomodou ao facto dos tectos parecerem estar a uma altura fora do alcance do comum dos mortais.

Foi também nesta altura que entrei para o liceu. Estávamos em 1971, em plena era marcelista. O liceu era ao melhor estilo da época, o inevitável liceu Salazar. O edifício era monumental e cheio de mármores brancos. Reinavam os espaços de amplitude arrasadora. A construção obedecia a ângulos absolutamente rectos. A altura do pé direito era de tal dimensão, que parecia desenhada com a única intenção de impossibilitar veleidades, até ao mais reverente. Lembro-me, e a propósito desta nossa conversa, de uma das primeiras aulas de matemática.

Para fundamentar o facto de duas linhas paralelas nunca convergirem, o pedagogo pediu-nos que olhássemos para as "intermináveis" colunas da sala de aula e imaginássemos a possibilidade delas se encontrarem. Nunca. Uns tempos depois, um colega segredou-me que ouviu alguém também autorizado afirmar o encontro das rectas paralelas no infinito.

Antes disso, e convém lembrar, o arquitecto catalão Gaudi iniciou a construção da igreja da Sagrada Família, desrespeitando a tese das colunas que nunca se encontram. Obra incabada. Morreu em 1917 e os catalães ainda não conseguiram pôr fim ao pesadelo.

Tenho pensado muito sobre esta esquisita maneira de considerar que as crianças, os idosos ou os inadaptados não têm direito a querer tocar nos tectos dos seus mundos e ainda não encontrei as razões. 


 
 


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Quinta-feira, 21.01.16

 

 

 

Foi publicada, na Gazeta das Caldas, a Comissão de Apoiantes à candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República.

 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 17:42 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 20.01.16

 

 

 

 

Quem diria que a reflexão à volta do verbo incentivar explicaria boa parte da encruzilhada civilizacional que absorve o mundo desenvolvido. Se recuarmos umas décadas, incentivar era a palavra-chave educacional e organizacional. A sua ubiquidade entranhou-se, fazendo com que a lógica racional do mercado condicionasse a socialização e a estruturação da totalidade das actividades.

 

Steven D. Levitt, em "Freakonomics: o estranho mundo da economia" e mais recentemente Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", dedicam páginas interessantes à reflexão sobre o efeito do verbo. O segundo tem um tópico que intitulou "incentivos e dilemas morais", onde se pode ler (página 93):

 

"É fácil deixar escapar a novidade desta definição. A linguagem dos incentivos é um desenvolvimento recente do pensamento económico. A palavra "incentivo" não surge nos escritos de Adam Smith nem nas obras de nenhum dos outros economistas clássicos. Na verdade, só viria a ser introduzida no discurso económico no século XX e apenas adquiriu proeminência nas décadas de 1980 e 1990. O Dicionário Oxford de Inglês indica o seu primeiro uso no contexto da economia em 1943; nas Seleções do Reader' s Digest: "O Sr. Charles E. Wilson (...) está a incitar as indústrias da guerra a adoptarem "remunerações de incentivo" - isto é, pagar mais aos trabalhadores se produzirem mais." O uso da palavra incentivo aumentou drasticamente na segunda a metade do século XX à medida que o predomínio dos mercados e da lógica racional do mercado se consolidava. Segundo uma pesquisa no Google Books, a incidência deste termo aumentou mais de 400% desde a década de 1940 à década de 1990."

 

Esta reflexão ajuda a explicar a crise moral que tomou conta da descida civilizacional que se observa em paralelo com um inédito desenvolvimento tecnológico que parece implicar uma revolução na organização das sociedades. Se a eliminação do incentivo é uma "impossibilidade" imediata, já o seu uso mais ponderado na educação das crianças pode ser um forte contributo para a afirmação de regimes democrático assentes em políticas sustentáveis.

 

Se para Adam Smith o mercado seria uma mão invisível, já para Michael Sandel a generalização dos incentivos tornou-se uma mão demasiado pesada e manipuladora. O filósofo dá vários exemplos de incentivos monetários que vão nesse sentido, como os que são dados a troco da esterilização ou de boas notas escolares.

 

Esta prevalência incentivadora não eliminou a distinção entre economia e ética, "entre a lógica racional do mercado e o raciocínio moral. A economia simplesmente não transacciona em moralidade. A moralidade representa a maneira como gostaríamos que o mundo funcionasse e a economia mostra como ele funciona na realidade", explicam Levitt e Dubner.

 

E Michael Sandel acrescenta:

 

"(...)A noção que a economia é uma ciência isenta de juízos de valor, independente de toda a filosofia moral e política, sempre foi questionável. Contudo, hoje em dia, a jactante ambição da ciência económica torna extremamente difícil defender esta afirmação. Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)"

 

Neste tópico, Michael Sandel apresenta um conjunto de problemas educacionais e escolares que abordarei noutros posts.

 

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Terça-feira, 19.01.16

 

 

 

Marcelo Rebelo de Sousa dirige-se aos apoiantes do Governo de António Costa de uma forma tão denunciada, que seria impensável sem o estatuto do comentador que num breve minuto consegue quatro ou cinco posições sobre um assunto. Nesta fase, o candidato "arrumou" a sua base de apoio convencido da inevitabilidade de receber a totalidade desse voto que é, todavia, insuficiente para vencer em qualquer das voltas. Ou seja, dá ideia que Marcelo desconfia que terá uma segunda volta e entrou em desespero. O apelo ao "Governo de Costa" ou é determinante na primeira volta ou significa a inevitável derrota na segunda.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 16:50 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 18.01.16

 

 

Os concursos BCE, "que o MEC eliminou hoje", eram, a léguas, os mais incivilizados da Europa e obrigavam milhares de candidatos a "tropeçarem" em editais tresloucados associados a inépcias administrativas. Era um retrocesso que superava em crueldade administrativa o inferno concursal dos finais da década de setenta do século passado. Com os meios informáticos existentes, é possível criar um concurso nacional decente que mantenha a reserva de recrutamento por lista graduada durante todo o ano lectivo e com o seguinte princípio:

À opção pela lista-graduada-sem-mais aplica-se o mesmo que à democracia em relação aos outros regimes: "a democracia é a pior forma de governo imaginável, à excepção de todas as outras". Isto é uma derrota impensável para o arco que pairou sobre a 5 de Outubro e a 24 de Julho e uma cedência aos professores que o repetiam à exaustão; e à mais elementar justiça.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:42 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Há duas confirmações com as presidenciais: os egos inchados e os passageiros do comboio certo. Nota-se mais à esquerda, mas é apenas ocasional já que os fenómenos são transversais.

 

No PS a desorientação é ainda rescaldo dos mandatos de Sócrates, no bloco a fragmentação atenua-se com o mérito de um pequeno grupo e no PCP prevalece o conhecimento teórico e empírico consolidado em décadas. Tudo somado facilita a inflação de egos associada ao tortuoso tacticismo da espera pelo comboio certo. Tanta tese rebuscada pode originar o apeamento. Claro que a direita sentirá os mesmos sintomas, basta que aconteça a primeira turbulência eleitoral em tempo real.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 17:36 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 17.01.16

 

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 22:58 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

“Nunca ouvimos a este candidato a preocupação de haver dois países: o país dos mesmos rostos de sempre, que se perpetua na política e no poder mediático, e um outro país, com todos aqueles que independentemente do que deram e dão à causa pública se deveria limitar, ouvi-o dizer, à condição de soldados rasos! Soldados rasos? Mas soldados rasos somos nós todos!". Até parecia que estas palavras, ditas hoje, em Lisboa, por Sampaio da Nóvoa, foram ouvidas no conhecido Mercado de Santana (perto da Vila da Benedita). O grupo de apoio local (Caldas da Rainha) esteve por lá umas horas (a imagem é de ontem em Viana do Castelo) e registou uma muito boa recepção. Surpreendente ou não, as pessoas conhecem bem o candidato, recebem com simpatia a informação e registam o que tem para dizer o "Soldado Raso".

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:12 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 16.01.16

 

 

 

"Basta que Marcelo caia alguns pontos e ou Sampaio da Nóvoa consolide a ultrapassagem a Maria de Belém" para que se equacione a segunda volta, disse uma jornalista politóloga insuspeita de votar em Sampaio da Nóvoa ou num candidato do centro esquerda. Não sei se a abstenção vai subir, já se percebeu que Marcelo está longe dos seguros 60%, que Sampaio da Nóvoa embalou e que no Expresso real já duplica a votação de Maria de Belém; neste Expresso, o ex-comentador está entre os 49 e os 51%. Aliás, o Expresso oficial, o marcelista, é o único que já publicou sondagens pós-debate e dá uma descida de 0,1 a Sampaio da Nóvoa; é o suficiente para sorrir e reforçar a confiança numa segunda volta com a presença de Sampaio da Nóvoa como candidato efectivo a Cidadão Presidente.

 

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Sexta-feira, 15.01.16

 

 

 

 

A definição de escola como arena política é quase irrefutável. O autor encontrou outras cinco imagens (empresa, burocracia, democracia, anarquia ou cultura), mas as contendas ideológicas preenchem boa parte do nosso espaço público escolar. É por termos uma sociedade assim (também ausente na Educação e imatura nos procedimentos democráticos) que advoguei a supressão dos exames das crianças (porque eliminam os maus rankings e repensam os limites morais do mercado ao retiram sentido a prémios monetários, pautas públicas e quadros de honra) e considerei dispensável a prova de aferição no 2º ano com o argumento da detecção da exclusão precoce numa sociedade que tem é que ser capaz de se responsabilizar pela educação dos petizes para que estes problemas não se eternizem.

 

É evidente que há argumentos risíveis. Desde logo, o "no meu tempo é que era" ou "os traumas para a vida". Mas hilariante, hilariante, foi o que li num dos mentores do "Observador" que prevê uma bancarrota com o actual Governo. E porquê? Qual foi o primeiro argumento do tal mentor? A supressão dos exames do 4º ano em Portugal. Isso mesmo. Estamos a imaginar Lagarde, Juncker e Draghi (a troika) pedirem uma audiência urgente a Obama para estudarem os efeitos devastadores no sistema financeiro com a supressão dos exames do 4º ano em Portugal.

 

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É péssima a imagem dos concursos para directores na administração pública. Para além da gravidade das candidaturas irregulares (pessoas com esse perfil existem em todas as épocas), o que duplica a vergonha é a conivência e a parcialidade dos júris como se pode ler "nesta notíciado DN e na ligação seguinte do mesmo jornal:


"É de bradar aos céus que ele, tendo sido o presidente do júri de um concurso que está mais do que provado que tinha irregularidades, tenha resolvido renomear em regime de substituição os mesmos delegados que eventualmente foram favorecidos", comentou ao DN Maria do Céu Castelo-Branco, que tinha concorrido aos concursos para a região centro e tem neste momento uma ação no Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro contestando a nomeação de Cristina Oliveira".

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:43 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 14.01.16

 

 

  

António Vitorino disse, na SICN, que com candidaturas assim (e referia-se a todas) as presidenciais descredibilizam-se e o sufrágio directo e universal fica em causa, podendo a escolha passar para um colégio eleitoral (emanado da Assembleia ou do Conselho de Estado?). Já tinha reparado que Vitorino não aprecia, por exemplo, Sampaio da Nóvoa, mas fiquei perplexo com a desconfiança no voto popular e no sufrágio directo e universal (não falava da refundação do regime).

 

Por acaso, li no Expresso que Guterres considera que "o PR tem de ser um árbitro e eu gosto é de jogar à bola". Pois é. Sampaio da Nóvoa dá garantias constitucionais e de arbitragem, mas joga mesmo muito bem à bola e parece que isso incomoda alguns "senadores".

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 14:20 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Já foram publicados, na Gazeta das Caldas, três textos de apoio à candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República.

 

Texto de Maria Eugénia Oliveira.

 

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