Em busca do pensamento livre.
Segunda-feira, 30.05.16

 

 

 

"Os privados educam melhor porque privilegiam a qualidade e a excelência. Basta ver os rankings dos exames do 12º ano em que as trinta primeiras escolas são privadas", disse o político e dirigente escolar ligado a uma cooperativa que, ao que percebi, gere uma escola privada do ensino superior que passou pós-graduações e até mestrados irregulares. É preciso descaramento para incluir tantas falácias num pequeno parágrafo.

 

Primeiro: quem educa são as sociedades e as famílias. As escolas ajudam na educação de alunos que "não querem aprender", mas esses raramente chegam ao 12º ano. E se o fazem, não é nessas escolas. Os que "aprendem em qualquer sistema", ajudados pela ambição escolar das sociedades e das famílias e, em regra, com bons apoios sócio-económicos, não precisam das escolas, e muito menos dos seus dirigentes, para se educarem. Quando muito, e para aprenderem e com isso melhorarem a sua educação, beneficiam do ensino dos seus professores ou de apoios fora da escola. O que se pede aos dirigentes escolares é que façam gestão. Numa democracia, uma escola deve ser um lugar de referência nos procedimentos de gestão de quem presta um serviço ao público e, assim, favorecer a igualdade de oportunidades e as condições de realização do ensino. Como isso dá trabalho e é exigente, é mais cómodo para estes dirigentes pavonearem-se com méritos escolares que não são seus, encherem o discurso de conversa fiada e revelarem queda para irregularidades.

 

1ª edição em 15 de Novembro de 2015. 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 19:40 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Foram dez anos a inclinar a escola pública. Quando muitos referem a necessidade de uma qualquer refundação ou mudança de paradigma (vocábulo que uso menos), é no sentido organizacional que leio o imperativo. Não foram só as sucessivas "reformas", baseadas em retrocessos civilizacionais ou guerra confessada aos professores da escola pública, foi o clima que se instalou que suprime o pensamento sobre o futuro. O desinvestimento na escola pública e nos seus profissionais é uma evidência que choca ainda mais os que olham perplexos para os poucos, e pouco fundamentados, defensores de grande parte dos colégios "privados". É que não se trata apenas de repor decência orçamental numa nódoa do Estado de direito, exige-se a recuperação dos caminhos democráticos, no mais amplo sentido, na organização da rede pública de escolas, e em cada uma das instituições, sem que isso avalie de forma negativa o esforço, e a relação pedagógica, de alunos e professores num sistema com tal grau de instabilidades e incongruências. Como alguém disse, "é preciso parar antes de voltar a avançar".

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:37 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 29.05.16

 

 

 

Há umas duas décadas alastrou-se aos serviços públicos a primazia da ideia de negócio. A gestão foi o primeiro objectivo. A alegação repetida com critério: eliminação do corporativismo e do despesismo.

 

A agenda mediática introduziu impedimentos para o exercício dos cargos: médicos a gerir hospitais, juízes a gerir tribunais, professores a gerir escolas, bancários a gerir bancos, engenheiros a gerir a EDP, a PT ou obras públicas e por aí fora. Quem seriam, então, os gestores? Saltitantes especializados em tudologia e boas relações com a partidocracia. Sabiam de offshores e swap´s e tinham treino de casino. Os resultados falam por si.

 

 

PS: para os DDT´s, os colégios "privados" são a gota que os assusta e que descartam se der muito nas vistas. O que os preocupa são as descomunais EDP, segurança social, saúde e banca.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:17 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 28.05.16

 

 

A impressa do Expresso tem muitas referências, acusatórias do Governo, ao caso "estivadores"; umas subliminares e algumas tendenciosas. Mas a voracidade dos tempos é o que se sabe e o caso "estivadores" tornou-se um bom exemplo para o Governo e mais ainda se comparado com o anterior executivo. A desactualização da notícia evidenciou a parcialidade. Um jornalismo de referência seria, no mínimo, cuidadoso. Mas como no neoliberalismo tudo está à venda, estas nuances levantam a hipótese do desenho.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 19:06 | link do post | comentar | partilhar

 

 

Como é que diz que se disse?

 

Nem mais.

 

E acrescento o comentário inserido neste post pelo Rui Farpas de Mascarenhas:

 

"Ai as estatísticas! Então as de “felicidade”… Mas embarcando no jogo delas, também se poderá dizer que elas “confirmam” que o paradigma escolar vigente está esgotado, mas (ainda) funciona graças aos professores e à sua dedicação e entrega."



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 19:01 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Segundo a TSF, "o documento do Tribunal de Contas apresentado pelos colégios "privados" era um visto interno de um funcionário datado de Setembro de 2015". Os colégios já usaram indevidamente uma audiência com o PR e assiste-se a um somatório de "erros" e promiscuidades em diversas zonas. É preciso uma espécie de refundação depois de uma década em plano inclinadíssimo.

 

Recupero um comentário que me deixaram noutro post;

"É toda uma escola de trapalhadas e trafulhices, de jogos de sombras e de marionetes, de pequenos poderes em "roda livre", de fugas para a frente e por aí fora".

Ao que acrescentei:

Nesta zona convém recorrer também à sabedoria popular: zangam-se as comadres, sabem-se mais algumas coisas; tanto tira quem o faz, como quem fica à porta; gato escondido com a cauda de fora; a ocasião faz a acção; e por aí fora. Um enjoo. Fica sempre no ar a interrogação: tudo isto é mais Maquiavel ou basismo? O que vai valendo é que existe mais alguma transparência com a Web 2.0.
 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 11:20 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Sexta-feira, 27.05.16

 

 

 

Já nem vou ao caso extremo do presidente do Conselho Geral da escola pública que é proprietário do colégio "privado" vizinho que tem contrato de associação redundante. Há inúmeros autarcas, como só agora alguns estão a reparar, que estão nos Conselhos Gerais das escolas públicas e comprometidos com o negócio dos colégios "privados". E podíamos ficar umas horas a elencar casos da mesma família. É evidente que a entrada da partidocracia na vida das escolas explicará alguns dos enigmas mais recentes da rede escolar.

 

O Governo mostrou-se corajoso e bem preparado. Necessitou, e necessita, de apoio no terreno. Desde logo, de clareza e transparência nas redes concelhias. A mediatização dos "erros" explicados pelas circunstâncias do primeiro parágrafo é inevitável e até favorece as intenções dos que se opõem ao Governo. Mas espera-se que esses casos de duplex escolar, agora mais expostos, tenham, no mínimo, uma vida mais difícil.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:26 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Quinta-feira, 26.05.16

 

 

Quando comentava uma vez por semana, a tónica era a mudança de opinião de acordo com o vento. Se como PR comenta dez vezes por dia, estavam à espera de quê?



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 23:29 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

 

 

Em 2011, os mais agressivos sentenciavam: "Somos o privado. Temos a excelência e a qualidade. Não temos confusões, manifestações ou recursos para tribunais".

 

Em 2016, os mesmos sentenciam: "Somos da rede pública. Promovemos a igualdade de oportunidades. Somos pela inclusão". E geram confusão. E ameaçam incumprir a lei. E manifestam-se. E com crianças; como nunca se viu. E recorrem para os tribunais.

 

As voltas que a vida (escolar) dá, realmente.

 

Então agora não se fala na necessidade de um haircut? O que nunca imaginei, foi ver um boomerang a executar o corte.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:29 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

 

 

 

"Precisamos é de escolas normais para pessoas normais". Ouvi e concordei. Precisamos de escolas com instalações decentes, com um número aceitável de alunos por turma, com uma organização desburocratizada, moderna, ambiciosa e virada para o futuro. Precisamos de escolas não titubeantes na afirmação da democracia. Precisamos de recuperar o respeito pelos profissionais da Educação.

 

Não precisamos da retórica da excelência e da qualidade. Não precisamos desses conjuntos vazios e de propaganda. Não precisamos de redes concelhias com escolas em concorrência. Dispensamos a arrogância. Dispensamos o egocentrismo escolar que nos devia envergonhar com tanto por fazer. Precisamos de outra gramática.

 

As escolas normais cooperam, pensam em conjunto as matrículas de alunos e não excluem; muito menos alunos da educação especial. As escolas normais são as escolas das democracias mais avançadas e com melhores resultados, desconhecem a competição deslocada e a publicação de rankings medíocres para concluir o óbvio. As escolas normais elevam o interesse público. Nos países normais, as pessoas são normais e os resultados democráticos.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:12 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Quarta-feira, 25.05.16

 

 

 

"Nessa altura, ela estava no facebook. Sei sempre quando entra ou sai. Nunca viste a coluna da direita no computador ou no tablet? Consegues saber quem está e há quanto tempo", dizia-se em tom excessivamente audível na mesa ao lado. A conversa a quatro foi por ali fora sempre à volta da vida alheia. Nem a atenuação de uma voz mais-vida-própria, que remetia a possibilidade das presenças contínuas para tablets ou smartphones ligados com app's abertas ou com browsers na mesma situação em computadores, descansava as outras três almas. O frenesi do voyeurismo era tão sôfrego, que os vigiados já devem ter saliências no topo da cabeça, vulgo antenas, para a acusação evernet. Que raio de vidas, realmente.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:05 | link do post | comentar | partilhar

 

 

Precisamos de mais escola a tempo inteiro ou de sociedade democratizada a tempo inteiro? Em 2014, 11 mil alunos reprovaram no 2º ano (números chocantes) e o insucesso subiu em todos os anos.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 15:55 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

Escrevi assim:

E se uma das escolas mais expostas a contratos redundantes estivesse pontuada com um 5? Imaginemos que, em 2005, quando nasceram os colégios "privados" na sua zona, essa escola tinha 1000 alunos e 42 turmas (32 nos 2º e 3º ciclos). Imaginemos ainda que, em 2016, já só tinha 400 alunos e 23 turmas (17 nos 2º e 3º ciclos e continuemos a imaginar que ao longo dos anos o MEC afunilou a constituição de turmas) e estava pontuada com um 5 que é a classificação máxima das sobrelotadas. Seria, no mínimo, surpreendente.

 

Documenta-se, então, o estranho caso da EBI de Santo Onofre em Caldas da Rainha.

 

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Quadro na página 101 - na página 03 explica-se a metodologia, nomeadamente a recolha de dados

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:28 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 24.05.16

 

 

 

Nunca um ministro disse algo que se aproximasse. Conheço bem o tema e estou à vontade para o sublinhado. A Secretária de Estado da Educação afirmou ontem, na mesma sessão, que finalizou um estudo sobre a rede escolar e que nos anos iniciais de ciclo não ficarão salas vazias nas escolas públicas que se situem "ao lado" de colégios financiados pelo Estado.

 

Escrevi muito sobre este assunto. Pode consultar nas etiquetas do blogue. Li muitas opiniões nos últimos dias. Recordei-me de Pedro Santos Guerreiro do Expresso a propósito do Panamá Leaks: precisamos que os cidadãos mantenham a pressão alta; os jornalistas caminham numa difícil pista de obstáculos.

 

Esta variável da rede escolar tem contornos semelhantes. Todos têm que fazer o seu papel. Não adianta atrasar mais esta nódoa na decisão política. Para além das questões que interessam aos alunos e a quem os educa (mesmo que desconheçam que lhes diz respeito em primeiro lugar), professores do público e do "privado" merecem decisões civilizadas. Há duplicação de despesa, ou de investimento se não se privatizassem lucros à custa da precarização de profissionais. É imperativo que em cada concelho se apurem números reais. Quando se deu o boom de 2005 com colégios ilegais, as escolas públicas tinham cargas curriculares muito superiores ao que existe hoje. Têm, portanto, mais capacidade para a frequência de turmas. Com a associação de outras variáveis, é possível encontrar soluções que minimizem os danos para as pessoas. Quanto mais tarde se resolver este problema, mais graves serão as consequências.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 16:03 | link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

Segunda-feira, 23.05.16

 

 

 

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"Escolas públicas estão em condições de acolher os alunos dos privados", diz o dirigente da ANDAEP (dirigentes escolares) em resposta aos dirigentes das cooperativas que declaram a possibilidade de encerrar as empresas.

 

Um dos casos mais mediáticos, a rede escolar das Caldas da Rainha, registou dois colégios GPS a partir de 2005. Nessa altura, a rede concelhia matriculava mais turmas do que actualmente e com uma carga curricular muito superior (os cortes e eito de 2011 libertaram inúmeros espaços). Os polémicos colégios iniciaram um excesso de oferta (no 3º ciclo e no ensino secundário), uma vez que a rede apenas necessitava de mais 2º ciclo por causa das turmas com alunos da educação especial - turmas de 18 a 20 alunos (muitas turmas matriculavam 26 a 28 alunos, o que fará sorrir quem conhece o que se vai passando neste domínio) - e da eliminação do regime de desdobramento nos 1º e 2º ciclos.

 

Em 29 de Maio de 2013 fui convidado para debater a rede escolar das Caldas da Rainha, conforme se vê na imagem seguinte (do Jornal das Caldas).

 

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Recupero um resumo dos tópicos (completos na ligação) que elaborei para a comunicação e que fazem um histórico.

 

Agradecimentos. Foi com muito gosto que aceitei este convite feito por pares. É uma questão que me interessa. Pediram-me a história. Vou tratar dos factos no período de 1990 a 2005.

 

Estive, nesse período, cerca de 15 anos num mergulho em gestão escolar, primeiro no CAE Oeste e depois como presidente do CE da EBI de Santo Onofre. A rede escolar é determinante na gestão escolar. O plano estratégico que se constrói para uma escola tem uma relação directa com os alunos que a frequentam e exige estudo, prospecção e antecipação. A questão entrou na ordem do dia com os horários zero por causa dos cortes a eito. Mas o problema já existia. Atingiu professores isolados arrumados numa angústia silenciosa que adivinho insuportável.

Algumas questões muito breves e prévias:

    1. Excesso de oferta por erros de planeamento e outras coisa mais (que é comum a outras áreas - bolha imobiliária, vias rodoviárias,).
    2. Vou remeter-me à cidade e aos 2 e 3 ciclos e Secundário: o que estava sobrelotado era o segundo ciclo.
    3. Como já não se construíam preparatórias, a intenção era construir uma escola publica 23 ou 123. Em vez disso, pasme-se, construiu-se uma escola cooperativa com ensino secundário.
    4. Criou uma espécie de efeito sistémico. Quando não há estudo, ou não se respeita o que existe, o resultado nunca é bom. Uma rede é uma engrenagem semelhante a um relógio suíço.
    5. Também há, no 1 ciclo e no pré-escolar, excesso de oferta. 

Como foi isto possível é o que vou detalhar.

Duas áreas de abordagem:

    1. O processo de tomada de decisão na construção de escolas e na organização da rede escolar.
    2. O processo de escolha da escola por parte de alunos e EE. 

 

Vamos lá então à primeira. Em paralelo com a (não) construção da tal escola pública em que tanto me empenhei também decorreu um processo semelhante: a construção do pavilhão desportivo da EBI de Santo Onofre. Vamos datar.

 

Em 1990. A história do pavilhão Rainha D. Leonor e a construção da EBI Santo Onofre. Na Drel pensavam que a EBI Santo Onofre estava junto ao pavilhão (ficou por lá uma cooperativa de ensino superior que, entretanto, já lá não está) e afinal estava a quase um 1km. Os terrenos da EBI Santo Onofre foram um "pesadelo" que se arrasta até ao presente.

 

Em 1998. Detecta-se a sobrelotação do 2 ciclo. Os residentes na zona da Raul Proença tinham de frequentar o 2º ciclo em Santo Onofre ou na D. João II. Qualquer decisor considera 3 variáveis: alunos e encarregados de educação, instalações e profissionais. Foi assim com a EBI de Santo Onofre para onde transitaram alunos e profissionais de outras escolas.

 

Em 2001. Protocolos de construção do pavilhão da EBI Santo Onofre e da escola EB 23 ou com 1 ciclo.

 

Em 2003. Caem os CAEs. Os municípios passam a ter mais peso nas decisões e constroem a carta educativa para todos os ciclos. Fala-se em escolas 12 e 3S.

 

Na reunião seguinte, a DREL anuncia 8000 alunos quando na realidade só existiam 5000. Diziam que foi com base nos PDMs. Foi um péssimo sinal. Orientámos a reunião em descentralização. 

 

Em 2005. Inicia-se a construção do pavilhão da EBI Santo Onofre e da escola nem a primeira pedra por causa de terrenos. À terceira adjudicação a obra é denunciada e o empreiteiro recebe uma avultada indemnização.

 

Na reunião de rede seguinte alertei para os horários zero. O representante da cooperativa disse que só concorreu a A-dos-francos e que lhe exigiram uma segunda escola na cidade. Disse que os horários zero passariam para a cooperativa. O DRE do novo governo mostrou-se preocupado, mas nada podia fazer.

 

Em 2007. Vi o que estava a suceder e escrevi uma longa carta a tentar que a capacidade de antecipação impedisse o que está a acontecer à escola pública. Nos anos seguintes as escolas públicas tiveram as mesmas restrições na rede. Os problemas mantinham-se e a cooperativa funcionava à parte da rede.

 

Terminava com esta evidência: Nesta altura, com a redução curricular executada as escolas publicas têm capacidade para mais turmas do que na altura da sobrelotação.

 

A liberdade de escolha da escola. A escolha é um processo antigo sujeito ao limite de vagas. Há uma lógica de quase mercado e introduzo aqui porque é um conhecimento importante. Direito só há um, o vigente e mais nenhum. Ou seja, para além da letra e o espírito da lei existe a sua aplicação.

 

Nas Caldas da Rainha existe o imaginário de um colégio. Desde 2006 que reparo que colégio atribui outro estatuto social e ainda por cima gratuito. As escolas públicas perdem na imagem.

 

Permitam-me oxigenar um pouco a atmosfera pesada que vivemos. A designação da escola é importante. Se olharmos para os polémicos rankings nacionais, se estivermos atentos às designações, veremos que os primeiros lugares são ocupados por colégios com nomes de santos e de nossas senhoras.

 

Quando Santo Onofre era a escola da moda no concelho e na região, havia alguns, talvez mais distraídos, que pensavam que muito disso era por causa do santo e das festas. Afinal não. O santo, embora algo encoberto, e as festas continuam e os horários zero crescem. Era por causa de muitas outras coisas e não estaríamos onde estamos se tivéssemos sido firmes na sua defesa. Se pensarem bem, pode ser uma esperança para o futuro se formos atrás dessas muitas outras coisas.

 

Disse no início que a situação foi dramática no verão de 2012. A situação volta a ser dramática este ano. Se se deixar "passar o tempo", e se nada se fizer, daqui a poucos anos a situação será, como de resto no país, explosiva.

 

Muito obrigado.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 14:39 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 22.05.16

 

 

 

Por que é que há escolaridade obrigatória? Porque as taxas de abandono e insucesso escolares precoces, e de analfabetismo, são chocantes. Se não fosse obrigatória, os números aumentariam: por falta de jeito dos miúdos, por só estarem a gastar dinheiro, porque é no trabalho desde cedo que se aprende ou por serem raparigas. Ou seja, não há escolha: é obrigatória e muito bem. É um direito, e um dever, constitucional conferido pela rede pública de escolas. Ainda há pouco passou para 12 anos para contrariarmos os números de população adulta sem sequer o ensino secundário.

 

E que relação tem a escolaridade obrigatória com a lógica do cliente escolar e da liberdade de escolha? Tem a relação mais inversamente proporcional possível. Os suecos, e até sem analfabetismo desde o século XIX, experimentaram, em 1995, a generalização da lógica do cliente escolar. Um falhanço, consubstanciado na segregação dos alunos. O cliente escolar desautoriza e baixa o nível do ensino, porque o negócio exige, para além de outras variáveis, uma organização com profissionais lowcost. Todos perdem, menos os proprietários das empresas. Há outra conclusão óbvia: fragiliza a democracia em poucas gerações.

 

Este post usa argumentos que são conhecidos há mais de cinco décadas por quem estuda a importância da escolaridade obrigatória na consolidação das democracias.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:13 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

A Liberdade como princípio, a Liberdade como fim (do facebook de José Matias Alves)

 

(...) 

Três liberdades e mais três. A liberdade é um substantivo, mas é também um verbo de acção. A escola pública tem de saber repensar-se, renovar-se, abrir-se.


Em primeiro lugar, repensando-se no espaço público. Há mais educação para além da escola. Hoje, precisamos de reforçar os laços entre a escola e a sociedade e assim renovar um compromisso social em torno da educação. É uma mudança decisiva, que exige uma efectiva capacidade de decisão das pessoas, das autarquias e das instituições no interior deste espaço público da educação. Não gosto muito da metáfora das «cidades educadoras», mas é a que melhor ilustra a dimensão de partilha e de co-responsabilização que marca a educação nas sociedades contemporâneas. 


Em segundo lugar, renovando-se como «coisa pública». 
A escola não é um «serviço» ou uma «mercadoria», é uma instituição da res publica. Quando se compara a escolha da escola com a escolha das malas, dos sapatos, do jornal, do carro ou da casa, como já se escreveu, perde-se todo o sentido, social e cultural, individual e colectivo, do acto de educar. 


Em terceiro lugar, abrindo-se ao futuro. Vivemos um tempo de profunda mudança geracional, em grande parte pela forma como o digital está a transformar as vidas das crianças e dos jovens. Michel Serres diz mesmo que, nas últimas décadas, nasceu «um novo ser humano que vive, pensa, comunica e ... aprende de maneira totalmente diferente». Os edifícios escolares vão desaparecer ou, pelo menos, vão transformar-se radicalmente. Os tempos escolares vão ser organizados de modo totalmente diferente. O trabalho dos professores vai sofrer alterações profundas. A escola pública tem de estar à altura desta revolução da aprendizagem que está a acontecer debaixo dos nossos olhos e perante uma certa «indiferença» da nossa parte. 


A escola pública tem de ser, cada vez mais, um espaço de liberdade. Hoje, as sociedades têm um nível de educação, instituições culturais e científicas e meios tecnológicos que permitem concretizar o sonho, que muitos outros sonharam antes de nós, de uma escola que é 

 

Igualdade 
Diversidade 
Aprendizagem 
Participação 
Autonomia 
Criação 

 

A liberdade tem uma característica única e singular: só existe em mim se existir também nos outros. Não posso ser livre se os outros viverem sem liberdade. A escola pública é o lugar da liberdade, de todos e não apenas de alguns. A liberdade como princípio. A liberdade como fim. 

 

António Nóvoa

Universidade de Lisboa

 

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Sábado, 21.05.16

 

 

Num momento em que se aplaude uma solução tutorial-exclusivamente-escola para uma pequena componente da praga do insucesso e abandono escolares, recupero um algoritmo que escrevi há uns seis anos.

 

A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

 

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

 

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

 

É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico ou contratual dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 19:10 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 20.05.16

 

 

 

Pode consultar aqui a lista dos colégios "privados" que não vão receber turmas de início de ciclo e pode ver aqui o programa Sexta às Nove, da RTP1, exibido esta noite. É mais um vídeo fundamental e bem documentado.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 23:17 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

Os adeptos das políticas do Estado mínimo invocam o liberalismo e Adam Smith para justificarem uma superiorida ética da gestão privada. Era bom que mudassem de disco.

 

A queda dos salários, por exemplo, tem de ser acompanhada pela queda dos lucros e das rendas; e com muito cuidado com a perigosa deflação. Adam Smith via essa queda como uma decisão circunscrita às leis e à política. Se analisasse o que se passou em Portugal, seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: houve uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e foi esse radicalismo que provocou o empobrecimento.

 

A queda dos salários provocou a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP e outros monopólios). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos (que conhecem melhor que ninguém) das dívidas públicas como os investidores ocidentais. O que se percebeu nestes "privados" escolares foi a guloseima das rendas a caminho do monopólio; era (e é?) esse o seu confessado objetivo.

 

 

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Adam Smith (2010:171) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 15:46 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Mais logo, às 21h00, o Sexta às Nove da RTP 1 será dedicado aos colégios "privados".

 

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Registei a adopção neoliberal em boa parte do sistema escolar na última década e vou vendo perplexidade nos que repetiam antes das várias quedas: isso é impossível. Mas o que mais me intrigou nos neoliberais, foi a indiferença com o sofrimento alheio e o convencimento da sua salvação; é que nem os 1% podem confiar em tal. É evidente que se o tempo dá lições às "nêsperas de Mário H. Leiria", há ainda umas franjas que precisam de alguma repetição da célebre "Indiferença" de Brecht.

 

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Quinta-feira, 19.05.16

 

 

Os analistas mainstream estão algo apoplécticos com o Governo. Compreende-se. Foram anos a fio a tergiversar com o arco governativo e não entendem a gramática da geringonça. A oposição também não. Acusa o Governo de "defender a escola pública" e o PSD considera "como seus" os raciocínios políticos de Lurdes Rodrigues e Marçal Grilo. Olha que novidade.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:43 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

E se uma das escolas mais expostas a contratos redundantes estivesse pontuada com um 5? Imaginemos que, em 2005, quando nasceram os colégios "privados" na sua zona, essa escola tinha 1000 alunos e 42 turmas. Imaginemos ainda que, em 2016, já só tinha 400 alunos e 23 turmas (continuemos a imaginar que ao longo dos anos o MEC afunilou a constituição de turmas) e estava pontuada com um 5 que é a classificação máxima das sobrelotadas. Seria, no mínimo, surpreendente.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 13:31 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 18.05.16

 

 

 

"Os serviços do ministério apuraram 70% de redundâncias no início dos ciclos, mas as escolas públicas só deram resposta a 57%". A reconhecida coragem governativa tem que ser acompanhada no terreno e as comunidades escrutinam o apuramento dos números. Fundamentos e transparência são exigências para eliminar ruídos.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 15:12 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 17.05.16

 

 

 

O Governo mantém-se firme na rede escolar, sublinhando a atitude justa, corajosa e informada. "O Ministério corta 57% das turmas de 5º, 7º e 10º anos nos contratos de associação". Como sempre se disse, o adiamento na resolução desta nódoa no Estado direito provocaria ainda mais danos nas pessoas. Enquanto se regista a esperança de milhares de professores da escola pública (dos quadros e contratados) que vivem há anos a fio em permanente pesadelo, observa-se o desespero dos que têm leccionado nos colégios "privados". E é assim o neoliberalismo: os 1% tentam passar pelos pingos da chuva e os 99% do costume são flagelados à vez.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:11 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

Compreende-se a necessidade de alterar o modelo de gestão para compensar o aprofundamento da municipalização escolar e contrariar as componentes mais críticas dos mega-agrupamentos: gestão de proximidade e autonomia das escolas.

 

O Governo pretende aprofundar a municipalização escolar, descentralizando competências nos domínios da gestão do território, das instalações escolares, e dos demais recursos, e na gestão dos profissionais. Se é aceitável uma agência municipal que alargue aos concelhos as partilhas administrativas em curso nos agrupamentos, é natural a apreensão dos que olham para os municípios como escolas da pior partidocracia. É, portanto, compreensível que os equilíbrios na maioria que governa imponham o regresso a um modelo de gestão escolar que garanta a autonomia das escolas em relação aos municípios e que lhes confira, simultaneamente, um grau mais elevado de poderes desconcentrados do ministério da Educação. É um exercício difícil, mas também nunca se leu que a democracia não dá trabalho.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:41 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 16.05.16

 

 

 

 

Foi com o "país de tanga" de Barroso (2002) que o plano inclinou. Classificou os funcionários públicos (700 mil na administração central) como "culpados pelo despesismo" com os professores (175 mil) na primeira linha.

 

Mais tarde, em 2007, o país apresentava três indicadores: dívida de 67% do PIB, défice inferior a 3% (2.8% ou menos em cumprimento das regras europeias) e um crescimento de 2,3 ou 2,4%. Os número de funcionários públicos era semelhante a 2002,


Em 2016, os três indicadores dizem: défice de 11%, e só um brutal aumento de impostos conseguiu uma redução que não atingiu o número de 2007, o crescimento tem sido mais recessão e o ano mais elevado é inferior a dois. A dívida duplicou: 130% do PIB.


E o que é que aconteceu aos professores e à escola pública? Um corte a eito de 30 a 40% dos professores (mais de 50 mil) e oito anos sem progressões na carreira. Nos últimos quatro anos, cada professor teve um corte líquido no salário que em muitos casos chegou aos 400 euros mensais. Encerraram mais de 4000 escolas.


E os tais do "país de tanga"? Ligavam-se ao sistema financeiro (nomeadamente garantias ao sector bancário e empresas públicas) que "já consumiu em oito anos" o equivalente a cinco anos sem alunos, professores, e outros profissionais, e escolas. No mínimo, um encerramento absoluto do sistema escolar durante meia década. E ainda queriam, como na imagem, que os professores tivessem sido uma espécie de rebanho em forma de ram?

 

Já usei parte deste texto noutro post.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:00 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 15.05.16

 

 

 

Defende. É a sua obrigação. O que se estranhou foi o silêncio cúmplice de partidos perante o despedimento de 20 mil professores e de milhares de horários zero também em consequência de contratos de associação redundantes.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:57 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

 

 

 

Os colégios "privados" apoiaram-se no poder político e beneficiaram da centralização do MEC ocorrida a partir do Governo de Durão Barroso que colocou a rede escolar em roda livre. Sem isso, teria sido difícil sobreviverem. Está documentado e ponto final. Veremos como termina o processo, embora se perceba, finalmente, toda uma nova abordagem ao problema mais próxima da realidade.

 

Os argumentos incluíam uma família de políticas educativas que não se circunscreveram ao "privado": liberdade de escolha, livre concorrência, mercado escolar, modelo de gestão escolar com entrada da partidocracia local, lógica do cliente escolar (tem sempre razão), mega-agrupamentos, publicação de rankings de exames (os vigentes, medíocres, só existem deste modo em Portugal) com ponderação sócio-económica apenas para as públicas, professores titulares, avaliação do desempenho de professores burocratizada e com quotas, infantilização do estatuto do aluno, afunilamento curricular e por aí fora.

 

As escolas públicas podiam ter feito mais para impedir 25 mil despedimentos, milhares de horários zero e afastamento da residência de outros professores dos quadros? Podiam. Desde logo, e em 2009 por exemplo, se tivessem impedido a implementação do modelo de gestão escolar. E foi por um triz. Mas isso exigia um texto longo para análise das variáveis e consequências. Mas há exemplos mais lineares e evidentes. Foi um erro, por exemplo, aplicar critérios de selecção de alunos de acordo com os resultados escolares esperados ou excluir alunos "problemáticos" ou com necessidades educativas especiais que "perturbassem" a atmosfera de treino para exames. Entrar no mesmo jogo "legitimou" os tais "privados" e reforçou a indústria dos exames como primeiro pilar do mercado escolar.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 01:05 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Sábado, 14.05.16

 

 

 

Se não lêem, deviam ler. Ficavam com algumas ideias, embora nunca se saiba se isso seria positivo ou não. O que é um facto, é que o Paulo Guinote escreveu no dia 22 de Abril que o Governo daria aos "privados" da Educação uma fatia do pré-escolar em compensação ao encerramento de colégios. Mas dá ideia que a intermediação do PR foi exclusivamente "beata" e que as Empresas.SA que estão no negócio perderam influência.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 13:11 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 13.05.16

 

 

 

A argumentação de boa parte dos colégios "privados" desorientou-se. Ainda ontem vi um vídeo da Guarda com crianças à chuva, encharcadas e a tremer de frio, a "protestar". Estavam alinhadas e vestidas de amarelo o que tornava a coisa mais deprimente. Por outro lado, e estou muito à vontade para o que vai ler, por que raio de razão é que uma federação de sindicatos como a FENPROF é diabolizada por tentar influenciar as políticas da Educação e a Conferência Episcopal não? E depois, e considerando que somos um país laico, alguns média esquecem-se que prestam um serviço de interesse público.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 15:40 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 12.05.16

 

 

 

 

Não é recente a sensação de que o país mergulhou no pano verde. O caso GES, mais propriamente BES e empresas de saúde e seguros, explica como os valores fundamentais da comunidade ficaram expostos ao casino puro e duro. Os estados licenciaram privados com base em três pressupostos: geriam melhor, faziam mais com menos e garantiam uma superioridade ética.

 

A exemplo dos negócios da água ou da luz, os denominados "sempre a facturar", a questão obedecia a um simples raciocínio: os licenciados sentavam-se em cima do que recebiam (poupanças, seguros obrigatórios, tratamentos de saúde ou pagamento de despesas educativas) e era impossível que saíssem a perder.

 

A entrada da troika coincidiu com a chegada ao poder de uma ideologia radical crente nas virtudes do mercado desregulado. A propagação foi rápida. Os resultados estão aí. Não houve quem impedisse a transferência histórica de recursos financeiros para a classe alta somada ao desplante, no mínimo isso, dos "cofres cheios".

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 17:50 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 11.05.16

 

 

A direita, mais ainda a neoliberal, enche o discurso com os subsídio-dependentes. Parece uma obsessão. A PàF reduziu ao mínimo o rendimento mínimo garantido, os subsídios de desemprego, o apoio à cultura e o investimento na escola pública. Era tudo subsídio-dependente. Mas, e recordando o desnecessário exemplo da Igreja Católica na polémica dos colégios "privados", é a histeria se o Estado reduzir subsídios em algumas áreas, como a referida, as Misericórdias ou as IPSS. É espantosa a incoerência e a facilidade com que se muda de pele. Não conseguem articular uma dúvida quando se fala em duplicação de serviços educativos, disciplina orçamental, privatização de lucros e cumprimento da lei. E depois não querem que a história os olhe como a direita dos interesses.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:47 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

Ideologia



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:34 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Não é normal, em democracia, que se a PàF governa à direita, um executivo apoiado no PS+BE+PCP o faça à esquerda? Mas queriam o quê? A eternização do arco que levou o país ciclicamente à bancarrota em nome de um suposto equilíbrio? Francamente. A PàF usou a troika para dar asas a um radicalismo ideológico de direita na Educação. Foi muito além das finanças em período de anestesia da massa crítica. O actual Governo tem estado a recentrar as políticas educativas depois de uma década de tempestades. Embora até discorde de vários aspectos, nomedamente do modelo de escola a tempo inteiro ou da não eliminação da hiperburocracia, não é disso que se trata no caso colégios "privados". Parece-me que o Governo procura a requerida disciplina orçamental e o cumprimento da lei. Em qualquer país da Europa se considera impensável a situação portuguesa.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:17 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Terça-feira, 10.05.16

 

 

 

Há, objectivamente, componentes críticas na organização escolar: hiperburocracia, fragilidade democrática, profissionais desesperançados e insuportável caderno de encargos. Para além disso, à chuva de fundos que permitiu edificar escolas associou-se o tradicional caos na gestão do território; ou seja, há tipologias escolares para todos os gostos mas, e apesar disso, está consolidada a relação com os ciclos de ensino. Mas eis que um especialista CNE na tergiversação recupera uma das suas epifanias e inclinações: e se os ciclos de ensino adoptassem o 6+6, mesmo que desdobrado em 3+3+3+3, em detrimento do 4+2+3+3, que já foi 4+2+3+2 e passou a 4+2+3+2+1 até chegar ao 4+2+3+3? Há quem prefira o tal 6+6, o 6+3+3, outros o 4+5+3, o 9+3 e até recentemente houve quem tentasse o 4+prof ou quando muito 6+prof em paralelo com o 12 para uma minoria. Sei lá. Terraplena-se o parque existente e elege-se a táctica escolar como o quebra cabeças; como alguém perguntava, táctica ou bitáctica? Não sou avesso a mudanças; pelo contrário. Mas não há pachorra, realmente. Só podemos falir ciclicamente.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 16:28 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 09.05.16

 

 

 

Os bloggers da blogosfera dos professores instituíram-se como profetas da desgraça. É, realmente, uma tarefa pouco simpática avisar os concidadãos das desventuras vindouras. A exemplo de outros "catastrofistas", também passam o tempo a ouvir o afinal-tinhas-razão; e já são tantas que a dificuldade está na escolha. Os tempos que acabámos de viver exigem anos a fio de recuperação. Ninguém pode dizer que é possível, sequer, voltar à esperança da última mudança de milénio. O recentemente vivido obriga a um pressentimento: um regresso ao pesadelo será ainda mais arrasador. A luta de classes veio para ficar ou pelo menos não tem epílogo com data marcada; e não é preciso reinventar a roda para recuperar o essencial.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 15:37 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:35 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 08.05.16

 

 

Jorge Sampaio reagiu de imediato, e com indignação, às declarações de Durão Barroso que responsabilizam o ex-presidente na invasão do Iraque. É um assunto com importância histórica. Quem se interessa por estes assuntos, deve ler, e se me permitem, o muito bom romance de Clara Ferreira Alves, "Pai Nosso", que é demolidor para Durão Barroso.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 19:31 | link do post | comentar | partilhar


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25 de Abril de 2004
Autor:
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