Por indicação de Donatien Alfhonse François.

Não entendo o espanto com o facto de serem os países do sul da europa aqueles que apresentam taxas mais baixas de escolaridade, índices mais altos de corrupção e, naturalmente, défices orçamentais mais elevados; é da história e tem sido sempre assim.
Apesar da solidariedade das últimas décadas dos países do norte e do centro do continente, com a chuva de euros associada ao aumento do número de consumidores, dá ideia que a ajuda estrutural ainda não é suficiente. Ninguém se deve esquecer que os países do sul estão mais expostos às ondas de imigração (e os comprovados benefícios dos processos de miscigenação levam muito tempo) e que estão distantes do centro nevrálgico dos negócios europeus.
Os PIGS (Portugal, Italy, Greece and Spain) são ainda povos mais católicos. A Grécia tem até mais uma singularidade europeia na actualidade: Ministério da Educação e da Religião. É certo que para atenuar o significado em língua inglesa do acrónimo referido, há quem inclua a Irlanda do Norte no conjunto mas mesmo assim entre Portugal e a Grécia, de modo a ficar um PIIGS. "A Irlanda do Norte tornou-se, nas palavras do Prémio Nobel, líder unionista e Primeiro-ministro da Irlanda do Norte David Trimble, um "lugar frio para católicos." E mesmo com esse cubo de gelo metido no meio a coisa continua quente.

Podemos intuir o que quisermos, mas continua a ser preocupante o modo como o segredo de justiça é quebrado.
A não ser que a coisa tenha chegado a tal ponto, o que não quero acreditar, que a única forma de se fazer ouvir a verdade é violando as próprias leis.
"O primeiro-ministro condenou hoje a divulgação das escutas no âmbito do caso "Face Oculta" divulgadas pelo semanário "Sol", classificando-a como um “acto criminoso e ilegal” não só “contra a privacidade” mas também “contra a justiça”.(...)"

É impressionante o coro que se levanta a apontar o dedo aos erros das empresas de rating que, como se sabe, contribuíram decisivamente para o estado económico e financeiro a que se chegou.
Conhece-se que estas empresas integram o grupo das "inovadoras" do caótico subprime e não deixa de ser surpreendente como continuam a determinar a vida financeira das nossas sociedades. Chega a ser espantoso como estes arautos do accountability passam pelos seus interesseiros equívocos a assobiar para o lado e a querer manter os mesmos padrões do seu descarado despesismo.
Agências de "rating" tiveram "erros importantes", diz presidente do Santander Totta
"As agências de "rating" tiveram responsabilidades na origem da crise devido aos erros na avaliação dos riscos das empresas, mas o presidente do Santander Totta, Nuno Amado, acha que têm um papel importante apesar das falhas.(...)"
Uma escolha imperdível num blogue de leitura obrigatória; aqui e de seguida.
"Elogio da ansiedade.
[...] Uma pessoa pode ser intensamente ansiosa, mas, se ela consegue trabalhar, relacionar-se no casamento, cumprir seu papel de pai ou mãe, não há problema. A ansiedade será um problema se atingir um estágio clínico, no qual vira doença, a super-ansiedade. Só será problema para quem acha que é um problema. Conheço indivíduos altamente ansiosos que não interpretam sua condição como problema. Entendem que a vida é assim mesmo e estão satisfeitos."
Veja, S. Paulo, 3 de Fevereiro de 2010,

Os bancos são o que se sabe, com virtudes e defeitos como os humanos, mas quando actuam em roda livre, como nos últimos anos, as sociedades acabam em profundas depressões; e quem paga os custos são os mesmos de sempre, para que os agiotas continuem a esfregar as mãos em alucinantes quantias de vil metal.
Bancos já estão a passar custo da crise para os seus clientes
"O impacto nas empresas e particulares da crise que Portugal atravessa nos mercados internacionais de dívida pública vai fazer-se sentir muito rapidamente e de forma significativa.(...)"

Nem sei se este governo vai cair quanto mais adivinhar o momento em que essa possibilidade da democracia pode acontecer. Sinto uma atmosfera de nervos à flor da pele associada a uma intensa actividade de "jogos na sombra" de modo a iludir a realidade e a dar uma ideia contrária ao que se pretende. E já se sabe: os jogos políticos não são uma ciência exacta e, por vezes, os dedos entalam-se inesperadamente.
Quando a torrente informativa aponta teimosamente num mesmo sentido e bate até à exaustão na mesma tecla pode ser porque as supostas vítimas não se estão a dar muito mal com a coisa. Nunca é muito de fiar quando os mais "poderosos" aparecem na realidade mediática como as mais frágeis das criaturas.
Dá a sensação que as principais figuras do estado estão em guerra aberta. Se este governo caísse, o presidente da República ganharia a iniciativa governativa sem eleições e ainda sem uma nova (e indesejada?) figura primeira no seu partido de origem. Mas o processo "face oculta" poderia obrigar a isso mesmo sem deixar espaço para novas eleições legislativas durante o ano de 2010. Esperam-se novos e tórridos episódios.
E no meio de tudo isto, de toda esta fumaça, o estado do país continua no sítio do costume.

Um dos exemplos de que nos podemos socorrer para caracterizar o período critico e sobreaquecido que vai abanando os alicerces das instituições (e a escola é um exemplo flagrante) na época em que vivemos, prende-se com o conteúdo histórico que deve ser ensinado, colocando em contraposição a cultura de origem dos diversos sujeitos do processo de ensino à matriz dominante na maioria dos estados e das nações; mais ainda se pensarmos em termos globais e de sociedades abertas.
Não sei até que ponto a liberdade está em causa em Portugal, mas sei que, a exemplo da defesa da democracia, a sua afirmação é uma exigência diária, dá trabalho e nunca é redundante.
Tenho conhecimento de uma petição promovida por blogues que, e ao que me dizem, são dos mais diversos quadrantes políticos.
Divulgo a iniciativa e faço a ligação para o blogue aqui.
A comunicação social mais tradicional começa a dar conta do que se está a passar.
"São na sua maioria autores de blogues. As suas simpatias políticas vão da esquerda à direita. Uniram-se para pedir esclarecimentos sobre o caso Face Oculta depois das revelações feitas pelo semanário "Sol". Lançaram uma petição pública “pela liberdade” e, quinta-feira, às 13h30, manifestam-se frente à Assembleia.(...)"

"Chama-se liberdade de imprensa o direito exclusivo que têm certos potentados ou certos malfeitores, graças à sua fortuna ou às suas chantagens, de influir na opinião do país. O problema não está, evidentemente, em impedir a liberdade desses homens, mas em pôr a imprensa ao alcance de todos, de maneira que os argentários não continuem a possuir o monopólio da opinião" (Raul Proença in "Seara Nova", 1928).
Citação retirada daqui.
Por mais argumentos que me apresentem, não consigo aceitar como razoável, sequer, a ideia de copiar ou de plagiar. É uma desonestidade intelectual grave e não se constrói uma sociedade credível numa atmosfera assim.
O advento da sociedade em rede é propício a essas práticas e também muito vulnerável à agressão verbal sem rosto. Noutro dia fiquei surpreendido com a decisão da Universidade de Sevilha que passou a autorizar os alunos a copiar nos exames. Dizia um professor espanhol de outra Universidade: "os alunos têm um peso de 50% na votação destas matérias".
Mas sejamos justos: os alunos fazem o que vêem ou não? Os professores, nas escolas e nas universidades, têm ou não esse tipo de prática?
Internet: alunos plagiam cada vez mais para trabalhos escolares
"As crianças e jovens recorrem cada vez mais à Internet para fazerem os trabalhos escolares. No entanto, o objectivo é sobretudo plagiar, não fazer pesquisas, alerta a investigadora Cristina Ponte, coordenadora do EU Kids Online Portugal.(...)"
Hoje a escolha foi minha.

É só olhar com atenção para os estudos internacionais e nacionais em matéria de Educação para imaginar como será noutras áreas igualmente financiadas. Não sei é como é que se resolve o problema em Portugal: cruzar dados é quase impossível uma vez que os diversos aglomerados urbanos mudam de região quase de acordo com a vontade de cada sub-sistema: os últimos estudos que li falavam em trinta e oito quadros de divisão administrativa e não em um como seria expectável.
Ora leia a notícia que se segue e diga lá se vale a pena virem visitar-nos. A não ser que se fiquem pelo Bando de Portugal e tentem perceber a extrema fiabilidade dos estudos que se aplicaram ao BCP e ao BPN.
Comissão Europeia pode enviar inspectores para países que não forneçam dados financeiros confiáveis
"A Comissão Europeia (CE) poderá enviar inspectores do Eurostat, o escritório de estatísticas da União Europeia (UE), aos países que não forneçam dados financeiros confiáveis, disse hoje o novo comissário europeu de Comércio, Karel de Gucht.(...)"

O tempo vai passando e não se ouve uma voz proveniente da chamada "zona histórica" do partido socialista em defesa da liberdade de imprensa; nem, sequer, a questionar publicamente o que se passa.
Se o momento que vivemos na democracia mediática fosse proporcionado por personagens ligadas ao outro lado do espelho do dito bloco central, por exemplo, imagine-se o que não seria.
É estranho?
Pelo que vou ouvindo, a moda da discriminação dos homossexuais localizou-se mais nas lésbicas; dos olhares acusadores ao aluguer de casas. É uma coisa antiga: o que é preciso é discriminar, como se de um alimento se tratasse.

"Queda sem fim, seguido da Descida ao Maelstrôm, de Edgar Allan Poe" é o último livro de José Bragança de Miranda, professor de Teoria da Cultura, Cibercultura, Arte e Comunicação e Teoria Política.
Acompanho-o, lendo os seus livros, desde meados da década de noventa. Comecei a interessar-me pelos seus escritos quando assisti a uma conferência sua sobre corporeidade. José Bragança de Miranda, tem duas excelentes obras iniciais: "Analítica da Actualidade" e "Política e Modernidade".
"A imagem da queda é das mais profundamente incrustradas na cultura ocidental, tendo uma remota origem teológica, mas também correspondendo ao desejo milenar de escapar às forças gravitacionais que fazem cair todos os corpos para a terra. A queda era então um momento, talvez dramático mas provisório, da ascensão ou elevação. Na modernidade a imagem da queda sofreu uma mutação considerável. A leitura do conto de Poe, Descida ao Maelstrõm, serve de pretexto para apreender tal metamorfose, cuja compreensão se torna mais imperativa no momento em que se vai impondo uma cultura da "imaterialização" ou do "incorporal"".
(Não é a primeira vez que faço
um post com esta citação).
É lamentável. Museus gratuitos ainda se compreende desde que o sejam para todos, claro. Agora teatro e bailado? Ainda no fim-de-semana, em Lisboa, fomos a uma sala de teatro esgotada há muito; só que depois os lugares vazios davam nas vistas: o costume, ao que me disseram: levantam os bilhetes mas depois não põem lá os pés.
É uma coisa antiga: dá ideia que os pagantes militantes são apenas os clientes da província, que marcam os bilhetes com antecedência e não circulam pelo regime de oferta da capital.
Ora leia.
"Grande parte da cultura disponibilizada pelos organismos públicos é gratuita. Nos museus, nos palácios, nos teatros, no bailado, são mais os que entram sem pagar bilhete do que os que pagam.
Nos museus da rede nacional, por exemplo, 62 por cento das entradas não são pagas - esta é uma tendência que começou em 2005 e se foi acentuando. E apesar de em 2007 o número de entradas pagas ter voltado a ser ligeiramente superior ao das gratuitas, em 2008 atingiu-se a maior diferença: dos 1,218 milhões de visitantes registados, 465 mil pagaram e 752 mil não pagaram.
Nos monumentos, a divisão é mais equilibrada, com 51 por cento a pagar, mas nos palácios (que, tal como os museus, são geridos pelo Instituto dos Museus e da Conservação) verifica-se novamente que são mais os que não pagam bilhete de entrada do que os que pagam.
E se nos teatros nacionais - o São João, no Porto, e o D. Maria II, em Lisboa - a percentagem de entradas pagas é um pouco superior à das gratuitas, já nos espectáculos da Companhia Nacional de Bailado (CNB) é exactamente o contrário. Em 2008, dos cerca de 27 mil espectadores da CNB, 18 mil não pagaram. E no ano anterior a situação foi ainda mais evidente: dos 19 mil que foram assistir a um bailado apenas 4 mil pagaram o bilhete.(...)"
Cortesia da Isabel Seno.

Assisti a uma sessão sobre direito administrativo em que a dada altura se instalou um debate à volta do tipo de órgão executivo na administração pública: unipessoal ou colegial.
Sabe-se que a composição do primeiro obedece ao ente insolado e a do segundo se inicia em três; faltava a de dois, situação, aliás, rapidamente detectada.
Não se chegou a uma conclusão definitiva.
Talvez noutras geografias do mundo europeu esta questão nem se coloque. Mas no universo mais a sul, onde perdura o jeito caciquista, a dupla faz todo o sentido prático: "somos quase sempre dois no unipessoal e no colegial: eu e o meu espelho".
Cortesia da Isabel Seno.

Embora aprecie muito o humor, as anedotas desconcertam-me. Não sou muito dado a isso. E nem sei explicar a razão. Devo confessar que, quando me contavam anedotas, até ria: não que percebesse a história em si, é que desligo quase de imediato e de modo compulsivo, mas porque sim; cortesia. Os meus amigos não me levam a mal e até já deixaram de me contar a célebre "narração sucinta de um facto jocoso". Não estão para sorrisos amarelos e fazem bem.
Mas tenho sempre duas ou três anedotas para os raros apertos sociais. O portefólio, que raio de palavrão, vai mudando com a idade.
E vou escrever uma.
É sobre uma regata, com barcos de 12 tripulantes, entre Portugal e o Japão. A regata disputou-se em duas mãos: 20 Kms de cada vez.
Na primeira mão, a embarcação portuguesa chegou com 2 horas de atraso. Reuniu-se o comité de dirigentes da delegação lusa, ordenou a constituição de uma comissão para o estudo do insucesso e a conclusão foi esta: o problema estava na constituição das equipas: a japonesa tinha 1 timoneiro e 11 remadores (1-11) e a portuguesa organizava-se com 1 timoneiro, 2 vice-timoneiros, 3 sub-timoneiros, 5 timoneiros adjuntos e 1 remador (1-2-3-5-1). Perante os factos, o comité de dirigentes, e após acesa e demorada discussão, tomou a decisão: a organização da equipa portuguesa passou a ter a seguinte composição: 1 timoneiro, 1 vice-timoneiro, 4 sub-timoneiros, 5 timoneiros adjuntos e 1 remador (1-1-4-5-1).
Resultado da segunda mão: a equipa portuguesa chegou com 4 horas de atraso. Estupefactos, os membros do comité dirigente voltam a repetir todo o processo investigativo, acrescentando-lhe mais uma comissão. Após meses de análise aturada, conheceu-se a causa do desastre desportivo: a culpa era do remador.
E vem tudo isto a propósito do novo modelo de gestão desenhado para as escolas portuguesas.
Vejamos.
As escolas podiam escolher entre dois modelos de órgão de gestão: ou com 1 presidente, 2 vice-presidentes e 2 assessores (1-2-2) ou com 1 director, 2 adjuntos e 2 assessores (1-2-2). A esmagadora maioria das escolas escolheu o primeiro.
O governo reformista do passado, e pela pena de uma diabólica equipa que desgovernou o ministério da educação, veio, depois de muito estudo e após a consulta a organismos com prestígio internacional na teoria "a táctica do treinador de bancada", decretar um inédito modelo, escolhendo também uma nomenclatura mais agressiva: 1 director, 1 sub-director, e 3 adjuntos (1-1-3). Eureka.
Esperemos pelos culpados. Aliás, esses já os conhecemos há uns tempos.
"Esta entrevista, no mínimo, obriga a pensar. Atente-se nas consequências dos efeitos perversos da avaliação individual e leia-se a recomendação para valorizar o trabalho colectivo. Muito interessante.(...)"
Pode saber mais sobre a referida entrevista no blogue do Fernando Nabais; aqui.

Existimos num turbilhão veloz e inaudito, em que não há lugar, nem para projectos radicalmente novos - só por vaidade, como bem diz Gonçalo M. Tavares - nem para o extermínio do que existe.
Sobram as boas ideias - com princípio, meio e fim -, a incessante inovação como resultado do saber, do conhecimento e do estudo, a dedicação e o esforço. Sobra a antecipação e a organização.
E sobra a ética, mas a ética na leitura de Peter Singer: a ética só é boa se for verificada no exemplo de cada dia.
E o resto? "Tudo o que é sólido se dissolve no ar ".
Temos saudades dos espectáculos do "Ballet Gulbenkian". Vivemos excelentes momentos de bailado que oscilavam muitas vezes entre o chamado "mainstream" e a ousadia.
Ohad Naharin, o renomado coreógrafo israelita, foi convidado por diversas vezes: os seus "Axioma 7" (com cadeiras em meia-lua do princípio ao fim) e "Minus 5" (da série "Minus" que obriga à presença de público em palco) proporcionaram momentos inesquecíveis; com muitos bailarinos em palco e com uma conexão muito conseguida com o público.
Ohad Naharim transformou o ballet moderno numa festa com características muito próprias que, entre outros aspectos inovadores, dificultava a distinção entre o bailarino masculino e feminino. Uma outra faceta que sempre me fascinava na sua narrativa era quando se decidia pela utilização de cadeiras em palco.
Encontrei um vídeo de 2 minutos que pode entusiasmar o meu caro leitor se, por acaso, tiver a oportunidade de assistir a alguma "performance" desse grande coreógrafo. Ora clique.
Cortesia da Isabel Seno.
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Não passei os olhos pelo o último número da revista "Visão" - é uma compra que só faço no verão - mas li o que o Ramiro Marques escreve aqui. E notei a sua satisfação com alguns dos detalhes duma entrevista da ministra Isabel Alçada, nomeadamente no combate contra a carga burocrática que asfixia a possibilidade do ensino nas nossas escolas e que é um muro dificílimo de derrubar. É mesmo uma pandemia que nasce nos níveis central e regional e que se alastra às escolas menos autónomas e mais mergulhadas nas ideias eduquesas.
Vamos ver como tudo isto se concretiza. Dá ideia que temos uma ministra que conhece as salas de aula. Sabe-se que leccionou no segundo ciclo, salvo erro, e que nos últimos anos passava muito tempo em ambiente escolar por via do programa das bibliotecas. Há todo um conjunto de informação que as escolas recolhem que tem de ser eliminada; literalmente. É má burocracia que apenas serve para arquivo, não obedece a qualquer tratamento útil e racional, e em muitos casos é inventada por burocratas com pavor às salas de aula.
Espera-se também pelas alterações na avaliação dos professores, nos horários e nos aspectos mais negativamente comprovados da gestão escolar.
Isto está num ponto tal, que para graduar o estado de sítio é necessário procurar bem abaixo do subsolo. Decerto que não é fácil encontrar as causas que nos empurram para esta atmosfera quase inaudita de despudor e de cabeça perdida.
Mas é sempre possível realizar um exercício de síntese.
E é quase inacreditável constatar duas duras realidades, que se repetem, que sufocam o país e que alimentam a agenda mediática:
É caso para subscrever os mais atentos: a crise ou é um sofisma perpetrado pelos do costume ou é uma irresponsabilidade.
É tal o estado a que chegou o sistema escolar em Portugal que não me lembro de nada assim (talvez aquela saga dos concursos com uma aplicação informática inenarrável tenha algumas semelhanças no domínio da incompetência técnica); desalento, confusão, inacção e uma série de diplomas legais sem pés nem cabeça que a grande maioria não consegue cumprir e os que dizem que os executam fazem-no a fingir, por temor ou por oportunismo.
E lembrei-me de um pequeno vídeo de cerca de 2 minutos que nos pode dar alguma esperança e que sublinha um dos motes mais conhecidos da nossa organização: "lá nos havemos de safar"; é só ver o vídeo com atenção e dar asas à esperança.
Ora clique.
Cortesia da Isabel Seno.

Pelo que vou lendo há uma diferença entre Obama e os políticos europeus no modo de combater a hecatombe financeira. Enquanto o primeiro taxa os mais endinheirados, não dá folga aos salários estratosféricos e não tem contemplações nem com os bancos nem com as seguradoras que receberam fundos astronómicos anti-crise, os segundos fazem todos os esforços para manter a receita que nos levou a este estado de "desespero" financeiro.
Mas mais: os segundos não desistem em branquear as origens do caos e apenas apontam para a classe média, ainda em idade de exercício profissional, como a pagadora da despesa.
Em Portugal a coisa também não podia acabar bem. Basta recordar a chuva de milhões que se instalou nos negócios BCP e BPN, por exemplo. Foi tal a injecção de euros no pós-crise, que é fantástico como alguém ainda se consegue espantar com a situação de derrapagem nas contas públicas. Mas se apareceu tanto dinheiro para cobrir as quantias em falta, é caso para perguntar: onde está o capital deglutido nos negócios sem regulação?
Risco da dívida portuguesa dispara para valor recorde
"O custo de subscrever a protecção para um eventual incumprimento da dívida portuguesa disparou hoje para o valor mais alto de sempre, com os Credit Default Swaps sobre obrigações de Portugal a registar a maior subida do mundo.
Depois de ter tocado nos 196,2 pontos, os dados da Credit Market Analysis revelam que os Credit Default Swaps (instrumento de cobertura do risco da dívida, ou contratos de resseguro contra as perdas financeiras de empresas ou bancos) para as obrigações com maturidade de cinco anos estavam às 17h45 a subir 17 por cento para 195,8 pontos.(...)"
João Ferreira do Amaral,
economista, conferência "OE em análise"
na Ordem dos Economistas,
03-03-2010
Fonte: Público online
Uma consequência dos tempos devastadores que se viveram nos últimos anos na Educação, e por paradoxal que pareça, foi a imensa alegria com que os professores recebiam o seu papel da reforma. Foi tal a vontade de fugir, mesmo com penalização, que as justas homenagens ficaram "esquecidas".
Na primeira metade da década de noventa estive muito ligado ao desporto escolar onde tive a grata oportunidade de conhecer grandes profissionais e de estabelecer amizades para a vida.
Nesse grupo de dupla significação, inclui-se o Leonel Alexandre Tomás Cardoso, o Néné. Quando se reformou, já lá vão uns anitos, teve a merecida homenagem organizada pelos professores da sua escola. Mas no dia 10 de Novembro de 2009, a estrutura do desporto escolar quis atribuir-lhe um justíssimo prémio especial.
Não estive presente, mas gostei de ver as imagens do evento que partilho neste post.
Admiro o Teatro da Cornucópia e gosto sempre das peças na sala de origem. Embora seja um prazer ir ao Teatro Municipal de S. Luiz, em Lisboa, pelo espaço em si mas também pela envolvência, nem sempre aprecio as actuações que a Cournucópia lá realiza; e desta vez não fugiu a essa regra. "A cidade" foi mesmo a mais fraca que vi na história da companhia.
Nos últimos tempos tenho tido escassas oportunidades para espectáculos ao vivo e estava cheio de saudades. As expectativas criadas por quem viu "A cidade", e também pela crítica, deixaram a fasquia bem elevada. Mas como já escrevi, não gostei e percebi que não fui o único com esse estado de espírito.
A adaptação dos textos e a encenação transformaram o espectáculo de quatro horas num razoável entretenimento, com raros momentos altos mas com várias cenas ou a roçar a brejeirice ou num registo de revista à portuguesa.
O elenco de actores tinha muitos nomes mediáticos (deu para perceber isso nas manifestações do público que enchia a sala), mas que revelaram uma excessiva formatação para o género televisivo e parcos recursos para a actuação no palco teatral; nalguns casos, era mesmo frequente não se perceber o que diziam. O enorme Luís Miguel Cintra, que encenou a peça e adaptou o texto, brilhou, como sempre, em palco; a sua voz, então, destacava-se sobremaneira. Nuno Lopes, que actuou de muletas em virtude de uma fractura de pé no sessão da noite anterior, teve um desempenho muito meritório, embora amiúde também se percebesse mal o que dizia.
Mas afinal de que fala a peça? A sinopse, também aqui, diz assim:
"Diz-se que foi na Grécia Antiga que nasceu a Civilização Ocidental e que foi em Atenas, vários séculos antes de Cristo, que nasceu a Democracia. Nas comédias de Aristófanes, por sinal um conservador, no violento e insurrecto humor com que nelas retrata a vida daquela cidade ‘perfeita’, nestes textos escritos há 2.500 anos, fomos encontrar o material para a composição do guião deste espectáculo. É com as confusões e as dificuldades da vida numa sociedade que se quer democrática, a corrupção da sua política, o seu desejo de paz, as suas saudades do campo, a maneira como convive com os seus ‘poetas’, as peripécias sexuais e conjugais que se geram na coexistência do público e do privado, em suma, com a vida da polis, e através das mais que inevitáveis semelhanças com os contratempos dos nossos dias, que este espectáculo quer brincar. Uma grotesca metáfora de todas as Cidades, construída por um grande grupo de actores no palco do São Luiz, teatro da cidade de Lisboa."
Luis Miguel Cintra
A comunicação social tem dado nota de Escolas que continuam a exigir aos docentes a definição e a apresentação de objectivos, tendo em vista o desenvolvimento do processo de avaliação. O Sindicato dos Professores da Zona Centro (SPZCentro), manifesta-se incrédulo e espantado com tais atitudes, tendo em conta todo o desenvolvimento negocial que ocorreu entre Sindicatos e o Ministério da Educação (ME) e que culminou com a assinatura no pretérito dia 8 de Janeiro do Acordo de Princípios para a Revisão do Estatuto da Carreira Docente e do Modelo de Avaliação dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário e Educadores de Infância. Na verdade, ao longo de todo o processo negocial, foi afirmado pela ministra da Educação a intenção de terminar apenas este ciclo de avaliação com a aplicação do modelo anterior, sendo que o próximo ciclo já decorreria de acordo com o novo modelo. Deste modo, revela-se de todo despropositado e de algum modo até, contraproducente, que algumas escolas estejam a desenvolver os procedimentos de avaliação como se nada tivesse ocorrido. É certo que ainda não existe a revogação expressa através de diploma legal do normativo em vigor, mas é já adquirido e de forma solene através da assinatura do acordo de princípios pela ministra da Educação e pelas organizações sindicais, em que o SPZCentro se inclui, que tal irá ser objecto de alteração, constando aliás já muitos dos princípios e processos do novo modelo no documento já assinado. Reputa pois o SPZCentro de extremamente gravoso, quer para a imagem dos docentes, quer das próprias escolas, que se continue a exigir aos docentes a prática de actos para o desenvolvimento de um processo que foi largamente contestado e objecto já de acordo de alteração com o ME. Coimbra, 2 de Fevereiro de 2010 A Direcção do SPZCentro
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